Mau controlo do C-LDL: a solução semestral para ultrapassar o problema da falta de adesão terapêutica

Anabela Raimundo

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Mau controlo do C-LDL: a solução semestral para ultrapassar o problema da falta de adesão terapêutica

A assistente hospitalar de Medicina Interna do Hospital da Luz Lisboa, Anabela Raimundo, foi palestrante no simpósio “Atingir e manter os doentes com DCVA nos alvos do C-LDL: O papel de uma inovação neste desafio”, promovido pela Novartis no âmbito do XXXIII Congresso Português de Aterosclerose. Em entrevista, a especialista assinala os desafios que impedem o controlo lipídico, sublinhando que a maioria dos doentes com doença cardiovascular aterosclerótica permanece fora dos alvos de colesterol LDL, exigindo novas abordagens para acelerar a jornada do doente para um melhor controlo. Veja a entrevista.

Anabela Raimundo sublinha que o controlo lipídico é dificultado por múltiplas barreiras na prática clínica, que incluem a baixa literacia em saúde, com doentes “muito influenciados por mensagens completamente erradas”, disseminadas “pelas redes sociais e afins” e com uma perceção errada sobre os efeitos secundários das estatinas. Além deste aspeto, existe também um problema de acesso: “A comparticipação das estatinas é mais baixa do que, por exemplo, um medicamento para a hipertensão ou para a diabetes”, o que não ajuda num país com um nível socioeconómico baixo.

A especialista aponta a falta de adesão à terapêutica como uma das falhas mais graves: o abandono da medicação por parte do doente resulta numa subida obrigatória do valor do colesterol.

O foco do simpósio incidiu no papel de inclisiran, descrito como uma molécula “fantástica” com um “mecanismo de ação inovador”. Este medicamento, que “entra no fígado em menos de 48 horas”, tem pouquíssimos efeitos secundários e consegue uma redução de 50% nos níveis de C-LDL.

Na perspetiva de Anabela Raimundo, este fármaco inovador será um “componente inestimável” no tratamento dos doentes mais graves e dos que não atingem os alvos com a terapêutica clássica. A grande revolução reside na manutenção do tratamento: com a toma de comprimidos, “o doente esquece, o doente não toma”, levando ao abandono da terapêutica; com a injeção semestral de inclisiran, o colesterol LDL “vai estar sempre baixo”, resolvendo o problema crónico da não-adesão e protegendo o doente a longo prazo.


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