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	<title>Arquivo de TOP PICKS Derma - Médico News</title>
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	<description>Dar voz à experiência clínica dos profissionais de saúde no nosso país, através de depoimentos dos key opinion leaders das respetivas especialidades.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 02 Jul 2026 09:31:55 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de TOP PICKS Derma - Médico News</title>
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	<item>
		<title>O futuro das terapias genéticas na Dermatologia Pediátrica</title>
		<link>https://mediconews.pt/o-futuro-das-terapias-geneticas-na-dermatologia-pediatrica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2026 14:25:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
		<category><![CDATA[TOP PICKS Derma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O 25th ESPD <em>Congress</em> 2026 voltou a destacar-se como um palco privilegiado para discutir inovação em Dermatologia Pediátrica, incluindo áreas emergentes como as terapias genéticas. Na sessão “The future of genetic therapies in pediatric dermatology”, <strong>Veronica Kinsler</strong>, professora de Dermatologia Pediátrica e Dermatogenética no <em>Great Ormond Street Hospital for Children</em>, apresentou uma visão geral sobre este campo em rápida evolução.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Logo no início, Veronica Kinsler contextualizou o impacto das grandes inovações médicas ao longo do tempo, recordando que mudanças transformadoras não são imediatas. “Um em cada 13 habitantes de Londres morreu de varíola”, explicou Veronica Kinsler, acrescentado que demorou 100 anos até vermos o impacto total da vacinação. “Estes grandes avanços médicos têm um ponto de partida e depois um legado próprio”, sendo necessário tempo para que os seus benefícios se tornem plenamente visíveis. Nesse sentido, sublinhou que, embora a descoberta do DNA tenha ocorrido em 1953, “ainda estamos no início do processo de desenvolvimento de terapias genéticas e a colher os frutos dessa descoberta”.</p>
<p>Apesar de serem frequentemente encaradas como uma “Medicina do futuro”, a oradora reforçou que as terapias genéticas já são uma realidade atual. De facto, salientou que “até hoje, já foram aprovados pela FDA, 43 tratamentos com vetores virais, 10 oligonucleótidos antisense, sete SIRNAs e um CRISPR-Cas9”.</p>
<p>Um dos pontos centrais da apresentação foi a clarificação conceptual das terapias genéticas, cuja definição continua ampla e algo desatualizada. Como explicou, “qualquer terapêutica que interfira com transcrição ou tradução pode ser considerada terapia genética”, o que significa que o seu âmbito vai muito além das doenças hereditárias. Assim, destacou que estas abordagens estão já a ser desenvolvidas para doenças inflamatórias comuns, como psoríase, dermatite atópica ou alopecia areata.</p>
<p>Para simplificar, propôs uma divisão prática afirmando que existem dois “tipos de terapia genética: as que alteram o DNA ou apresentam o risco de o alterar, e as que não o fazem”. As abordagens que atuam ao nível do DNA incluem edição genética (como CRISPR), adição de genes com ou sem integração no genoma. Cada uma apresenta vantagens e riscos, nomeadamente, a edição pode oferecer “uma solução permanente&#8221;. Quando o tratamento termina, o problema desaparece. A pessoa nunca mais necessita de tratamento”, mas levanta questões éticas e de segurança. Já a integração pode também ser duradoura, mas “a inserção aleatória no genoma pode causar problemas”.</p>
<p>Ao nível do RNA, as estratégias são geralmente menos arriscadas, mas também menos duradouras uma vez que “não editam o genoma, são temporárias”, implicando tratamentos repetidos. A especialista explicou que “estas terapias dividem-se em duas áreas principais: as terapias com RNA, que se apresentam sob várias formas, mas consistem basicamente na adição de novo RNA. Ou terapias com oligonucleótidos antissense” em que “uma molécula de DNA de cadeia simples que interfere com o RNA”. Esta área tem ganho enorme destaque, especialmente com o desenvolvimento de siRNA.</p>
<p>A pele apresenta desafios específicos para estas terapias, nomeadamente a necessidade de ultrapassar a barreira cutânea e atingir as células-alvo. A especialista explicou que, sempre que possível, é preferível a abordagem ex vivo pois “é mais seguro retirar as células, tratá-las e voltar a colocá-las”. No entanto, reconheceu limitações práticas dado que “é extremamente caro e demorado”, sendo muitas vezes inviável.</p>
<p>Alternativamente, existem abordagens <em>in vivo</em>. Cada método implica desafios adicionais, sobretudo quando se trata de terapias mais complexas, como CRISPR, “é muito mais difícil entregar este tipo de terapias porque são estruturas grandes e complexas”.</p>
<p>Entre os exemplos de sucesso, destacou os avanços na anemia falciforme, onde diferentes abordagens genéticas conseguiram resultados notáveis. “Estes doentes deixam de ter crises e a necessidade de transfusões”, ilustrando o potencial transformador destas estratégias.</p>
<p>Contudo, foi na área do siRNA que Veronica Kinsler identificou um dos caminhos mais promissores: “Se tivesse de apostar no futuro, diria que o siRNA é provavelmente a via mais relevante”. Esta tecnologia permite uma intervenção altamente específica ao nível do RNA, aproveitando mecanismos naturais da célula, uma vez que “podemos eliminar seletivamente o RNA mensageiro alvo”. Além disso, apresenta vantagens claras como o “desenvolvimento rápido, elevada especificidade e menos efeitos secundários”.</p>
<p>A evidência clínica já existente reforça o seu potencial dado que “o perfil de segurança tem sido fantástico”, com administrações espaçadas no tempo, demonstrando eficácia prolongada.</p>
<p>A parte final da apresentação centrou-se no trabalho do próprio grupo de investigação, focado em nevos melanocíticos congénitos. A oradora apresentou dados que sugerem um potencial revolucionário: “pensávamos que precisaríamos de CRISPR para curar estas doenças, mas pode não ser verdade”. Com siRNA dirigido a mutações específicas, foi possível demonstrar não só inibição do crescimento celular, mas também indução de morte celular através de “uma única dose e, ao longo de uma semana, as células morrem”.</p>
<p>Em suma, esta sessão evidenciou que as terapias genéticas já não pertencem apenas ao domínio conceptual ou experimental, mas estão progressivamente a integrar a prática clínica.</p>
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		<title>“A inflamação tipo 2 é a causa comum de muitas manifestações clínicas, e tratar o doente como um todo permite controlar várias patologias com uma só terapêutica”</title>
		<link>https://mediconews.pt/a-inflamacao-tipo-2-e-a-causa-comum-de-muitas-manifestacoes-clinicas-e-tratar-o-doente-como-um-todo-permite-controlar-varias-patologias-com-uma-so-terapeutica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 09:11:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alergologia]]></category>
		<category><![CDATA[TOP PICKS Derma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A compreensão da inflamação tipo 2 como o mecanismo fisiopatológico subjacente a várias doenças atópicas desencadeou uma verdadeira mudança de paradigma na abordagem clínica do doente. No 14.º Congresso da Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica (SPAP), durante o simpósio da Sanofi intitulado “Para além do controlo clínico: A inflamação tipo 2 como causa comum”, <strong>Célia Costa</strong>, médica especialista em Imunoalergologia da criança e do adulto, defendeu a urgência de olhar para o doente como um todo. Em entrevista, a médica destaca o impacto transformador da intervenção atempada na infância, capaz de travar a marcha atópica e reduzir significativamente comorbilidades não alérgicas, incluindo as alterações emocionais e comportamentais.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Historicamente vistas como patologias estanques, manifestações como a dermatite atópica, a asma brônquica e a esofagite eosinofílica partilham, na verdade, a mesma base fisiopatológica. “A inflamação tipo 2 é um mecanismo subjacente a muitas das doenças atópicas”, elucida a especialista, acrescentando que a esofagite eosinofílica foi recentemente integrada nesta &#8220;marcha atópica&#8221;, sendo reconhecida como mais uma expressão clínica deste processo.</p>
<p>Célia Costa lembra que a grande maioria dos doentes não apresenta uma patologia isolada, mas sim quadros de multimorbilidade. “A maioria dos nossos doentes têm duas ou mais patologias atópicas (&#8230;), nomeadamente dermatite atópica, alergia alimentar, esofagite eosinofílica, rinite alérgica e asma brônquica”. Perante este cenário, a grande vantagem atualmente reside na eficácia da centralização do tratamento: “Abordar o doente como um todo, não apenas como um sintoma ou como um órgão isolado, tem uma mais-valia significativa na evolução clínica. Nestes doentes, com uma mesma terapêutica, muitas vezes conseguimos controlar toda a inflamação tipo 2 e, portanto, todas estas manifestações clínicas”.</p>
<p><strong>A urgência da abordagem multidisciplinar</strong></p>
<p>Uma vez que o mesmo processo fisiopatológico afeta diferentes órgãos e sistemas, é frequente que o doente fragmente o seu percurso de saúde por múltiplas especialidades médicas. “O doente, muitas vezes com asma, recorre a uma determinada especialidade; com dermatite atópica recorre a outra especialidade; com esofagite eosinofílica, a outra especialidade”.</p>
<p>Para contrariar esta dispersão e garantir que o doente beneficia de um cuidado integrado, a imunoalergologista preconiza a criação de pontes entre os diferentes profissionais. “O doente é um todo. (&#8230;) Uma equipa multidisciplinar é uma mais-valia para estes doentes. É o que deveria ser feito”. De acordo com a médica, o mote da sessão — “para além do controlo clínico” — espelha precisamente a ambição de ir além do alívio sintomático de uma única queixa para focar na remissão do mecanismo inflamatório de base, o que “vai melhorar o prognóstico dos nossos doentes”.</p>
<p><strong>Intervenção precoce: travar a marcha atópica e proteger o desenvolvimento</strong></p>
<p>Um dos pontos altos da reflexão prende-se com a janela de oportunidade terapêutica em idades muito jovens. Célia Costa cita evidências científicas robustas que demonstram o impacto de intervir atempadamente em crianças entre os seis meses e os cinco anos de idade com quadros de dermatite atópica moderada a grave. “A intervenção precoce com um fármaco que bloqueia a inflamação tipo 2, em comparação com outras terapêuticas sistémicas (&#8230;), consegue reduzir significativamente o risco de várias comorbilidades”, revela.</p>
<p>Essa proteção traduz-se em duas grandes frentes:</p>
<ul>
<li>Comorbilidades atópicas: Consegue-se efetivamente &#8220;travar a evolução da marcha atópica&#8221;, registando-se uma diminuição significativa futura de asma brônquica e de rinite alérgica.</li>
<li>Impacto não atópico e sistémico: O tratamento precoce diminui significativamente o risco de aparecimento de comorbilidades não atópicas, como infeções gastrointestinais, respiratórias e cutâneas. Adicionalmente, mitiga complicações associadas à privação do sono e ao sofrimento crónico da pele, como alterações de humor e distúrbios comportamentais (onde se incluem as síndromes de hiperatividade e défice de atenção), entre outras.</li>
</ul>
<p><strong>O futuro do tratamento </strong></p>
<p>O advento de soluções terapêuticas focadas em bloquear especificamente as vias da inflamação tipo 2 coloca a Medicina atual num patamar de grande otimismo. “Conseguirmos tratar a inflamação tipo 2 (&#8230;) já nos coloca com uma grande vantagem relativamente a alguns anos atrás. Portanto, a evolução e o prognóstico destes doentes vão melhorar significativamente”.</p>
<p>Perspetivando os próximos anos, Célia Costa antevê que o sucesso clínico dependerá da capacidade de adequar estas novas terapêuticas biológicas à diversidade com que as doenças se manifestam em cada indivíduo. “Sabemos que a expressão clínica muitas vezes tem fenótipos diferentes. E se conseguirmos terapêuticas que vão controlar o mecanismo pelo qual aquela criança tem aquele fenótipo, será uma mais-valia no futuro”.</p>
<p>O 14.º Congresso da SPAP aconteceu em Fátima, durante o mês de maio.</p>
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		<item>
		<title>Além da pele: o impacto invisível do eczema na vida escolar das crianças</title>
		<link>https://mediconews.pt/alem-da-pele-o-impacto-invisivel-do-eczema-na-vida-escolar-das-criancas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 09:43:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
		<category><![CDATA[TOP PICKS Derma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No congresso da <em>European Society for Paediatric Dermatology</em> (ESPD), foi apresentada uma comunicação oral por <strong>Aoife Cassidy</strong>, pediatra no <em>Children's Health Ireland</em> e investigadora envolvida no estudo IMPEED (<em>IMpact of Eczema on EDucational achievement &#38; Participation amongst children in Ireland</em>), que trouxe uma perspetiva clínica, epidemiológica e qualitativa sobre o impacto do eczema na vida escolar.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A pediatra iniciou a sua apresentação com uma reflexão baseada num caso da sua prática clínica, referindo que conheceu uma menina “que não tinha ido à escola nas últimas duas semanas por causa do uniforme”, explicando que “o colarinho rígido e a gravata eram demasiado dolorosos para usar”, o que a impedia de frequentar as aulas.</p>
<p>Aoife Cassidy abordou outros exemplos, em que crianças “com eczema tão grave nas mãos que não conseguiam segurar um lápis”, outras “a coçar-se até sangrar sobre os cadernos”, algumas “a adormecer na sala de aula”, e outras ainda “tão preocupadas com o que os outros pensavam da sua pele que não conseguiam concentrar-se nos estudos”.</p>
<p>A partir destas experiências, o estudo IMPEED procurou inicialmente avaliar o impacto do eczema nos resultados académicos, mas evoluiu para uma questão mais ampla: “Qual é o impacto de viver com eczema na vida escolar quotidiana?”. A investigação incluiu crianças dos 6 aos 16 anos seguidas entre 12 a 18 meses, com avaliação clínica (EASI score, CDLQI e POEM), análise de resultados académicos padronizados em leitura e matemática e entrevistas qualitativas a crianças e cuidadores.</p>
<p>Os resultados mostraram que, globalmente, “não existe um impacto significativo nos resultados académicos quando comparados com a população nacional”, tendo mesmo sido observado que alguns alunos com eczema “atingiam resultados acima da média”. Contudo, a especialista sublinhou que “quando olhamos apenas para os exames, estamos a perder parte da história”.</p>
<p>De facto, “quase um terço das crianças com eczema recebia apoios educativos adicionais”, em comparação com menos de 10% na população geral. Além disso, verificou-se que as crianças faltavam em média “mais seis dias por ano devido à doença”, sobretudo por “exacerbações infeciosas, cansaço excessivo após uma noite mal dormida, uniformes e sapatos desconfortáveis, consultas médicas e efeitos secundários de medicamentos”. A ausência escolar superior a seis dias foi “significativamente associada à maior gravidade do eczema”.</p>
<p>No que respeita ao quotidiano escolar, cerca de “três quartos das crianças referiram que o eczema era uma barreira diária”. Aoife Cassidy destacou relatos que afirmavam que “a comichão era perturbadora e, por vezes, angustiante. Além disso, o eczema nas mãos impedia-as de segurar canetas ou lápis ou de participar em determinadas atividades. A dificuldade de concentração, frequentemente devida à fadiga, também contribuía”.</p>
<p>Para além do desempenho académico, o estudo evidenciou um forte impacto na participação social dado que mais de “dois terços das crianças relataram impacto na participação em atividades desportivas ou outras atividades recreativas, tanto na escola como fora dela”. Mais concretamente, um terço viu “as aulas de natação afetadas” e mais de metade referiu “limitações nas atividades sociais”. Muitas crianças evitavam atividades por “constrangimento com a sua pele” ou por desconforto associado ao suor, água com cloro ou ao uso de emolientes.</p>
<p>Um dos achados centrais foi que “não é apenas a pele que importa”, mas sim a experiência vivida. A especialista demonstrou que o CDLQI e o POEM foram os indicadores mais fortemente associados ao impacto académico, referindo que “estes refletem consistentemente a carga real vivida pelas crianças e famílias”, enquanto EASI score era apenas “uma fotografia momentânea da pele em consulta”.</p>
<p>Segundo a pediatra, estas crianças relataram “esforçar-se para não serem diferentes”, escondendo o eczema e evitando atividades. Aoife Cassidy destacou que “existem sempre uma ou duas crianças com eczema em cada sala de aula, mas não o sabemos porque o estão a esconder”.</p>
<p>Foram também identificadas perdas importantes em marcos da infância, como “festas escolares, bailes escolares, ou experiências típicas da adolescência”, bem como uma elevada carga emocional parental, descrita como “culpa do passado, preocupação constante com o futuro e o fardo cognitivo de estar constantemente vigilante e a planear”.</p>
<p>No final, Aoife Cassidy sintetizou as principais conclusões afirmando que “o eczema não implica necessariamente uma desvantagem académica universal, mas também não é benigno do ponto de vista educativo”. As crianças com maior carga da doença apresentam “piores resultados académicos e maior impacto na participação e na vida escolar”.</p>
<p>A apresentação terminou com uma chamada à ação, sublinhando a necessidade de ir além da avaliação exclusiva dos resultados académicos. É fundamental considerar a participação da criança nas aulas e nos recreios, bem como refletir sobre a qualidade de vida escolar como uma dimensão multifatorial. Foi ainda destacada a importância de flexibilizar normas como o uso de uniformes, reforçar a articulação entre profissionais de saúde e escolas e promover uma intervenção mais precoce, de forma a prevenir a amplificação das desigualdades educativas associadas à doença.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Urticária pediátrica e RIME em destaque: o que são na prática clínica?</title>
		<link>https://mediconews.pt/urticaria-pediatrica-e-rime-em-destaque-o-que-sao-na-pratica-clinica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 09:38:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
		<category><![CDATA[TOP PICKS Derma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O 25th ESPD Congress 2026, organizado pela <em>European Society for Paediatric Dermatology</em>, reuniu especialistas internacionais para discutir os mais recentes avanços na Dermatologia Pediátrica. Entre as sessões científicas esteve “Allergy and cutaneous adverse drug reactions”, moderada por Marlies de Graaf e Giorgio Piacentini, que contou com duas intervenções centrais, <strong>Andaç Salman</strong>, com a apresentação “Urticaria in children: Is it only allergic?”, dedicada à abordagem atual da urticária pediátrica, e <strong>Lucero Noguera-Morrell,</strong> que abordou de forma prática o tema “RIME”, centrado nas reações mucocutâneas infeciosas em idade pediátrica.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A sessão iniciou-se com a intervenção de Andaç Salman, professor de Dermatologia no <em>Acıbadem Healthcare Group Altunizade Hospital</em>, centrada na urticária crónica e na sua abordagem diagnóstica atual. O especialista explicou que as lesões da urticária são “uma lesão muito específica, com edema dérmico bem delimitado, que chamamos pápula, rodeada por eritema, e que desaparece completamente entre 30 minutos e 24 horas”. Em contraste, referiu que a angioedema corresponde a um “processo mais profundo”, frequentemente associado a sensação de queimadura ou dor, podendo persistir “até 72 horas de forma espontânea”.</p>
<p>O especialista reforçou a importância da classificação da urticária com base no tempo de sintomatologia. É um caso de urticária aguda, quando os sintomas duram “menos de seis semanas, e urticária crónica quando ultrapassam esse período, podendo ser espontânea ou induzida”. Andaç Salman salientou que “o instrumento diagnóstico mais importante não é uma análise laboratorial, mas sim uma anamnese detalhada”. O orador destacou ainda que devido à transitoriedade das lesões. “é fundamental perguntar sempre aos pais se têm fotografias das lesões”, o que pode ser decisivo para o diagnóstico.</p>
<p>Segundo o orador, os objetivos do diagnóstico são primeiramente confirmar a doença, e mais tarde, “identificar a causa, se possível (o que na maioria das vezes não é possível), e investigar os cofatores e as comorbilidades, tentando preveni-los ou controlá-los”.</p>
<p>No que respeita ao diagnóstico diferencial, foram abordadas entidades potencialmente graves e raras, incluindo vasculite urticariforme, dermatoses neutrofílicas e síndromes autoinflamatórias. O especialista alertou que “lesões que persistem mais de 24 horas ou que deixam equimoses devem levantar suspeita de vasculite urticariforme”. Foi ainda referido que certos padrões clínicos devem funcionar como sinais de alarme, nomeadamente urticária associada a sintomas sistémicos, como manifestações neurológicas ou musculoesqueléticas, ou ainda episódios de angioedema recorrente com história familiar sugestiva de angioedema hereditário.</p>
<p>A propósito desta entidade, foi sublinhado o caráter potencialmente grave do angioedema hereditário, descrito como “uma doença rara, autossómica dominante, com prevalência aproximada de 1 em 50.000, mas devemos identificar estes doentes o mais cedo possível pois é literalmente uma questão de vida ou morte”. A presença de dor abdominal inexplicável, angioedema antes dos 30 anos e níveis baixos de C4 foram descritos como elementos-chave para o seu diagnóstico.</p>
<p>Na abordagem clínica da urticária aguda, o orador reforçou o caráter benigno e autolimitado da maioria dos casos, afirmando que “mais de 90% dos doentes resolvem espontaneamente em poucos dias ou semanas”. Foi enfatizado que “o mais importante nestes casos é tranquilizar os pais”, uma vez que a ansiedade muitas vezes excede a gravidade clínica. Andaç Salman ainda fez menção que “não faz sentido insistir excessivamente na procura da causa” porque em cerca de “50% dos casos não conseguimos identificar a causa”.</p>
<p>No tratamento farmacológico da urticária aguda, foi reforçado que “os anti-histamínicos de segunda geração não sedativos são a base do tratamento”, sendo preferidos fármacos como levocetirizina, fexofenadina ou desloratadina. “Os estudos randomizados não mostram benefício adicional com corticosteroides sistémicos na urticária aguda”, apesar de estes continuarem a ser amplamente utilizados em contextos de urgência, explicou o dermatologista.</p>
<p>Em situações de cronicidade da urticária, deve-se solicitar “hemograma completo e CPR ou ECR para excluir, principalmente, uma doença inflamatória sistémica ou uma infeção oculta. Verificámos também os níveis totais de IgE e IgG anti-TPO. Fazemos isto porque estes são biomarcadores úteis que podem prever se o doente responderá bem às terapêuticas”.</p>
<p>A abordagem terapêutica da urticária crónica deve ser escalonada, iniciando com anti-histamínicos em dose standard e “podendo aumentar até quatro vezes” a dose habitual em caso de resposta insuficiente. Em casos resistentes ao aumento de dose de anti-histamínicos, foi discutida a utilização de omalizumab e dupilumab como segunda linha, e a ciclosporina como terceira linha, “com muitos doentes a atingirem remissão sustentada mesmo após a suspensão do medicamento”.</p>
<p>Em particular, o “omalizumab é eficaz e está aprovado para doentes pediátricos com mais de 12 anos. A dose padrão é de 300 miligramas a cada quatro semanas, e doses mais pequenas podem ser eficazes em crianças mais novas. Em crianças com menos de 12 anos, o seu uso é ainda considerado &#8220;off-label&#8221;, mas há cada vez mais evidências a seu respeito. No entanto, estudos na vida real mostram que é uma solução segura e a longo prazo, com elevadas taxas de sobrevivência do medicamento. Além disso, o aumento da dose de omalizumab pode ser feito em doentes que não respondem ao tratamento inicial no prazo de três a seis meses”. Já o “dupilumab está aprovado para doentes com mais de dois anos de idade que nunca utilizaram biológicos”.</p>
<p>“O remibrutinib oferece uma nova via de administração oral e atua de duas formas: bloqueando a produção de autoanticorpos nas células B e bloqueando também a ativação dos mastócitos. No entanto, só está aprovado para adultos, embora o estudo com adolescentes ainda esteja em curso”.</p>
<p>Andaç Salman referiu que “o objetivo no tratamento é simples: suprimir completamente os sintomas do doente até à sua completa resolução. Procuramos o controlo total dos sintomas, para além da normalização da qualidade de vida. Isto pode ser conseguido de duas formas: evitando os fatores desencadeantes e com tratamentos farmacológicos”.</p>
<p>Um ponto central da apresentação foi a distinção dos endótipos autoimunes da urticária crónica espontânea. O orador explicou que no tipo 1 autoalérgico “existem autoanticorpos IgE contra autoantigénios como TPO ou IL-24”, estando frequentemente associados a níveis elevados de IgE e boa resposta a omalizumab. Em contraste, no tipo 2B, mediado por “autoanticorpos IgG ou IgM contra IgE ou o seu recetor”, “os doentes têm frequentemente níveis baixos de IgE e, com maior frequência, basopenia e eosinopenia”, além de uma doença mais prolongada e resistente. Nestes casos, “a resposta ao omalizumab é mais lenta ou inexistente, sendo muitas vezes melhor a resposta à ciclosporina ou a outros tratamentos imunossupressores”.</p>
<p>Andaç Salman terminou afirmando que a “boa notícia é que o prognóstico nas crianças é geralmente melhor do que nos adultos. Cerca de 30 a 50% das crianças atingirão a remissão em três anos. No entanto, ser do sexo feminino ou ter mais de 10 anos no início da doença está associado a um curso da doença ligeiramente pior ou mais prolongado. Os doentes pediátricos têm geralmente uma duração da doença mais curta e uma melhor resposta aos anti-histamínicos quando comparados com os adultos”.</p>
<p>Seguiu-se a intervenção de Lucero Noguera-Morrell, dermatologista pediátrica no <em>Hospital Universitario Infantil Niño Jesús</em> de Madrid, dedicada à erupção mucocutânea infeciosa reativa do inglês <em>infectious mucocutaneous eruptions</em> (RIME), com foco na prática clínica e no diagnóstico diferencial.</p>
<p>Esta patologia apresenta duas entidades distintas, “se for desencadeada por uma infeção, chamamos-lhe RIME. Se for induzida por medicamentos, chamamos-lhe necrólise epidérmica tóxica induzida por medicamentos”, como por exemplo “os antibióticos, os anticonvulsivantes e o ibuprofeno ou os anti-inflamatórios”.</p>
<p>A RIME foi descrita como “uma síndrome parainfecciosa inflamatória com envolvimento mucoso predominante e envolvimento cutâneo mínimo”, frequentemente associada a <em>Mycoplasma pneumoniae</em>, mas também a vírus respiratórios como “influenza, coronavírus ou rinovírus”. Foi reforçado que o contexto clínico e temporal é essencial, sendo a história de infeção prévia um elemento-chave.</p>
<p>Durante a discussão de um caso clínico, a oradora enfatizou a importância da avaliação sistemática das mucosas, afirmando de forma clara que “os olhos são o ponto mais crítico, e devem ser sempre avaliados porque as complicações oculares podem ser graves”. Foi também sublinhada a necessidade de avaliação da mucosa genital, dado o risco de complicações funcionais, e foi reforçado que “a ausência de avaliação ocular adequada pode ter consequências a longo prazo, como sinéquias ou queratite”.</p>
<p>O sinal de Nikolsky foi descrito como um elemento decisivo na avaliação diferencial, sendo considerado um forte indicador de patologia grave quando positivo. “A presença de descolamento cutâneo após pressão é um sinal de alarme importante para necrólise epidérmica tóxica”, explicou a especialista. Foi ainda sublinhado que a história medicamentosa deve ser cuidadosamente interpretada, uma vez que “o timing da medicação é fundamental”.</p>
<p>No tratamento do RIME, foi reforçado que a abordagem é essencialmente de suporte, sendo descrita como “o tratamento mais importante é o suporte clínico e a hidratação”. Em casos mais graves, podem ser utilizados corticosteroides sistémicos, imunoglobulina intravenosa ou imunossupressores como ciclosporina ou anti-TNF. Foi ainda salientado que “a maioria das crianças tem um prognóstico excelente, com mortalidade praticamente nula”.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/urticaria-pediatrica-e-rime-em-destaque-o-que-sao-na-pratica-clinica/">Urticária pediátrica e RIME em destaque: o que são na prática clínica?</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
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		<title>Dermatite atópica: da heterogeneidade endótipica à integração sistémica com a alergia alimentar</title>
		<link>https://mediconews.pt/dermatite-atopica-da-heterogeneidade-endotipica-a-integracao-sistemica-com-a-alergia-alimentar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 09:22:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
		<category><![CDATA[TOP PICKS Derma]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=45861</guid>

					<description><![CDATA[<p>A propósito do 25th ESPD Congress 2026, realizou-se uma sessão dedicada aos avanços nas doenças inflamatórias cutâneas, sob o título “Inflammatory disorders 1 (Advances in Eczema)”. Esta sessão contou com a moderação de <strong>Gian Marseglia</strong> e <strong>Hagen Ott</strong>, reunindo dois momentos de elevada relevância científica na área da dermatite atópica e das suas comorbilidades alérgicas. As apresentações estiveram a cargo de Hagen Ott, com o tema “Endophenotypes in AD”, e de <strong>Antonella Muraro</strong>, com “Food allergy in AD”, ambas centradas na compreensão integrada da dermatite atópica (DA) enquanto doença sistémica.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na sua apresentação, Hagen Ott, especialista de Dermatologia e Alergologia Pediátrica no Hospital Infantil Auf der Bult, iniciou com uma reflexão sobre a complexidade da DA, descrevendo-a como uma doença cuja diversidade clínica se aproxima de um “universo em expansão”, onde “quanto mais nos aproximamos, mais complexa se torna”. Esta heterogeneidade levou à necessidade de distinguir claramente fenótipos e endótipos. Segundo o orador, “o fenótipo compreende a representação clínica observável da doença, ou seja, aquilo que vemos: os sintomas, os sinais e os resultados dos exames. Em contraste, o endótipo é o subtipo da doença, definido por mecanismos ou padrões biológicos subjacentes distintos”.</p>
<p>Hagen Ott destacou que a classificação da DA deve integrar múltiplas dimensões: genética, etnia, assinatura imunológica, comorbilidades atópicas, idade e trajetória da doença. Referiu ainda que a prática clínica atual ainda tenta avançar para uma “fenotipagem preditiva”, idealmente capaz de identificar precocemente crianças em risco, embora essa capacidade ainda esteja limitada.</p>
<p>Um dos pontos centrais da apresentação foi o papel do exposoma, descrito como um sistema altamente complexo que influencia a evolução da doença, incluindo fatores como disbiose, barreira epitelial e alterações ambientais. Neste contexto, foi salientado o papel do microbioma cutâneo, com destaque para o aumento de colonização por Staphylococcus aureus, presente em mais de 90% das lesões, contribuindo para agravamento da inflamação e da disfunção da barreira cutânea. Hagen Ott afirma que “um aspeto interessante é que, quanto maior for a colonização, ou seja, quanto maior for o número de colónias de <em>Staphylococcus aureus</em> e quanto mais frequente for o historial de infeções bacterianas, maior será a gravidade da DA na criança afetada,”</p>
<p>No que respeita à evolução clínica, Hagen Ott apresentou dados de coortes populacionais que demonstram diferentes trajetórias da doença, incluindo formas transitórias, persistentes e de início precoce associadas a maior risco de comorbilidades. Sublinhou ainda diferenças imunológicas por idade, referindo que a dermatite atópica infantil apresenta uma resposta imunitária “Th2 dominante com fraca resposta Th1”, enquanto formas mais tardias mostram maior complexidade imunológica.</p>
<p>No campo terapêutico, foi enfatizado que as abordagens atuais, como o dupilumab, que embora eficazes na redução da gravidade, com “com cerca de 50% dos doentes a atingir uma redução de 75% no sofrimento após alguns meses”, ainda não atingem remissão completa na maioria dos casos.</p>
<p>Com base na experiência do registo alemão <em>Treat Kids</em>, que inclui mais de 660 crianças com DA grave, o especialista destacou que o dupilumab “melhora as medidas de resultados orientadas para o doente” e “os biomarcadores do estrato córneo (…) após três meses de tratamento”. Ainda assim, alertou para as limitações da terapêutica, lembrando que “a taxa de sucesso de 90% nunca ultrapassa 30% dos doentes”, pelo que “a remissão está longe de ser atingida para mais de dois terços dos doentes (…) mesmo após 12 meses de tratamento”.</p>
<p>Do ponto de vista biológico, evidenciou que, paralelamente à melhoria clínica, “houve regressão de muitos marcadores proteómicos de inflamação e de hiperplasia cutânea”, bem como um efeito relevante na microbiota cutânea, já que “o dupilumab reduz a densidade de colonização e a frequência de infeções causadas por Staphylococcus aureus”.</p>
<p>Apesar dos avanços com fármacos biológicos como o dupilumab, Hagen Ott afirmou que “menos de 15% dos bebés gravemente afetados tratados com dupilumab atingiram a remissão após quatro meses de tratamento”. Nesse sentido, o especialista explicou que tal ocorre porque as “as terapias atuais são direcionadas às citocinas, mas não ao doente específico”. O especialista defendeu uma transição para Medicina de Precisão baseada em endótipos individuais, sublinhando a necessidade de biomarcadores mais robustos e terapias mais personalizadas. Ainda assim, reconheceu efeitos positivos consistentes na melhoria clínica, qualidade de vida e redução da colonização por <em>Staphylococcus  aureus</em> do dupilumab.</p>
<p>A apresentação terminou com uma visão otimista, mas cautelosa, da Medicina de Precisão. “Estamos longe, mas mais perto de individualizar o tratamento de acordo com o endótipo do doente”, prevendo-se uma futura capacidade de prevenção de comorbilidades como asma e rinite alérgica através de intervenção precoce.</p>
<p>A segunda apresentação, de Antonella Muraro, antiga presidente da <em>European Academy of Allergy and Clinical Immunology</em> &#8211; EAACI, centrou-se na relação entre DA e alergia alimentar, defendendo uma abordagem integrada entre ambas as condições. A oradora começou por questionar a noção tradicional de “marcha atópica”, afirmando que se trata de uma visão simplificada de um processo biológico muito mais interligado.</p>
<p>Antonella Muraro destacou que a DA e alergia alimentar partilham uma base fisiopatológica comum, centrada na inflamação do tipo 2 e na disfunção da barreira epitelial. Descreveu este processo como uma interação contínua entre predisposição genética, fatores ambientais e disbiose, levando à ativação imunológica sistémica.</p>
<p>Foi enfatizado o papel da barreira cutânea e mucosa como primeira linha de defesa, referindo que a sua disfunção permite a penetração de alergénios e subsequente sensibilização. Neste contexto, afirmou-se que “a inflamação Th2 é central na interação entre barreira epitelial e resposta imunitária”, envolvendo citocinas como IL-4, IL-13, IL-5 e IL-31.</p>
<p>A oradora apresentou dados epidemiológicos que demonstram a elevada sobreposição entre estas duas patologias, especialmente na infância, com destaque para alergénios como ovo, leite, amendoim e sésamo. Referiu ainda o aumento significativo de hospitalizações por anafilaxia alimentar na Europa e nos Estados Unidos.</p>
<p>Um dos pontos centrais foi o papel da exposição cutânea precoce aos alergénios na sensibilização alimentar, contrapondo-a à via oral como promotora de tolerância. Neste contexto, destacou que “a penetração de alergénios pela pele promove a via inflamatória Th2, enquanto a ingestão contribui para a tolerância oral”, dando como exemplo “a ingestão oral de amendoins entre os 4 e os 11 meses previne a alergia alimentar em crianças de alto risco com eczema”. Sublinhou de forma crítica que “dietas de exclusão sem indicação clínica são inadequadas e potencialmente prejudiciais”.</p>
<p>Para a especialista “quanto mais cedo intervirmos, mais eficaz será”. Nesse sentido, pode-se “começar por reduzir a inflamação da pele e melhorar a barreira cutânea”. Mas também defendeu uma abordagem precoce e proativa, entre os 4 e os 12 meses de idade, combinando intervenção cutânea e introdução alimentar controlada. Referiu ainda que a introdução precoce de alimentos como ovo bem cozinhado e amendoim pode modificar o risco de desenvolvimento de alergia alimentar. Em geral, Antonella Muraro defendeu que é necessário “conjugar a intervenção cutânea e oral”.</p>
<p>Na fase final, a especialista salientou a importância de uma abordagem multidisciplinar e integrada, envolvendo dermatologistas, alergologistas e pediatras, afirmando que “só o trabalho conjunto poderá alterar a história natural da doença”.</p>
<p>A sessão “Advances in Eczema” evidenciou uma mudança de paradigma na compreensão da DA, deixando de ser encarada como uma doença exclusivamente cutânea para ser reconhecida como uma condição sistémica, heterogénea e profundamente interligada com a alergia alimentar.</p>
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		<title>Dermatite atópica pediátrica: eficácia e segurança a longo prazo de terapêutica biológica no registo BioDay</title>
		<link>https://mediconews.pt/dermatite-atopica-pediatrica-eficacia-e-seguranca-a-longo-prazo-de-terapeutica-biologica-no-registo-bioday/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 09:16:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
		<category><![CDATA[TOP PICKS Derma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito do 25th ESPD Congress 2026, realizou-se uma comunicação oral dedicada à dermatite atópica pediátrica, intitulada de “Long-term effectiveness of dupilumab treatment in pediatric atopic dermatitis: Results from the BioDay registry”, apresentada por <strong>Florence Vroman</strong>, dermatologista no <em>University Medical Center Utrecht</em>. A sessão centrou-se na avaliação em vida real da eficácia e segurança a longo prazo de uma terapêutica biológica baseada num anticorpo monoclonal totalmente humano, dirigido à inibição da sinalização das vias IL-4/IL-13 em idade pediátrica.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O estudo apresentado integra o registo prospetivo BioDay, com dados provenientes de múltiplos centros pediátricos neerlandeses, incluindo crianças e adolescentes em tratamento com dupilumab, acompanhados até três anos, entre novembro de 2019 e outubro de 2025. A especialista explicou que o objetivo foi avaliar “a eficácia e segurança a longo prazo na prática clínica diária nos diferentes grupos etários pediátricos”. Os doentes foram estratificados por idade, incluindo “lactentes dos 6 meses aos 5 anos, crianças dos 6 aos 11 anos e adolescentes com 12 ou mais anos”, permitindo comparar a resposta terapêutica entre grupos.</p>
<p>Florence Vroman destacou que “a eficácia clínica foi avaliada através do score EASI e os outcomes reportados pelos doentes incluíram NRS pruritus, NRS pain, IDQOL/(C)DLQI e efeitos adversos, sobrevivência ao fármaco e motivos para a descontinuação”. Foram incluídas 309 crianças e os resultados indicaram uma melhoria significativa e sustentada da gravidade da doença ao longo do tempo, com “os scores EASI a melhoraram de 6,3 para 3,4”, com manutenção desta melhoria de forma prolongada.</p>
<p>Um ponto relevante da análise foi a diferença entre grupos etários. A dermatologista salientou que “as crianças mais pequenas apresentavam scores EASI mais elevados comparativamente aos grupos etários mais velhos no início do estudo”, evidenciando maior carga de doença na faixa etária inferior. Ainda assim, a resposta terapêutica foi globalmente consistente entre todos os grupos, com melhoria sustentada do controlo da doença e da qualidade de vida.</p>
<p>Relativamente à segurança, o dupilumab demonstrou um perfil globalmente favorável. Foram registados eventos adversos maioritariamente ligeiros, incluindo “conjuntivite, queixas abdominais e mialgias”, sem impacto clínico significativo na maioria dos casos. A taxa de descontinuação foi de 16,2%, sobretudo por “ineficácia, eventos adversos, problemas de administração e controlo da doença, como perda do follow-up”. “A sobrevivência ao fármaco foi de 80,1% em três anos”. A oradora salientou ainda que “a ineficácia foi a razão mais comum para a descontinuação do tratamento em todos os grupos” mas “os problemas de administração foram mais frequentes nas crianças mais pequenas”.</p>
<p>Na conclusão, Florence Vroman reforçou que “a eficácia e segurança a longo prazo em todos os grupos etários pediátricos até três anos de seguimento foi confirmada”. Acrescentou ainda que “as crianças mais pequenas apresentaram maior carga de doença e mais interrupções relacionadas com problemas de administração”, sublinhando a necessidade de estratégias adaptadas à idade.</p>
<p>Em síntese, o simpósio evidenciou que o dupilumab é uma opção terapêutica eficaz e segura na dermatite atópica pediátrica moderada a grave, com benefícios sustentados em diferentes idades, embora com desafios particulares na administração em crianças mais novas.</p>
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		<item>
		<title>Muito além da pele: infeções sexualmente transmissíveis e doenças genéticas na Dermatologia Pediátrica</title>
		<link>https://mediconews.pt/muito-alem-da-pele-infecoes-sexualmente-transmissiveis-e-doencas-geneticas-na-dermatologia-pediatrica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 09:07:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
		<category><![CDATA[TOP PICKS Derma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O 25th ESPD Congress 2026 reuniu especialistas de referência na área da Dermatologia Pediátrica, proporcionando um espaço de atualização científica e discussão de temas emergentes. A sessão “Masters in Pediatric Dermatology (What’s new?)”, moderada por <strong>M. El Hachem</strong> e <strong>Suzana Ljubojevic</strong>, destacou-se pela abordagem de dois temas distintos mas de elevada relevância clínica, as infeções sexualmente transmissíveis (IST) em adolescentes e a incontinentia pigmenti. As apresentações estiveram a cargo da moderadora <strong>Suzana Ljubojevic</strong> e de <strong>Christine Bodemer</strong>, que trouxeram perspetivas práticas e atualizadas sobre estas patologias.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na sua intervenção sobre IST em adolescentes, Suzana Ljubojevic, especialista no <em>Department of Dermatovenerology</em> do <em>University Hospital Zagreb</em>, começou por enquadrar o problema a partir das barreiras comunicacionais que ainda persistem nesta faixa etária. Apesar de alguma exposição à educação sexual, a especialista referiu que “muitas vezes há gozo ou constrangimento na sala de aula”, o que limita a abertura para discutir estes temas e, consequentemente, dificulta a aquisição de conhecimentos consistentes. Ainda assim, sublinhou que existe curiosidade por parte dos jovens, muitos dos quais recorrem à informação <em>online</em>, embora continuem a manifestar necessidade de orientação médica. No entanto, Suzana Ljubojevic alertou para a tendência preocupante de desvalorização de sintomas, uma vez que “se tiverem sintomas ligeiros, muitas vezes vão ignorar”.</p>
<p>A especialista abordou a dimensão epidemiológica, alertando para o aumento das IST bacterianas, particularmente na população jovem, “entre os 20 e os 30 anos”. Em especial, a clamídia, descrita como “a doença bacteriana sexualmente transmissível mais comum e prevalente”, sendo frequentemente assintomática, sobretudo nas mulheres, o que contribui de forma significativa para o subdiagnóstico e para a sua disseminação silenciosa.</p>
<p>Dentro do mesmo grupo de infeções bacterianas, Suzana Ljubojevic chamou ainda a atenção para o aumento dos casos de gonorreia. Como referiu, “no caso da gonorreia, o principal desafio reside em dois fatores: a resistência antimicrobiana e o facto de, mesmo que façamos o diagnóstico correto e peçamos ao doente que regresse para uma consulta de seguimento dentro de três ou quatro semanas, este não comparece à consulta porque já não apresenta corrimento, sente-se bem e, por isso, não comparece às consultas de controlo”.</p>
<p>Neste mesmo bloco de infeções bacterianas, a especialista reforçou a necessidade de não desvalorizar a sífilis, desmistificando a ideia de que estaria erradicada. Suzana Ljubojevic sublinhou que “a sífilis ainda existe”, alertando para as formas clínicas menos típicas, como ulcerações ou manifestações de sífilis secundária.</p>
<p>Passando às infeções virais, Suzana Ljubojevic destacou a particularidade da transmissão do Vírus do Papiloma Humano (HPV), salientando que esta pode ocorrer mesmo sem penetração, uma vez que “o contacto pele a pele também pode transmitir HPV”. Esta característica reforça a necessidade de estratégias preventivas mais abrangentes e adaptadas. Nesse sentido, a abordagem terapêutica deve ser ajustada à idade, evitando procedimentos excessivamente agressivos e combinando técnicas de cirurgia local nas lesões com imunoterapia. Paralelamente, a vacinação assume um papel central. A especialista referiu que “mesmo em doentes com mais de 26 anos que apresentam recorrências de infeções por HPV, sugerimos a vacinação e temos obtido grandes resultados”. Detalhando o esquema vacinal, esclareceu ainda que “os adolescentes até aos 15 anos devem receber duas doses: uma inicial e outra ao fim de seis meses, e outra entre os seis e os doze meses. Para os adultos, são três doses. Se a criança ou adolescente tiver imunossupressão, deve receber três doses, e não duas”.</p>
<p>No caso do herpes genital, a especialista destacou não apenas a dimensão clínica, mas também o impacto psicológico significativo associado às recorrências, reforçando a importância da educação para comportamentos preventivos. Nesse âmbito, sublinhou que “devemos falar sobre proteção, preservativos e responsabilidade”. A especialista alertou ainda para o facto de os doentes poderem permanecer contagiosos durante períodos prolongados, uma vez que “geralmente, até um ano após o primeiro episódio, podem ser contagiosos para os seus parceiros”.</p>
<p>Por fim, Suzana Ljubojevic sublinhou que toda a abordagem clínica em adolescentes deve ser cuidadosamente ajustada, privilegiando a confidencialidade e a empatia como elementos centrais da consulta. Salientou que “se houver muitas pessoas na consulta, [os jovens] não vão falar abertamente”, sendo muitas vezes necessário adequar a forma de questionamento para garantir um espaço seguro de comunicação. Em paralelo, destacou os avanços diagnósticos, nomeadamente os testes multiplex e métodos menos invasivos, referindo que a testagem à “urina é uma excelente alternativa” face a outros exames de diagnóstico mais evasivos. A especialista terminou referindo a crescente utilidade dos testes rápidos, cuja aceitação aumentou significativamente após a pandemia de COVID-19. Segundo a dermatologista, “os testes rápidos permitem recolher a amostra, fazer o teste e diagnosticar em casa. E, na verdade, a sensibilidade do teste é bastante elevada”.</p>
<p>A incontinência pigmenti (IP) foi apresentada por Christine Bodemer, especialista em Dermatologia no <em>Hôpital Necker Enfants Malades</em>, em Paris, e coordenadora da <em>European Reference Network for Rare Skin Diseases</em>, como uma doença multissistémica dominante ligada ao cromossoma X, cuja expressão clínica resulta de um fenómeno de mosaicismo funcional. Como refere a oradora, “nas doenças cutâneas ligadas ao X dominante existe uma inativação aleatória de um dos cromossomas X, o que explica a coexistência de dois tipos de células, umas com o X ativo normal e outras com o X mutado, as células patogénicas”.</p>
<p>Na IP, o gene envolvido é o NEMO, cuja “a mutação leva à inativação da via NF-κB”. Esta disfunção impede a sobrevivência das células com o cromossoma X mutado, levando à sua eliminação progressiva e explicando o padrão em mosaico característico da doença. Christine Bodemer reforça que “as células em que o X ativado é mutado não conseguem sobreviver e desaparecem progressivamente”.</p>
<p>Relativamente ao diagnóstico, Christine Bodemer sublinhou que “a importância das manifestações cutâneas é fundamental”. Em recém-nascidos sem história familiar, é necessário pelo menos um critério major, enquanto na presença de um familiar de primeiro grau com IP pode ser suficiente um critério minor.</p>
<p>As manifestações cutâneas evoluem em fases. A primeira fase é inflamatória, com lesões vesiculares ou pustulosas, muitas vezes subtis e de difícil reconhecimento, mas com distribuição característica em “linhas de Blaschko”. Christine Bodemer referiu que podem surgir “apenas algumas vesículas ou pústulas com inflamação e padrão linear”. Esta fase pode coexistir com a segunda, marcada por lesões hiperqueratósicas, mais espessas e verrucosas, frequentemente no couro cabeludo, mãos ou pés, sempre com padrão linear. A oradora descreveu estas lesões como “muito evocadoras quando surgem no vértex ou nas extremidades”.</p>
<p>A terceira fase corresponde à hiperpigmentação linear, habitualmente nos primeiros meses de vida. A especialista explicou que estas lesões “regridem espontaneamente ao longo do tempo”, desaparecendo progressivamente ao longo de anos. Ainda assim, podem persistir alterações residuais na idade adulta, sobretudo em zonas de pregas cutâneas.</p>
<p>A oradora alertou também para formas atípicas ou tardias, com possíveis reativações inflamatórias na adolescência ou idade adulta, o que frequentemente conduz a diagnósticos errados. Nestes casos, lesões inflamatórias ou hiperqueratósicas persistentes devem levantar suspeita, sendo que a presença de “inflamação em linhas de Blaschko numa mulher adulta, deve sempre considerar-se a possibilidade de IP”.</p>
<p>A IP é simultaneamente uma doença inflamatória e do desenvolvimento, uma vez que a via NF-κB está envolvida na formação de estruturas ectodérmicas. As principais complicações sistémicas são oculares e neurológicas. No envolvimento ocular, entre 35% e 70% dos doentes podem ser afetados, destacando-se a retinopatia isquémica com neovascularização, que pode evoluir para descolamento da retina e perda visual grave. Christine Bodemer explicou que existe “isquemia retiniana que leva a neovascularização e possível descolamento da retina”, reforçando a importância da deteção precoce.</p>
<p>O envolvimento neurológico ocorre em cerca de 30% dos casos e pode ser grave, sobretudo quando há convulsões precoces, frequentemente nos primeiros dias de vida. A especialista mencionou que “as convulsões podem ser muito precoces e severas, com risco de sequelas”. Podem também ocorrer défices motores progressivos e atraso cognitivo, por vezes apenas identificados em idade escolar.</p>
<p>Em termos terapêuticos, não existe cura definitiva, sendo o foco a prevenção e o tratamento precoce das complicações. No envolvimento ocular, Christine Bodemer explicou que “o tratamento laser precoce da neovascularização é muito importante”, sendo essencial o seguimento oftalmológico regular. No envolvimento neurológico, o tratamento é mais complexo e pode incluir, em situações graves, corticosteroides e terapias anti-inflamatórias como anti-TNF, embora a especialista reconheceu que “o tratamento ainda está em desenvolvimento, mas os corticoides e anti-TNF podem ser úteis”.</p>
<p>Por fim, a especialista considerou que “podemos considerar a IP como uma doença auto-inflamatória”, com envolvimento da imunidade inata, incluindo monócitos e neutrófilos, e potencial resposta a terapêuticas imunomoduladoras. O seguimento destes doentes deve ser multidisciplinar e rigoroso desde o nascimento, sendo que Christine Bodemer sublinhou que “o mais importante é detetar a doença o mais cedo possível, idealmente nos primeiros dias de vida”.</p>
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