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	<title>Arquivo de alimentação escolar - Médico News</title>
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	<description>Dar voz à experiência clínica dos profissionais de saúde no nosso país, através de depoimentos dos key opinion leaders das respetivas especialidades.</description>
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		<title>&#8220;Precisamos de nutricionistas nas escolas para assegurar a adequada alimentação fornecida às crianças&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Sep 2018 09:33:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Obesidade]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação escolar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Ordem dos Nutricionistas (ON) defende a introdução de nutricionistas nas escolas, por forma a garantir que os alunos têm, de facto, uma alimentação correta, assim como para capacitá-los a fazer escolhas mais saudáveis. Em entrevista ao My Obesidade, a bastonária da ON, Dr.ª Alexandra Bento, alerta para a importância de definir normas de oferta&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Ordem dos Nutricionistas (ON) defende a introdução de nutricionistas nas escolas, por forma a garantir que os alunos têm, de facto, uma alimentação correta, assim como para capacitá-los a fazer escolhas mais saudáveis. Em entrevista ao My Obesidade, a bastonária da ON, <strong>Dr.ª Alexandra Bento</strong>, alerta para a importância de definir normas de oferta alimentar nas escolas e monitorizar o seu cumprimento. Como a especialista afirma, esta é uma estratégia que deve envolver, para além dos próprios nutricionistas e das crianças, todos os intervenientes da comunidade escolar.</p>
<p><strong>My Obesidade (MO) | Em fevereiro deste ano, a Ordem dos Nutricionistas apresentou uma proposta à secretária de Estado Adjunta e da Educação, alertando para a necessidade de ter nutricionistas nas escolas para assegurar a adequada alimentação das crianças e aumentar a capacidade de os alunos fazerem escolhas saudáveis. Como caracteriza a alimentação disponibilizada pelas escolas atualmente?</strong></p>
<p><strong>Dr.ª Alexandra Bento (AB) |</strong> Em relação à alimentação que é oferecida atualmente nas escolas, por um lado, há um incumprimento em relação aos normativos, e, por outro lado, as crianças não têm os necessários bons hábitos alimentares. Portanto, o que a Ordem dos Nutricionistas defende é que deve haver uma estratégia a longo prazo que permita às escolas e às crianças ter uma alimentação saudável. Ou seja, uma estratégia que promova a alimentação das crianças, utilizando a escola como espaço privilegiado para fazer a necessária educação.</p>
<p>O que nós entendemos é que na escola se deve viver um ambiente alimentar salutogénico, em que as crianças, os professores, os auxiliares de ação educativa, os funcionários que trabalham nos <em>buffets</em> e bares escolares e também os próprios encarregados de educação e os pais estejam envolvidos nesta estratégia, para que os alunos tenham a melhor alimentação possível.</p>
<p><strong>MO | Mais especificamente, o que tem de mudar nas refeições escolares? O que é que faz falta que não está neste momento a ser feito?</strong></p>
<p><strong>AB|</strong> Há estudos que demonstram algum incumprimento em relação aos normativos. O Ministério da Educação tem trabalhado com muito afinco naquilo que é a produção de normas para oferta alimentar na escola. De facto, tem a noção de que é preciso haver um ambiente alimentar saudável nas escolas e que é preciso modificar a disponibilidade dos alimentos nos bares e nos refeitórios escolares. Neste sentido, tem trabalhado para a produção de normativos que nos digam qual deve ser a oferta alimentar na escola. Além disso, é preciso monitorizar o cumprimento dessas mesmas normas.</p>
<p>A Ordem dos Nutricionistas entende que, para que isto seja exequível, é preciso que haja nutricionistas nas escolas. Isto é, é preciso que seja dado cumprimento àquilo que é uma resolução da Assembleia da República de 2012, que recomenda ao governo que haja nutricionistas nas escolas. Esta resolução em concreto fala da figura do nutricionista escolar.</p>
<p>Mas é preciso que os próprios alunos se capacitem e que tenham os necessários conhecimentos para terem comportamentos alimentares saudáveis. Por outro lado, também temos de qualificar aqueles que estão no espaço escolar, como é o caso dos professores.</p>
<p><strong>MO | E fora das escolas?</strong></p>
<p><strong>AB |</strong> Ainda que, hipoteticamente, possamos ter um ambiente alimentar na escola perfeitamente salutogénico, com uma oferta alimentar desejável e alunos muito envolvidos na mudança, os recintos à volta da escola podem ter uma oferta alimentar que não é a desejável.</p>
<p>Primeiro que tudo, é fundamental trabalhar em conjunto com as autarquias para que seja possível modular a oferta alimentar no espaço à volta das escolas. Em segundo lugar, deve-se incrementar o conhecimento das crianças no que diz respeito ao que deve ser a sua alimentação, não só ao nível do conhecimento, mas também ao nível das questões comportamentais.</p>
<p>Só com profissionais de saúde treinados para o efeito, como é o caso dos nutricionistas, é que nós estaremos bem habilitados para avançar com esta estratégia.</p>
<p><strong>MO | Como se pode, então, motivar os alunos mais jovens a optar pela alimentação saudável?</strong></p>
<p><strong>AB | </strong>Envolvendo. As crianças quando são envolvidas percebem muito bem aquilo que podem e devem fazer.</p>
<p>Temos de lhes conseguir explicar o que é a rotina e o que são as outras situações fora da rotina. Separar o dia a dia da festividade. Porque em alimentação saudável não há nada que seja proibido. O que há são hábitos do dia a dia e rotinas alimentares que devem ser cumpridas.</p>
<p>Porque atitudes impositivas, sem serem compreendidas, não vão surtir efeito. Quando os envolvemos e lhes explicamos que a alimentação saudável também pode e deve ser saborosa, para além de sustentável, minimizando questões de desperdício alimentar, aí sim nós vamos ter bons resultados.</p>
<p><strong>MO | No último dia 17 de setembro, mais de 150 nutricionistas debateram o sistema alimentar escolar em Portugal, num seminário promovido pela Ordem dos Nutricionistas. Quais as principais conclusões retiradas do encontro?</strong></p>
<p><strong>AB |</strong> A principal conclusão foi a de que efetivamente precisamos de nutricionistas nas escolas para assegurar a adequada alimentação fornecida às crianças e, em simultâneo, aumentar a capacidade dos nossos alunos de fazerem escolhas alimentares verdadeiramente saudáveis.</p>
<p>Podemos ter vários modelos relativamente àquilo que é a oferta alimentar nas escolas, nomeadamente nas cantinas, o que acaba por ser o alvo de debate público na atualidade. Independentemente do modelo que vá vigorar a presença de nutricionistas deverá ser mandatária. E é por isso que a Ordem dos Nutricionistas apresentou uma proposta ao Ministério da Educação, para afetação de 30 nutricionistas. Entendemos que 30 é um número razoável e que não estamos a propor nada de muito excessivo.</p>
<p>O trabalho destes profissionais iria incidir essencialmente em duas áreas. Uma delas tem a ver com a informação dada aos alunos e à comunidade escolar acerca daquilo que deve ser a alimentação saudável. A outra encontra-se muito direcionada para a criação de ambientes alimentares saudáveis.</p>
<p>Com um trabalho nestas duas áreas, com objetivos concretos e com uma estrutura orgânica bem definida, poderíamos melhorar indicadores que sabemos serem preocupantes, como é o caso do excesso de peso, do qual um terço das nossas crianças padecem.</p>
<p><strong>MO | Quais os grandes objetivos da Ordem dos Nutricionistas em termos da intervenção nas escolas?</strong></p>
<p><strong>AB |</strong> Um deles diz respeito à intervenção ao nível da criação de ambientes escolares saudáveis: definir as normas para a oferta alimentar na escola; melhorar a disponibilidade alimentar na escola; e monitorizar e fiscalizar o cumprimento das normas de oferta alimentar.</p>
<p>Por sua vez, surgem os objetivos para a intervenção a nível individual, ou seja, informar, quer os alunos, quer a comunidade escolar, acerca da alimentação e da nutrição. O primeiro objetivo será aumentar a literacia alimentar dos alunos e capacitá-los para escolhas alimentares saudáveis, trabalhando as questões do conhecimento e dos comportamentos. Outro grande objetivo será melhorar a formação, a qualificação e o modo de atuação dos diferentes profissionais que podem influenciar o consumo alimentar dos alunos, como é o caso de professores, auxiliares, pessoal de cozinha e, obviamente, os pais e encarregados de educação.</p>
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