O primeiro passo para “conhecer a realidade e melhorar a atuação”: os objetivos do estudo sobre psoríase em Portugal

Prof. Doutor Tiago Torres

Dermatologia

O primeiro passo para “conhecer a realidade e melhorar a atuação”: os objetivos do estudo sobre psoríase em Portugal

“A psoríase é uma doença muito prevalente em Portugal, de elevado impacto e ainda com um significativo subdiagnóstico e subtratamento.” Estas foram do estudo “Epidemiologia da Psoríase em Portugal: Um Estudo de Base Populacional”, do Grupo Português de Psoríase da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, coordenado pelo Prof. Doutor Tiago Torres. Em entrevista, o especialista destaca que a caracterização da população portuguesa com esta patologia era “um estudo que faltava”, já que os especialistas recorriam muitas vezes a “um estudo pequeno e antigo ou a dados de Espanha”. Veja o vídeo.

Até ao momento, não era conhecida a prevalência da psoríase em Portugal. Após este estudo, compreendeu-se que o valor se situa nos 4,4 %, um número “bastante superior ao expectável”. Além disso, destaca o coordenador, permitiu “confirmar outros dados que já existiam de estudos estrangeiros”.

Na população inquirida, 76 % dos doentes com psoríase já tinham um diagnóstico prévio; no entanto, 24 % preenchiam os critérios para o diagnóstico de psoríase, mas que não tinham sido ainda diagnosticados por um médico. Adicionalmente, compreendeu-se que a psoríase pode ter um elevado impacto em diferentes atividades do quotidiano, podendo até atingir hospitalizações.

A acompanhar o subdiagnóstico, o estudo verificou ainda um subtratamento da psoríase, já que “uma percentagem importante de doentes devia encontrar-se a fazer terapêutica sistémica, porque apresentarem formas moderadas a graves da doença e não o estavam a realizar”. “A percentagem de doentes sob terapêutica injetável (terapêutica biológica) também foi bastante abaixo do que seria expectável para uma população com psoríase.”

Apesar destes valores, o especialista acrescenta: “Sabemos que tratamos muito mais e melhor do que tratávamos há alguns anos, através de uma melhor abordagem aos doentes com psoríase.” Esta situação deve-se em parte às campanhas de sensibilização, tanto para a população como para profissionais de saúde como Medicina Geral de Familiar (MGF), assim como a um maior acesso a tratamento.

O especialista destaca a educação médica contínua para MGF e Dermatologia “para uma correta referenciação dos doentes que necessitam de ter acesso a outras terapêuticas”, bem como para “promover a utilização das terapêuticas sistémicas nos doentes”.

Por fim, este estudo “permitiu conhecer a realidade e percebermos como podemos atuar para melhorar”, finaliza o coordenador e especialista em Dermatologia.

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