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	<title>Arquivo de Neurologia - Médico News</title>
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	<description>Dar voz à experiência clínica dos profissionais de saúde no nosso país, através de depoimentos dos key opinion leaders das respetivas especialidades.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 09 Jul 2026 09:28:48 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Neurologia - Médico News</title>
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	<item>
		<title>Opção terapêutica oral aprovada na Europa para o tratamento agudo da enxaqueca em adultos</title>
		<link>https://mediconews.pt/opcao-terapeutica-oral-aprovada-na-europa-para-o-tratamento-agudo-da-enxaqueca-em-adultos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 09:28:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Neurologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão Europeia (CE) aprovou uma nova indicação para um fármaco oral pertencente à classe dos antagonistas do recetor do CGRP, alargando a sua utilização ao tratamento agudo de crises de enxaqueca, com ou sem aura, em adultos. Esta molécula passa assim a ser a única desta classe terapêutica aprovada na União Europeia com dupla indicação: tanto para atuar no momento da crise de dor (conforme necessário), como para a profilaxia contínua em doentes que sofram de, pelo menos, quatro dias de enxaqueca por mês. A decisão fundamentou-se nos resultados do ensaio clínico de Fase 3 ECLIPSE, que demonstrou uma eficácia estatisticamente significativa na ausência de dor ao fim de duas horas, mantendo o efeito clínico e a consistência ao longo de múltiplas crises, o que representa um avanço importante na flexibilidade e segurança do portefólio de cuidados destinados a quem vive com esta patologia debilitante.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>“A aprovação de atogepant pela Comissão Europeia constitui um marco importante para as pessoas que necessitam de tratamento agudo para a enxaqueca. Os dados clínicos demonstraram que atogepant proporciona um alívio rápido e duradouro das crises de enxaqueca, incluindo a ausência sustentada de dor até 48 horas”, refere Roopal Thakkar, vice-presidente executivo de investigação e desenvolvimento e diretor científico da AbbVie. “Com esta aprovação, a AbbVie consegue dar resposta às necessidades não satisfeitas das pessoas que vivem com enxaqueca na Europa, oferecendo um vasto portefolio de tratamentos agudos e preventivos para a enxaqueca crónica e episódica.”</p>
<p>A enxaqueca é uma doença neurológica prevalente e debilitante, que afeta cerca de 14% da população mundial,(2) com uma incidência mais elevada nas mulheres do que nos homens.(3) Particularmente comum entre indivíduos com idades compreendidas entre os 25 e os 55 anos, (4) as crises de enxaqueca podem caracterizar-se por dores de cabeça intensas e latejantes, comprometimento cognitivo, sensibilidade à luz e ao som e náuseas, resultando em limitações significativas nas atividades diárias. (5,6) A enxaqueca é uma das principais causas de anos vividos com incapacidade e afeta profundamente a qualidade de vida.(7) Esta doença debilitante impõe também um fardo social e financeiro tanto para as pessoas que vivem com enxaqueca como para os sistemas de saúde.(8) De acordo com uma análise recente realizada em seis países europeus, estima-se que a enxaqueca represente um fardo económico de 1,2% a 2,0% do PIB, correspondendo entre 35 mil milhões a 557 mil milhões de euros em perda de produtividade, tanto no trabalho remunerado como no não remunerado respetivamente. (9)</p>
<p>“A enxaqueca é uma doença invisível que perturba a vida quotidiana, incluindo momentos significativos com amigos e familiares, ao mesmo tempo que impõe encargos mentais, físicos e socioeconómicos significativos”, afirma Uwe Reuter, professor de neurologia no Hospital Universitário Charité, em Berlim, Alemanha, e presidente da Federação Europeia de Cefaleias.</p>
<p>“O estudo pivotal de Fase 3 demonstrou que atogepant é uma opção de tratamento agudo eficaz para a enxaqueca e que o acesso ao tratamento adequado pode ajudar os médicos a lidar melhor com o fardo desta doença nas pessoas que vivem com enxaqueca.”</p>
<p>A aprovação de atogepant baseia-se nos dados do ensaio clínico ECLIPSE, de Fase 3, que avaliou a eficácia, a segurança e a tolerabilidade de atogepant (60 mg), em comparação com o placebo, no tratamento agudo de uma única crise de enxaqueca e a consistência do efeito ao longo de várias crises, em adultos com historial de enxaqueca, com ou sem aura. (1) O estudo atingiu o seu <em>endpoint</em> primário, demonstrando que atogepant foi superior ao placebo na obtenção da ausência de dor, duas horas após o tratamento da primeira crise de enxaqueca (p &lt; 0,0001).(1)</p>
<p>Além disso, o estudo demonstrou significância estatística, em comparação com o placebo, em vários endpoints secundários classificados, incluindo a ausência do sintoma mais incómodo, duas horas após o tratamento, o alívio da dor às duas horas, a redução do uso de medicação de resgate, no prazo de 24 horas, e a ausência sustentada de dor entre as 2 e as 48 horas (p &lt; 0,0001). (1) Atogepant também demonstrou um efeito clinicamente significativo, e consistente, ao longo de múltiplas crises de enxaqueca.</p>
<p>Durante o período de tratamento de 16 semanas, controlado por placebo em dupla ocultação, o perfil de segurança de atogepant revelou-se, em geral, consistente com o observado na sua indicação aprovada para o tratamento preventivo da enxaqueca. Os efeitos indesejáveis mais comuns foram a nasofaringite e a infeção das vias respiratórias superiores.</p>
<p>Atogepant também está aprovado na União Europeia como um antagonista do recetor CGRP (gepant) de administração única diária para a profilaxia (prevenção) da enxaqueca em adultos com, pelo menos, quatro dias de enxaqueca por mês.</p>
<p><strong>Sobre o Estudo ECLIPSE</strong></p>
<p>O ECLIPSE é um ensaio clínico de fase 3, multicêntrico, aleatório,em dupla ocultação, controlado por placebo, com duração de 24 semanas, sobre crises múltiplas de enxaqueca, com uma extensão em regime aberto, que recrutou 1.328 adultos com idades compreendidas entre os 18 e os 75 anos com enxaqueca, com ou sem aura, que tinham tido entre dois e oito ataques de enxaqueca moderados a graves por mês em cada um dos três meses anteriores à triagem. O estudo foi realizado em 149 centros na Europa, no Reino Unido, no Japão, na China, na Coreia do Sul e em Taiwan. O <em>endpoint</em> primário foi a ausência de dor duas horas após a primeira crise, enquanto os principais endpoints secundários incluíram a ausência do sintoma mais incómodo duas horas após a administração da dose, o alívio da dor duas horas após a administração, a redução do uso de medicação de resgate no prazo de 24 horas e a ausência sustentada de dor entre 2 e 48 horas.</p>
<p>Os participantes do estudo ECLIPSE foram aleatorizados para quatro sequências de tratamento em dupla ocultação, com o objetivo de tratar quatro crises de enxaqueca elegíveis, com intensidade de dor de cabeça moderada ou grave, com uma dose única de atogepant (60 mg) ou placebo durante o período de 16 semanas em dupla ocultação. A primeira crise (repartição 1:1 entre placebo e atogepant) foi a única crise utilizada para avaliar o <em>endpoint</em> primário de eficácia e os 16 desfechos secundários de eficácia. Após o tratamento de quatro crises de enxaqueca elegíveis, durante o período duplo-cego, os participantes entraram num período de tratamento aberto, até ao final do estudo (até à semana 24) e trataram as crises de enxaqueca com uma dose única de atogepant (60 mg).</p>
<p>Mais informações sobre o ensaio clínico ECLIPSE podem ser consultadas em<a href="https://www.google.com/url?q=http://www.clinicaltrials.gov&amp;source=gmail-imap&amp;ust=1784048360000000&amp;usg=AOvVaw1SkcUdo5ExBiWNfHY7TiDI" target="_blank" rel="noopener"> www.clinicaltrials.gov</a> (NCT06241313).</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Legislação vaga na demência transfere um peso excessivo para a opinião individual do médico</title>
		<link>https://mediconews.pt/legislacao-vaga-na-demencia-transfere-um-peso-excessivo-para-a-opiniao-individual-do-medico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 14:18:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Neurologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Fórum de Neurologia, em Évora, a sessão “Doença de Alzheimer – Demência e disposições legais” teve como um dos destaques de discussão o ponto de vista clínico de <strong>Miguel Tábuas Pereira</strong>, da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra. O neurologista alertou para duas questões críticas na gestão desta patologia: uma significativa lacuna legal na avaliação do impacto da demência e a crescente sobrecarga burocrática imposta aos médicos. O especialista defendeu a criação urgente de medidas para tornar o processo mais simples e transparente.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O neurologista sublinhou que, embora a perda das faculdades cognitivas seja altamente prevalente e cria inúmeros desafios legais, a legislação é “muito vaga” na avaliação do impacto da demência. Esta indefinição transfere um peso excessivo para a opinião individual do médico. A ausência de regras objetivas para situações cruciais, como a aptidão para a condução ou a avaliação da capacidade de decisão, resulta num elevado grau de subjetividade. Dado o caráter progressivo da doença de Alzheimer, esta indefinição “conduz inevitavelmente a inequidades” no tratamento dos casos.</p>
<p>O especialista realçou também a crescente sobrecarga burocrática, com os médicos a serem confrontados com a necessidade de emitir múltiplos relatórios, muitas vezes repetitivos e em formatos diversos. Na sua opinião, este volume de tarefas administrativas torna-se um “exercício de futilidade” que consome o tempo e a energia dos profissionais de saúde. Perante este cenário, Miguel Tábuas Pereira deixou um apelo à criação de medidas que visem tornar o processo mais transparente, objetivo e simples. O objetivo principal é libertar os profissionais de saúde destas tarefas para que se possam concentrar no essencial: “ajudar os doentes e as suas famílias a navegar a incerteza que esta patologia representa”.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Filipe Palavra: “O objetivo é utilizar mais cedo fármacos específicos que alterem o percurso de vida do doente com enxaqueca”</title>
		<link>https://mediconews.pt/filipe-palavra-o-objetivo-e-utilizar-mais-cedo-farmacos-especificos-que-alterem-o-percurso-de-vida-do-doente-com-enxaqueca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 17:10:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Neurologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=45900</guid>

					<description><![CDATA[<p>A chegada de terapêuticas desenhadas especificamente para atuar na fisiopatologia da enxaqueca elevou o nível de exigência dos neurologistas quanto ao sucesso clínico. No Fórum de Neurologia, após a sessão "Cefaleias - Manejo dos novos fármacos preventivos da enxaqueca", <strong>Filipe Palavra</strong> fez o balanço das grandes mensagens. Em entrevista, o especialista defende que o acesso precoce a estas moléculas inovadoras — incluindo os anticorpos monoclonais e os gepantes — é crucial para transformar o quotidiano dos doentes, sublinhando que a facilidade de manuseamento destes fármacos abre portas a uma prescrição segura também nos Cuidados de Saúde Primários. Veja o vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O panorama do tratamento da enxaqueca sofreu uma transformação nos últimos anos. Se, durante décadas, os especialistas recorriam a fármacos desenvolvidos para outras patologias que apenas produziam um benefício secundário — com exceção dos triptanos na década de 90 —, a realidade atual é inteiramente direcionada. “Evoluímos de uma situação de ter fármacos absolutamente inespecíficos para fármacos desenhados especificamente para atuar nesta dor de cabeça”, relembra Filipe Palavra.</p>
<p>Esta evolução deve-se, em grande parte, à descoberta da via do CGRP. A sessão focou-se nas grandes mensagens associadas ao uso de anticorpos monoclonais e gepantes, tanto na vertente profilática como na abordagem aguda. Segundo o neurologista, estes dados na vida real validam a ciência de laboratório: “A novidade já não é assim tanta, mas os resultados que nós vemos continuam a ver-se na prática do dia a dia e corroboram que, de facto, são medicamentos muito interessantes, com uma efetividade muito interessante no tratamento deste tipo de dor de cabeça”.</p>
<p>Com ferramentas mais eficazes, as metas dos especialistas tornaram-se mais ambiciosas. “Isso torna-nos, naturalmente, também muito mais exigentes em relação ao tipo de sucesso terapêutico que queremos ter”, assume o médico. O grande propósito da sessão no Fórum de Neurologia foi, por isso, incentivar a comunidade médica a não adiar a introdução destas terapêuticas de vanguarda.</p>
<p>“O que nós pretendemos veicular com esta mesma sessão é um conjunto de mensagens que ajudem as pessoas a utilizar mais cedo medicamentos específicos e que têm grande potencial para poder, de facto, alterar aquilo que é o percurso de vida de uma pessoa com diagnóstico de enxaqueca”, esclarece Filipe Palavra, lembrando que a patologia é marcada por oscilações crónicas, mas que a introdução atempada destas opções visa garantir “que sejam mais os altos do que propriamente os baixos”.</p>
<p>Desmistificando a ideia de que estas terapêuticas inovadoras se devem fechar exclusivamente nos gabinetes hospitalares de Neurologia, o especialista assegura que se trata de opções com perfis de segurança muito favoráveis. “São fármacos relativamente simples de utilizar, mesmo por pessoas que não estejam tão habituadas a tratar pessoas com o diagnóstico de enxaqueca”.</p>
<p>Essa simplicidade ganha uma tradução prática muito relevante em Portugal através do circuito comercial de ambulatório. “Os novos fármacos específicos de utilização oral, como são efetivamente os gepantes em Portugal, estão disponíveis nas farmácias comunitárias, o que significa que as pessoas podem efetivamente comprar esse mesmo medicamento prescrito, por exemplo, pelo médico de família, coisa que não acontece noutros países da União Europeia”.</p>
<p>Apesar desta vantagem estrutural no circuito de dispensa, Filipe Palavra identifica a acessibilidade financeira como a grande barreira que ainda subsiste no país. “Naturalmente que a questão da comparticipação e do preço desses medicamentos é um tema e algo que teremos que melhorar para permitir também o acesso a esta intervenção terapêutica. Porque não é só a questão de ter a inovação terapêutica; é importante que as pessoas acedam à inovação terapêutica”.</p>
<p>As conclusões debatidas neste encontro científico não vão ficar restritas ao debate do Fórum. O especialista antecipa que as mensagens-chave partilhadas “vão ser naturalmente vertidas na revisão das recomendações terapêuticas no seio da Sociedade Portuguesa de Cefaleias”.</p>
<p>Este trabalho terá como prioridade máxima informar os profissionais de saúde do país sobre o manuseamento correto, as indicações precisas e as reais mais-valias destas armas terapêuticas, consolidando uma abordagem clínica padronizada e de excelência para os doentes em Portugal.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Dia Nacional do Doente com AVC: “Até 85% dos casos podem ser evitados”</title>
		<link>https://mediconews.pt/dia-nacional-do-doente-com-avc-ate-85-dos-casos-podem-ser-evitados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 14:51:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Neurologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Portugal, o acidente vascular cerebral (AVC) mantém-se como a principal causa de morte e incapacidade, com um impacto devastador: a cada hora, três portugueses sofrem um evento, resultando, estatisticamente, numa morte e numa sobrevivência com sequelas graves. A propósito do Dia Nacional do Doente com AVC, assinalado a 31 de março, <strong>Cristina Duque</strong> analisa, em entrevista, o panorama atual da doença no país. Apesar dos avanços nas terapêuticas de perfusão e da redução da mortalidade global, a especialista alerta para a persistência de desigualdades regionais, o aumento de casos em adultos jovens e as lacunas no acompanhamento pós-alta. Sob o mote “tempo é cérebro”, a entrevista reforça a urgência de investir em Unidades de AVC e na literacia que pode salvar vidas.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O retrato do AVC em Portugal: entre avanços e desigualdades</strong></p>
<p>O panorama atual do AVC em Portugal revela uma realidade de contrastes. Por um lado, a trajetória da última década é positiva: a taxa de mortalidade baixou significativamente, situando-se agora abaixo da média europeia. No entanto, a letalidade hospitalar global permanece estagnada nos 12%. “A cada hora, três pessoas sofrem um AVC. Uma delas ficará com sequelas e uma terá um desfecho fatal”, sublinha Cristina Duque.</p>
<p>Um dado particularmente preocupante é o rejuvenescimento da doença: 20% dos eventos já ocorrem em adultos jovens, fruto da exposição precoce a fatores de risco como hipertensão e diabetes. Além disso, persistem assimetrias regionais, com os Açores e o Algarve a apresentarem taxas de mortalidade hospitalar superiores ao resto do país.</p>
<p><strong>Avanços terapêuticos e o <em>gold standard</em></strong></p>
<p>Nos últimos anos, Portugal registou um salto qualitativo nas terapêuticas. Contudo, a eficácia do tratamento depende criticamente do internamento. “Apenas cerca de metade dos doentes (42%) tem acesso a internamento em Unidades de AVC, que são o gold standard na prática clínica”, lamenta a especialista. O internamento nestas unidades especializadas é determinante para reduzir a mortalidade e acelerar a recuperação funcional, evitando complicações como infeções e atrasos na reabilitação.</p>
<p><strong>31 de março: mais do que uma efeméride, uma causa nacional</strong></p>
<p>Assinalar o Dia Nacional do Doente com AVC é, para a Sociedade Portuguesa de AVC (SPAVC), um momento de mobilização. Este ano, a campanha “11 dias, uma causa: vencer o AVC” percorre o país para reforçar a mensagem de que 85% dos casos podem ser prevenidos através do controlo da hipertensão, alimentação equilibrada e exercício físico.</p>
<p>A literacia continua a ser a melhor arma de prevenção. Cristina Duque insiste na memorização da “regra dos três Fs”: face (desvio da boca), fala (dificuldade em falar), força (falta de força no braço). “Saber identificar estes sinais e ligar de imediato para o 112 pode definir a fronteira entre uma recuperação plena ou uma sequela grave”, alerta.</p>
<p><strong>O futuro e os investimentos prioritários</strong></p>
<p>Olhando para a próxima década, o objetivo é ambicioso: Portugal subscreveu a meta europeia de atingir 90% de internamentos em Unidades de AVC até 2030. Para tal, Cristina Duque defende investimentos estruturais urgentes em quatro eixos: expansão da rede de Unidades de AVC para garantir equidade territorial; criação de um registo nacional contínuo para identificar lacunas no percurso do doente; reforço do acompanhamento pós-alta, dado que apenas um quarto dos doentes tem uma consulta especializada aos três meses; aposta na reabilitação multidisciplinar, garantindo fisioterapia e terapia da fala de forma integrada na comunidade.</p>
<p><strong>Uma mensagem aos profissionais de saúde</strong></p>
<p>No encerramento da entrevista, a especialista deixa um apelo à responsabilidade partilhada de todas as equipas multidisciplinares, desde os Cuidados de Saúde Primários à Reabilitação. “Cada segundo que ganhamos traduz-se em cérebro preservado e em qualidade de vida recuperada. Precisamos de todos para assegurar que o percurso ideal do doente seja uma realidade para todos os portugueses”, conclui.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Como os wearables podem expandir os cuidados hospitalares na epilepsia</title>
		<link>https://mediconews.pt/como-os-wearables-podem-expandir-os-cuidados-hospitalares-na-epilepsia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 10:29:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Neurologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=44705</guid>

					<description><![CDATA[<p>O diagnóstico e a monitorização da epilepsia continuam a enfrentar um paradoxo central: embora o hospital disponha de tecnologia sofisticada e de um ambiente altamente controlado, a doença raramente se deixa capturar nesse enquadramento. Pela sua natureza intermitente e profundamente dependente do contexto de vida real, as crises epilépticas e as alterações epileptiformes no EEG surgem frequentemente fora da janela temporal dos exames intra-hospitalares, por regra breves e realizados em condições artificiais. Foi neste contexto que, no 37.º Encontro Nacional de Epileptologia, <strong>Daniel Filipe Borges</strong>, docente da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto e investigador doutorado em Neurociências pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, integrado no RISE-HEALTH/TBIO, defendeu que, em casos selecionados, importa levar parte dessa capacidade tecnológica ao quotidiano do doente através de dispositivos <em>wearables</em> clinicamente validados.</p>
<p>A miniaturização dos sistemas de aquisição abre hoje novas possibilidades de monitorização prolongada, maior aceitabilidade e recolha de dados em ambiente natural. Mas deixou uma ressalva inequívoca: sem qualidade de sinal, baixas taxas de falsos alarmes, boa adesão e validação clínica robusta, a promessa tecnológica rapidamente se transforma em ruído.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O problema do ambiente artificial</strong></p>
<p>Atualmente, o <em>gold standard</em> diagnóstico da epilepsia continua a assentar no contexto laboratorial, essencial pela qualidade técnica e pelo controlo das condições de aquisição. Daniel Filipe Borges recordou, porém, que esse enquadramento não esgota todas as necessidades clínicas, já que o ambiente hospitalar pode alterar dimensões relevantes do comportamento e do funcionamento cerebral humano.</p>
<p>Neste contexto, a proposta não passa por medicalizar <em>fitness trackers</em>, mas por desenvolver e validar tecnologias miniaturizadas, integradas no quotidiano, capazes de gerar dados biológicos fidedignos e clinicamente interpretáveis. O objetivo não é substituir os exames convencionais, mas complementá-los, em casos selecionados, com informação recolhida em contexto de vida real, mais próxima da realidade biológica do doente.</p>
<p><strong>Validar antes de escalar</strong></p>
<p>Um dos principais obstáculos à adoção destas tecnologias é o ceticismo clínico, frequentemente alimentado pela distância entre a robustez dos equipamentos hospitalares e a aparente simplicidade dos dispositivos portáteis. Para Daniel Filipe Borges, esse ceticismo é legítimo — e deve ser respondido com ciência.</p>
<p>O objetivo não é substituir o hospital, mas alargar, de forma criteriosa, parte da sua capacidade diagnóstica para lá do ambiente convencional. Isso exige estudos de validação clínica robustos, em que os novos dispositivos sejam comparados, em simultâneo, com os métodos de referência. O <em>wearable</em> EEG não deve ser avaliado pela promessa, mas pela capacidade demonstrada para responder ao problema clínico certo, com comparadores adequados, métricas de desempenho sólidas, impacto aceitável no workflow e utilidade clínica real. Em síntese, a validação tem de ser <em>fit for purpose</em>.</p>
<p><strong>Menos erro, mais acesso</strong></p>
<p>A integração de dados recolhidos no ambiente natural do doente pode contribuir para decisões clínicas mais informadas, mais robustas e assentes em informação mais representativa da sua realidade biológica.</p>
<p>Daniel Filipe Borges recordou que o erro de diagnóstico na epilepsia pode situar-se entre 25% e 30%, valor que poderá diminuir quando o médico dispõe de dados fidedignos, prolongados e recolhidos fora do hospital. Quando a observação se estende por dias ou semanas, podem emergir padrões e ciclos com relevância clínica que dificilmente se captam em avaliações breves. Em casos selecionados, o uso estratégico de wearables poderá ainda aliviar a pressão sobre os serviços, ajudando a preservar os recursos hospitalares mais diferenciados para os doentes que deles mais necessitam.</p>
<p>A inovação proposta centra-se, acima de tudo, na melhoria da qualidade de vida e na inclusão do doente no processo de decisão. Quando se recorre a dispositivos médicos validados — e não a simples <em>fitness trackers</em> — a adesão pode ser muito elevada, tornando viáveis estratégias de monitorização mais prolongadas e clinicamente úteis. Como sublinhou o investigador, a inovação com verdadeiro impacto é a que melhora, de forma concreta, o quotidiano do doente.</p>
<p><strong>Uma transição que exige prova, não entusiasmo</strong></p>
<p>O futuro passará, muito provavelmente, pela personalização dos cuidados e pelo alargamento do acesso a estratégias diagnósticas mais flexíveis. Se os dados gerados por estes dispositivos forem devidamente validados e integrados na prática clínica, o resultado poderá ser favorável para todos: o médico ganha suporte adicional para decidir com maior segurança e o doente beneficia de cuidados mais precisos, mais contextualizados e potencialmente menos onerosos.</p>
<p>Mas Daniel Filipe Borges sublinhou um ponto essencial: esta transição não se fará por entusiasmo tecnológico, mas por demonstração científica. O passo seguinte é, por isso, reforçar a validação clínica e acumular prova robusta de que estas soluções acrescentam valor real à decisão médica. Em epilepsia, a inovação só cumpre verdadeiramente o seu propósito quando se traduz em melhor diagnóstico, melhor seguimento e melhor cuidado.</p>
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		<title>Controvérsias no tratamento de hemorragias intracranianas em debate</title>
		<link>https://mediconews.pt/controversias-no-tratamento-de-hemorragias-intracranianas-em-debate/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2026 12:17:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Neurologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante o 20.º Congresso Português do AVC, a sessão sobre “Controvérsias na intervenção neurovascular em hemorragia intracraniana e aneurismas”, moderada por <strong>João Pinho</strong>, destacou-se pelo debate sobre estratégias terapêuticas complexas. “Foi a sessão de abertura do congresso com uma mesa redonda sobre o tratamento de doentes com hemorragias intracranianas, sobre diferentes aspetos das hemorragias intracranianas”, afirmou o especialista. Assista ao depoimento na íntegra.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O especialista explicou que a sessão abordou a complexidade do tratamento das hemorragias intracranianas, onde “as decisões cirúrgicas difíceis se põem na fase aguda destes AVCs hemorrágicos”. Para ele, cada caso exige uma abordagem individualizada, adaptada ao estado clínico do doente.</p>
<p>Outro ponto central da discussão foi a gestão de aneurismas não rotos, “sempre uma questão muito controversa e muito discutida sobre se estes doentes devem ser tratados, que fatores indicam que existe um risco maior de hemorragia nestes doentes”. Segundo Pinho, estas reflexões são essenciais para alinhar a prática clínica com as recomendações das guidelines europeias.</p>
<p>A sessão terminou com a análise das novas indicações para o tratamento endovascular das hemorragias subdurais. Pinho destacou “o possível benefício desse tratamento neste conjunto de doentes que, classicamente, era abordado pela neurocirurgia, mas com novas opções de tratamento neste momento, e entusiasmantes”, reforçando a importância de manter os profissionais atualizados sobre estas inovações.</p>
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		<title>O futuro do tratamento da enxaqueca crónica na população feminina: mAb anti-CGRP enquanto game-changers</title>
		<link>https://mediconews.pt/o-futuro-do-tratamento-da-enxaqueca-cronica-na-populacao-feminina-mab-anti-cgrp-enquanto-game-changers/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Jan 2026 10:58:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Neurologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><strong>Andreia Matas</strong>, da Unidade Local de Saúde (ULS) de Trás-os-Montes e Alto Douro, marcou presença no simpósio organizado pela Organon no <em>European Headache Congress</em> (EHC). Enquanto membro da assistência, a neurologista comentou a relevância do tema escolhido e como o futuro do tratamento da enxaqueca é promissor. Para a especialista, o entendimento entre a Neurologia e Ginecologia é essencial para adequar o tratamento da enxaqueca crónica nas mulheres. Assista à entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Aproveito para parabenizar a Organon – é um tema muito relevante. Obviamente que a enxaqueca é uma doença que tem toda a pertinência para ser abordada por diferentes especialidades. Sabemos da influência que as hormonas têm na enxaqueca, e é imprescindível termos a perspetiva da Ginecologia. Permite-nos integrar conhecimentos que nos são mais distantes e ter uma abordagem mais holística com as nossas doentes, proporcionando um melhor cuidado”, justificou.</p>
<p>Melhorar a qualidade de vida das mulheres com esta doença foi o tema da sessão, relembrando que os anticorpos monoclonais são o caminho a seguir no que diz respeito à prevenção de episódios. No entanto, ter consideração pelos vários períodos da vida da mulher facilita o sucesso da terapêutica.</p>
<p>“Obviamente que todas as opções farmacológicas e não farmacológicas devem estar ajustadas àquilo que é a infância, adolescência, gravidez, amamentação e menopausa. As opções terapêuticas têm de ser adequadas a cada fase, ponderando sempre riscos e benefícios. Aqui a palavra-chave é personalização”, acrescentou.</p>
<p>Sabendo que a prevalência da enxaqueca em Portugal na população feminina chega a 2/3, resulta numa abordagem diferenciada em relação aos homens. E, nestes casos, estas “oferecem um tratamento muito mais dirigido”, tornando-se “fundamentais para adequar o nosso tratamento no futuro”.</p>
<p>Entre os dias 3 e 6 de dezembro, o Centro de Congressos de Lisboa recebeu diversos especialistas nacionais e estrangeiros para abordar a enxaqueca como um todo.</p>
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		<title>Introdução de anticorpos monoclonais no tratamento da enxaqueca nas mulheres: “Vemos excelentes resultados e as doentes estão satisfeitas”</title>
		<link>https://mediconews.pt/introducao-de-anticorpos-monoclonais-no-tratamento-da-enxaqueca-nas-mulheres-vemos-excelentes-resultados-e-as-doentes-estao-satisfeitas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 16:04:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Neurologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=43810</guid>

					<description><![CDATA[<p>Quem o afirma é <strong>Joana Ramos Lopes</strong>, da Unidade Local de Saúde (ULS) Região de Aveiro, após assistir ao Simpósio da Organon no <em>European Headache Congress</em> (EHC). A sessão, dedicada à colaboração entre Neurologia e Ginecologia no tratamento das mulheres com enxaqueca crónica, pretendia mostrar como a partilha de conhecimentos facilita a escolha do tratamento mais adequado. Pegando na sua experiência clínica, a neurologista afirmou que a introdução de anticorpos monoclonais tem impactado positivamente o dia a dia destas doentes. Veja o vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Este simpósio foi extremamente importante porque, efetivamente, observamos mulheres com enxaqueca e em várias idades. Temos muitas dificuldades na gestão hormonal, não só contracetiva, mas também nas terapêuticas hormonais de substituição. Como a Ginecologia tem conhecimento aprofundado sobre o tipo de fármacos existentes e as vias de administração, acaba por ser uma mais-valia na troca de conhecimentos, uma vez que nos podem dar dicas de como adequar o tratamento à doente”, começou por explicar.</p>
<p>Durante a entrevista, a neurologista enfatizou que a enxaqueca vai apresentando modificações com a mudança de idade resultado das flutuações hormonais. Estas alterações significam que nem todos os medicamentos são adequados para todas as fases da vida da mulher. Nestes casos, é necessário ter a preocupação de adequar a estratégia preventiva.</p>
<p>Ao longo do tempo, e com a introdução de novas terapêuticas, os resultados têm sido visíveis e bastante positivos.</p>
<p>“A maioria das mulheres – todos os doentes, mas as mulheres essencialmente – melhorou significativamente com a introdução de anticorpos na sua tabela terapêutica. Isso faz com que tenha um menor número de dias de cefaleias por mês, permitindo uma planificação do dia a dia, do trabalho, da vida pessoal e social. Tudo isto aumenta a qualidade de vida das doentes. Efetivamente, o que vemos são excelentes resultados com a utilização destes fármacos. É uma mais-valia utilizá-los. Felizmente estão disponíveis em Portugal e as doentes estão extremamente satisfeitas”, terminou.</p>
<p>O simpósio da Organon aconteceu no primeiro dia do evento que marcou lugar em Lisboa, entre 3 e 6 de dezembro.</p>
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		<title>Cientistas da Universidade de Coimbra identificam mecanismo molecular associado a doença neurodegenerativa rara</title>
		<link>https://mediconews.pt/cientistas-da-universidade-de-coimbra-identificam-mecanismo-molecular-associado-a-doenca-neurodegenerativa-rara/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 17:01:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Neurologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=43590</guid>

					<description><![CDATA[<p>Uma equipa internacional liderada pela Universidade de Coimbra identificou novos mecanismos que ajudam a explicar como ocorre a morte celular na doença de Batten, uma patologia neurodegenerativa rara e fatal que afeta sobretudo crianças e jovens adultos. As conclusões, agora publicadas na revista EMBO <em>Reports</em>, abrem caminho à identificação de futuros alvos terapêuticos para uma doença que, até hoje, não tem cura.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A doença de Batten caracteriza-se pela acumulação anormal de resíduos no interior dos neurónios, levando à disfunção e eventual morte destas células. Os sintomas incluem perda de visão na infância, convulsões, deterioração cognitiva e, em estados avançados, perda total de mobilidade e de comunicação. Estima-se que afete um em cada 100 mil nascimentos a nível global.</p>
<p>A forma mais comum da doença está associada a mutações no gene responsável pela produção da proteína lisossomal CLN3, conhecida como batenina. No estudo liderado por <strong>Neuza Domingues</strong> e <strong>Nuno Raimundo</strong>, investigadores do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal) e do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecn ologia (CiBB), os cientistas descrevem o papel central desta proteína nos processos de sinalização que regulam a morte celular.</p>
<p>Segundo a equipa, a ausência ou alteração da batenina, desencadeia uma disfunção do lisossoma, o “centro de reciclagem” da célula. Esta falha gera danos no ADN e ativa vias de sinalização que promovem a autodestruição celular. “Quando o lisossoma deixa de funcionar corretamente, o acumular de determinados detritos interfere com várias rotas de comunicação da célula, como se vários semáforos de uma avenida ficassem desregulados”, explica Nuno Raimundo.</p>
<p>O trabalho permitiu ainda identificar dois elementos-chave nessas vias de morte celular: as proteínas c-Abl e YAP1. “Verificámos que estas proteínas desempenham um papel crucial na resposta apoptótica desencadeada pela perda de função da CLN3. Acreditamos que bloquear estas vias poderá abrir novas oportunidades para mitigar ou retardar os efeitos da doença”, refere Neuza Domingues.</p>
<p>Além de oferecer novas perspetivas terapêuticas para a doença de Batten, as descobertas poderão também contribuir para a compreensão dos mecanismos biológicos do envelhecimento. “Os doentes apresentam sintomas que se assemelham aos de doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento, como demência e perda de visão. Os nossos resultados ajudam a clarificar o papel do lisossoma nesses processos”, sublinha a investigadora.</p>
<p>O estudo envolveu ainda investigadores do Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra, da Universidade de Nápoles, da Faculdade de Medicina Baylor, nos EUA, e do Centro Médico Universitário de Göttingen, na Alemanha.</p>
<p>Leia o artigo científico completo: Loss of the lysosomal protein CLN3 triggers c-Abl-dependent YAP1 pro-apoptotic signaling <a href="https://doi.org/10.1038/s44319-025-00613-3" target="_blank" rel="noopener">https://doi.org/10.1038/s44319-025-00613-3</a>.</p>
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		<title>ULS de Santo António otimiza cuidado a doentes com esclerose múltipla</title>
		<link>https://mediconews.pt/uls-de-santo-antonio-otimiza-cuidado-a-doentes-com-esclerose-multipla/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gonçalo Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2025 12:10:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Neurologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=43412</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Unidade Local de Saúde de Santo António foi distinguida na 4.ª edição das Bolsas Mais Valor em Saúde – Vidas que Valem, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), Gilead Sciences, Exigo e Vision for Value. O projeto vencedor, "Percurso Otimizado do Doente com Esclerose Múltipla", visa aprimorar o atendimento e o seguimento dos pacientes na consulta. Veja a entrevista com a responsável <b>Ernestina Santos</b>.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">“A equipa já trabalha há muitos anos, e o projeto visa melhorar ainda mais o seu funcionamento, focando-se nos pontos críticos do percurso do doente. A candidatura ajudou a equipa a analisar e criticar os momentos de demora, como o tempo que o doente leva a chegar à consulta ou o atraso no diagnóstico”, afirma</p>
<p class="MsoNormal">A iniciativa não se limita aos novos doentes, abrangendo também o seguimento dos doentes já em acompanhamento. A equipa procurará implementar novas e mais objetivas formas de medir a incapacidade e a evolução da doença, além da avaliação clínica e da ressonância, usando, por exemplo, a avaliação cognitiva.</p>
<p><iframe title="ULS de Santo António otimiza cuidado a doentes com esclerose múltipla" src="https://player.vimeo.com/video/1141103681?h=281d120607&amp;dnt=1&amp;app_id=122963" width="640" height="360" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin"></iframe></p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/uls-de-santo-antonio-otimiza-cuidado-a-doentes-com-esclerose-multipla/">ULS de Santo António otimiza cuidado a doentes com esclerose múltipla</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
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