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	<title>Médico News</title>
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	<description>Dar voz à experiência clínica dos profissionais de saúde no nosso país, através de depoimentos dos key opinion leaders das respetivas especialidades.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 29 Sep 2026 09:48:58 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Médico News</title>
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	<item>
		<title>Exposição cumulativa ao colesterol LDL agrava o risco cardiovascular ao longo dos anos</title>
		<link>https://mediconews.pt/exposicao-cumulativa-ao-colesterol-ldl-agrava-o-risco-cardiovascular-ao-longo-dos-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 08:00:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Interna]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O risco cardiovascular não depende apenas do valor atual do colesterol LDL, mas também do tempo durante o qual este se mantém elevado. Mesmo alterações ligeiras, quando persistem durante vários anos, contribuem silenciosamente para o desenvolvimento da aterosclerose. Em entrevista à News Farma, no âmbito da Semana do Coração – iniciativa desenvolvida pela Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA), com o apoio da Servier –, <strong>Patrícia Vasconcelos</strong>, membro da direção da SPA e internista da Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra, explica o conceito de exposição cumulativa ao colesterol. A especialista destaca a importância de não desvalorizar elevações mantidas ao longo do tempo e de ponderar mais precocemente a terapêutica hipolipemiante, de acordo com o risco individual. Assista ao vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em conversa com a News Farma, a propósito da iniciativa dedicada ao Dia Mundial do Coração, assinalado anualmente a 29 de setembro, Patrícia Vasconcelos recorda que a probabilidade de sofrer um evento cardiovascular agudo não depende apenas do valor isolado do colesterol LDL, num determinado momento. É também influenciado pelo tempo durante o qual as artérias permanecem expostas a níveis elevados de colesterol LDL.</p>
<p>“Como sabemos, o risco associado ao colesterol depende não apenas do valor que encontramos nas análises, mas também do número de anos durante os quais as artérias estão expostas a esse valor. Os anos de exposição contam muito”, sublinha a médica.</p>
<p>Segundo a especialista, este conceito não significa que todos os jovens com pequenas alterações lipídicas devam iniciar medicação. Significa, contudo, que o impacto acumulado a longo prazo não deve ser ignorado apenas porque o risco calculado a dez anos parece reduzido. “Se desvalorizarmos, não vamos ter em conta que este ‘um bocadinho alto’, ao longo de muito tempo, também vai ter o seu impacto. Ou seja, todos os dias contam aqui. Há, de facto, um risco cumulativo com os anos”, adverte Patrícia Vasconcelos.</p>
<p>Para tornar o conceito mais claro para os doentes, a internista estabelece um paralelismo com o tabagismo: compara duas pessoas com o mesmo consumo diário de tabaco, mas em que uma fuma há 30 anos e a outra há apenas um ano. Torna-se, assim, intuitivo perceber qual delas acumulou maior exposição e apresenta maior risco. A mesma lógica pode ser aplicada ao colesterol.</p>
<p>De acordo com Patrícia Vasconcelos, o essencial é sensibilizar para uma realidade silenciosa e assintomática: “Nós não sentimos, mas o número de anos durante os quais as artérias estão expostas a níveis elevados de colesterol conta, tal como conta o número de anos de exposição ao tabaco”.</p>
<p>Quanto mais cedo o controlarmos, maior será a proteção cardiovascular.</p>
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		<title>SPA reforça compromisso com a prevenção cardiovascular e apela à gestão integrada do risco</title>
		<link>https://mediconews.pt/spa-reforca-compromisso-com-a-prevencao-cardiovascular-e-apela-a-gestao-integrada-do-risco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 08:00:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Interna]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As alterações no estilo de vida e a intervenção terapêutica atempada são pilares indissociáveis na redução do risco cardiovascular. Em entrevista à News Farma por ocasião do Dia Mundial do Coração e no âmbito da Semana do Coração – iniciativa promovida pela Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA) com o apoio da Servier –, <strong>Francisco Araújo</strong>, presidente da SPA e especialista em Medicina Interna, defende a urgência de capacitar o doente, reforçar a cooperação com as equipas multidisciplinares e implementar com rigor a avaliação e controlo dos fatores de risco na prática clínica diária. Assista às declarações em vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Francisco Araújo começa por destacar que a otimização dos hábitos de vida constitui a base estrutural sobre a qual assenta a eficácia do tratamento farmacológico. “Eu diria que o estilo de vida é a parte da base da pirâmide em que assenta o tratamento dos doentes”, afirma o médico, sublinhando a importância da pedagogia dos pequenos ajustes atempados na relação com o doente em consulta: &#8220;Às vezes são estas pequenas coisas que têm de ser encorajadas para permitir que as pessoas giram o seu risco cardiovascular”. O presidente da SPA salienta ainda que adotar hábitos saudáveis traz benefícios globais: “Nós não melhoramos só a parte da doença cardiovascular, mas melhoramos o risco de demência, melhoramos o impacto do peso nas articulações e todo o nosso organismo beneficia”.</p>
<p>Frente ao desafio estrutural da não-adesão terapêutica – que afeta cerca de 40% dos doentes –, Francisco Araújo enfatiza o papel determinante do trabalho em equipa multidisciplinar. “Os farmacêuticos vão ter um papel importantíssimo na reconciliação terapêutica, de forma a que não haja medicação duplicada para que as pessoas façam a medicação de forma correta”, afirma, referindo iniciativas como a “prescrição integrada” nas farmácias comunitárias. Da mesma forma, enaltece o contributo da Enfermagem na identificação e monitorização dos doentes de maior risco: “Os enfermeiros têm um papel muito importante no reconhecimento do risco e na gestão também da adesão à medicação”.</p>
<p>A fechar a entrevista, Francisco Araújo sintetiza a mensagem de compromisso da SPA para todos os profissionais de saúde através do conceito orientador do “ABC do risco”:</p>
<p>A – Avaliar: “Se nós não avaliarmos o risco dos doentes, seguramente temos o risco de, mais tarde, a situação clínica do nosso doente se poder agravar, haver progressão da doença e não termos uma atuação terapêutica adequada e correta”.</p>
<p>B – Balizar (alvos): “Encontrar quais são os nossos alvos e as nossas balizas, perceber o que é que precisamos de controlar – a glicemia, o parar de fumar, a pressão arterial ou o colesterol LDL –, e integrar o doente neste conhecimento para ele ter noção do risco que corre”.</p>
<p>C – Controlar: “Se não houver uma avaliação que confirme se as coisas estão a ir ao encontro das nossas decisões, se as análises melhoraram e os parâmetros vitais estão bem, obviamente, tudo pode ir por água abaixo”.</p>
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		<title>Da polypill à literacia em consulta: ferramentas para combater a inércia clínica e a não-adesão do doente de risco cardiovascular</title>
		<link>https://mediconews.pt/da-polypill-a-literacia-em-consulta-ferramentas-para-combater-a-inercia-clinica-e-a-nao-adesao-do-doente-de-risco-vascular/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 08:00:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Interna]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A ideia de que o controlo dos valores que surgem nos exames permite “fazer pausas” na medicação é um dos equívocos mais perigosos para o doente de risco vascular. Para <strong>José Pereira de Moura</strong>, internista na Unidade Local de Saúde de Coimbra e membro da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA), a eficácia do tratamento assenta em duas frentes: a simplificação posológica e uma pedagogia transparente sobre o carácter silencioso dos fatores de risco. Em declarações à News Farma no âmbito da Semana do Coração – iniciativa da SPA apoiada pela Servier –, o especialista analisa as estratégias para combater a inércia terapêutica e assegurar a adesão contínua ao esquema terapêutico. Assista aos vídeos.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/da-polypill-a-literacia-em-consulta-ferramentas-para-combater-a-inercia-clinica-e-a-nao-adesao-do-doente-de-risco-vascular/">Da polypill à literacia em consulta: ferramentas para combater a inércia clínica e a não-adesão do doente de risco cardiovascular</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="VÍDEO 1 - JOSÉ PEREIRA DE MOURA_1" src="https://player.vimeo.com/video/1229919491?h=bb9870169a&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" width="780" height="439" frameborder="0"></iframe><br />
<strong>O papel da <em>polypill</em> na simplificação posológica e na redução de eventos cardiovasculares</strong></p>
<p>Na abordagem ao risco cardiovascular, José Pereira de Moura defende a necessidade de reformular o conceito tradicional de polimedicação em favor de uma “medicação adequada”, lembrando que a sobrecarga de comprimidos diários é uma das principais causas de abandono da terapêutica a longo prazo, mesmo em doentes que sofreram eventos graves como o enfarte agudo do miocárdio.</p>
<p>“Quando falamos de risco vascular, estamos a falar de risco global. E habitualmente os doentes têm não só um fator de risco, mas têm vários fatores de risco: desde a diabetes, à dislipidemia, à hipertensão arterial”, enquadra o especialista. Para ultrapassar a falta de adesão, José Pereira de Moura destaca os benefícios demonstrados pelas combinações de doses fixas: “Tudo o que seja reduzir o número de tomas ou de comprimidos diários, nomeadamente com a associação de diversos princípios ativos num único comprimido, tudo isso conduz ao aumento da adesão terapêutica e logicamente ao aumento dos resultados”.</p>
<p>O internista sublinha ainda que os ensaios clínicos com a <em>polypill</em> demonstram não só um superior controlo dos parâmetros analíticos, mas também uma redução efetiva no número de eventos clínicos e na mortalidade global e cardiovascular. “O combate à inércia pode perfeitamente ter como aliado indispensável a utilização da <em>polypill</em>, porque a adesão vai aumentar”, sintetiza José Pereira de Moura, reforçando que esta estratégia posológica beneficia tanto a decisão médica como a segurança do doente.<br />
<iframe title="VÍDEO 2 - JOSÉ PEREIRA DE MOURA" src="https://player.vimeo.com/video/1229919489?h=d2dbb416b0&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" width="780" height="439" frameborder="0"></iframe><br />
<strong>Fatores de risco silenciosos: é fundamental não esperar por sintomas para tratar</strong></p>
<p>Um dos pontos mais críticos na consulta de Medicina Interna é desmitificar a ideia de que a ausência de sintomas físicos equivale a ausência de doença ou de risco cardiovascular. Como explica José Pereira de Moura, a ausência de queixas pode significar que ainda não existe doença clinicamente ativa ou, por outro lado, que os fármacos prescritos estão a atuar de forma confortável e bem tolerada pelo organismo.</p>
<p>“Nós temos de demonstrar ao nosso doente que qualquer destes dismetabolismos, seja a hipertensão, seja a dislipidemia, seja a diabetes e outros, têm um risco atribuível bastante significativo relativamente à doença vascular”, alerta o médico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, recordando a expressão de que o colesterol LDL atua como um “assassino silencioso”.</p>
<p>Para o José Pereira de Moura, aguardar por manifestações físicas de doença metabólica é um risco que não se deve correr na prática clínica. “A pessoa não pode estar à espera de sentir seja o que for para se aperceber que tem o seu colesterol elevado. Quando a diabetes começa a dar sintomas, é sinal que, realmente, o dismetabolismo já atingiu um significado extremamente além daquilo que é razoável; mal quando nós estamos à espera de ter sintomas com a hipertensão arterial”, adverte, lembrando que quando surgem queixas o doente já se encontra frequentemente perante um evento agudo, como um enfarte do miocárdio ou um acidente vascular cerebral (AVC).<br />
<iframe title="VÍDEO 3 - JOSÉ PEREIRA DE MOURA" src="https://player.vimeo.com/video/1229919490?h=55f52cbbec&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" width="780" height="439" frameborder="0"></iframe><br />
<strong>Educação para a saúde: gerir expectativas para evitar a suspensão da terapêutica</strong></p>
<p>Para envolver o doente de forma ativa na prevenção de eventos cardiovasculares, José Pereira de Moura sugere o recurso pedagógico às grelhas de avaliação de risco em consulta, demonstrando de forma visual e objetiva como o controlo da pressão arterial, da dislipidemia ou, por exemplo, da cessação tabágica reduz a probabilidade de complicações futuras.</p>
<p>O especialista aproveita para desmistificar a falsa convicção de que alcançar valores analíticos normais permite fazer “pausas” na medicação. “Nós temos que passar a noção ao nosso doente de que nós não estamos, com os fármacos que utilizamos, a curar o colesterol, não estamos a curar a hipertensão arterial, estamos sim a controlar estes fatores de risco”, esclarece o internista da ULS de Coimbra.</p>
<p>Neste sentido, ter as análises dentro dos valores recomendados demonstra a eficácia do tratamento, devendo ser mantido sem interrupções. “Se o seu colesterol está controlado, se a sua glicemia está controlada, se a sua tensão arterial está controlada (&#8230;) é sinal de que os medicamentos estão a ser eficazes e não podemos abandonar a medicação, porque senão o colesterol vai novamente subir, a pressão arterial vai novamente subir, a glicemia vai deixar de estar controlada”, declara, reforçando que o objetivo primário da terapêutica é evitar a instalação da doença cardiovascular e proteger a vida do doente.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/da-polypill-a-literacia-em-consulta-ferramentas-para-combater-a-inercia-clinica-e-a-nao-adesao-do-doente-de-risco-vascular/">Da polypill à literacia em consulta: ferramentas para combater a inércia clínica e a não-adesão do doente de risco cardiovascular</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Personalização terapêutica e literacia do doente são fundamentais na redução do risco cardiovascular</title>
		<link>https://mediconews.pt/personalizacao-terapeutica-e-literacia-do-doente-sao-fundamentais-na-reducao-do-risco-cardiovascular/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 08:00:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Interna]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conhecer os valores de fatores de risco cardiovascular, como o colesterol LDL e a pressão arterial, pode evitar eventos graves, mas o sucesso no cumprimento dos alvos exige um esforço conjunto. <strong>Patrícia Afonso-Mendes</strong>, internista na Unidade Local de Saúde de Coimbra e membro da direção da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA), falou à News Farma por ocasião da Semana do Coração – iniciativa da SPA que conta com o apoio da Servier –, para alertar sobre o desconhecimento que muitos doentes ainda demonstram em consulta quanto aos seus próprios números e apelar ao combate à inércia médica através de soluções terapêuticas realistas e adaptadas à vida de cada pessoa. Confira as declarações em vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Patrícia Afonso-Mendes destaca a urgência de capacitar a população para os seus parâmetros de saúde, frisando que muitos doentes continuam a guiar-se por noções desadequadas ao seu nível de risco individual. “Cada vez mais nós sabemos que cada doente tem o seu alvo. Portanto, cada valor é único para cada doente. E nós temos que perder algum tempo da nossa consulta – que não é perdido, mas que efetivamente nos rouba o pouco tempo que temos – para explicar os seus valores”, afirma a especialista.</p>
<p>Para a internista, a falha em atingir os objetivos terapêuticos definidos pelas orientações internacionais deve ser analisada como um problema com múltiplos responsáveis, em que a atitude do clínico é determinante. “Nós não temos uma barreira só, nós temos várias. Uma é o doente e o desconhecimento dele. Outra é o médico e a nossa inércia. E depois temos, se calhar, uma terceira que é também os custos associados à medicação, o número de medicamentos, etc.”, reflete Patrícia Afonso-Mendes.</p>
<p>Apesar de sublinhar que a farmacoterapia atual disponibiliza soluções de elevada eficácia e combinações que simplificam os esquemas posológicos, a especialista destaca a importância do pragmatismo no momento da prescrição. Na sua perspetiva, o sucesso do tratamento depende da capacidade de ajustar a medicação ao contexto socioeconómico de cada pessoa. “Eu muitas vezes não ponho a terapêutica que é ótima para o doente, mas aquela que é ótima para ele e que ele vai cumprir. Prefiro um doente que cumpra qualquer coisa e que, mesmo que não atinja o alvo, fique muito próximo dele, do que um doente que não cumpra de todo porque todos os fármacos que eu prescrevo são caros. Portanto, também temos que ter um bocadinho este ‘jogo de cintura’ ao tratar os nossos doentes”, conclui Patrícia Afonso-Mendes.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O papel da imagem vascular na reclassificação do risco cardiovascular e na decisão terapêutica</title>
		<link>https://mediconews.pt/o-papel-da-imagem-vascular-na-reclassificacao-do-risco-vascular-e-na-decisao-terapeutica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 08:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Interna]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=46971</guid>

					<description><![CDATA[<p>Calcular o risco cardiovascular pelas escalas atualmente validadas nem sempre revela toda a verdade sobre o estado das artérias do doente. É na chamada “zona cinzenta” do risco cardiovascular que a imagem pode acrescentar informação relevante, ajudando a identificar aterosclerose subclínica, a reclassificar o risco e, potencialmente, modificar a abordagem terapêutica. Em entrevista à News Farma por ocasião do Dia Mundial do Coração e no âmbito da Semana do Coração – iniciativa promovida pela Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA) com o apoio da Servier –, <strong>Rodrigo Leão</strong>, vice-presidente da SPA e internista na Unidade Local de Saúde de São José, analisa as indicações dos exames de imagem vascular, o valor do <em>score</em> de cálcio coronário na reclassificação do risco e a relevância de adaptar a comunicação médica ao nível de literacia de cada doente. Assista aos vídeos.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/o-papel-da-imagem-vascular-na-reclassificacao-do-risco-vascular-e-na-decisao-terapeutica/">O papel da imagem vascular na reclassificação do risco cardiovascular e na decisão terapêutica</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe loading="lazy" title="VÍDEO 1 - RODRIGO LEÃO" src="https://player.vimeo.com/video/1229925299?h=0b2872f3e9&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" width="780" height="439" frameborder="0"></iframe><br />
<strong>Imagem vascular e a “zona cinzenta” do risco cardiovascular</strong></p>
<p>A determinação do risco cardiovascular assenta, como pilar insubstituível, na aplicação das escalas europeias validadas, tais como o SCORE2, SCORE2-OP e SCORE2-Diabetes. Rodrigo Leão sublinha que os exames de imagem vascular não devem ser solicitados de forma indiscriminada na população assintomática, devendo a avaliação iniciar-se sempre pelo cálculo do risco global. “E aí temos o <em>score</em> de cálcio coronário, que é provavelmente o exame com evidência mais robusta e nós hoje sabemos que quanto maior o <em>score</em> de cálcio coronário maior o risco de eventos”, explica o especialista.</p>
<p>O vice-presidente da SPA destaca os dados do ensaio REACT, publicado no <em>New England Journal of Medicine</em>, cujos autores avaliaram a presença de aterosclerose subclínica em cerca de 17 mil indivíduos assintomáticos. “Perceberam que mais de metade destes indivíduos assintomáticos tinha doença aterosclerótica silenciosa, que a grande maioria tinha doença multiterritório e, quando olhamos só para os doentes com doença aterosclerótica coronária, chegamos à conclusão que só uma minoria deles tem doença exclusivamente coronária – cerca de menos de 9% dos homens e menos de 5% das mulheres é que têm doença exclusivamente coronária”, detalha Rodrigo Leão, reforçando a importância complementar da ecografia Doppler carotídea e femoral para avaliar a carga global de doença pois os dados do estudo mostram que o envolvimento multiterritorial se torna progressivamente mais frequente com a idade, enquanto a aterosclerose exclusivamente coronária é pouco comum em todas as faixas etárias.</p>
<p>Neste contexto, o internista e também professor auxiliar convidado na Nova <em>Medical School</em> clarifica que estes exames devem ser reservados para doentes específicos: “Acho que não devemos pedir estes exames só para saber se o doente tem aterosclerose subclínica; devemos pedi-los, sim, naqueles doentes em que consideramos que estão numa área clínica e terapêutica cinzenta”. O especialista refere-se, nomeadamente, a indivíduos com risco cardiovascular moderado ou próximos dos limiares de decisão terapêutica, nos quais a demonstração de aterosclerose subclínica possa reclassificar o risco e modificar a estratégia preventiva. Neste contexto, a imagem funciona como um modificador de risco e deve ser utilizada quando o seu resultado tiver potencial para influenciar a decisão clínica e terapêutica. Apesar da robusta evidência prognóstica associada à presença e à carga de aterosclerose subclínica, permanece limitada a evidência proveniente de ensaios randomizados que demonstre que uma estratégia sistemática de rastreio por imagem, e de tratamento orientado pelos seus resultados, se traduza numa redução adicional de eventos cardiovasculares.<br />
<iframe loading="lazy" title="VÍDEO 2 - RODRIGO LEÃO" src="https://player.vimeo.com/video/1229925321?h=95ad3e8878&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" width="780" height="439" frameborder="0"></iframe><br />
<strong>Reclassificação do risco cardiovascular e metas terapêuticas de colesterol LDL</strong></p>
<p>A deteção de aterosclerose subclínica num doente assintomático altera a perspetiva clínica, devendo ser englobada na avaliação global do risco cardiovascular e podendo justificar uma atitude terapêutica mais precoce. “A partir do momento em que temos esta evidência, sabemos que o doente tem doença aterosclerótica estabelecida e, portanto, não podemos ignorá-la”, afirma o vice-presidente da SPA, explicando que a decisão “não é tão simples quanto isso”, mas sim dependente da “carga de doença aterosclerótica”.</p>
<p>Rodrigo Leão destaca, por isso, a atualização das recomendações americanas (ACC/AHA 2026), que passam a integrar diretamente os valores do <em>score</em> de cálcio coronário na definição dos alvos do colesterol LDL:</p>
<p><em>Score</em> de cálcio entre 1 e 99 AU: indicação para uma redução do colesterol LDL para valores inferiores a 100 mg/dL.</p>
<p><em>Score</em> de cálcio ≥ 100 AU: indicação para promover uma redução de pelo menos 50% no valor basal do colesterol LDL e atingir metas inferiores a 70 mg/dL.</p>
<p><em>Score</em> de cálcio ≥ 1000 AU: Situação de risco muito elevado, justificando uma intervenção intensiva para alcançar valores de colesterol LDL inferiores a 55 mg/dL o mais precocemente possível.</p>
<p>O especialista reforça que a identificação de carga significativa de placa aterosclerótica com eco-Doppler carotídeo ou femoral deve igualmente ser integrada na avaliação global do risco cardiovascular, devendo a intervenção estender-se a todos os fatores de risco: “Quando reclassificamos estes doentes, não nos devemos esquecer dos outros fatores de risco, não é? E, portanto, devemos também agir em conformidade e de forma agressiva a nível dos outros fatores de risco cardiovasculares, como a diabetes, a pressão arterial, a obesidade, o tabagismo, etc.”<br />
<iframe loading="lazy" title="VÍDEO 3 - RODRIGO LEÃO" src="https://player.vimeo.com/video/1229925300?h=e44495bde9&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" width="780" height="439" frameborder="0"></iframe><br />
<strong>Literacia e comunicação individualizada em consulta</strong></p>
<p>A transição do diagnóstico para o cumprimento do tratamento confronta frequentemente o médico com barreiras de não-adesão, sobretudo no início da terapêutica com estatinas devido a mitos e preconceitos. Para Rodrigo Leão, o sucesso da consulta depende da capacidade de adaptar a estratégia pedagógica ao nível de literacia de cada doente.</p>
<p>Em doentes com menor literacia, o médico nota que “é preciso perder algum tempo a explicar, e às vezes até falar que as estatinas têm outros efeitos benéficos noutros órgãos e sistemas”. Já perante doentes com maior literacia, torna-se mais fácil explicar que a doença aterosclerótica é a principal causa de doença cérebro-cardiovascular e que a redução do colesterol LDL previne a oclusão progressiva dos vasos.</p>
<p>Outra ferramenta útil na prática clínica é o recurso à calculadora U-Prevent, que permite projetar a redução do risco de enfarte ou AVC a longo prazo e os anos de vida livres de doença cardiovascular que podem ser ganhos em função do cumprimento dos alvos terapêuticos. “Mas não há fórmulas mágicas. Acho que às vezes temos que saber ler o doente que temos à frente e temos que tentar perceber se estamos a conseguir ou não chegar ao nosso objetivo”, conclui o especialista.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/o-papel-da-imagem-vascular-na-reclassificacao-do-risco-vascular-e-na-decisao-terapeutica/">O papel da imagem vascular na reclassificação do risco cardiovascular e na decisão terapêutica</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
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		<title>Abordagem ao continuum cardiorrenometabólico é fundamental para ir além do controlo isolado dos fatores de risco cardiovascular</title>
		<link>https://mediconews.pt/abordagem-ao-continuum-cardiorrenometabolico-e-fundamental-para-ir-alem-do-controlo-isolado-dos-fatores-de-risco-cardiovascular/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 08:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Interna]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando a dislipidemia, a hipertensão e a disfunção metabólica se cruzam no mesmo doente, o risco cardiovascular inerente a cada patologia não se soma: multiplica-se. Para <strong>Joana Louro</strong>, internista na Unidade Local de Saúde do Oeste, o combate às doenças cardiovasculares exige ir além das análises de rotina e simplificar esquemas terapêuticos. Em declarações à News Farma no âmbito da Semana do Coração – iniciativa da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA) que conta com o apoio da Servier –, a especialista analisa o <em>continuum</em> cardiorrenometabólico, discute o risco residual e revela o valor pedagógico da “idade vascular” em consulta. Assista aos vídeos.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe loading="lazy" title="VÍDEO 1 - JOANA LOURO" src="https://player.vimeo.com/video/1229206013?h=f36fadb95b&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" width="780" height="439" frameborder="0"></iframe><br />
<strong>O <em>continuum</em> cardiorrenometabólico e a simplificação posológica</strong></p>
<p>Joana Louro começa por sublinhar que patologias como a dislipidemia, a hipertensão arterial e a disfunção metabólica não devem ser analisadas de forma paralela ou independente, mas sim como um <em>continuum</em> em que os riscos se multiplicam. “Como internista, a minha abordagem começa sempre por tratar o doente como um todo, e não pela soma das suas comorbilidades, até porque elas não se somam, multiplicam-se”, sublinha Joana Louro, alertando para o impacto negativo da polimedicação na adesão ao tratamento.</p>
<p>Para contornar a falta de adesão provocada pelo excesso de comprimidos diários, a médica defende dois pilares fundamentais: o recurso à pleiotropia farmacológica, isto é, priorizar classes terapêuticas com ação em “múltiplos eixos em simultâneo”, como os agonistas do recetor GLP-1 e os inibidores da SGLT2; e a simplificação dos esquemas através de combinações de doses fixas.</p>
<p>Além disso, Joana Louro destaca a dimensão conceptual da adesão, afirmando que “o doente tem que perceber muito bem que estamos a tratar este ‘incêndio’ metabólico/inflamatório que é composto pela obesidade visceral, pela resistência à insulina e pela inflamação crónica” com moléculas que atuam nestes diferentes aspetos. “Precisamos de informar o doente, de lhe explicar a importância desta medicação e a dimensão do problema, para termos no doente um parceiro deste processo. Um doente informado permite-nos sempre uma abordagem muito mais eficaz”, reforça a especialista.<br />
<iframe loading="lazy" title="VÍDEO 2 - JOANA LOURO" src="https://player.vimeo.com/video/1229206012?h=0928bc1ff7&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" width="780" height="439" frameborder="0"></iframe><br />
<strong>Risco residual: quando o controlo de um parâmetro não basta</strong></p>
<p>Na abordagem ao risco residual, Joana Louro alerta para o “falso conforto” em que equipas médicas e doentes frequentemente caem ao atingir alvos isolados de colesterol LDL ou de pressão arterial. Para a especialista, a evidência demonstra que o risco residual persiste de forma expressiva e é largamente subestimado na prática clínica, em particular nos doentes com obesidade e disfunção metabólica.</p>
<p>Por isso, a internista descodifica este risco residual em dois pilares essenciais:</p>
<ul>
<li>Risco lipídico residual: Joana Louro avisa que o controlo isolado do colesterol LDL funciona muitas vezes como um “mau espelho” do risco real em doentes com obesidade visceral e resistência à insulina. “O LDL pode estar controlado – que é aquilo que vemos nas análises e que nos transmite segurança –, mas em doentes com obesidade visceral e com resistência à insulina, o que frequentemente persiste para lá do LDL é uma dislipidemia aterogénica, ou seja, triglicéridos elevados, HDL baixo e o predomínio de partículas LDL pequenas e densas, que são significativamente mais aterogénicas do que as partículas grandes”, explica, defendendo que nestes casos deve haver uma avaliação de marcadores mais sensíveis como o não-HDL e a apoB, além do rastreio da lipoproteína(a) e do tratamento da hipertrigliceridemia mista.</li>
<li>Risco metabólico residual: “A gordura visceral não é captada pelo peso de uma balança, nem pelo IMC, por isso não se traduz num número, e mantém um estado de inflamação crónica persistente e de baixo grau que é muito maléfico”, refere Joana Louro, destacando ainda o impacto da doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), já que “está presente em quase 70% dos doentes com obesidade”. “Nós hoje sabemos que é um amplificador independente do risco cardiovascular. E muitas vezes nós nem sequer registamos no diário clínico que o doente tem esta doença hepática”, lamenta a especialista.</li>
</ul>
<p>Ao sintetizar esta mensagem, Joana Louro deixa um apelo claro à visão holística da Medicina Interna: “Controlar um parâmetro individual não equivale a controlar o risco global dessa pessoa. Temos mesmo de olhar para a pessoa na totalidade metabólica e na totalidade de carga inflamatória de doença”.<br />
<iframe loading="lazy" title="VÍDEO 3 - JOANA LOURO" src="https://player.vimeo.com/video/1229206011?h=f917d3f08a&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" width="780" height="439" frameborder="0"></iframe><br />
<strong>Escalas de risco e o conceito pedagógico da “idade vascular”</strong></p>
<p>Apesar de reconhecer o valor de ferramentas como o SCORE2 ou o SCORE2-OP para a prática clínica, Joana Louro evita apresentar “quadradinhos de risco” aos doentes em consulta. Na procura de formas mais eficazes de comunicar com o doente, a internista enaltece o conceito visual adotado na campanha da Semana do Coração deste ano. “Acho que esta campanha está particularmente bem conseguida com esta ideia do &#8216;puzzle de risco&#8217;, porque acho pedagogicamente muito poderoso”, congratula a médica, explicando que as escalas tradicionais dão apenas a moldura do problema, enquanto os modificadores de risco residual funcionam como as peças que completam a imagem do doente.</p>
<p>É precisamente nesta lógica pedagógica de desconstruir números abstratos que a especialista privilegia a mensagem da “idade vascular” em consulta, confrontando o doente com o impacto real do risco não tratado: “Mais do que a importância do risco absoluto em formato visual naquela escala, acho muito importante dizer à pessoa que tenho à minha frente que a sua idade é 60 ou 40, mas a sua idade metabólica ou a sua idade vascular é 80”.</p>
<p>Na perspetiva de Joana Louro, este choque de perceção é o verdadeiro motor para a adesão ao tratamento. “Se eu tiver a atenção do doente captada neste ponto, nesta idade vascular, nesta idade metabólica, e eles perceberem que este envelhecimento dos seus órgãos não é paralelo ao envelhecimento do seu cartão de cidadão, eu acho que tenho um doente mais apto, mais capaz e mais aderente às minhas propostas”, remata.</p>
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		<title>“É preciso desconstruir o mito de que a contraceção hormonal compromete a fertilidade”</title>
		<link>https://mediconews.pt/e-preciso-desconstruir-o-mito-de-que-a-contracecao-hormonal-compromete-a-fertilidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 11:46:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ginecologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito da 15.ª Reunião Nacional da Sociedade Portuguesa da Contracepção (SPDC), <strong>Pedro Brandão Leite</strong>, médico ginecologista, resume os principais eixos da sua preleção sobre os "Mitos e Dificuldades da Comunicação em Contracepção". Em foco estão a reversibilidade dos diferentes métodos, os ruídos na comunicação causados pela desinformação digital e o papel estratégico da pílula no maneio de patologias como a endometriose, sublinhando a urgência de uma tomada de decisão verdadeiramente informada e desprovida de alarmismo. Leia a entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>News Farma (NF) I Quais são atualmente os principais mitos trazidos à consulta no que toca à relação entre o uso continuado da contraceção hormonal e o seu impacto na fertilidade futura?</strong></p>
<p><strong>Pedro Brandão Leite (PBL) I</strong> Um dos principais mitos é que o uso prolongado de contraceção hormonal possa “gastar” a fertilidade ou dificultar uma gravidez futura. É importante distinguir três conceitos: a supressão da função ovárica durante o uso, o tempo necessário para o seu retorno após a suspensão e a fertilidade a longo prazo. A evidência disponível não mostra que uma maior duração de utilização da contraceção hormonal reduza a fertilidade futura.</p>
<p>Também persiste a ideia de que é necessário fazer “pausas” para o organismo recuperar. Não existe benefício reprodutivo demonstrado nessas interrupções. A mensagem simples é: suprimir não é destruir e atrasar o retorno não é diminuir a fertilidade.</p>
<p><strong>NF I Que barreiras de comunicação mais dificultam a transmissão de informação científica clara e desprovida de alarmismo?</strong></p>
<p><strong>PBL I</strong> A desinformação nas redes sociais tem um peso crescente, sobretudo porque transforma questões complexas em mensagens muito simples e emocionalmente fortes. A isso juntam-se diferentes níveis de literacia em saúde e o pouco tempo disponível em consulta.</p>
<p>Mais do que dizer apenas que “a contraceção é reversível”, devemos explicar o que isso significa para aquela mulher: o que acontece quando suspende o método, quanto tempo poderá demorar o retorno da ovulação e quais os outros fatores que influenciam a probabilidade de gravidez.</p>
<p><strong>NF I O que diz a evidência científica atual relativamente ao tempo de retorno à fertilidade após a descontinuação dos diferentes métodos e como deve o clínico gerir as expectativas?</strong></p>
<p><strong>PBL I</strong> Após a remoção do DIU ou do implante, o retorno da fertilidade é geralmente rápido. Depois da contraceção oral (ou anel), combinada ou progestativo isolado, pode existir um atraso curto no restabelecimento do padrão habitual dos ciclos, sem evidência de prejuízo da fertilidade a longo prazo. Em casos mais raros, após períodos de toma prolongados, pode demorar uns meses. No caso do progestativo injetável em formulação “depot”,  o retorno da ovulação pode ser mais demorado.</p>
<p>É importante explicar antecipadamente esta diferença, sobretudo quando existe um projeto de gravidez a curto prazo. E recordar que retorno da fertilidade não significa gravidez imediata. Tanto a patologia ginecológica, fatores masculinos,  tempo de tentativa e em particular a idade continuam a ser determinantes.</p>
<p><strong>NF I De que forma a comunicação deve ser adaptada em doentes com patologias ginecológicas subjacentes que afetam a fertilidade, como endometriose ou síndrome dos ovários poliquísticos?</strong></p>
<p><strong>PBL I</strong> Nestes casos é essencial separar o efeito do contracetivo do efeito da doença de base. Uma mulher com síndrome ovárica metabólica poliendócrina (anteriormente conhecido como síndrome dos ovários poliquísticos) pode voltar a apresentar ciclos irregulares ou anovulação depois de suspender a contraceção; isso não significa que a contraceção os tenha causado. Da mesma forma, na endometriose, a contraceção pode ter uma função terapêutica no controlo dos sintomas, enquanto a própria doença pode influenciar a fertilidade.</p>
<p>Esta distinção deve ser feita desde o início, para que uma eventual dificuldade em engravidar não seja posteriormente atribuída, de forma automática, ao contracetivo.</p>
<p><strong>NF I Que ferramentas ou abordagens práticas recomenda aos médicos de Medicina Geral e Familiar e de Ginecologia para desconstruir estes mitos de forma eficaz?</strong></p>
<p><strong>PBL I</strong> Começaria por perguntar pelo projeto reprodutivo: “Pensa engravidar? E quando?” Isso permite enquadrar a escolha do método e gerir expectativas desde o início. Depois, utilizaria mensagens simples e repetíveis: “suprimir não é destruir”, “atrasar não é diminuir” e “mais anos de utilização não significam mais dano”.</p>
<p>Também devemos ter cuidado na interpretação de marcadores como a hormona antimulleriana e a contagem de folículos antrais durante a contraceção hormonal, porque podem estar “falsamente” reduzidos. Finalmente, se a gravidez não ocorrer após a suspensão, é importante evitar a associação causal automática, e inciar a abordagem do casal infértil como habitual.</p>
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		<title>Porque falhamos o cancro digestivo no jovem adulto</title>
		<link>https://mediconews.pt/porque-falhamos-o-cancro-digestivo-no-jovem-adulto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 10:04:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=46998</guid>

					<description><![CDATA[<p>A propósito do Dia Mundial do Cancro Digestivo, assinalado a 30 de setembro, <strong>André Mansinho</strong>, médico oncologista e membro da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), assina este artigo de opinião no qual analisa o crescimento preocupante das neoplasias colorretais em jovens adultos. Numa reflexão profunda e fundamentada na mais recente evidência translacional, o especialista desconstrói mitos sobre o estilo de vida, detalha os mecanismos de agressão microbiológica e envelhecimento tecidular precoce, e alerta para a urgência de responder aos lapsos de diagnóstico no SNS com circuitos dedicados aos doentes sintomáticos.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Até há relativamente pouco tempo, a primeira consulta de um doente de 30 anos com uma neoplasia colorrectal começava quase sempre pela mesma linha de investigação: a história familiar. Procurávamos de imediato estigmas de polipose, uma suspeita clara de síndroma de Lynch ou outra alteração germinativa hereditária. Hoje, a realidade da consulta é substancialmente diferente. Não raras vezes, o doente à nossa frente é um jovem de 32 ou 38 anos, maratonista amador, sem excesso de peso, sem antecedentes oncológicos conhecidos e atento ao que come. E o resultado do painel genético alargado regressa com uma resposta desconcertante: negativo para mutações accionáveis. As síndromes hereditárias conhecidas justificam hoje menos de 20% destes casos precoces. O restante universo, mais de 80%, surge por via puramente esporádica.</p>
<p>O debate público sobre este fenómeno tende a cair no moralismo fácil. Culpa-se a <em>fast food</em>, a falta de exercício físico ou o stress moderno. Embora a obesidade e o sedentarismo forneçam um ambiente metabólico desfavorável, culpar apenas o estilo de vida na idade adulta é ignorar a biologia mais recente. A evidência molecular sugere que a semente da carcinogénese foi plantada muito antes, no “exposoma” pediátrico e da adolescência.</p>
<p>Nos últimos anos, a ciência translacional deu passos decisivos ao passar da mera associação estatística da microbiota para a prova mecânica de dano genético direto. Hoje sabemos que certas estirpes comensais de <em>Escherichia coli</em> (pks+) produzem colibactina, uma genotoxina capaz de provocar ligações cruzadas no ADN das células intestinais. Esta agressão precoce deixa marcas indeléveis no genoma: as assinaturas mutacionais SBS88 e ID18, hoje identificadas preferencialmente em tumores de início precoce. Este processo é amplificado pelo desmame precoce, pelo uso precoce de antibióticos na infância (que desregula permanentemente a maturação imunitária do microbioma) e pela degradação da integridade da barreira mucosa provocada tanto por emulsionantes industriais, como pela produção local de acetaldeído decorrente da exposição ao álcool, que facilita a permeabilização epitelial e o contacto directo destas bactérias com as criptas cólicas.</p>
<p>Esta agressão cumulativa resulta num fenómeno biológico que a ciência translacional começa agora a decifrar: o envelhecimento biológico acelerado. Dados recentes revelam que as gerações mais jovens apresentam uma discrepância marcante entre a sua idade cronológica e a idade biológica dos seus tecidos. Através da análise de relógios epigenéticos de metilação do ADN, constata-se que a mucosa intestinal e o perfil imuno-metabólico destes doentes exibem padrões de senescência prematura, com um encurtamento do tempo necessário para a acumulação de instabilidade somática e transformação maligna. Não estamos perante cancros do idoso num corpo jovem, estamos perante epitélios prematuramente envelhecidos por agressões exógenas precoces.</p>
<p>Existe outro equívoco frequente, mesmo entre a comunidade médica. A ideia de que o cancro no jovem, por surgir cedo, tem alta probabilidade de apresentar instabilidade de microssatélites (MSI-H) e beneficiará de inibidores de checkpoints imunitários. Sucede exactamente o oposto. Mais de 80% destes tumores no adulto jovem são proficientes na reparação de emparelhamento e exibem estabilidade de microssatélites (MSS/pMMR), predominantemente localizados no cólon distal ou recto e com histologias agressivas (mucinosa ou células em anel de sinete). Tratam-se maioritariamente de tumores imunologicamente “frios”, onde a imunoterapia convencional falha e a resposta recai sobre esquemas de quimioterapia combinada e intensiva, pela ausência de alterações/mutações driver.</p>
<p>Perante esta biologia agressiva, o elo assistencial mais frágil continua a ser o tempo até ao diagnóstico. Em média, um jovem com queixas digestivas demora entre 6 a 9 meses até realizar uma colonoscopia. Este atraso decorre de um viés de ancoragem cognitivo. Num doente de 30 anos, sangue vivo nas fezes são “apenas hemorróidas” e dor abdominal com diarreia é “síndrome do cólon irritável”. Temos de mudar este reflexo com dados objectivos: a evidência recente demonstra que um único sintoma de alarme duplica o risco relativo de neoplasia de início precoce. A presença cumulativa de três sinais (por exemplo, dor abdominal, alteração do trânsito e rectorragia) multiplica o risco por mais de 6,5 vezes. Jovens com esta constelação de sintomas não devem ser medicados empiricamente com venotrópicos e ansiolíticos durante meses, exigem estudo endoscópico imediato.</p>
<p>Contudo, a solução para esta crise não passa por respostas fáceis de cariz político, como a exigência de reduzir a idade do rastreio populacional dos 50 para os 45 anos, decalcando o modelo norte-americano. Embora aumenta a probabilidade de diagnóstico precoce, num Serviço Nacional de Saúde com escassez de capacidade endoscópica e listas de espera já preocupantes para a realização de colonoscopias após pesquisa de sangue oculto nas fezes positiva, diluir os recursos em centenas de milhares de indivíduos assintomáticos aos 45 anos agravará a mortalidade de quem aguarda vez acima dos 50 anos. E deixará intocado o problema da mortalidade crescente na faixa dos 20 aos 39 anos. A prioridade do SNS deve ser pragmática. Em vez de um rastreio cego aos 45 anos, precisamos de instituir uma Via Verde de Diagnóstico Rápido para o Jovem Sintomático, garantindo que qualquer adulto com sinais de alarme em cluster tenha acesso a uma colonoscopia em menos de 30 dias.</p>
<p>O cancro digestivo no jovem adulto não é um acidente demográfico passageiro, é uma realidade clínica e biológica distinta, alicerçada em mutagénese bacteriana e envelhecimento tecidular acelerado, que nos obriga a agir com rigor científico e com a coragem de reorganizar os circuitos assistenciais no SNS.</p>
<p><strong>Bibliografia</strong></p>
<p>1.Siegel RL, Giaquinto AN, Jemal A. Cancer statistics, 2024. CA Cancer J Clin. 2024;74(1):12-49. doi:10.3322/caac.21820.</p>
<p>2.Ugai T, Sasazuki S, Hershman DL, et al. Is early-onset cancer an emerging global epidemic? Current evidence and future implications. Nat Rev Clin Oncol. 2022;19(10):656-673. doi:10.1038/s41571-022-00672-8.</p>
<p>3.Holowatyj AN, Golemis EA, Lieu CH, et al. Early-Onset Colorectal Cancer: Clinical and Molecular Characteristics and Emerging Therapeutic Strategies. J Clin Oncol. 2024;42(10):1187-1200. doi:10.1200/JCO.23.01886.</p>
<p>4.Pleguezuelos-Manzano C, Puschhof J, Rosendahl Huber A, et al. Mutational signature in colorectal cancer caused by genotoxic pks+ Escherichia coli. Nature. 2020;580(7802):269-273. doi:10.1038/s41586-020-2080-8. (Artigo seminal indispensável para a identificação directa das assinaturas SBS88/ID18).</p>
<p>5.Zhang X, Lu Y, Cao Y, et al. Early-life antibiotic use and risk of colorectal adenomas: a prospective cohort study. Gut. 2021;70(11):2100-2107. doi:10.1136/gutjnl-2020-323836.</p>
<p>6.Chassaing B, Compher C, Bonhomme B, et al. Randomized Controlled-Feeding Study of Dietary Emulsifier Carboxymethylcellulose on the Gut Microbiota. Gastroenterology. 2022;162(3):743-756. doi:10.1053/j.gastro.2021.11.006.</p>
<p>7.Choi YJ, Lee DH, Han KD, et al. Association Between Alcohol Consumption and the Risk of Early-Onset Colorectal Cancer: A Nationwide Cohort Study. J Clin Oncol. 2022;40(33):3839-3849. doi:10.1200/JCO.21.02693.</p>
<p>8.Tian R, Jin G, Wang L, et al. Accelerated biological aging and risk of early-onset cancers in young generations. Cancer Res. 2024;84(6_Suppl):Abstract 3922. / J Natl Cancer Inst. 2024;djae074. doi:10.1093/jnci/djae074.</p>
<p>9.Cercek A, Dos Santos Fernandes G, Roxburgh CS, et al. Clinical and molecular characteristics of early-onset versus average-onset colorectal cancer: an international collaborative study. Lancet Oncol. 2021;22(12):1725-1736. doi:10.1016/S1470-2045(21)00570-5.</p>
<p>10.Fritz CDL, Otegbeye EE, Zong X, et al. Red-flag signs and symptoms for earlier diagnosis of early-onset colorectal cancer: a dynamic, population-based study. J Natl Cancer Inst. 2023;115(8):909-916. doi:10.1093/jnci/djad068.</p>
<p>11.US Preventive Services Task Force. Screening for Colorectal Cancer: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2021;325(19):1965–1977. doi:10.1001/jama.2021.6238.</p>
<p>12.Council of the European Union. Council Recommendation of 9 December 2022 on strengthening prevention through early detection: A new EU approach on cancer screening. Off J Eur Union. 2022;C 473:1-10.</p>
<p>13.Hur J, Otegbeye E, Joh HK, et al. Sugar-sweetened beverage intake in adulthood and adolescence and risk of early-onset colorectal cancer among women. Gut. 2021;70(12):2318-2324. doi:10.1136/gutjnl-2020-336492.</p>
<p>14.Wang L, Du M, Wang K, et al. Association of ultra-processed food consumption with risk of colorectal cancer in three large US prospective cohorts. BMJ. 2022;378:e068921. doi:10.1136/bmj-2021-068921.</p>
<p>15.Chung DC, Gray DM, Singh H, et al. A Cell-free DNA Blood-Based Test for Colorectal Cancer Screening. N Engl J Med. 2024;390(11):973-983. doi:10.1056/NEJMoa2304714.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Cancro digestivo: a importância de não chegar atrasado ao diagnóstico</title>
		<link>https://mediconews.pt/cancro-digestivo-a-importancia-de-nao-chegar-atrasado-ao-diagnostico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 09:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gastrenterologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=46995</guid>

					<description><![CDATA[<p>No âmbito do Dia Mundial do Cancro Digestivo, assinalado a 30 de setembro, <strong>Marília Cravo</strong>, presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, deixa um alerta fundamental sobre a crescente incidência destas patologias e a importância vital de agir atempadamente. A atenção da especialista centra-se nos “cinco cancros mais prevalentes na população em geral”, frequentemente designados como os “big five”: esófago, estômago, pâncreas, cólon e reto, e fígado. Leia a entrevista.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Para combater esta tendência, conhecer os sinais de alarme é o primeiro passo. No caso do esófago, o sintoma primordial é a “disfagia progressiva. É sempre um sinal de alarme e deve levar rapidamente à realização de uma endoscopia alta”. Já quando o órgão afetado é o estômago, os sinais tornam-se mais difusos. O doente pode sentir “dor abdominal, sensação de enfartamento, náuseas, vómitos, perda de peso e falta de apetite”. Esta patologia é uma realidade particularmente preocupante em Portugal, uma vez que, sublinha a especialista, o país regista “a incidência mais elevada de toda a Europa Ocidental”, um cenário intimamente associado à prevalência da bactéria <em>Helicobacter pylori</em>.</p>
<p>Descendo no trato digestivo, os desafios mantêm-se. No cancro do pâncreas, embora a icterícia seja um sintoma reconhecido, surge frequentemente numa fase em que a doença já está avançada. Por isso, Marília Cravo refere indicadores importantes, mas menos óbvios, apontando que “uma diabetes de diagnóstico recente, sobretudo acima dos 50 anos, é um sinal de alerta que deve levar à realização de um exame de imagem – TC ou RM”. O mesmo nível de vigilância rigorosa exige-se no cólon e reto. Não se deve, de forma alguma, desvalorizar “alterações nos hábitos intestinais” ou a “presença de sangue nas fezes”, “muitas vezes interpretadas como doença hemorroidária”. Esse equívoco atrasa o tratamento do que deveria ser encarado de imediato como “uma red flag”. No que toca ao fígado, além da conhecida associação à cirrose e ao consumo excessivo de álcool, o impacto do chamado “fígado gordo” é crescente, e a especialista é perentória ao afirmar que “não se deve pensar que é um fator de risco sem importância”, dada a possibilidade de progressão para doença grave.</p>
<p>Contudo, a responsabilidade do diagnóstico não recai apenas na atenção dos doentes aos seus próprios sintomas, mas também numa “boa articulação entre a Medicina Geral e Familiar e a Medicina Hospitalar”, sendo os médicos de família a primeira linha no acesso aos cuidados de saúde. Esta rede de cuidados torna-se ainda mais urgente face a uma mudança de paradigma que tem vindo a alertar a comunidade clínica: “O cancro era uma doença das pessoas mais idosas e hoje surge em idades cada vez mais jovens”.</p>
<p>O grande obstáculo ao diagnóstico precoce continua a ser o medo dos exames de rastreio, um mito que urge desconstruir. Marília Cravo garante que “as endoscopias e colonoscopias são cada vez mais seguras, com maior capacidade diagnóstica e realizadas com sedação, pelo que o doente não sente nada”. Adicionalmente, frisa que “vale a pena o esforço para realizar uma preparação adequada, porque uma colonoscopia bem feita pode ter validade de dez anos”, permitindo remover lesões precursoras antes de se tornarem malignas. É com esta tónica de literacia e prevenção que deixa uma mensagem direta a todos: “É importante não chegar atrasado ao diagnóstico. É fundamental estar atento aos sinais subtis”. Afinal, quando detetados a tempo, o prognóstico muda drasticamente, uma vez que “os cancros numa fase precoce são cada vez mais tratáveis, muitas vezes sem sequer recorrer à cirurgia”.</p>
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		<title>SKYN Clear: psoríase e antecedentes oncológicos</title>
		<link>https://mediconews.pt/skyn-clear-psoriase-e-antecedentes-oncologicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gonçalo Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 16:12:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
		<category><![CDATA[psoríase]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=46988</guid>

					<description><![CDATA[<p>Estreou o SKYN Clear, um novo espaço promovido pela LEO Pharma, dedicado à partilha de conhecimento e discussão de casos complexos na área da psoríase. Neste episódio inaugural, que contou com a moderação de <strong>Paulo Ferreira</strong>, coordenador da Unidade de Psoríase do Centro de Dermatologia do Hospital CUF Descobertas, a convidada foi <strong>Ana Isabel Gouveia</strong>. A médica do Hospital Garcia de Orta levou a estúdio o desafio do seguimento terapêutico de um doente de 73 anos com psoríase e antecedentes de adenocarcinoma da próstata, sublinhando a importância de individualizar as opções biológicas para garantir a segurança e a qualidade de vida destes doentes. Veja o primeiro episódio.</p>
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