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	<title>Médico News</title>
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	<description>Dar voz à experiência clínica dos profissionais de saúde no nosso país, através de depoimentos dos key opinion leaders das respetivas especialidades.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 18 Aug 2026 15:09:05 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Médico News</title>
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		<title>SNS aprova carreira especial em Medicina Dentária</title>
		<link>https://mediconews.pt/sns-aprova-carreira-especial-em-medicina-dentaria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Aug 2026 15:09:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Dentária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><strong>Joana Morais Ribeiro</strong>, médica dentista há 18 anos no Serviço Regional de Saúde dos Açores (SRS), e <strong>Maria Miguel Bettencourt</strong>, médica dentista há 25 anos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), protagonizaram, no dia 17 de julho de 2026, um momento histórico para a medicina dentária no setor público.</p>
<p>Conheceram-se em 2016, no Primeiro Encontro dos Médicos Dentistas dos Serviços Públicos. Esta reunião não só teve uma vertente formativa, como permitiu o estabelecimento de uma rede de contactos entre os profissionais que exerciam no setor público. Foi o ponto de partida para trabalharem em conjunto na defesa e reconhecimento das suas funções, numa fase em que a tutela preparava a integração dos Cuidados de Saúde Oral nos Centros de Saúde. Atualmente Joana Morais Ribeiro é a Representante dos Açores no Conselho Diretivo da Ordem dos Médicos Dentistas e coordenadora do grupo de trabalho de Saúde Pública Oral e Maria Miguel Bettencourt assume a presidência da Associação Portuguesa dos Médicos Dentistas dos Serviços Públicos (APOMED-SP), fundada pela resiliência dos médicos dentistas que se encontraram naquele Primeiro Encontro. O trabalho contínuo iniciado em 2016 culminou agora, 10 anos depois, na concretização do objetivo mais aguardado: a aprovação da carreira especial de médico dentista no SNS. Leia a entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>NF | A recente aprovação unânime da carreira especial de médico dentista no SNS foi classificada pela OMD como &#8220;um avanço decisivo&#8221; e um &#8220;momento histórico&#8221;, após décadas sem este enquadramento. Na sua perspetiva, qual será o impacto prático e imediato desta medida na valorização da medicina dentária e no dia a dia dos serviços públicos?</strong></p>
<p><strong>Joana Morais Ribeiro (JMR) |</strong> O impacto imediato será a regularização do exercício da medicina dentária no SNS e no SRS, com o reconhecimento da nossa diferenciação clínica, científica e profissional, já que a Região Autónoma da Madeira foi pioneira na criação de uma carreira própria para os médicos dentistas. Até agora, os médicos dentistas exerciam inseridos na carreira de Técnico Superior do Regime Geral, cujo conteúdo funcional não contempla qualquer tipo de função clínica. Os mais antigos com Contratos de Trabalho em Funções Públicas (CTFP) e os mais recentes com Contratos Individuais de Trabalho (CIT) ou em regime de prestação de serviços, a maioria destes como “falsos recibos verdes”. Curiosamente, a primeira proposta de carreira é datada de 1986, tendo sido elaborada pela Ordem dos Médicos que na época integrava também os Médicos Dentistas e foram precisos 40 anos para que finalmente a carreira fosse aprovada!</p>
<p><strong>Maria Miguel Bettencourt (MMB) |</strong> Mais do que uma alteração administrativa, esta carreira representa o reconhecimento da Medicina Dentária como uma área clínica do SNS. Durante muitos anos, os médicos dentistas exerceram funções assistenciais altamente diferenciadas sem um enquadramento profissional adequado à sua atividade. O impacto imediato será sobretudo simbólico e organizacional: os profissionais passam a ter um reconhecimento formal das suas funções e abre-se finalmente uma perspetiva de desenvolvimento profissional dentro do SNS. A médio prazo, espero que esta mudança se traduza em equipas mais estáveis, maior capacidade de retenção de profissionais e uma resposta assistencial mais consistente para os utentes. Acima de tudo, a carreira transmite uma mensagem importante: a saúde oral deixou de ser vista como um complemento e passa a ser reconhecida como parte integrante dos cuidados de saúde prestados pelo SNS.</p>
<p><strong>NF | O novo diploma assenta em três categorias distintas, de assistente, assessor e assessor sénior. De que forma é que a criação desta estrutura, com perspetivas claras de progressão e diferenciação de responsabilidades, pode mudar o paradigma de atração de novos talentos para o Serviço Nacional de Saúde?</strong></p>
<p><strong>JMR |</strong> A criação de categorias com progressão definida é essencial, porque torna a carreira mais transparente e mais previsível e isso potencia a sua atratividade. Quando um profissional sabe quais são os critérios de evolução, que responsabilidades assume em cada categoria e constata que há um percurso real dentro do SNS, isso aumenta a capacidade de atrair e reter talento.</p>
<p><strong>MMB |</strong> Durante muitos anos, os jovens médicos dentistas olhavam para o SNS e não encontravam uma perspetiva clara de crescimento profissional. Existia trabalho clínico, existia responsabilidade assistencial, mas não existia um percurso estruturado. A criação de categorias e mecanismos de progressão aproxima a Medicina Dentária das restantes carreiras de saúde e transmite uma previsibilidade que é fundamental para quem está a iniciar a sua vida profissional. Mas a atração de novos profissionais não dependerá apenas da existência formal da carreira, dependerá também da forma como esta for concretizada. Os jovens médicos dentistas procuram ambientes clínicos organizados, equipas diferenciadas, oportunidades de formação e condições que lhes permitam desenvolver um projeto profissional de longo prazo. A carreira cria essa oportunidade. Agora é necessário transformá-la numa realidade atrativa e sustentável.</p>
<p><strong>NF |</strong> <strong>O texto acautela que os médicos dentistas que já exercem funções no SNS farão a transição sem perda de direitos, remuneração ou tempo de serviço. Quão fundamental era esta garantia para assegurar a estabilidade das equipas de saúde oral que já operam atualmente nas Unidades Locais de Saúde (ULS)?</strong></p>
<p><strong>JMR |</strong> Proteger a antiguidade, a remuneração e os direitos dos profissionais é absolutamente fundamental para assegurar continuidade assistencial e evitar que uma medida pensada para valorizar o setor acabasse por fragilizar quem já o sustenta no terreno, no nosso caso em particular, há muitos anos. As equipas precisam de sentir que esta mudança reconhece o trabalho já feito e não o desvaloriza e este reconhecimento deve estender-se também aos colegas em regime de “falsos recibos verdes” cujo trabalho em prol do SNS também tem de ser valorizado.</p>
<p><strong>MMB |</strong> Era absolutamente essencial. A carreira não está a ser construída do zero. Existe um conjunto de médicos dentistas que, ao longo de muitos anos, ajudou a criar e consolidar os serviços de saúde oral no SNS, frequentemente em contextos de grande exigência e sem o enquadramento profissional que agora foi criado. Seria incompreensível que uma medida destinada a valorizar a profissão ignorasse a experiência, a antiguidade e o percurso daqueles que contribuíram para construir a resposta pública em saúde oral. Além disso, continua a ser importante encontrar soluções justas para os colegas que durante anos exerceram funções no SNS em regime de prestação de serviços. O conhecimento acumulado por estes profissionais constitui um ativo importante para o sistema e deve ser valorizado nos processos futuros de recrutamento.</p>
<p><strong>NF | Como referiu o bastonário Miguel Pavão, o verdadeiro sucesso da lei medir-se-á pela capacidade de colocar e fixar profissionais em todo o território nacional. Quais são os maiores obstáculos que o SNS ainda terá de ultrapassar para garantir uma resposta de saúde oral verdadeiramente descentralizada e próxima dos cidadãos?</strong></p>
<p><strong>MMB |</strong> A criação da carreira era uma condição necessária, mas não é suficiente por si só. É fundamental continuar a investir em recursos humanos, mas também na organização da resposta assistencial. Precisamos de equipas estáveis, gabinetes plenamente funcionais, circuitos de referenciação simples e estruturas que permitam aos médicos dentistas assumir plenamente a sua responsabilidade clínica. Outro desafio importante será garantir que a Medicina Dentária é integrada nas ULS como uma área clínica com capacidade de organização própria, articulando-se com as restantes áreas assistenciais e com a Saúde Pública, mas sem perder a sua identidade clínica. A descentralização não depende apenas do número de profissionais, depende também da existência de um modelo organizativo claro, capaz de responder às necessidades concretas das populações.</p>
<p><strong>JMR |</strong> Se pensarmos nos médicos de família que exercem no SNS, constatamos que nem a Medicina Geral e Familiar consegue assegurar uma cobertura universal da população, logo, considerar que a Medicina Dentária, nos cuidados de saúde primários conseguirá fazê-lo é utópico. Na minha perspetiva, a promoção da proximidade com a população, beneficiará sempre da articulação com o setor privado, contando com a sua capacidade instalada, através de parcerias público-privadas que podem evoluir muito para além do Cheque-Dentista.</p>
<p><strong>NF | A OMD garantiu que vai acompanhar de forma ativa a regulamentação desta nova carreira. Olhando para o futuro a curto prazo, quais deverão ser as prioridades absolutas nesta fase de implementação para garantir que as intenções do diploma não se perdem na burocracia?</strong></p>
<p><strong>JMR |</strong> A prioridade absoluta é a regulamentação rápida da carreira de forma clara: definir enquadramento remuneratório, regras de transição e critérios de para que se criem condições para a abertura de concursos públicos para a nova carreira, sobretudo para que os colegas que exercem como falsos recibos verdes possam tentar regularizar o seu trabalho e que mais ULS consigam abrir postos de trabalho a médicos dentistas. Ao mesmo tempo, é crucial monitorizar a aplicação no terreno para evitar atrasos burocráticos que esvaziem o alcance do diploma. Na qualidade de entidade que regula e supervisiona o acesso e o exercício da profissão de médico dentista em Portugal, a OMD terá necessariamente de acompanhar este processo de perto.</p>
<p><strong>MMB |</strong> A prioridade imediata é assegurar uma regulamentação que preserve o espírito da lei agora aprovada. Mas será igualmente importante garantir que a implementação da carreira é acompanhada por uma reflexão sobre a organização futura da saúde oral no SNS. A APOMED-SP continuará totalmente disponível para contribuir para esse processo. Afinal, a associação nasceu precisamente da necessidade de dar voz aos médicos dentistas dos serviços públicos e tem procurado, ao longo da última década, participar de forma construtiva na discussão das políticas de saúde oral. Muitos dos colegas que integram a APOMED têm contribuído para grupos de trabalho, documentos estratégicos e estruturas consultivas ligadas à saúde oral. Conhecem a realidade do terreno e as dificuldades concretas sentidas pelos utentes e pelos profissionais. Acreditamos que a criação da carreira abre uma oportunidade única para consolidar a Medicina Dentária no SNS. O desafio agora é garantir que essa oportunidade se traduz numa organização dos serviços capaz de valorizar os profissionais e responder melhor às necessidades da população.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quando um problema da consulta se transforma num projeto tecnológico</title>
		<link>https://mediconews.pt/quando-um-problema-da-consulta-se-transforma-num-projeto-tecnologico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 11:29:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poderá a tecnologia acompanhar a saúde menstrual sem transformar dados íntimos num produto comercial? A propósito das limitações e riscos de privacidade observados na maioria das aplicações do mercado, o ginecologista-obstetra e especialista em Medicina da Reprodução <strong>Ricardo Santos</strong> (ULS Alto Ave) assina um artigo de opinião sobre o desenvolvimento da aplicação CycleTracker. O médico e especialista em Informática Médica explica como concebeu uma ferramenta digital de registo menstrual focada exclusivamente na segurança dos dados da utilizadora, na utilidade para a consulta médica e no rigor clínico, livre de publicidade ou recolha de informação.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sou especialista em Medicina da Reprodução. O ciclo menstrual é algo que faz parte do meu quotidiano, e que valorizo muito, pela importância que tem no meu trabalho. Acresce que aplicações de acompanhamento do ciclo menstrual já fazem parte do quotidiano de muitas mulheres. Contudo, nem sempre foram concebidas com prioridades clínicas: podem apresentar previsões com uma segurança excessiva, incluir publicidade em momentos particularmente sensíveis ou recolher informação que ultrapassa largamente o necessário. Por isto, quis explorar uma alternativa: uma aplicação útil, clinicamente responsável e que não precisasse de transformar dados íntimos num produto.</p>
<p>A ideia para a CycleTracker nasceu, antes de tudo, da prática clínica. Em consulta, é frequente as doentes recorrerem ao telemóvel para tentar reconstruir a sua história menstrual: quando começou a última menstruação, qual tem sido a duração dos ciclos, se existe <em>spotting</em> recorrente, em que dias surgiram determinados sintomas ou quando foi realizado um teste de ovulação. Muitas já utilizam uma aplicação, mas a informação nem sempre é fácil de interpretar ou partilhar.</p>
<p>Já tive doentes que, de tanto rigor, tinham calendários menstruais complexos em folhas de excel (uma que me estou a lembrar era engenheira, e de um rigor com os registos que faria inveja a muitas aplicações dedicadas). Mas mais do que uma vez, tive de esperar que uma doente visse um anúncio antes que a aplicação instalada no seu dispositivo carregasse os seus ciclos, e, como apaixonado pela tecnologia que sou, sei que a esmagadora maioria das aplicações gratuitas vivem dos dados de quem as usa (não existem “refeições grátis”). Estes momentos tornaram mais evidente uma preocupação já antiga: não faltavam calendários menstruais, mas faltava uma ferramenta que eu pudesse recomendar sem reservas. Queria algo simples, sem publicidade e sem distrações, mas também sem previsões apresentadas como certezas ou mecanismos invisíveis de recolha de dados.</p>
<p>O objetivo não foi, portanto, criar “mais uma aplicação”. Foi tentar responder a uma pergunta clínica e ética: como deve funcionar uma ferramenta de saúde menstrual quando o seu primeiro compromisso é com a utilizadora?</p>
<p>O projeto surgiu também de um percurso pessoal situado entre várias áreas. Sou ginecologista-obstetra, com subespecialidade em Medicina da Reprodução, mestre em Informática Médica e doutorado em Investigação Clínica e Serviços de Saúde. A atividade clínica permite-me identificar problemas concretos; a formação científica obriga-me a questionar a validade das soluções; e a experiência tecnológica dá-me a possibilidade de transformar algumas dessas ideias em ferramentas utilizáveis.</p>
<p>Comecei o desenvolvimento da CycleTracker nas minhas férias de 2025. A conceção clínica, a definição das funcionalidades e todo o desenvolvimento tecnológico foram realizados por mim, num processo muito iterativo, com auxílio de várias ferramentas de programação e inteligência artificial. Estas ferramentas libertaram o lado da execução, colocando enfâse nas ideias. Se uma ideia é boa, pode ser bem aplicada, em tempo real. Criar, testar, criticar, resolver, criar, testar… num processo circular extremamente rápido e satisfatório.</p>
<p>Uma das principais aprendizagens nesta área, e já de há vários anos (2017), quando criei a minha primeira aplicação (na altura publicada apenas para Android), foi perceber que a parte mais difícil raramente é desenhar um calendário ou criar um botão. As decisões verdadeiramente complexas estão por detrás da interface: o que deve ser considerado o início de um ciclo? Como interpretar ciclos irregulares? Como lidar com valores extremos sem apagar informação relevante? Como distinguir uma estimativa baseada em vários ciclos de outra baseada apenas numa média populacional? Estas são simultaneamente perguntas clínicas e tecnológicas.</p>
<p>A aplicação foi construída para iOS e Android a partir de uma base comum (Flutter). Permite registar menstruação, <em>spotting</em>, sintomas, relações sexuais, temperatura basal e testes de ovulação, analisar padrões e produzir estimativas adaptadas ao histórico individual. O desenvolvimento incluiu testes com diferentes tipos de ciclo, validação de importações e exportações e atenção a situações menos “arrumadas” do que os exemplos ideais habitualmente apresentados num calendário. É um trabalho em curso, que vou corrigindo, acrescentando funcionalidades e melhorias.</p>
<p>Os dados de saúde reprodutiva estão entre os dados mais íntimos que uma pessoa pode registar. Podem incluir informação sobre menstruação, atividade sexual, tentativas de gravidez, sintomas, testes de ovulação ou suspeitas de doença. Por isso, a privacidade da CycleTracker foi definida desde o início como uma característica estrutural. A aplicação não exige conta ou registo. Não possui uma base de dados central nem envia os registos para servidores próprios. Os dados permanecem no dispositivo e a aplicação pode funcionar <em>offline</em>. Não inclui publicidade, identificadores publicitários, serviços de análise de comportamento ou mecanismos de rastreamento de terceiros. O acesso pode ser protegido através de autenticação biométrica.</p>
<p>A integração com a Apple Health ou o Health Connect é opcional, requer uma ação explícita da utilizadora e pode ser revogada. Não deve existir uma partilha automática ou pouco compreensível de informação tão sensível.</p>
<p>Naturalmente, esta opção tem custos. Sem telemetria, não consigo observar à distância como cada pessoa utiliza a aplicação ou em que ponto abandona uma determinada tarefa. Sem uma conta central e sincronização automática na nuvem, as cópias de segurança e a transferência de dados têm de ser escolhas mais conscientes. A evolução da aplicação depende mais do contacto voluntário das utilizadoras e dos profissionais. Estas limitações são coerentes com o propósito do projeto. Aquilo que não é recolhido não pode ser vendido, explorado para publicidade ou exposto numa falha de um servidor. Isto não elimina todos os riscos digitais, mas reduz significativamente a superfície de exposição.</p>
<p>A ausência de publicidade pode parecer apenas uma opção estética. Na realidade, é também uma escolha sobre o modelo de relação entre a aplicação e a utilizadora. Uma ferramenta de saúde não deve ter interesse em prolongar artificialmente o tempo de utilização, aumentar o número de notificações ou transformar sintomas e receios em oportunidades de envolvimento comercial. O objetivo não é manter a mulher dentro da aplicação. É permitir-lhe registar o que precisa, compreender a informação e continuar o seu dia.</p>
<p>A CycleTracker é uma ferramenta de registo e apoio à compreensão do ciclo. Não substitui uma consulta, não estabelece diagnósticos e as estimativas de fertilidade não devem ser utilizadas isoladamente como método contracetivo.</p>
<p>Quando uma doente consegue apresentar uma sequência organizada dos ciclos, sintomas, episódios de <em>spotting</em> ou resultados de testes de ovulação, a conversa torna-se mais concreta. Reduz-se a dependência da memória e torna-se mais fácil identificar padrões, formular perguntas e decidir se é necessária investigação adicional.</p>
<p>A aplicação permite também exportar informação para cópia de segurança ou partilha deliberada. O objetivo não é substituir a história clínica, mas facilitar a passagem entre o registo quotidiano da mulher e uma conversa clínica contextualizada.</p>
<p>Desde a publicação inicial (abril de 2026), cerca de 130 instalações foram realizadas. Devemos ter em conta que esta é uma aplicação que só corre boca-a-boca (não está nunca nos lugares cimeiros em pesquisas, dado o seu curto histórico).</p>
<p>Uma aplicação clinicamente responsável deve reconhecer quando não possui dados suficientes, explicar a incerteza das suas estimativas, proteger informação sensível e encaminhar para avaliação clínica quando apropriado. Deve ser tecnicamente competente, mas também discreta.</p>
<p>Gostaria que o sucesso deste projeto não fosse medido apenas pelo número de instalações ou pelo tempo passado na aplicação. Para mim, os indicadores mais relevantes são outros: se ajuda uma mulher a compreender melhor o seu ciclo, a engravidar com mais facilidade, se lhe dá maior controlo sobre os próprios dados e se permite que uma consulta comece com informação mais clara.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Hepatites virais: trabalho conjunto e proximidade às populações vulneráveis essenciais para alargar o diagnóstico</title>
		<link>https://mediconews.pt/hepatites-virais-trabalho-conjunto-e-proximidade-as-populacoes-vulneraveis-essenciais-para-alargar-o-diagnostico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 11:16:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Infecciologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chegar às franjas populacionais não diagnosticadas e ultrapassar barreiras complexas, como o estigma e a língua, exige um esforço articulado e uma vontade política firme. Esta foi a grande mensagem deixada por <strong>Cristina Valente</strong> em entrevista à News Farma. Na qualidade de membro da equipa do Programa Nacional para as Hepatites Virais da Direção-Geral da Saúde (PNHV-DGS), a especialista foi moderadora da mesa de debate sobre a década de utilização dos antivirais de ação direta, que decorreu no evento promovido pela DGS a 28 de julho, Dia Mundial das Hepatites Virais, na Assembleia da República. Confira as declarações em vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cristina Valente começou por apontar como prioridade máxima a necessidade de “trabalhar em conjunto e diagnosticar aquelas populações que ainda não estão diagnosticadas, nomeadamente as franjas”. A especialista colocou foco especial na população migrante, considerando-a “um ponto fundamental” no plano de ação, uma vez que estes cidadãos “muitas vezes não fazem ideia que estão infetados porque são oriundos de países com alta prevalência” e enfrentam sérias “dificuldades de acessibilidade pela língua, pelo estigma, pela cultura”. Para superar estes obstáculos, defendeu que a resposta exige uma articulação estreita entre “a comunidade, os municípios, os stakeholders, toda a gente em conjunto”, em que “cada um dá o seu melhor para conseguirmos arranjar ferramentas para chegar a esta população e trazê-los aos cuidados de saúde”.</p>
<p>Por outro lado, Cristina Valente enalteceu os aspetos positivos do caminho já percorrido, frisando que “já tratamos muitas pessoas” e que estas “estão a chegar hoje ao tratamento em melhores condições do que antes”. No entanto, deixou um apelo claro para que não se baixe a guarda: “Mais uma vez, temos que alargar o diagnóstico” das hepatites virais em todo o território nacional. A diretora do Serviço de Doenças Infecciosas da Unidade Local de Saúde de Coimbra concluiu reforçando que o PNHV conta “com as nossas autoridades e com uma vontade política que nos ajude a fazer um rastreio em massa”.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Saúde Mental continua a ser um desafio na abordagem ao doente com cancro do pulmão</title>
		<link>https://mediconews.pt/saude-mental-continua-a-ser-um-desafio-na-abordagem-ao-doente-com-cancro-do-pulmao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 11:11:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pneumologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A ansiedade e a depressão afetam a maioria dos doentes após o diagnóstico de cancro do pulmão, uma patologia ainda conotada como uma sentença de morte a curto prazo. Em entrevista a propósito do Dia Mundial do Cancro do Pulmão, <strong>Ulisses Brito</strong>, ULS Algarve, alerta para o impacto negativo destes quadros emocionais na adesão aos tratamentos. O especialista defende o reforço do apoio psicológico e psiquiátrico nos serviços de saúde, a par da urgência na implementação do rastreio e na desvalorização dos sintomas para um diagnóstico mais precoce. Leia a entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>News Farma (NF) | O estigma associado ao cancro do pulmão pode levar a sentimentos de vergonha ou medo do julgamento, atrasando a procura de ajuda médica. De que forma este estigma influencia a jornada dos doentes e qual o papel dos profissionais de saúde na sua desconstrução?</strong></p>
<p><strong>Ulisses Brito (UB) |</strong> Mais do que a vergonha ou o receio do julgamento até porque, de início, os doentes desconhecem o seu diagnóstico, o principal obstáculo reside na subvalorização ou desvalorização dos sintomas. Esta atitude conduz, invariavelmente, a um atraso diagnóstico e à progressão da doença. Como consequência, os doentes chegam à consulta em estadios mais avançados, o que reduz significativamente a probabilidade de uma maior sobrevivência.</p>
<p>Os profissionais de saúde desempenham um papel fundamental neste âmbito: através da educação para a saúde e da divulgação dos sintomas e dos fatores de risco associados ao cancro do pulmão, podem capacitar a população e sensibilizá-la para a importância do diagnóstico precoce.</p>
<p>Ainda assim, o fator verdadeiramente decisivo é a implementação do rastreio do cancro do pulmão. Através da identificação dos indivíduos de maior risco e da realização de uma tomografia computorizada (TC) torácica de baixa dose, torna-se possível detetar a doença em estadios mais precoces, melhorando substancialmente o prognóstico e permitindo, em determinados casos, alcançar a cura.</p>
<p><strong>NF | Sabendo que cerca de 9 em cada 10 doentes sofrem um forte impacto emocional (como o medo da progressão da doença ou da falha dos tratamentos) e que uma percentagem significativa desenvolve quadros clínicos de ansiedade e depressão, como deve a saúde mental ser integrada na abordagem destes doentes e de que forma os profissionais podem responder a estas necessidades ao longo do percurso?</strong></p>
<p><strong>UB |</strong> A Saúde Mental e o acompanhamento psicológico desempenham um papel fulcral no apoio a estes doentes. Contudo, embora a maioria dos serviços disponha de consultas de Psicologia, esta oferta revela-se ainda insuficiente, sendo crucial assegurar também a integração da Psiquiatria. Infelizmente, a escassez de recursos humanos nesta área impede, com frequência, uma intervenção em tempo útil.</p>
<p>A ansiedade e a depressão afetam a maioria dos doentes após o diagnóstico de cancro do pulmão, uma patologia ainda comummente conotada como uma “sentença de morte” a curto prazo. O desenvolvimento destes quadros psicopatológicos tem, como é sabido, um impacto profundamente negativo, quer na atitude com que o doente enfrenta a doença, quer na sua adesão e tolerância aos tratamentos</p>
<p><strong>NF | No âmbito do Dia Mundial do Cancro do Pulmão, que mensagens-chave gostaria de deixar aos profissionais de saúde sobre a importância de combater o estigma e garantir uma abordagem centrada no doente?</strong></p>
<p><strong>UB |</strong> Os profissionais de saúde deverão ter sempre uma atitude de alerta em relação aos potenciais doentes de risco e aos sintomas dos doentes, tomando as iniciativas necessárias para um diagnóstico mais precoce, e uma atitude de educação, incentivando os seus utentes a abandonarem comportamentos de risco, nomeadamente o tabaco. Por outro lado, temos que tentar melhorar os serviços de forma a darem uma resposta mais célere e abrangente às necessidades dos doentes e famílias.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/saude-mental-continua-a-ser-um-desafio-na-abordagem-ao-doente-com-cancro-do-pulmao/">Saúde Mental continua a ser um desafio na abordagem ao doente com cancro do pulmão</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Comportamentos aditivos: menos burocracia e informação mais ágil no terreno</title>
		<link>https://mediconews.pt/comportamentos-aditivos-menos-burocracia-e-informacao-mais-agil-no-terreno/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 10:59:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adictologia]]></category>
		<category><![CDATA[Break Talks]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=46663</guid>

					<description><![CDATA[<p>A coexistência entre as dependências tradicionais e as novas adições sem substância exige uma resposta cada vez mais ágil e integrada. <strong>Elsa Lavado</strong>, técnica superior da Unidade de Estatística e Investigação do ICAD, faz o balanço das Break Talks e aponta que a prioridade para Portugal passa por reforçar os recursos humanos e encurtar a distância entre a produção de dados estatísticos e a ação direta no terreno. Para acelerar esta resposta, a especialista reflete que é importante diminuir o peso da burocracia. Assista à entrevista.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/comportamentos-aditivos-menos-burocracia-e-informacao-mais-agil-no-terreno/">Comportamentos aditivos: menos burocracia e informação mais ágil no terreno</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Elsa Lavado faz um balanço muito positivo, sublinhando que iniciativas como esta &#8220;são sempre inovadoras, trazem sempre um fator qualitativo para acrescentar algo à discussão que é sempre atual&#8221;. Relativamente à realidade portuguesa e à urgência do tema, a técnica do ICAD destaca uma constatação que ficou patente ao longo das sessões: &#8220;Os consumos tradicionais, com substância, apesar de, aparentemente, não estarem tão na moda, continuam lá e não podem ser descurados&#8221;. A grande conclusão é a de que existe uma clara sobreposição de desafios, pois &#8220;os consumos com substância e os consumos sem substância não se invalidam um ao outro e, por vezes, até podem mesmo coexistir&#8221;, reflete.</p>
<p>Para a especialista, uma das necessidades prementes é &#8220;o aumento dos recursos humanos”, uma vez que este acréscimo de trabalho do ICAD se deve, em grande parte, à necessidade de &#8220;incluir também as adições sem substância&#8221;. Ao nível do sistema implementado no terreno, Elsa Lavado acredita que a prioridade passa por “agilizar a comunicação” e o foco deve estar em &#8220;alimentar o que existe da produção de informação, da produção de dados, e por sua vez, a partir daqui, também dar conhecimento a todas as áreas da intervenção, havendo em contínuo um feedback&#8221;.</p>
<p>Se tivesse o poder de retirar apenas um constrangimento para acelerar a resposta aos comportamentos aditivos, Elsa Lavado refere que aliviaria o peso da burocracia que existe. A técnica superior defende que é vital tornar o sistema &#8220;muito mais célere&#8221; e otimizar os &#8220;sistemas de alerta que já existem&#8221;, um tema que, como recorda, é amplamente sublinhado no Relatório Mundial das Drogas de 2026. O objetivo principal sem este constrangimento burocrático seria permitir &#8220;uma integração da informação que todos trazem, haver uma ligação e funcionarem como um puzzle que depois, por si só, torna-se em algo prático que possa ser aplicado no terreno”, salienta.</p>
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		<title>Entre o alerta global e o compromisso nacional, construir o futuro da Oncologia em Portugal</title>
		<link>https://mediconews.pt/entre-o-alerta-global-e-o-compromisso-nacional-construir-o-futuro-da-oncologia-em-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 10:56:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=46660</guid>

					<description><![CDATA[<p>Perante o novo relatório da Organização Mundial da Saúde “Global Status Report on Cancer 2026”, que projeta que os novos casos de cancro possam quase duplicar até 2050, o presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), <strong>Nuno Bonito</strong>, assina um artigo de opinião sobre a urgência de uma resposta estrutural em Portugal. O especialista defende o reforço da prevenção e da equidade no acesso aos cuidados, alertando ainda para os atrasos na inovação terapêutica no país — onde o tempo médio de espera pelos novos fármacos atinge os 846 dias. Conheça a perspetiva do especialista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O recente relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) constitui um importante sinal de alerta que não podemos ignorar. A projeção de que os novos casos de cancro possam quase duplicar até 2050, atingindo os 35 milhões, coloca-nos perante um desafio geracional que exige uma resposta estrutural, sustentada e ambiciosa.</p>
<p>A escala deste fardo é crítica na Europa: embora representemos apenas 9% da população mundial, suportamos 20,9% dos novos diagnósticos e 20% das mortes globais. O contraste entre o progresso da Europa Ocidental e os desafios da Europa de Leste confirma que a equidade no acesso aos cuidados continua a ser uma falha estrutural.</p>
<p>Em Portugal, a nossa realidade exige uma otimização profunda. Embora nos situemos num nível intermédio de despesa em saúde — comparável a países como a Grécia e a Finlândia — o investimento não garante resultados por si só. Os dados sobre o padrão de cuidados cirúrgicos no cancro da mama na região Sul do país, onde a taxa de cumprimento da cirurgia conservadora combinada com radioterapia se situa apenas entre os 40% e 50%, demonstram que temos uma margem crítica para uniformizar a qualidade clínica em todo o território nacional.</p>
<p>Não é possível falar de uma estratégia eficaz para o controlo do cancro sem colocar a prevenção no centro da agenda política. O relatório da OMS é claro: quase quatros em cada dez casos de cancro estão associados a fatores de risco evitáveis, como o consumo de tabaco e álcool, a inatividade física, a obesidade, a exposição a infeções, nomeadamente HPV e hepatites, e a poluição ambiental.</p>
<p>Os progressos alcançados demonstram que as políticas de Saúde Pública produzem resultados. A redução de 27% no consumo de tabaco desde 2010 e o impacto dos programas de vacinação são exemplos concretos desse sucesso.</p>
<p>Contudo, a dimensão do desafio exige um investimento robusto e estratégico em prevenção, devidamente estruturado em seis níveis de intervenção: em seis níveis de prevenção integrados: primordial (políticas públicas promotoras de saúde), primária (controlo de fatores de risco), secundária (rastreio e diagnóstico precoce), terciária (tratamento eficaz e reabilitação), quaternária (prevenção do sobretratamento) e quinquenária (valorização e bem-estar dos profissionais de saúde). Esta abordagem transversal é essencial para reduzir a incidência da doença, otimizar resultados clínicos e assegurar a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde a longo prazo.</p>
<p>A nossa visão converge com a defesa de uma abordagem verdadeiramente centrada nas pessoas. O sucesso da resposta oncológica não pode ser avaliado apenas pelo volume de atividade. É essencial incorporar indicadores que reflitam aquilo que realmente importa para os doentes: qualidade de vida (PROM), experiência dos cuidados (PREM) e sobrevivência ajustada ao risco. Quando a OMS defende a integração do controlo do cancro na Cobertura Universal de Saúde, Portugal deve aproveitar essa oportunidade para reforçar a coordenação dos percursos assistenciais, nomeadamente através de uma Via Verde do Doente Oncológico. O doente deve beneficiar de circuitos ágeis, diferenciados e articulados ao longo de todo o percurso de cuidados.</p>
<p>Persistem, contudo, desafios importantes no acesso à inovação. Apesar de Portugal apresentar uma disponibilidade de medicamentos oncológicos superior à média europeia, o tempo médio até ao acesso pelos doentes — 846 dias — continua significativamente acima da média europeia de 586 dias, de acordo com o EFPIA Patients W.A.I.T. Indicator 2024. A sustentabilidade do SNS deve ser construída através da maximização dos ganhos em saúde, assegurando um acesso atempado, equitativo e sustentável à inovação. Neste contexto, modelos de pagamento baseados em resultados (<em>payment by results</em>) constituem uma oportunidade para alinhar investimento e valor gerado para os doentes.</p>
<p>A Oncologia portuguesa deve ter condições para liderar. A obrigatoriedade da multidisciplinaridade — com molecular tumor boards e a coordenação central do oncologista médico — e a integração dos cuidados paliativos não são luxos, são necessidades clínicas para melhorar prognósticos.</p>
<p>Como presidente da SPO, reitero o nosso compromisso: não nos limitaremos a observar estatísticas. Trabalharemos ativamente, em co-criação com os decisores políticos, para que Portugal não apenas responda ao aumento dos casos, mas lidere com competência técnica, equidade e uma profunda humanização. O futuro da Oncologia escreve-se na qualidade das nossas escolhas políticas e na nossa capacidade de colocar o doente no centro.</p>
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		<title>Médica da ULS Barcelos/Esposende selecionada entre 759 candidatos para desenhar o futuro da saúde no país</title>
		<link>https://mediconews.pt/medica-da-uls-barcelos-esposende-selecionada-entre-759-candidatos-para-desenhar-o-futuro-da-saude-no-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 09:38:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Geral e Familiar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Todos os dias acompanha pessoas e famílias em momentos particularmente exigentes. Agora, vai levar essa experiência ao Health Parliament Portugal, uma iniciativa que reúne 60 profissionais e jovens líderes de diferentes áreas para pensar o futuro da saúde em Portugal. Entre 759 candidaturas, a médica <strong>Diana Silva Gonçalves</strong>, da Unidade Local de Saúde de Barcelos/Esposende (ULSBE), foi uma das 60 pessoas selecionadas para integrar a terceira edição do projeto.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Health Parliament Portugal reúne 60 profissionais e jovens líderes de diferentes áreas que, ao longo de seis meses, trabalham em comissões temáticas para elaborar recomendações dirigidas aos decisores políticos sobre alguns dos principais desafios do sistema de saúde.</p>
<p>Especialista em Medicina Geral e Familiar e atualmente a exercer funções no Serviço Integrado de Cuidados Paliativos da ULSBE, Diana Silva Gonçalves tem desenvolvido projetos ligados à humanização e à integração de cuidados, sendo atualmente presidente da Comissão de Humanização da instituição. Liderou ainda a candidatura do Espaço ConVida, um novo espaço de acolhimento que será inaugurado em breve na ULS Barcelos/Esposende, distinguido pela Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos. O seu percurso inclui ainda experiência de representação em organizações médicas europeias, onde contribuiu para a reflexão e elaboração de propostas sobre políticas de saúde e teve oportunidade de contactar com diferentes modelos de organização dos sistemas de saúde.</p>
<p>Para Diana Silva Gonçalves, o Health Parliament Portugal é uma oportunidade para levar ao debate nacional a experiência de quem trabalha diariamente junto dos doentes e das famílias.</p>
<p>“Levarei a experiência adquirida diariamente na ULSBE, quer através da atividade clínica em Cuidados Paliativos, quer através dos projetos de humanização e integração de cuidados em que tenho estado envolvida. Espero contribuir para recomendações concretas que reflitam a realidade dos profissionais e das pessoas que recorrem aos cuidados de saúde, promovendo um sistema mais integrado, mais humanizado e mais centrado nas pessoas.”</p>
<p>“Os melhores projetos em saúde nascem quando conseguimos juntar quem conhece os problemas no terreno com quem tem a capacidade para transformar o sistema.”</p>
<p>Ao longo dos próximos seis meses, os participantes irão integrar diferentes comissões temáticas responsáveis por elaborar recomendações dirigidas aos decisores políticos para responder aos principais desafios do sistema de saúde português.</p>
<p>Fonte: ULSBE</p>
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		<item>
		<title>Estratégia nacional e evolução terapêutica marcam balanço no combate às hepatites virais</title>
		<link>https://mediconews.pt/estrategia-nacional-e-evolucao-terapeutica-marcam-balanco-no-combate-as-hepatites-virais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 09:28:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Infecciologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A propósito do Dia Mundial das Hepatites Virais, assinalado a 28 de julho, a Direção-Geral da Saúde (DGS) organizou um evento na Assembleia da República, no qual <strong>Rui Tato Marinho</strong> apresentou o Relatório do Programa Nacional para as Hepatites Virais (PNHV). Em declarações à News Farma, o diretor do PNHV-DGS fez um balanço altamente positivo do caminho percorrido em Portugal e destacou o impacto revolucionário dos antivirais de ação direta. O especialista traçou ainda as prioridades estratégicas para o futuro do país no combate às hepatites A, B, C, D e E. Assista ao vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Rui Tato Marinho começou por sublinhar que o balanço da estratégia nacional é claramente positivo, destacando a importância de existir “um programa prioritário da Direção-Geral da Saúde (DGS), portanto, do Ministério da Saúde, a abordar este tema”. O especialista recordou que esta medida concretizou “uma das nossas lutas durante muitos anos, porque não havia um plano, não havia uma estratégia”, realçando o trabalho contínuo da equipa de oito elementos que se reúne semanalmente e o apoio da DGS. O diretor do PNHV-DGS referiu ainda que o plano permitiu “saber o que é que se passa em Portugal relativamente às hepatites” e, embora admita que “há sempre coisas a melhorar, como tudo na vida”, assegurou que o saldo global é extremamente favorável.</p>
<p>Com quase quatro décadas de carreira médica, Rui Tato Marinho enfatizou a dimensão histórica do avanço no tratamento da hepatite C com os antivirais de ação direta (AAD), afirmando que nunca viu “um tratamento tão eficaz em Medicina”. O especialista explicou que, ao contrário de patologias para as quais existe apenas controlo, conseguir a cura de “um vírus que é crónico depois, que dura toda a vida, que provoca cirrose e cancro”, através de “um comprimido sem efeitos secundários em dois meses” é algo extraordinário. “A doença que existia há 40 anos deixar de existir, isto é único em Medicina. Não há igual na hipertensão, na diabetes, nos cancros, nas demências”, enalteceu, classificando este feito como “um avanço brutal da Medicina, da investigação, da indústria farmacêutica” e um marco histórico que não pode cair no esquecimento.</p>
<p>Por fim, o médico sustentou que “nada se faz sem a inclusão das pessoas”, apelando ao envolvimento ativo de doentes, profissionais de saúde, decisores políticos e jornalistas, uma vez que “não se pode fazer Saúde sem envolver, sem pedir a opinião de profissionais que estão há muitos anos no terreno”. Olhando para os desafios futuros, alertou para a necessidade de monitorizar e combater os surtos de hepatite A relacionados com “condições de higiene”, habitação e sexo desprotegido, bem como manter a atenção na hepatite B junto das “populações migrantes”, na “questão também das prisões” devido ao aumento do número de reclusos, e nos “consumidores de drogas”, grupos que apresentam risco acrescido de infeção.</p>
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		<item>
		<title>Lp(a): O que estamos a perder na estratificação do risco residual</title>
		<link>https://mediconews.pt/lpa-o-que-estamos-a-perder-na-estratificacao-do-risco-residual/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 09:24:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar de ser determinada maioritariamente por fatores genéticos e afetar cerca de 20% da população geral, a lipoproteína(a) – Lp(a) – continua frequentemente por avaliar na prática clínica. À News Farma, <strong>Isabel Palma</strong>, endocrinologista na Unidade Local de Santo António (Porto), explica o impacto determinante do conhecimento deste biomarcador na reclassificação do risco residual e na otimização da abordagem terapêutica, sobretudo em doentes pós-evento cardiovascular.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>News Farma | Se um doente pós-evento não tem conhecimento da sua Lp(a), o que estamos a perder na estratificação do risco residual e o que muda de forma prática quando este valor passa a ser conhecido?</strong></p>
<p><strong>Isabel Palma |</strong> A Lp(a) é um fator de risco CV independente do C-LDL. É estruturalmente semelhante à lipoproteína de baixa densidade (LDL), consistindo numa partícula LDL com uma apolipoproteína B covalentemente ligada à apolipoproteína(a) por uma ponte dissulfureto. Apresenta propriedades pró-aterogénicas, pró-trombóticas e pró-inflamatórias. Tal como o LDL, atravessa o endotélio e promove a formação de placa aterosclerótica. A sua homologia estrutural com o plasminogénio permite a competição pela ligação aos recetores, podendo inibir a fibrinólise e exercer um efeito pró-trombótico. Adicionalmente, transporta fosfolípidos oxidados, contribuindo para a inflamação vascular e proliferação de células musculares lisas, o que favorece a progressão aterotrombótica.(1,2)</p>
<p>A concentração plasmática de Lp(a) é predominantemente determinada geneticamente (~90%). O gene LPA é expresso desde a infância, com estabilização dos níveis por volta dos 5 anos de idade, mantendo-se relativamente constantes ao longo da vida. Assim, recomenda-se a sua determinação pelo menos uma vez na vida em adultos, idealmente no primeiro perfil lipídico, conforme o ESC/EAS <em>Focused Update</em> 2025 das <em>guidelines</em> de dislipidemia.(1,3)</p>
<p>A avaliação da Lp(a) é particularmente relevante em doentes com DCVA prematura, hipercolesterolemia familiar, história familiar de DCVA precoce, eventos CV recorrentes ou risco CV moderado próximo do limiar terapêutico.1</p>
<p>A Lp(a) constitui um importante modificador de risco CV, permitindo uma melhor reclassificação do risco individual. Valores superiores a 430 nmol/L associam-se a um risco de DCVA comparável ao da hipercolesterolemia familiar heterozigótica.(4)</p>
<p>Estudos baseados em scores de risco demonstram um impacto clínico relevante da sua inclusão. Em prevenção primária (SCORE), cerca de um terço dos indivíduos com Lp(a) elevada é reclassificado para uma categoria de risco superior. Em prevenção secundária (SMART), mais de 50% dos doentes com Lp(a) elevada são reclassificados para risco extremo.(5)</p>
<p>A Lp(a) elevada constitui a dislipidemia genética mais prevalente, afetando aproximadamente 20% da população geral e, em populações de elevado risco, contribui de forma relevante para a morbilidade e mortalidade CV, associando-se a ~33% dos casos de EAM e estenose aórtica e 25% dos casos de DAP.(2)</p>
<p>As intervenções no estilo de vida têm impacto negligenciável nos níveis de Lp(a). No entanto, a otimização intensiva dos fatores de risco modificáveis, em particular a redução do C-LDL, reduz substancialmente o risco CV global associado.(1)</p>
<p>Na prevenção primária, a abordagem deve centrar-se na redução global do risco CV através da modificação dos fatores de risco.3 Na prevenção secundária, a Lp(a) assume particular relevância como fator de risco residual. É recomendada a otimização intensiva de todos os fatores de risco CV, em particular sobre o C-LDL, onde por vezes é necessário recorrer a terapêuticas como iPCSK9 incluindo o inclisiran, para redução adicional e significativa do C-LDL, onde também existe uma redução de cerca de 20-30% da Lp(a). Em casos selecionados, com Lp(a) muito elevada e doença recorrente, pode ser considerada a lipoaférese.(1,6)</p>
<p>Em síntese, a Lp(a) deve ser incorporada na avaliação global do risco CV, pois aumenta a acuidade da estratificação de risco CV, podendo influenciar decisões terapêuticas, aumentar a perceção de risco pelo doente e potenciar a adesão ao tratamento.(1,2)</p>
<p>Na ausência de terapêuticas específicas amplamente disponíveis, a gestão de indivíduos com Lp(a) elevada deve centrar-se na redução intensiva e precoce de todos os fatores de risco modificáveis.(3)</p>
<p>FA-11729860 06/2026</p>
<p><strong>Abreviaturas:</strong></p>
<p>CV: cardiovascular; C-LDL: colesterol de lipoproteínas de baixa densidade; DAP: doença arterial periférica; DCVA: doença cardiovascular aterosclerótica; EAM: enfarte agudo do miocárdio; EAS: European Atherosclerosis Society; ESC: European Society of Cardiology; iPCSK9: inibidor da pró-proteína convertase subtilisina/kexina tipo 9; Lp(a): lipoproteína(a).</p>
<p><strong>Referências Bibliográficas:</strong></p>
<p>1.Kronenberg F, Mora S, Stroes ESG, et al. Lipoprotein(a) in atherosclerotic cardiovascular disease and aortic stenosis: a European Atherosclerosis Society consensus statement. Eur Heart J. 2022;43(39):3925-3946.</p>
<p>2.Nordestgaard BG, Langsted A. Lipoprotein(a) and cardiovascular disease. Lancet. 2024 Sep 28;404(10459):1255-1264.</p>
<p>3.Mach F, et al. 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias. Eur Heart J. 2025 Nov 7;46(42):4359-4378. doi: 10.1093/eurheartj/ehaf190. Erratum in: Eur Heart J. 2026 Feb 11;47(6):697.</p>
<p>4.Velilla A, et al. Aspectos fundamentales en la solicitud y determinación de la lipoproteína(a) en el laboratorio clínico. Advances in Laboratory Medicine / Avances en Medicina de Laboratorio, vol. 6, no. 1, 2025, pp. 17-27.</p>
<p>5.Nurmohamed NS, et al. Finding very high lipoprotein(a): the need for routine assessment. Eur J Prev Cardiol. 2022 May 5;29(5):769-776.</p>
<p>6.Bosco G, et al. Translating the effect of dual lipid reduction with PCSK9 inhibitors on a mechanical vascular instrumental biomarker in familial hypercholesterolemia subjects. J Transl Med. 2025 Dec 2;23(1):1371.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>&#8220;Eliminar barreiras e construir pontes&#8221; face ao aumento global das dependências em Portugal</title>
		<link>https://mediconews.pt/eliminar-barreiras-e-construir-pontes-face-ao-aumento-global-das-dependencias-em-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 09:18:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adictologia]]></category>
		<category><![CDATA[Break Talks]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=46635</guid>

					<description><![CDATA[<p><strong>Paulo Vitória</strong>, psicólogo e professor na Universidade da Beira Interior, participou nas Break Talks e faz um balanço estimulante dos debates, alertando para o crescimento global e multifacetado das dependências em Portugal. Perante um cenário que vai do consumo de substâncias clássicas ao vício em ecrãs, internet e videojogos, o clínico propõe combater a escassez de recursos através da cooperação e da cidadania ativa, sugerindo uma reforma urgente na forma como as instituições comunicam entre si. Assista à entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ao analisar o panorama nacional, o especialista sublinhou que o país enfrenta &#8220;uma nova vaga de problemas velhos&#8221; num contexto de sociedade aberta e tendências internacionais crescentes. A gama atual de dependências abrange desde drogas ilícitas, álcool e psicofármacos até ecrãs, videojogos e pornografia, muitas vezes com novas apresentações e roupagens que exigem maior estudo. Para o clínico, o desenho de melhores respostas depende da fusão de serviços especializados, como o ICAD, com a rede geral do Serviço Nacional de Saúde e a sociedade civil.</p>
<p>O médico sugeriu que a atual falta de recursos nos serviços públicos diferenciados deve ser aproveitada como um estímulo à inovação, contrariando a ideia errada de que os Cuidados de Saúde Primários não devem intervir nesta área. Propõe, por isso, o uso estratégico das estruturas existentes para descentralizar o apoio. &#8220;Temos menos recursos, então talvez os tenhamos de usar de maneira diferente&#8221;, afirmou, incentivando os centros de saúde locais a colaborarem ativamente no acompanhamento dos utentes.</p>
<p>No plano prático, o especialista defendeu que o combate às adições também desafia a responsabilidade individual, instigando cada cidadão a ser um agente de saúde na sua própria comunidade. Paulo Vitória enfatizou que o foco deve estar no autocuidado e na atenção aos familiares e vizinhos, gerando microimpactos sociais positivos. &#8220;Não podemos transformar o grande mundo, mas podemos com certeza ter impacto no nosso pequeno mundo&#8221;, destacou o clínico, valorizando a consciencialização de proximidade.</p>
<p>Como prioridade máxima para acelerar a resposta do país, Paulo Vitória elegeu o fim do isolamento institucional, defendendo uma articulação fluida que aproxime o Estado, o setor privado e outras pastas governamentais. A sua grande recomendação para o terreno assenta numa estratégia de união de esforços: &#8220;Eliminar barreiras e construir pontes entre serviços públicos, serviços da saúde e serviços de outras áreas, mas também eliminar barreiras e estabelecer pontes entre o público e o privado&#8221;.</p>
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			</item>
	</channel>
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