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	<title>Médico News</title>
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	<description>Dar voz à experiência clínica dos profissionais de saúde no nosso país, através de depoimentos dos key opinion leaders das respetivas especialidades.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 28 Jul 2026 14:17:05 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Médico News</title>
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	<item>
		<title>Até 20% dos casos de cancro do pulmão ocorrem em não fumadores: especialista alerta para os perigos do diagnóstico tardio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 14:17:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pneumologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A propósito do Dia Mundial do Cancro do Pulmão, que se assinala a 1 de agosto, o pneumologista <strong>David Araújo</strong>, da Unidade Local de Saúde de São João e membro da comissão científica do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão (GECP), deixa um apelo. Embora esta neoplasia continue a figurar entre as principais causas de morte por doença oncológica em Portugal, o especialista enfatiza que o grande fator determinante para a sobrevivência é o estadio em que a doença é detetada. Em entrevista, o médico aborda os desafios da implementação de um programa de rastreio organizado no país, o papel indispensável da Medicina Geral e Familiar (MGF) e o combate ao estigma de uma doença que afeta também uma franja expressiva de não fumadores.</p>
<p>&#160;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O desafio do diagnóstico precoce e a realidade dos não fumadores</strong></p>
<p>O principal obstáculo na abordagem ao cancro do pulmão reside na sua natureza silenciosa nas fases iniciais. Por apresentarem sintomas pouco específicos ou facilmente desvalorizados, muitos doentes só recorrem à observação médica quando a doença já metastatizou, inviabilizando tratamentos com intenção curativa. A este cenário junta-se a necessidade de desconstruir a ideia de que a patologia atinge exclusivamente os consumidores de tabaco.</p>
<p>&#8220;Ainda existe muito estigma de que é uma doença dos fumadores. De facto, a grande maioria — 80% a 90% — são. Mas há uma franja de doentes que pode ir até 20% que são não fumadores. Como é uma neoplasia tão prevalente, estes doentes existem em número muito significativo e, infelizmente, neles o diagnóstico costuma ser ainda mais tardio, porque não se está à espera de cancro do pulmão num não fumador”, refere David Araújo.</p>
<p>Além da deteção, o especialista aponta assimetrias regionais no acesso a exames de imagem e biópsias, que por vezes atrasam a marcha diagnóstica e a chegada ao tratamento.</p>
<p><strong>Rastreio nacional: desafios logísticos e inteligência artificial</strong></p>
<p>A implementação de programas organizados de rastreio por tomografia computorizada (TAC) de baixa dose está comprovada como uma medida eficaz para inverter a pirâmide do diagnóstico e reduzir a mortalidade. Contudo, o pneumologista alerta que a sua concretização exige uma logística sólida.</p>
<p>Ao contrário de outros rastreios, a TAC torácica identifica frequentemente achados acidentais e requer capacidade de resposta multidisciplinar para evitar falsos alarmes e perdas de adesão. Adicionalmente, escasseiam recursos humanos para os relatórios dos exames.</p>
<p>&#8220;Para conseguirmos ter um programa a nível nacional, teremos que ter o auxílio da inteligência artificial para triar os exames normais. Assim, o olhar humano consegue focar-se naqueles que verdadeiramente têm alterações, libertando tempo e concentração. O rastreio envolve muitos profissionais e recursos; os estudos-piloto em curso são fundamentais para provar o conceito e olear estratégias em cada região”, explica.</p>
<p>David Araújo reforça ainda que qualquer programa de rastreio deve nascer obrigatoriamente associado a consultas de cessação tabágica, potenciando os ganhos de Saúde Pública.</p>
<p><strong>A porta de entrada nos Cuidados de Saúde Primários</strong></p>
<p>Para o especialista da ULS São João, a Medicina Geral e Familiar representa a &#8220;pedra basilar&#8221; de todo o processo. O médico de família é habitualmente a primeira linha de contacto e deve manter-se vigilante a sinais como tosse persistente, falta de ar sem explicação, expetoração com sangue, perda de peso não justificada ou dores persistentes.</p>
<p>David Araújo defende a criação de &#8220;vias verdes&#8221; de diagnóstico hospitalar para que, perante uma suspeita fundada na MGF, o doente seja referenciado com caráter urgente. Desta forma, encurta-se o tempo entre os exames de estadiamento e a decisão terapêutica final.</p>
<p><strong>Prevenção: das novas formas de tabaco à poluição atmosférica</strong></p>
<p>Embora o combate ao tabagismo permaneça a prioridade máxima na prevenção, o médico demonstra especial preocupação com a adesão dos jovens às novas formas de consumo de tabaco, que correm o risco de regredir conquistas de Saúde Pública e criar fumadores crónicos na idade adulta.</p>
<p>Por outro lado, no universo da população não fumadora, é essencial atuar sobre outros fatores ambientais e comportamentais: promover a redução de partículas poluentes na atmosfera já classificadas pela OMS como cancerígenas; garantir o cumprimento de medidas de proteção respiratória em contextos de trabalho expostos a gases nocivos e químicos; incentivar a prática regular de exercício físico e uma alimentação saudável, que reduzem o risco de várias patologias oncológicas; capacitar a população para reconhecer fatores de risco e sintomas de alerta precocemente.</p>
<p><strong>As novas perspetivas no Dia Mundial do Cancro do Pulmão </strong></p>
<p>Assinalando a efeméride do Dia Mundial do Cancro do Pulmão, David Araújo deixa uma mensagem de confiança. A evolução da Medicina personalizada, da imunoterapia e das terapêuticas-alvo transformou uma doença outrora sem resposta num cenário onde é possível alcançar a sobrevivência a longo prazo com boa qualidade de vida, mesmo em estadios metastáticos.</p>
<p>&#8220;A ciência evoluiu imenso e hoje não tratamos apenas um tipo de cancro do pulmão, mas sim dezenas de variantes com terapêuticas específicas. O futuro é promissor, mas exige que trabalhemos em equipa: em articulação com os Cuidados Primários, entre especialidades hospitalares e, sobretudo, numa decisão partilhada com o doente e a sua família”, finaliza.</p>
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		<title>Cem anos depois, APDP quer “fazer mais e melhor”</title>
		<link>https://mediconews.pt/cem-anos-depois-apdp-quer-fazer-mais-e-melhor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 12:02:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) assinala um século de atividade com um sentimento de “grande orgulho” e de responsabilidade perante o legado construído ao longo de cem anos. A ideia foi sublinhada por <strong>Rita Nortadas</strong>, que destaca o percurso da instituição como uma referência incontornável na área da diabetes. Veja a entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Foi um caminho com algumas dificuldades, mas sentimos um grande orgulho e uma grande vontade de continuar este legado e de fazer mais e melhor”, afirmou durante a sessão comemorativa do centenário na Assembleia da República.</p>
<p>Para Rita Nortadas, o papel da APDP ultrapassa fronteiras e consolidou-se tanto ao nível da prestação de cuidados como da investigação e da formação de profissionais de saúde. “A APDP é um marco não só a nível nacional, mas também internacional. É uma referência para profissionais de saúde, para investigação, mas também para as próprias pessoas que vivem com diabetes”, salientou.</p>
<p>A responsável reforçou ainda a ambição de manter a proximidade que caracteriza a instituição desde a sua fundação. “Desejamos que a Associação continue a ser a casa das pessoas que vivem com diabetes, mas também a casa de todos nós que dedicamos o nosso dia a dia à doença e às pessoas”, rematou.</p>
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		<item>
		<title>O que cura as pessoas não pode adoecer a natureza</title>
		<link>https://mediconews.pt/o-que-cura-as-pessoas-nao-pode-adoecer-a-natureza/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 09:42:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O incorreto descarte de medicamentos fora de uso representa uma ameaça silenciosa para a Saúde Pública e para a contaminação dos ecossistemas. A propósito do Dia Nacional da Conservação da Natureza, o diretor-geral da VALORMED, <strong>Luís Figueiredo</strong>, assina um artigo de opinião, no qual alerta para os riscos ecológicos dos resíduos farmacêuticos nos solos e nos cursos de água, sublinhando o papel fundamental da triagem doméstica e da entrega destes produtos na rede nacional de farmácias.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Anualmente, a 28 de julho, Portugal assinala o Dia Nacional da Conservação da Natureza. Trata-se de uma data que nos convida a contemplar e a valorizar o nosso património natural, desde os rios e florestas até à riqueza única da nossa biodiversidade. Contudo, tendemos a associar frequentemente a conservação a grandes decisões políticas, missões científicas ou acções de grande escala em parques naturais protegidos, quando, na verdade, a protecção do ambiente começa muito mais perto de nós: na nossa rotina diária e dentro das nossas próprias casas.</p>
<p>Se pensarmos no conceito de reduzir a pegada ecológica, lembramo-nos imediatamente de separar o plástico, de poupar água ou de reduzir o consumo de eletricidade. Mas existe um agente poluidor silencioso que, com demasiada frequência, escapa ao nosso radar ambiental: os medicamentos fora de uso</p>
<p>O destino que damos a um resto de xarope ou a um blister com alguns comprimidos   fora de uso ou de prazo não é um detalhe insignificante. Se forem descartados no lixo indiferenciado ou despejados na canalização, estes resíduos contaminam os solos e os lençóis freáticos com substâncias químicas biologicamente ativas. Além disso, afetam gravemente a fauna e a flora, uma vez que as estações de tratamento de águas residuais urbanas não foram desenhadas nem estão preparadas para eliminar totalmente compostos farmacêuticos, o que acaba por ameaçar a biodiversidade através de desequilíbrios na reprodução e no comportamento de várias espécies aquáticas e terrestres. Proteger a natureza exige, por isso, que olhemos para os resíduos de saúde com o mesmo rigor e responsabilidade com que olhamos para o plástico, o vidro ou o papel.</p>
<p>Para que a conservação da natureza seja uma realidade tangível, precisamos de converter esta intenção num hábito consolidado. O circuito que criámos na Valormed assenta precisamente numa lógica de facilidade e proximidade, apoiado numa rede nacional de mais de 3.600 pontos de recolha (entre farmácias e locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica) distribuídos por todo o país. Basta ao cidadão juntar os medicamentos de uso humano ou veterinário que já não utiliza, bem como as embalagens vazias, os respetivos folhetos e acessórios que possam ter ajudado na sua administração (como as colheres e copos-medida, cânulas, etc.) e entregá-los no ponto de recolha mais próximo. Não se trata de um processo burocrático ou complexo, mas sim de um gesto simples, gratuito e de enorme alcance cívico. No Dia Nacional da Conservação da Natureza, a Valormed reforça que cuidar do ambiente passa pelas decisões do dia a dia, incluindo o destino dado aos medicamentos.</p>
<p>Esta atitude reflecte também uma visão mais ampla de saúde e sustentabilidade, assente no princípio de que a saúde humana, animal e ambiental estão profundamente interligadas. Não podemos ambicionar ter comunidades saudáveis e resilientes se os ecossistemas que nos rodeiam e nos sustentam estiverem doentes ou contaminados. Ao fecharmos o ciclo de vida dos medicamentos de forma segura através dos canais correctos, como este, estamos a assumir uma responsabilidade colectiva e a garantir que aquilo que foi desenvolvido para tratar e curar as pessoas não se transforma, por negligência, numa fonte de poluição e degradação. É, acima de tudo, um acto de respeito e reciprocidade para com o planeta.</p>
<p>A entrega correcta destes resíduos garante que os mesmos seguem para uma triagem e tratamento adequados. Graças à adesão dos portugueses, este sistema permitiu-nos recolher e processar em 2025 cerca de 1.400 toneladas de resíduos de embalagens e medicamentos, que foram encaminhados para reciclagem (papel/cartão, plástico, vidro) e incineração com valorização energética os restantes resíduos, minimizando o impacto ambiental e evitando a sua entrada na cadeia alimentar e poluição dos recursos de que todos dependemos.</p>
<p>Neste dia comemorativo, o convite que deixamos a todos os portugueses é o de abrirem o seu armário de medicamentos, fazerem uma triagem responsável e adoptarem este comportamento como parte do seu compromisso diário com o planeta. A conservação da nossa biodiversidade e a protecção da nossa Saúde Pública agradecem, assegurando que as gerações futuras herdarão um país biologicamente rico e preservado.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Prevenção ativa e IA: o novo paradigma no tratamento do cancro de mama</title>
		<link>https://mediconews.pt/prevencao-ativa-e-ia-o-novo-paradigma-no-tratamento-do-cancro-de-mama/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 09:31:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Oncologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A transição de uma Medicina reativa para uma estratégia de prevenção ativa está a redefinir a abordagem ao cancro da mama, impulsionada por algoritmos avançados capazes de antecipar a doença com anos de antecedência. A propósito da terceira edição da Medica AI – The Conference 2026, realizada a 16 de julho na Fundação Champalimaud, e em entrevista à News Farma, <strong>Andrea De Censi</strong>, diretor do Departamento de Mama da instituição, defendeu que a inteligência artificial (IA) e a otimização das doses terapêuticas estão a abrir caminho para uma proteção mais eficaz das doentes. O especialista, que apresentou a comunicação “Treating risk before breast cancer exists: The new age of prevention” sublinhou como a tecnologia pode reduzir a incidência de tumores e a necessidade de intervenções cirúrgicas ou sistémicas agressivas. Assista ao vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em relação à capacidade de diagnóstico e previsão do risco, Andrea De Censi referiu que a eficácia da inteligência artificial (IA) na análise imagiológica é já uma realidade comprovada por dados científicos robustos. O especialista lembrou ensaios clínicos realizados na Suécia que demonstram a superioridade da IA na leitura mamográfica em comparação com a interpretação humana, destacando a habilidade da tecnologia para “detetar mais cancros” e diminuir a carga de trabalho dos radiologistas. Contudo, Andrea De Censi apontou que o maior trunfo reside no longo prazo: “A IA consegue identificar alterações na textura e na arquitetura da glândula mamária que não só podem prever a doença precoce, como também prever o risco a 10 anos”.</p>
<p>A par do diagnóstico precoce, o diretor do Departamento de Mama da Fundação Champalimaud explicou que o paradigma da prevenção exige reajustar a medicação. Historicamente, a utilização de doses terapêuticas de fármacos anti-estrogénicos na prevenção primária resultava em efeitos secundários elevados e “inaceitáveis para as doentes”. Para superar essa barreira, a investigação focou-se em procurar a “dose mínima eficaz”, alcançando a mesma proteção com uma toxicidade substancialmente menor.</p>
<p>Andrea De Censi defendeu que a Oncologia deve seguir o modelo já consolidado na área cardiovascular: “Caminharemos para uma Medicina preventiva também na Oncologia, tal como os cardiologistas já fazem há 30 ou 40 anos”, permitindo intervenções precoces que reduzam a incidência da doença e aumentem a sobrevivência a dez anos dos atuais 80% para 95%.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Dislipidemia: Identificar precocemente, referenciar adequadamente e tratar até ao alvo</title>
		<link>https://mediconews.pt/dislipidemia-identificar-precocemente-referenciar-adequadamente-e-tratar-ate-ao-alvo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 14:11:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As doenças cardiovasculares continuam a liderar as causas de mortalidade a nível mundial, tornando o controlo rigoroso e precoce da dislipidemia uma prioridade clínica inequívoca. A News Farma conversou com <strong>Isabel Palma</strong>, endocrinologista na Unidade Local de Saúde de Santo António, que analisou os critérios determinantes para a referenciação a cuidados hospitalares especializados e abordou o papel de um pequeno RNA de interferência com regime de administração semestral na superação dos desafios da adesão e na concretização efetiva das metas terapêuticas lipídicas (<em>treat-to-target</em>). Leia a entrevista na íntegra.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>News Farma (NF) | Quais são os critérios que justificam a referenciação de doentes com dislipidemia para cuidados especializados?</strong></p>
<p><strong>Isabel Palma (IP) |</strong> As doenças cardiovasculares (CV) constituem a principal causa de mortalidade a nível global(1). A dislipidemia representa um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento e progressão da doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA) e, para além da magnitude, o tempo de exposição desempenha um papel determinante. Observa-se uma relação contínua entre a exposição cumulativa ao colesterol LDL (C-LDL) ao longo da vida e o risco cardiovascular(2,3).</p>
<p>A evidência proveniente de múltiplos ensaios clínicos, tanto em prevenção primária como secundária, demonstra de forma consistente que a redução dos níveis de C-LDL se associa a uma diminuição significativa da incidência de eventos CV <em>major</em>(4).</p>
<p>Neste contexto, a obtenção precoce dos valores-alvo de C-LDL reveste-se de particular relevância clínica. Em muitos casos, tal objetivo implica a referenciação para consultas hospitalares especializadas em dislipidemias ou risco CV. Estas consultas permitem uma abordagem diagnóstica e terapêutica diferenciada, com acesso a investigação laboratorial e imagiológica avançada, bem como a terapêuticas hipolipemiantes de elevada eficácia, incluindo inibidores da PCSK9 (como inclisiran e evolocumab, disponíveis em Portugal)(5,6).</p>
<p>A referenciação para cuidados especializados está particularmente indicada em diversos contextos clínicos, nomeadamente:(5,6)</p>
<ol>
<li>Suspeita de hipercolesterolemia familiar, incluindo níveis de C-LDL &gt; 190 mg/dL em adultos ou &gt; 160 mg/dL em idade pediátrica, bem como a presença de xantomas tendinosos, arco corneano prematuro ou história familiar de doença CV prematura, definida como ocorrência antes dos 55 anos no sexo masculino ou 65 anos no sexo feminino;</li>
<li>Doentes com risco CV elevado ou muito elevado que, apesar de terapêutica hipolipemiante otimizada com estatina de elevada intensidade na dose máxima tolerada associada a ezetimiba, não atinjam os objetivos terapêuticos recomendados para o C-LDL;</li>
<li>Doentes com intolerância às estatinas, nomeadamente quando associada a sintomas musculares relacionados com a terapêutica e/ou alterações laboratoriais compatíveis com lesão muscular;</li>
<li>Doentes sob terapêutica hipolipemiante otimizada (estatina de elevada intensidade em associação com ezetimiba) que apresentem progressão documentada da doença aterosclerótica ou ocorrência de eventos CV recorrentes, configurando situações de risco CV extremo.</li>
</ol>
<p>Em conclusão, os doentes com risco CV elevado ou muito elevado, que não atinjam os valores-alvo do C-LDL, apesar de terapêutica hipolipemiante otimizada, devem ser referenciados para consultas hospitalares especializadas, de forma a otimizar o controlo lipídico e reduzir o risco de eventos CV(5,6).</p>
<p><strong>NF | A implementação do <em>treat-to-target</em> continua aquém do necessário. Na sua perspetiva, que papel podem desempenhar terapêuticas como inclisiran para ajudar a mudar esta realidade?</strong></p>
<p><strong>IP |</strong> Apesar de o conceito de <em>treat-to-target</em> estar bem estabelecido nas recomendações internacionais e de os alvos lipídicos se encontrarem claramente definidos, a estratégia de “ajustar a terapêutica até atingir o alvo” continua a falhar com frequência na prática clínica. Como demonstrado nos estudos LATINO, DA VINCI e SANTORINI, uma proporção significativa de doentes permanece sem atingir os objetivos terapêuticos recomendados para o C-LDL.(7-9)</p>
<p>O inclisiran é um pequeno RNA de interferência de cadeia dupla, conjugado na cadeia sense com um resíduo terminal de N-acetilgalactosamina, o que facilita a sua captação seletiva pelos hepatócitos. No interior destas células promove a degradação do RNA mensageiro da PCSK9. Consequentemente, diminui a PCSK9 e aumenta a reciclagem e a expressão dos recetores do LDL na superfície dos hepatócitos, potenciando a captação do C-LDL e reduzindo de forma significativa os seus níveis plasmáticos.(10)</p>
<p>A eficácia e a segurança do inclisiran foram demonstradas no programa ORION, que incluiu doentes com DCVA estabelecida, doentes com risco CV equivalente ao de doença CV estabelecida e doentes com hipercolesterolemia familiar. Aproximadamente 17% dos participantes apresentavam intolerância às estatinas. Todos os doentes estavam sob terapêutica com a dose máxima tolerada de estatina, isoladamente ou em associação com outras terapêuticas hipolipemiantes, mas mantinham níveis do C-LDL acima dos objetivos recomendados.(10-12)</p>
<p>Nos doentes tratados com inclisiran, observou-se uma redução do C-LDL de aproximadamente 50-55% aos 90 dias, efeito que se manteve consistente ao longo do seguimento.(10,11,13)</p>
<p>Nos estudos de vida real de que já dispomos, como o CHOLINET, verificamos reduções do C-LDL de aproximadamente 60% aos 9 meses nos doentes sob terapêutica estatina + ezetimiba, efeito que também se manteve consistente ao longo do seguimento e boa adesão terapêutica ao inclisiran por parte dos doentes.(14)</p>
<p>Além da sua eficácia, o inclisiran apresenta vantagens relevantes na prática clínica. O regime posológico semestral*, em vez de administração diária, facilita a sua integração em consultas programadas de prevenção CV, permitindo um acompanhamento mais estruturado e contribuindo para uma melhor adesão terapêutica. Além disso, a redução sustentada do C-LDL facilita o cumprimento dos objetivos lipídicos recomendados pelas <em>guidelines</em>, sobretudo em doentes com:(11,12)</p>
<ul>
<li>Risco CV muito elevado;</li>
<li>Intolerância ou baixa adesão às estatinas;</li>
<li>Valores do C-LDL persistentemente acima do alvo, apesar de terapêutica otimizada.</li>
</ul>
<p>Em síntese, o inclisiran representa uma evolução significativa na gestão da DCVA, ao combinar uma redução robusta e sustentada do C-LDL com um regime de administração semestral. Estas características potenciam a adesão terapêutica e a implementação consistente do tratamento, aumentando a probabilidade de atingir e manter os objetivos lipídicos e, consequentemente, reduzir o risco CV a longo prazo.</p>
<p>*Na fase de manutenção. Após a primeira administração, Leqvio® é administrado ao fim de 3 meses e, posteriormente, a cada 6 meses.(10)</p>
<p>FA-11729860 06/2026</p>
<p>Consulte o IEC de Leqvio® <a href="https://www.pro.novartis.com/pt-pt/leqvio-iec?hash=539f55050eaaceb64539aa26908f658438a454c823e10ae8ffcbcfe2faccdf66" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<p>Sob licença da Anylam Pharmaceuticals.</p>
<p><strong>Abreviaturas:</strong></p>
<p>CV: cardiovascular; C-LDL: colesterol de lipoproteínas de baixa densidade; DCVA: doença cardiovascular aterosclerótica; EAS: European Atherosclerosis Society; ESC: European Society of Cardiology; iPCSK9: inibidor da pró-proteína convertase subtilisina/kexina tipo 9; RNA: ribonucleic acid.</p>
<p><strong>Referências Bibliográficas: </strong></p>
<p>1.World Health Organization. (2025, July 31). Cardiovascular diseases (CVDs). World Health Organization. <a href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/cardiovascular-diseases-%28cvds%29" target="_blank" rel="noopener">https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/cardiovascular-diseases-%28cvds%29</a></p>
<p>2.Ference BA, et al. Low-density lipoproteins cause atherosclerotic cardiovascular disease. 1. Evidence from genetic, epidemiologic, and clinical studies. A consensus statement from the European Atherosclerosis Society Consensus Panel. Eur Heart J. 2017 Aug 21;38(32):2459-2472.</p>
<p>3.Ference BA, et al. Impact of Lipids on Cardiovascular Health: JACC Health Promotion Series. J Am Coll Cardiol. 2018 Sep 4;72(10):1141-1156.</p>
<p>4.Cholesterol Treatment Trialists&#8217; (CTT) Collaborators; Mihaylova B, et al. The effects of lowering LDL cholesterol with statin therapy in people at low risk of vascular disease: meta-analysis of individual data from 27 randomised trials. Lancet. 2012 Aug 11;380(9841):581-90.</p>
<p>5.Mach F, et al. 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias. Eur Heart J. 2025 Nov 7;46(42):4359-4378. doi: 10.1093/eurheartj/ehaf190. Erratum in: Eur Heart J. 2026 Feb 11;47(6):697.</p>
<p>6.Landmesser U, et al. European Society of Cardiology/European Atherosclerosis Society Task Force consensus statement on proprotein convertase subtilisin/kexin type 9 inhibitors: practical guidance for use in patients at very high cardiovascular risk. Eur Heart J. 2017 38(29):2245-2255.</p>
<p>7.Ray KK, et al. EU-Wide Cross-Sectional Observational Study of Lipid-Modifying Therapy Use in Secondary and Primary Care: the DA VINCI study. Eur J Prev Cardiol. 2021 28:1279-1289.</p>
<p>8.Ray KK, et al. Treatment gaps in the implementation of LDL cholesterol control among high- and very high-risk patients in Europe between 2020 and 2021: the multinational observational SANTORINI study. Lancet Reg Health Eur. 2023 Apr 5;29:100624.</p>
<p>9.Gaviña C, et al. Cardiovascular Risk Profile and Lipid Management in the Population-Based Cohort Study LATINO: 20 Years of Real-World Data. J Clin Med. 2022 Nov 18;11(22):6825.</p>
<p>10.Resumo das Características do Medicamento LEQVIO® (inclisiran), última revisão 07/2025.</p>
<p>11.Ray KK, et al. Two Phase 3 Trials of Inclisiran in Patients with Elevated LDL Cholesterol. N Engl J Med. 2020 Apr 16;382(16):1507-1519.</p>
<p>12.Wright RS, et al. Pooled safety and efficacy of inclisiran in patients with statin intolerance (ORION-10 and ORION-11), European Heart Journal, Volume 41, Issue Supplement_2, November 2020, ehaa946.3009.</p>
<p>13.Wright RS, et al. Inclisiran administration potently and durably lowers LDL-C over an extended-term follow-up: the ORION-8 trial. Cardiovasc Res. 2024 Oct 14;120(12):1400-1410.</p>
<p>14.Gargiulo P, et al. Real-World Efficacy and Safety of Inclisiran: A Single-Country, Multicenter, Observational Study (CHOLINET Registry). J Am Coll Cardiol. 2025 Feb 11;85(5):536-540.</p>
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		<title>Drepanocitose na urgência: tratamento célere da dor é fulcral para garantir qualidade de vida aos doentes</title>
		<link>https://mediconews.pt/drepanocitose-na-urgencia-tratamento-celere-da-dor-e-fulcral-para-garantir-qualidade-de-vida-aos-doentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 11:58:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hematologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=46536</guid>

					<description><![CDATA[<p>No âmbito da 34.ª Sabatina de Hematologia, <strong>Tabita Magalhães Maia</strong>, especialista em Hematologia, na ULS Coimbra, alertou para o aumento expressivo e para a descentralização dos casos de drepanocitose em Portugal. A especialista destacou, durante a sua apresentação a premência de otimizar a abordagem clínica das complicações agudas em contexto de urgência, sublinhando o impacto direto que uma intervenção rápida tem no prognóstico e no bem-estar dos doentes a longo prazo. Assista à entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na ULS de Coimbra, o número de doentes “quadriplicou nos últimos dois anos” e os Serviços de Urgência deparam-se com uma necessidade crescente de dar uma resposta imediata a esta patologia. Perante uma crise aguda, a médica realça que as prioridades devem centrar-se em “não demorar tempo a ver estes doentes” e “instituir a analgesia o mais precocemente possível”. Segundo a especialista, está demonstrado que a rapidez na gestão da dor “poupa o doente e as complicações do doente”, minimizando tanto os danos imediatos como o desenvolvimento de lesões crónicas.</p>
<p>Outro pilar fundamental abordado pela especialista durante o evento foi a segurança transfusional. Tabita Magalhães Maia relembrou a comunidade médica de que “nem tudo o que é uma crise é para transfundir”. Nos cenários em que a transfusão se justifica, torna-se imperativo “utilizar critérios estritos e selecionar bem as Unidades”. Isto porque a “aloimunização é um problema grave nestes doentes”, podendo fazer com que, mais tarde, quando surgirem complicações que exijam um maior perfil transfusional, os médicos deixem de ter essa importante “arma terapêutica” disponível.</p>
<p>Em jeito de conclusão, a médica frisou que o avanço no conhecimento científico e a melhoria dos cuidados prestados têm permitido prolongar a sobrevivência dos indivíduos afetados. “Quanto mais conhecimento temos da doença e melhor a abordamos, mais idade eles também vão tendo”, rematou, reforçando que o grande objetivo da Medicina atual é trabalhar para que estes doentes alcancem “mais idade com qualidade de vida”.</p>
<p>A 34.ª Sabatina em Hematologia decorreu a 23 de maio, em Coimbra.</p>
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		<item>
		<title>Neuro-Urologia do futuro: como a inteligência artificial e os organoides estão a revolucionar a investigação de lesões medulares</title>
		<link>https://mediconews.pt/neuro-urologia-do-futuro-como-a-inteligencia-artificial-e-os-organoides-estao-a-revolucionar-a-investigacao-de-lesoes-medulares/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 11:48:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Neuro-Urologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=46527</guid>

					<description><![CDATA[<p>O futuro da investigação sobre as perturbações do trato urinário inferior causadas por trauma medular caminha para uma integração progressiva de métodos inovadores. Um estudo de revisão assinado por <strong>Célia Duarte Cruz</strong>, docente e investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), e publicado na revista <em>Nature Reviews Urology</em>, analisa o panorama tecnológico atual e os obstáculos na transposição dos resultados de laboratório para a prática clínica.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar de as plataformas virtuais e biológicas estarem a ganhar terreno, a complexidade funcional da bexiga após uma lesão na medula exige, em muitos casos, a validação integrativa que apenas o organismo vivo consegue fornecer. Atualmente, entre as principais alternativas em desenvolvimento destacam-se: organoides e tecnologias <em>organoids-on-a-chip; </em>modelos de inteligência artificial e <em>machine learning</em> voltados para a previsão de respostas terapêuticas; tecnologias avançadas de simulação e processamento de imagem.</p>
<p>Embora estas soluções apresentem um elevado potencial para a triagem inicial e ajudem a diminuir a dependência de ensaios em animais, a investigadora ressalva que tais plataformas ainda não conseguem replicar na totalidade as interações multiorgânicas inerentes às lesões medulares. Adicionalmente, o desenvolvimento e a padronização destas vias alternativas continuam a exigir um investimento financeiro expressivo e infraestruturas altamente especializadas.</p>
<p>A utilização de modelos animais — desde roedores a espécies de maior porte — tem sido o motor por trás de grandes conquistas na Neuro-Urologia. Entre as abordagens validadas nestes modelos antes da sua aplicação em doentes, destacam-se: técnicas epidurais, sagradas e tibiais para restabelecimento do controlo da micção; aplicação de células estaminais e progenitoras combinadas com protocolos de reabilitação física ou estimulação elétrica; uso de hidrogéis e estruturas biomiméticas tridimensionais para a regeneração da parede vesical e do tecido nervoso.</p>
<p>A investigação em animais obedece a regras rigorosas sustentadas pela diretiva dos 3Rs (r<em>eplacement</em>, r<em>eduction</em> e r<em>efinement</em> — substituição, redução e refinamento). Na área das lesões medulares, os progressos científicos já permitem adotar metodologias mais eficientes, como a monitorização telemétrica da bexiga no mesmo animal ao longo do tempo, o que otimiza a colheita de dados e reduz significativamente o número de animais necessários.</p>
<p>Célia Duarte Cruz prevê que não haverá uma substituição total dos modelos animais no estudo da patofisiologia medular, mas sim uma convivência estratégica. A tendência aponta para um ecossistema de investigação híbrido, no qual o recurso a modelos computacionais e organoides fará o rastreio inicial e a análise preliminar, reservando-se os modelos animais exclusivamente para as questões clínicas em que a complexidade biológica do organismo inteiro seja insubstituível.</p>
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		<item>
		<title>Inteligência artificial e relação humana: o futuro da investigação no cancro de mama</title>
		<link>https://mediconews.pt/inteligencia-artificial-e-relacao-humana-o-futuro-da-investigacao-no-cancro-de-mama/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 11:27:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Oncologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=46522</guid>

					<description><![CDATA[<p>Durante a Medica AI – The Conference 2026, realizada no dia 16 de julho na Fundação Champalimaud, <strong>Maria João Cardoso</strong>, diretora do <em>Breast Cancer Research Program</em> (BRCP) da instituição, sublinhou, em declarações à News Farma, a importância da inteligência artificial (IA) na resposta aos desafios atuais da Oncologia. A responsável, que conduziu a apresentação dos “2026 BCRP Awards”, destacou a necessidade de equilibrar o rápido avanço dos algoritmos com a capacidade de resposta das infraestruturas e a relação de proximidade com o doente. Veja o vídeo da entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A propósito do papel da tecnologia nos projetos distinguidos na conferência, Maria João Cardoso explicou que a inteligência artificial se tornou um eixo central no desenvolvimento científico do programa. A especialista lembrou que o plano de investigação abrange várias vertentes, mas reconheceu que “a sua área mais forte é precisamente inteligência artificial”, sendo este um critério decisivo na seleção dos trabalhos. “Todos estes projetos têm uma componente de inteligência artificial porque é muito importante para nós”, afirmou, acrescentando que o grande trunfo da instituição reside no desenvolvimento de bases de dados estruturadas que alimentam agentes inteligentes capazes de gerar resultados clínicos relevantes.</p>
<p>No entanto, a diretora do BRCP alertou para a complexidade da implementação destas ferramentas na prática clínica hospitalar. Maria João Cardoso assumiu ser “difícil prever” o impacto exato a longo prazo, salientando que existe “uma evolução tecnológica super rápida com uma dificuldade das infraestruturas que estão por trás acompanharem este desenvolvimento e inovação tecnológica”. Apesar desses entraves técnicos e regulamentares, a especialista enfatizou que a verdadeira expectativa da comunidade clínica passa por ganhar eficiência para resgatar o contacto pessoal. “O que nós esperamos que aconteça (&#8230;) é que nós tenhamos mais tempo para momentos de contacto com o doente e que as ferramentas de inteligência artificial nos ajudem a fazer coisas que nós neste momento temos que fazer além do contacto que temos com o doente”, defendeu.</p>
<p>A transição para cuidados cada vez mais digitais coloca também novos desafios na relação médico-doente, com os cidadãos a chegarem às consultas com diagnósticos ou opiniões prévias geradas por inteligência artificial. Maria João Cardoso considerou essa autonomia do doente “muito importante para avançar o conhecimento”, mas reforçou que a integração nos sistemas eletrónicos e nos registos de saúde exige garantir “a integração, a proteção, a ética e a confiança”, que apontou como as principais barreiras a superar. Olhando para as próximas décadas, a responsável destacou a capacidade de liderança e a visão prospetiva das equipas como o motor essencial para a mudança, concluindo que prevalece “esta visão de ‘vai acontecer’, mesmo que não saibamos essencialmente o que vai acontecer”.</p>
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		<item>
		<title>Última chamada para o Prémio Bial de Medicina Clínica 2026: candidaturas abertas até 31 de agosto</title>
		<link>https://mediconews.pt/ultima-chamada-para-o-premio-bial-de-medicina-clinica-2026-candidaturas-abertas-ate-31-de-agosto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 09:00:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=46515</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Fundação Bial tem a decorrer, até 31 de agosto, as candidaturas à 22.ª edição do Prémio Bial de Medicina Clínica, uma iniciativa que distingue uma obra intelectual original de índole médica e de tema livre, com uma componente de investigação clínica associada. Com um valor de 100 mil euros, o prémio principal inclui também a publicação em primeira edição exclusiva, impressa e/ou digital, do trabalho vencedor. O júri poderá ainda atribuir até duas Menções Honrosas, no valor de 10 mil euros cada. As candidaturas à edição de 2026 serão avaliadas por um júri presidido pelo médico reumatologista e professor catedrático Jaime Branco.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Criado com o objetivo de reconhecer e valorizar a excelência da investigação clínica em Portugal, o Prémio Bial de Medicina Clínica afirma-se, há mais de quatro décadas, como uma das mais relevantes distinções nacionais na área da Medicina, premiando trabalhos que contribuem para o avanço do conhecimento e para a melhoria da prática clínica.</p>
<p>O painel integra Miguel Castelo-Branco (Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior), Helena Cortez-Pinto (Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa), Henrique Cyrne Carvalho (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto), Ricardo Fontes de Carvalho (Faculdade de Medicina da Universidade do Porto), Cristina Nogueira-Silva (Escola de Medicina da Universidade do Minho), Roberto Palma dos Reis (Faculdade de Ciências Médicas | Nova Medical School da Universidade NOVA de Lisboa), Isabel Palmeirim (Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas da Universidade do Algarve) e Isabel Santana (Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra).</p>
<p>“A pouco mais de um mês do encerramento das candidaturas, este é o momento para desafiar a comunidade médica e científica a submeter trabalhos que reflitam a qualidade, a inovação e o impacto da investigação clínica que se faz em Portugal. O Prémio Bial de Medicina Clínica tem sido um espaço de reconhecimento dessa excelência e do contributo da investigação para a melhoria dos cuidados de saúde”, afirma Jaime Branco, presidente do júri.</p>
<p>Desde a sua criação, o Prémio Bial de Medicina Clínica analisou 720 obras candidatas e mobilizou 1853 investigadores, médicos e cientistas. Em 21 edições, distinguiu 111 trabalhos de 316 autores, tendo sido editadas e distribuídas gratuitamente aos profissionais de saúde 44 obras premiadas, num total de mais de 326 mil exemplares.</p>
<p>Para Luís Portela, presidente da Fundação Bial, “o Prémio Bial de Medicina Clínica continua a afirmar-se como um instrumento de valorização da investigação clínica e da produção científica com impacto real na prática médica. Com as candidaturas ainda a decorrer até 31 de agosto, queremos incentivar investigadores e clínicos a apresentarem os seus trabalhos e a integrarem a história de um prémio que tem distinguido alguns dos mais relevantes contributos para a medicina em Portugal”.</p>
<p>Mais informações sobre esta edição, incluindo o regulamento e submissão de candidaturas, estão disponíveis <a href="https://www.fundacaobial.com/premios/premio-bial-de-medicina-clinica" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/ultima-chamada-para-o-premio-bial-de-medicina-clinica-2026-candidaturas-abertas-ate-31-de-agosto/">Última chamada para o Prémio Bial de Medicina Clínica 2026: candidaturas abertas até 31 de agosto</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
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		<item>
		<title>CE aprova o primeiro conjugado anticorpo-fármaco em primeira linha para o cancro da mama triplo-negativo metastático</title>
		<link>https://mediconews.pt/ce-aprova-o-primeiro-conjugado-anticorpo-farmaco-em-primeira-linha-para-o-cancro-da-mama-triplo-negativo-metastatico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 08:55:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=46480</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Comissão Europeia (CE) concedeu a autorização de introdução no mercado a uma nova opção de tratamento com um conjugado anticorpo-fármaco (ADC), em monoterapia, para doentes adultos com cancro da mama triplo-negativo (CMTN) localmente avançado, irressecável ou metastático, que não tenham recebido terapêutica sistémica prévia e não sejam candidatos a inibidores de PD-1 ou PD-L1. Trata-se da primeira terapêutica desta classe a ser aprovada para o tratamento de primeira linha deste subtipo agressivo na União Europeia (UE), preenchendo uma lacuna terapêutica sem novas opções de primeira linha há cerca de duas décadas. A decisão baseia-se nos resultados do estudo de Fase 3 ASCENT-03, que demonstrou uma redução de 38% no risco de progressão da doença ou morte em comparação com a quimioterapia convencional.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/ce-aprova-o-primeiro-conjugado-anticorpo-farmaco-em-primeira-linha-para-o-cancro-da-mama-triplo-negativo-metastatico/">CE aprova o primeiro conjugado anticorpo-fármaco em primeira linha para o cancro da mama triplo-negativo metastático</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Os anticorpos conjugados com quimioterapia estão a transformar o tratamento de todos os subtipos de cancro da mama. O sacituzumab govitecano já em uso na prática clínica, com os resultados deste estudo ASCENT-03, vem reforçar o seu papel numa fase mais precoce do tratamento do cancro da mama triplo negativo metastático. O cancro da mama triplo negativo é um subtipo de cancro da mama mais agressivo e geralmente associado a mulheres mais jovens, onde escasseiam opções terapêuticas eficazes.”, afirmou Gabriela Sousa, presidente da Sociedade Portuguesa de Senologia.</p>
<p>“Verificamos, através dos resultados do estudo ASCENT-03 que o uso de sacituzumab govitecano no tratamento do cancro da mama triplo negativo metastizado, quando não está indicada a quimioterapia com imunoterapia, consegue um maior controle da doença (face às atuais opções de tratamento), com impacto clínico significativo. Este tratamento atrasa a progressão da doença com diminuição do risco de progressão ou morte de 38%”, concluiu Gabriela Sousa.</p>
<p>Para muitas pessoas que vivem com CMTN metastático, a forma mais agressiva de cancro da mama, a terapia de primeira linha pode ser a sua única opção de tratamento, o que cria uma necessidade urgente de opções terapêuticas eficazes que possam ser utilizadas o mais cedo possível.</p>
<p>“Esta aprovação representa um avanço significativo na forma como tratamos as pessoas com CMTN metastático não previamente tratado na Europa”, afirmou Mika Kakefuda Derynck, MD, <em>senior vice president</em>, <em>Clinical Development</em>, <em>Oncology</em> da Gilead Sciences. “Há muito que reconhecemos os desafios que os doentes e os médicos enfrentam com este cancro agressivo e acreditamos que esta aprovação irá proporcionar uma nova opção, tão necessária, às pessoas com CMTN metastático.”</p>
<p>A autorização de introdução no mercado concedida pela CE baseia-se nos dados do estudo de Fase 3 ASCENT-03, que demonstrou uma sobrevivência livre de progressão altamente significativa estatisticamente e clinicamente relevante para esta terapêutica, em comparação com a quimioterapia de referência como tratamento de primeira linha. No estudo ASCENT-03, sacituzumab govitecano demonstrou uma redução de 38% no risco de progressão da doença ou morte em doentes que não são candidatos a inibidores de PD-1/PD-L1. O estudo ASCENT-03 utilizou um crossover centrado no doente, o que permitiu que os doentes do grupo da quimioterapia recebessem sacituzumab govitecano após a progressão da doença. A aprovação da CE, baseada na solidez dos dados relativos à sobrevivência livre de progressão, confirma o objetivo do estudo de demonstrar que a utilização precoce do sacituzumab govitecano proporciona um benefício clínico em relação à quimioterapia para doentes com CMTN metastático.</p>
<p><strong>Sobre o cancro da mama triplo-negativo em doentes que não são candidatas ao tratamento com inibidores de PD-1/PD-L1</strong></p>
<p>O CMTN é o tipo mais agressivo de cancro da mama e tem sido, historicamente, difícil de tratar, representando aproximadamente 15% de todos os cancros da mama. O CMTN afeta de forma desproporcional mulheres mais jovens, na pré-menopausa, bem como mulheres negras e hispânicas. As células do CMTN não possuem recetores de estrogénio e progesterona e apresentam uma expressão limitada de HER2. Devido à natureza do CMTN, as opções de tratamento são extremamente limitadas em comparação com outros tipos de cancro da mama. O CMTN apresenta uma probabilidade mais elevada de recorrência e metástases do que outros tipos de cancro da mama. O tempo médio até à recorrência metastática no CMTN é de aproximadamente 2,6 anos, em comparação com 5 anos para outros cancros da mama, e a taxa de sobrevivência relativa a cinco anos é muito mais baixa. Entre as mulheres com CMTN metastático, a taxa de sobrevivência a cinco anos é de 12%, em comparação com 28% para aquelas com outros tipos de cancro da mama metastático (CMm).</p>
<p><strong>Sobre sacituzumab govitecano</strong></p>
<p>Sacituzumab govitecan-hziy é um conjugado anticorpo-fármaco dirigido ao Trop-2. O Trop-2 é um antígeno da superfície celular sobreexpressa em múltiplos tipos de tumores, incluindo em mais de 90% dos cancros da mama e do pulmão. Sacituzumab govitecano foi concebido intencionalmente com um ligante hidrolisável patenteado ligado ao SN-38, um inibidor da topoisomerase I. Esta combinação única proporciona uma atividade potente tanto nas células que expressam o Trop-2 como no microambiente tumoral, através de um efeito de <em>bystander</em>.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/ce-aprova-o-primeiro-conjugado-anticorpo-farmaco-em-primeira-linha-para-o-cancro-da-mama-triplo-negativo-metastatico/">CE aprova o primeiro conjugado anticorpo-fármaco em primeira linha para o cancro da mama triplo-negativo metastático</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
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