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	<title>Arquivo de Pediatria - Médico News</title>
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	<description>Dar voz à experiência clínica dos profissionais de saúde no nosso país, através de depoimentos dos key opinion leaders das respetivas especialidades.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 22 Jun 2026 09:38:55 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Pediatria - Médico News</title>
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	<item>
		<title>&#8220;O abuso da terra e do mar está a criar uma verdadeira tempestade na doença alérgica&#8221;</title>
		<link>https://mediconews.pt/o-abuso-da-terra-e-do-mar-esta-a-criar-uma-verdadeira-tempestade-na-doenca-alergica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 09:38:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pediatria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><strong>Libério Ribeiro</strong>, presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica (SPAP), fez um balanço "excecionalmente satisfeito" do 14.º Congresso da instituição, que reuniu cerca de 180 inscrições e 33 comunicações livres. Sob o lema "Tempestade na doença alérgica, no uso e abuso da terra e do mar", o encontro serviu de alerta para o impacto direto da destruição ambiental e das alterações na biodiversidade na saúde das crianças e no agravamento das patologias alérgicas. Veja a entrevista completa.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Equilíbrio do planeta e o impacto na saúde</strong></p>
<p>O presidente da SPAP explicou que a escolha do lema deste ano dá continuidade a uma tradição de alertas globais que a Sociedade tem feito nos congressos anteriores. &#8220;Nestes últimos anos temos assistido a uma desflorestação de cerca de 80% das florestas, que são as grandes consumidoras de CO2&#8221;, sublinhou o especialista, alertando para as consequências diretas na qualidade do oxigénio e no ambiente. Libério Ribeiro apontou o dedo ao abuso dos recursos através da agricultura intensiva, industrializada e mecanizada — que levou ao aumento de fertilizantes e pesticidas sintéticos, bem como de sementes alteradas geneticamente —, e à pesca extensiva de arrasto, que ameaça esgotar o peixe das águas do mar até 2050. &#8220;Tudo isto traz implicações e uma alteração total da biodiversidade, afetando o equilíbrio que protege a nossa saúde&#8221;, advertiu.</p>
<p><strong>Avanços na imunoterapia e a revolução na nutrição infantil</strong></p>
<p>No plano estritamente científico, o congresso contou com oito simpósios apoiados pela indústria farmacêutica, focados na partilha aprofundada de conhecimento e sem pormenores comerciais específicos. Entre os grandes destaques estiveram quatro simpósios dedicados ao futuro da imunoterapia específica e dois centrados na nutrição nos primeiros anos de vida. Nesta última área, o especialista destacou a importância fulcral da alimentação da grávida e do lactente, com especial relevo para a amamentação.</p>
<p>O especialista partilhou ainda uma mudança radical de paradigma que tem vindo a ditar as novas normas da Alergologia Pediátrica: a introdução precoce de alimentos potencialmente alergénicos. &#8220;Contrariamente ao que se fazia há umas décadas, em que procurávamos introduzir alimentos alergénicos muito tardiamente — alguns após os 15 meses, dois ou três anos, como o amendoim —, hoje a noção é exatamente a oposta&#8221;, revelou o presidente da SPAP.</p>
<p>A introdução destes alimentos logo a partir dos quatro a seis meses de idade aproveita uma &#8220;janela de oportunidade&#8221; essencial para criar tolerância no organismo da criança, existindo já estudos robustos que demonstram a eficácia desta estratégia na redução do aparecimento de alergias alimentares.</p>
<p>O evento aconteceu em Fátima, durante os dias 28, 29 e 30 de maio.</p>
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		<title>Da formação ao combate às fake news: os grandes eixos da Sociedade Portuguesa de Pediatria no triénio 2026-2028</title>
		<link>https://mediconews.pt/da-formacao-ao-combate-as-fake-news-os-grandes-eixos-da-sociedade-portuguesa-de-pediatria-no-bienio-2026-2028/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 14:11:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pediatria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Numa era marcada pela circulação rápida de informação sem validação científica, a literacia em saúde assume um papel central no novo mandato da Sociedade Portuguesa de Pediatria. <strong>Mónica Oliva</strong>, que assume a presidência da instituição no triénio 2026-2028, revela que a modernização das plataformas digitais e o investimento no Portal Criança e Família serão prioridades para fazer chegar mensagens claras e fidedignas aos cuidadores. Nesta entrevista, a pediatra aborda também a importância de integrar os jovens especialistas em redes internacionais e o papel da SPP na definição de políticas públicas de saúde infantil baseadas na evidência. Leia a entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>News Farma (NF) I Depois de ter sido vice-presidente na direção anterior, o que a motivou a dar o passo em frente e assumir a presidência da SPP para o biénio 2026-2028?</strong></p>
<p><strong>Mónica Oliva (MO) I</strong> O meu percurso na Sociedade Portuguesa de Pediatria começou há vários anos, inicialmente através da Secção de Pediatria Ambulatória e, desde 2017 como membro da Direção. Ao longo dos últimos triénios tive a oportunidade de desempenhar diferentes funções: secretária-adjunta, secretária-geral e vice-presidente, que me permitiram conhecer profundamente a Sociedade, o seu funcionamento, os seus desafios e, sobretudo, o enorme potencial que tem enquanto estrutura agregadora da Pediatria portuguesa.</p>
<p>Aceitar a presidência foi, por isso, um passo natural. Resulta de um percurso sustentado, do trabalho desenvolvido em equipa e do reconhecimento dos pares, que encaro como uma grande honra, mas também como uma enorme responsabilidade. Assumo este mandato com um compromisso claro de dedicação às crianças, aos adolescentes, aos pediatras e à Pediatria em Portugal.</p>
<p><strong>NF I Como é que a sua experiência clínica moldou a sua visão sobre o papel de uma sociedade científica nacional?</strong></p>
<p><strong>MO I</strong> Concluí a especialidade de Pediatria em 2006 e, desde então, exerço atividade clínica como pediatra geral, acompanhando crianças e adolescentes em diferentes contextos assistenciais. Esse percurso ensinou-me que a Pediatria não se faz apenas de normas ou consensos, mas de decisões em contextos reais, muitas vezes complexos, onde é fundamental olhar para a criança como um todo e estabelecer uma relação de confiança com as famílias.</p>
<p>Esta experiência moldou a minha visão sobre o papel de uma sociedade científica. Para além do rigor científico e da formação contínua, uma sociedade como a SPP deve ser próxima dos pediatras, apoiar a prática clínica, promover a investigação, mas também comunicar com a sociedade civil, com as famílias e com os jovens, contribuindo para uma melhor literacia em saúde.</p>
<p><strong>NF I Um dos seus objetivos passa por dar continuidade ao investimento na formação. Qual será a marca deste mandato?</strong></p>
<p><strong>MO I</strong> A Sociedade investe há muitos anos na formação pós-graduada. Temos 20 sociedades científicas pediátricas (Alergologia, Cardiologia, Cuidados Intensivos, Cuidados Paliativos, doenças hereditárias do metabolismo, Endocrinologia e Diabetologia, Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição, Hematologia e Oncologia, imunodeficiências primárias, Infeciologia, Medicina do adolescente, Nefrologia, Neonatologia, Pediatria ambulatória, neurodesenvolvimento, Pediatria social, qualidade e segurança do doente, Pneumologia e sono, Reumatologia, Urgência e Emergência), quatro grupos de trabalho (Internos de Pediatria, tabagismo, hipertensão arterial e desporto) e duas comissões (vacinas e nutrição). Estas estruturas são extremamente ativas, emitindo normas, protocolos e pareceres, bem como organizando eventos em diferentes formatos, com vista à atualização de conhecimentos. Além disso, a própria direção organiza o Congresso Nacional de Pediatria, que este ano celebra a sua 26.ª edição, a decorrer de 21 a 23 de outubro, no Estoril, um Curso de Formação Continua em formato <em>e-learning</em>, estruturado em 21 módulos, e um curso teórico-prático de bioestatística, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. A Sociedade é ainda responsável pela sua revista científica, a <em>Portuguese Journal of Pediatrics</em>.</p>
<p>Neste mandato queremos consolidar todo este trabalho, mas paralelamente pretendemos dar um novo impulso à investigação, criando condições para o desenvolvimento de projetos colaborativos e estudos multicêntricos em Pediatria.</p>
<p><strong>NF I Um dos seus eixos é a proximidade com outras especialidades. Porque é hoje tão urgente esta visão interdisciplinar?</strong></p>
<p><strong>MO I</strong> As crianças e adolescentes que acompanhamos apresentam, cada vez mais, problemas de saúde complexos, frequentemente crónicos, com impacto no desenvolvimento, na Saúde Mental e no contexto familiar. Nenhuma especialidade consegue responder isoladamente a esta realidade.</p>
<p>A articulação entre Pediatria, Medicina Geral e Familiar e outras especialidades médicas e cirúrgicas é essencial para garantir cuidados integrados, seguros e eficientes. A minha experiência em modelos de trabalho que promovem a integração entre Cuidados Hospitalares e Cuidados de Saúde Primários mostrou-me que a partilha de conhecimento, a definição de percursos assistenciais claros e a colaboração interprofissional são fundamentais para assegurar equidade no acesso e qualidade nos cuidados prestados.</p>
<p><strong>NF I Que outras metas pretende atingir durante estes anos ao comando da Sociedade?</strong></p>
<p><strong>MO I</strong> Pretendemos reforçar o papel da SPP como interlocutora credível junto dos decisores políticos e das entidades reguladoras, defendendo de forma ativa a saúde da criança e do adolescente. Paralelamente, queremos aumentar a proximidade com os associados, promover uma maior participação e reforçar a coesão interna da Sociedade.</p>
<p>A modernização da comunicação, através do <em>site</em> e das redes sociais, é também uma prioridade, permitindo tornar a SPP mais visível, mais próxima e mais relevante, tanto para os profissionais como para a sociedade em geral.</p>
<p><strong>NF I De que forma pretende integrar os internos e os jovens especialistas numa participação mais ativa?</strong></p>
<p><strong>MO I</strong> Os internos e os jovens especialistas são fundamentais para o futuro da Pediatria. A SPP tem um Grupo de Internos de Pediatria extremamente dinâmico, que desenvolve múltiplos projetos científicos, formativos e de comunicação, em estreita articulação com a Direção.</p>
<p>Queremos continuar a apoiar esta participação ativa, criando oportunidades de envolvimento em projetos nacionais e internacionais como a participação na <em>Young European Academy of Pediatrics</em>, promovendo a mentoria e o desenvolvimento de competências que vão além da formação técnica, como a liderança, a investigação e o trabalho em rede. Esta integração precoce fortalece o sentimento de pertença e constrói uma Pediatria mais coesa e preparada para o futuro.</p>
<p><strong>NF I Defende que o conhecimento deve ser partilhado com os pais. Como vai a SPP comunicar com as famílias?</strong></p>
<p><strong>MO I</strong> Os pais são os principais decisores de saúde das crianças e a literacia em saúde é hoje absolutamente central. Vivemos numa era em que a informação circula rapidamente, muitas vezes sem validação científica, criando confusão, ansiedade e expectativas irrealistas nas famílias.</p>
<p>A SPP continuará a investir no Portal Criança e Família, um espaço digital dedicado a fornecer informação clara, fidedigna e baseada na evidência científica. No entanto, não basta produzir bons conteúdos: é essencial que a mensagem chegue às famílias. Por isso, iremos apostar numa presença mais ativa e responsável nas plataformas digitais, afirmando a SPP como uma “voz de confiança”, sem abdicar do rigor científico.</p>
<p><strong>NF I Como caracteriza o momento atual da Pediatria em Portugal?</strong></p>
<p><strong>MO I</strong> A Pediatria na Europa atravessa um momento de grande exigência científica e social. Assistimos a uma rápida evolução do conhecimento médico, a novas realidades epidemiológicas e a mudanças profundas nos contextos familiares e sociais em que as crianças e os adolescentes crescem e se desenvolvem. Este cenário coloca desafios complexos, mas também oportunidades relevantes para esta especialidade.</p>
<p>A Pediatria portuguesa conta com pediatras altamente qualificados, reconhecidos nacional e internacionalmente, com forte capacidade de adaptação, produção de conhecimento e colaboração internacional.</p>
<p>Existe hoje uma maior consciência coletiva da importância da saúde infantil e juvenil, o que cria um contexto particularmente favorável para a afirmação da Pediatria como referência científica, promotora de boas práticas clínicas e interveniente ativa no debate público sobre a saúde e o bem-estar das crianças e adolescentes.</p>
<p><strong>NF I Que transformações gostaria de ver implementadas até ao final do seu mandato?</strong></p>
<p><strong>MO I</strong> Gostaria de ver a Pediatria portuguesa com uma presença mais ativa e estruturada na sociedade. A Sociedade Portuguesa de Pediatria deve afirmar-se cada vez mais como uma voz científica independente e credível junto das famílias, da comunidade educativa e dos órgãos governamentais responsáveis pela saúde da criança e do adolescente.</p>
<p>Um dos objetivos centrais é reforçar o papel da SPP na emissão de recomendações científicas, no esclarecimento público de temas relevantes em saúde infantil e juvenil e no apoio à definição de políticas de saúde baseadas na evidência. Através de uma comunicação clara, responsável e sustentada no conhecimento científico, a Sociedade pode contribuir de forma decisiva para decisões mais informadas.</p>
<p>Paralelamente, é fundamental consolidar o envolvimento da SPP em projetos de investigação colaborativa e multicêntrica, reforçando o contributo da Pediatria portuguesa para a produção de conhecimento científico com impacto nacional e internacional.</p>
<p><strong>NF I Que mensagem gostaria de deixar a todos os pediatras portugueses?</strong></p>
<p><strong>MO I</strong> A SPP é uma voz ativa na defesa da Pediatria.</p>
<p>Gostaria de deixar uma mensagem de confiança e de proximidade a todos os pediatras portugueses. Este será um mandato de continuidade, mas também de abertura, inovação e diálogo. Contamos com o contributo de todos para construirmos, em conjunto, uma Pediatria unida, forte e preparada para defender sempre o superior interesse da criança e do adolescente.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Como tratar jovens polissensibilizados com múltiplas manifestações alérgicas?</title>
		<link>https://mediconews.pt/como-tratar-jovens-polissensibilizados-com-multiplas-manifestacoes-alergicas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2026 09:49:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pediatria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A gestão de crianças e jovens com múltiplas alergias — os chamados polissensibilizados — é um dos maiores desafios da Alergologia Pediátrica atual. A propósito da sua intervenção na 12.ª Reunião Temática da Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica (SPAP), subordinada ao tema “Abordagem dos adolescentes Polisensibilizados e com Manifestações Alérgicas Múltiplas”, <strong>Maria Alfaro</strong>, alergologista pediátrica no Hospital de Faro, partilhou a sua visão sobre o panorama atual.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em entrevista, a especialista abordou a evolução das estratégias terapêuticas, a importância da Medicina de Precisão e a necessidade de uma articulação estreita com a Medicina Geral e Familiar (MGF) para garantir a segurança e a qualidade de vida destes doentes complexos.</p>
<p>A especialista começou por sublinhar que a percentagem de crianças e adolescentes com algum tipo de manifestação alérgica tem vindo a aumentar nos últimos anos, estando atualmente compreendida entre 10-30%, e destes, mais de 50% podem ser polisensibilizados, o que está relacionado com maior número de crises e mais graves.</p>
<p>“Sabemos que a adolescência é um período muito crítico do ponto de vista de alterações a nível físico, hormonal, imunológico, emocional e psicológico. Trata-se de um doente de risco, independentemente da doença, por vezes com acompanhamento médico irregular, menor supervisão pela família, com tendência a esquecer a medicação”, explicou.</p>
<p>No doente atópico, a exposição progressiva ao longo dos anos aos vários alergénios – a chamada marcha alérgica – torna o doente adolescente um caso mais desafiante, porque nem sempre sabemos qual é o alergénio especificamente responsável pelas crises.</p>
<p>Temos nesta idade comportamentos de risco, tabaco/<em>vaping</em>, refeições fora de casa, viagens e outros, muitas vezes fruto de crenças ou falta de informação relativamente à sua doença, o que pode levar a minimizar ou desvalorizar sintomas iniciais ou o uso de adrenalina auto-injectável.</p>
<p>“É um doente que precisa de um estudo mais aprofundado e personalizado para identificar quais são os alergénios responsáveis pelas suas manifestações alérgicas”, afirmou.</p>
<p>Nesta população em particular, o cumprimento terapêutico é importante, e nos casos com indicação para desensibilização com imunoterapia, a administração mensal de forma subcutânea, poderá ser uma alternativa para melhorar a adesão e o sucesso a terapêutico. Nos casos mais graves, com asma e/ou alergia alimentar e risco de anafilaxia, a especialista reforça a importância de levar sempre um kit com a medicação, e de envolver a família, escola e amigos, informando-os de que forma podem intervir numa situação de crise.</p>
<p>“É importante que haja programas educativos e informativos, articulados com outros profissionais de saúde, infantários, escolas e centros de desporto, para terem noção da gravidade, mas também para se sentirem capacitados para agir caso haja uma reação alérgica ou uma crisede asma ou qualquer outra manifestação em que seja necessário actuar”, reforçou.</p>
<p><strong>O papel fundamental da Medicina Geral e Familiar </strong></p>
<p>Para Maria Alfaro, o médico de família é o elo de ligação essencial, principalmente quando se tem em consideração o tempo de espera para consultas de especialidade.</p>
<p>“O médico de MGF é quem está mais próximo da família. É essencial que saiba identificar os sinais de alerta e que esteja confortável no seguimento destes doentes, por exemplo, em invocar um plano de emergência ou verificar se a terapêutica e a técnica, no caso dos inaladores e da adrenalina auto-injetável, está correta”, referiu. A médica reforça que este apoio de proximidade reduz a ansiedade dos pais e melhora a adesão ao tratamento.</p>
<p><strong>Desafios e evolução terapêutica </strong></p>
<p>Os desafios passam pela maior literacia por parte dos doentes, familiares, amigos, escolas, restauração e dos profissionais de saúde.</p>
<p>Por outro lado, os novos meios complementares de diagnóstico, nomeadamente o estudo molecular, e as recentes alternativas terapêuticas, tem sido ferramentas que nos permitem hoje em dia um diagnóstico mais individualizado, e evidentemente uma terapêutica mais precisa e eficaz para estes doentes mais complexos.</p>
<p>“O grande desafio, neste nosso doente adolescente polisensibilizado, é permitir que desfrute desta etapa da sua vida, sem medos nem limitações, mas em segurança”, terminou Maria Alfaro.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quando o óbvio não chega: sinais clínicos subtis podem mudar diagnósticos em Pediatria</title>
		<link>https://mediconews.pt/quando-o-obvio-nao-chega-sinais-clinicos-subtis-podem-mudar-diagnosticos-em-pediatria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 22:48:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pediatria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na sessão “Desafios clínicos em Pediatria: quando o óbvio não é tudo”, no Update em Medicina, Francisco Abecasis, do Hospital de Santa Maria, apresentou uma abordagem centrada na importância de olhar para além do diagnóstico mais evidente. “O que eu tentei fazer foi trazer cinco casos clínicos muito diferentes, em que o diagnóstico inicial não era óbvio, mas em que pequenas pistas permitiam chegar à resposta”, explicou. Assista à entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="padding: 56.25% 0 0 0; position: relative;"><iframe style="position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%;" title="Quando o óbvio não chega: sinais clínicos subtis podem mudar diagnósticos em Pediatria" src="https://player.vimeo.com/video/1184105322?h=7f917fc3c4&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" frameborder="0"></iframe></div>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Entre os casos apresentados, destacou-se um episódio de sarampo, associado a surtos recentes, e uma epiglotite por <i>Haemophilus influenzae</i> tipo B em contexto de recusa vacinal. “São doenças reemergentes que já não era suposto vermos e que provavelmente vamos voltar a ver”, alertou o pediatra, sublinhando o impacto da hesitação vacinal na prática clínica.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Outro caso ilustrativo envolveu um défice grave de vitamina D que conduziu a uma miocardiopatia dilatada numa criança sem acompanhamento em consulta de saúde infantil. “Isto chama a atenção para a importância da consulta com o médico de família, que é fundamental e que poderia ter evitado este desfecho”, referiu. A sessão incluiu ainda a abordagem da saúde mental na adolescência, uma área que considera cada vez mais prevalente.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Para o especialista, um dos principais erros na prática clínica é assumir diagnósticos frequentes mesmo quando existem sinais discordantes. “Se há alguma coisa que não bate certo, temos de ir mais longe e procurar causas menos frequentes”, afirmou, defendendo uma atitude clínica mais crítica e sistemática perante a incerteza diagnóstica.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">A hesitação vacinal foi outro dos temas centrais, com Francisco Abecasis a sublinhar a necessidade de uma abordagem mais empática. “Estes pais não são ignorantes nem incultos. Têm as suas razões e só conseguimos chegar lá se percebermos o porquê da recusa”, concluiu, defendendo uma comunicação mais próxima para prevenir doenças reemergentes.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">O Update em Medicina está a decorrer entre os dias 16 a 18 de abril em Albufeira.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A vigilância de sinais clínicos para o diagnóstico atempado de doenças raras</title>
		<link>https://mediconews.pt/a-vigilancia-de-sinais-clinicos-para-o-diagnostico-atempado-de-doencas-raras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gonçalo Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 11:47:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pediatria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sob o olhar atento da prática clínica, a médica <b>Ana Cristina Ferreira</b>, da Unidade Local de Saúde de São José, marcou presença no encontro Raising Up The Rare, organizado pela Takeda. A especialista focou a sua intervenção na necessidade vital de sensibilizar a comunidade médica para a deteção precoce e na discussão de novas estratégias, como o alargamento do rastreio neonatal, para transformar o percurso do doente com patologias raras. Veja o vídeo.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/a-vigilancia-de-sinais-clinicos-para-o-diagnostico-atempado-de-doencas-raras/">A vigilância de sinais clínicos para o diagnóstico atempado de doenças raras</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="A vigilância de sinais clínicos para o diagnóstico atempado de doenças raras" src="https://player.vimeo.com/video/1169939988?h=e6a52945b1&amp;dnt=1&amp;app_id=122963" width="640" height="360" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin"></iframe></p>
<p class="MsoNormal">A reunião permitiu debater os avanços mais recentes em termos de biomarcadores, diagnóstico e seguimento de doenças específicas como Gaucher, Fabry e Hunter. Ana Cristina Ferreira enfatizou que o foco atual das equipas passa pela implementação de estratégias de sensibilização junto de diversos profissionais de saúde, visando a identificação de sinais precoces e a consequente referenciação atempada dos doentes. Paralelamente, a especialista destacou que o rastreio neonatal está a ser planeado para patologias onde a intervenção imediata é determinante para o sucesso do tratamento.</p>
<p class="MsoNormal">Dada a elevada complexidade e variabilidade destas doenças, torna-se imperativo que os médicos reconheçam sintomas específicos que funcionam como &#8220;bandeiras vermelhas&#8221;. No contexto da mucopolissacaridose, a especialista exemplificou com sinais como o atraso no desenvolvimento psicomotor, a ocorrência de infeções respiratórias recorrentes, a presença de hérnias e a surdez. Para a médica da ULS de São José, manter a comunidade alerta para estes indicadores é o primeiro passo para garantir que os doentes sejam referenciados precocemente e beneficiem das melhores opções terapêuticas disponíveis.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/a-vigilancia-de-sinais-clinicos-para-o-diagnostico-atempado-de-doencas-raras/">A vigilância de sinais clínicos para o diagnóstico atempado de doenças raras</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Patologia hipofisária na criança e no adolescente</title>
		<link>https://mediconews.pt/patologia-hipofisaria-na-crianca-e-no-adolescente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 12:54:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pediatria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Raras e complexas, as patologias hipofisárias na infância e na adolescência deixam marcas que se prolongam muito para lá do crescimento. Neste artigo de opinião, a diretora do Serviço de Endocrinologia da ULS Braga, <strong>Olinda Marques</strong>, analisa o impacto a longo prazo do tratamento e os desafios críticos da transição para os cuidados de adulto.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As doenças hipofisárias diagnosticadas na criança e no adolescente são raras, complexas, com múltiplas etiologias e fenótipos.</p>
<p>Embora as alterações estruturais congénitas ou lesões tumorais possam causar sintomas compressivos ou de hipersecreção hormonal, a principal consequência é o hipopituitarismo de um ou mais deficits. São então necessárias terapêuticas múltiplas. O deficit mais frequente, melhor estudado e com orientações de seguimento estruturadas é o da Hormona de Crescimento (HC).</p>
<p>O maior desafio para o pediatra é o de conseguir adequar o tratamento à etiologia e monitorizar a terapêutica necessária à maximização do potencial de crescimento e desenvolvimento pubertário. Para o endocrinologista é a reavaliação das necessidades e a manutenção do tratamento com o objetivo de reduzir morbilidade e otimizar a qualidade de vida (QoL).</p>
<p>O PERÍODO de TRANSIÇÃO é um período de mudança para o adolescente, de cuidados de saúde centrados nos pais/cuidadores para a sua responsabilidade. Está arbitrariamente definido ocorrer entre os 16 e os 25 anos. Representa uma fase muito importante do seu crescimento e desenvolvimento que ocorre em simultâneo com mudanças físicas, psicossociais, educativas/trabalho e saúde face a novos profissionais e frequentemente em novas instituições. Os objetivos principais são o de conseguir uma transição gradual, empática e de mútua confiança de forma a evitar os fatores de risco major para futuras consequências indesejáveis – a não adesão terapêutica e a perda de seguimento.</p>
<p>Paralelamente, não estão disponíveis protocolos de atuação estruturados e cientificamente validados. Na patologia hipofisária (exceto HC), a literatura evidencia resultados em pequenos estudos de casuística com protocolos de atuação heterogéneos e sem outcomes pré-definidos. As Sociedades Europeias de Endocrinologia (ESE) e de Endocrinologia Pediátrica (ESPE) têm dedicado especial relevo a este tema e estão previstas orientações para breve.</p>
<p>As hormonas hipofisárias interrelacionam-se nos seus efeitos endócrinos pelo que as consequências da terapêutica de reposição hormonal têm implicação nos mesmos riscos: desenvolvimento estatural e sexual, mineralização óssea, fertilidade, impacto nos fatores de risco metabólicos e cardiovasculares, saúde psicológica e QoL.</p>
<p>Aguardamos a constituição de equipas multidisciplinares (pediatra/endocrinologista) em todos os centros que recebem estes jovens, a publicação de resultados de avaliação de outcomes com base em protocolos validados cientificamente, o que, aliado a novas terapêuticas emergentes, são um futuro promissor para a melhoria de cuidados.</p>
<p>Este artigo foi publicado originalmente no Jornal do Congresso Português de Endocrinologia 2026.</p>
<p>Ver aqui.</p>
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		<item>
		<title>Qualidade de vida influencia memória da dor na adolescência</title>
		<link>https://mediconews.pt/qualidade-de-vida-influencia-memoria-da-dor-na-adolescencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jan 2026 16:24:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pediatria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><strong>Naré Navasardyan</strong>, primeira autora do estudo “Long-term back pain recall in Generation XXI adolescents: the role of sensitivity and pain history”, afirma que a memória da dor na adolescência é frequentemente distorcida e influenciada pela sensibilidade ambiental, história de dor e qualidade de vida. A investigadora considera que a avaliação clínica não deve depender apenas da recordação retrospetiva, exigindo uma abordagem pediátrica mais contextual e integrada.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>News Farma (NF) | O estudo “Long-term back pain recall in Generation XXI adolescents: the role of sensitivity and pain history” revelou que apenas uma pequena percentagem dos adolescentes recordou raquialgia aos 13 anos. Que fatores podem explicar essa discrepância na memória da dor?</strong></p>
<p><strong>Naré Navasardyan (NN) |</strong> O nosso estudo concluiu que apenas uma pequena percentagem de adolescentes que referiram ter raquialgia aos 13 anos se recordava dessa dor quatro a cinco anos depois. Vários fatores podem explicar esta discrepância, sendo que o esquecimento poderá ser em muitos casos desejável e adaptativo. Primeiro, o estado atual de dor influencia a memória; os adolescentes que ainda sentiam dor aos 18 anos tinham maior probabilidade de se lembrar da dor passada, enquanto os que estavam sem dor tendiam a subestimar ou esquecer essa experiência passada. Segundo, a sensibilidade ao ambiente pareceu desempenhar um papel relevante, com os adolescentes que se declararam mais sensíveis a mostrarem uma melhor memória. Terceiro, a história familiar de dor e a existência de um diagnóstico de doença crónica estiveram associados a pior recordação, possivelmente porque os problemas de saúde atuais podem dificultar a distinção entre experiências passadas e presentes. Por fim, os adolescentes com melhor qualidade de vida relacionada com a saúde tenderam a subestimar ou esquecer a dor anterior, sugerindo que um maior bem-estar atual pode levar ao esquecimento de experiências negativas anteriores. Também foram observadas diferenças entre sexos. No geral, os rapazes apresentaram maior probabilidade de recordar corretamente, ou seja, de os seus relatos passados coincidirem melhor com a recordação posterior. Contudo, entre os que tinham reportado dor aos 13 anos, os rapazes eram mais propensos a esquecê-la do que as raparigas, sugerindo uma interação entre fatores biológicos e psicossociais que influenciam a memória das experiências negativas.</p>
<p><strong>NF | A investigação indicou que a sensibilidade ambiental e a história de dor influenciam a recordação da raquialgia. Pode explicar como esses fatores interagem na formação da memória da dor?</strong></p>
<p><strong>NN |</strong> Este estudo demonstrou que tanto a sensibilidade ao ambiente físico e social como a história pessoal e familiar de dor parecem influenciar a forma como os adolescentes recordam a raquialgia. Os adolescentes com maior sensibilidade ambiental (medida com o questionário <em>Highly Sensitive Child</em>) tinham maior probabilidade de recordar corretamente, sendo menos comum o esquecimento, o que sugere que estão mais atentos às sensações corporais e, por isso, incorporam as experiências de dor de forma mais vívida. Esta sensibilidade aumentada pode tender a reforçar os aspetos sensoriais e afetivos da memória da dor, tornando mais fácil recordar episódios de dor passados. Em contraste, a história de dor, avaliada como dor recente ou antecedentes familiares de dor recorrente, esteve associada a distorções na recordação. Os adolescentes que ainda sentiam dor aos 18 anos tinham menos probabilidade de esquecer a dor anterior, uma vez que os sintomas atuais podem reforçar ou reativar essas memórias. No entanto, ter familiares com dor recorrente, particularmente a mãe, esteve associado a uma menor concordância na recordação, possivelmente porque a exposição repetida a relatos de dor dentro da família torna mais difusas as fronteiras entre as experiências passadas e presentes do próprio indivíduo. Em conjunto, estes resultados sugerem que a sensibilidade ambiental aumenta a clareza e a persistência das memórias de dor, enquanto o historial de dor pode estabilizar ou distorcer a recordação, dependendo se a dor é vivida pessoalmente ou reforçada socialmente. Em outras palavras, a memória da dor não é fixa, mas surge da interação entre a sensibilidade individual e as experiências de dor vividas ou observadas.</p>
<p><strong>NF | Quais as implicações clínicas que os pediatras devem considerar ao avaliar a raquialgia em adolescentes, com base nos resultados deste estudo?</strong></p>
<p><strong>NN |</strong> Os resultados sugerem várias implicações clínicas importantes na avaliação da raquialgia em adolescentes. Em primeiro lugar, os clínicos devem ter em conta a elevada frequência do esquecimento, possivelmente adaptativo, nos relatos retrospetivos dos adolescentes, uma vez que a recordação da dor se revelou frequentemente distorcida. Isto significa que a história de dor pode estar incompleta, se baseada apenas na autoavaliação de uma experiência com vários anos. Em segundo lugar, as diferenças entre sexos devem ser consideradas: os rapazes tenderam a esquecer episódios de dor anteriores com mais frequência, enquanto as raparigas recordaram a dor passada com mais acuidade. Em terceiro lugar, os fatores contextuais, como a dor recente, a sensibilidade ambiental, a qualidade de vida e os antecedentes familiares, moldaram fortemente a recordação. Os adolescentes com dor recente tinham menor probabilidade de esquecer episódios de dor anteriores, enquanto aqueles com melhor qualidade de vida tendiam a minimizar ou esquecer episódios passados. De forma semelhante, um historial familiar de dor recorrente poderia dificultar a distinção entre experiências de dor passadas e presentes.</p>
<p>Clinicamente, isto significa que os clínicos poderão querer:</p>
<ul>
<li>Dar especial ênfase à avaliação dos sintomas atuais e menos às recordações a longo prazo.</li>
<li>Considerar os contextos psicossocial e familiar ao interpretar as memórias de dor relatas.</li>
<li>Reconhecer que o viés de recordação pode levar a uma subestimação da carga da dor, especialmente em rapazes e em adolescentes com maior bem-estar atual.</li>
</ul>
<p>Felizmente os pediatras estão cada vez mais atentos a esta perspetiva holística, que combina autorrelatos da história pessoal com registos prospetivos, contributos dos cuidadores e avaliações funcionais, de modo a o prognóstico da raquialgia nos adolescentes.</p>
<p><strong>NF | O estudo sugere que a qualidade de vida pode afetar a recordação da dor. Pode detalhar essa relação e suas possíveis implicações?</strong></p>
<p><strong>NN |</strong> O estudo revelou que a qualidade de vida relacionada com a saúde está estreitamente ligada à forma como os adolescentes recordam a dor nas costas. Especificamente, os adolescentes com melhor qualidade de vida tendiam a subestimar a dor passada, ou seja, esqueciam-se ou minimizavam episódios de dor que tinham relatado anteriormente. Isto sugere que, quando o bem-estar atual é elevado, as experiências negativas anteriores podem desaparecer da memória ou ser reinterpretadas como menos significativas. As implicações são duplas. Do ponto de vista clínico, significa que adolescentes que relatam uma boa qualidade de vida podem não fornecer um relato completo ou preciso do seu histórico de dor, o que pode levar a uma subestimação da carga de dor passada. Ao mesmo tempo, este esquecimento não é prejudicial; pode refletir um processo protetor ou adaptativo, em que um maior bem-estar atual reduz a relevância do desconforto anterior. A principal conclusão prática é que a qualidade de vida deve ser considerada juntamente com os relatos de dor, uma vez que pode influenciar significativamente a forma como as memórias de dor são recuperadas e descritas.</p>
<p><strong>NF | Quais são as principais recomendações para futuros estudos nesta área, considerando as limitações e resultados do seu trabalho?</strong></p>
<p><strong>NN |</strong> Existe cada vez mais investigação nessa área, mas ainda nos falta compreender melhor os mecanismos que explicam as diferenças nas memórias da dor entre sexos, entre jovens com diferente sensibilidade ambiental e entre pessoas com história familiar de dor crónica. Os mecanismos poderão ser melhor esclarecidos em estudos futuros com abordagens qualitativas, incluindo entrevistas a jovens e cuidadores. É importante analisar o papel de fatores psicológicos e contextuais, como estratégias de coping, bem-estar emocional e modelação social da dor na família, para explicar por que alguns adolescentes esquecem ou até exageram as memórias da dor. A incorporação de medidas neurocognitivas de memória e sensibilidade poderá também esclarecer os mecanismos biológicos envolvidos na formação da memória da dor. Finalmente, é fundamental explorar as implicações clínicas da distorção da memória da dor, nomeadamente se a subestimação da dor afeta a procura de tratamento ou a sua continuidade e se a sobre-estimação da dor modifica o seu prognóstico e o risco de cronicidade ao longo da vida.</p>
<p>Saiba mais <a href="https://journals.lww.com/painrpts/fulltext/2025/06000/long_term_back_pain_recall_in_generation_xxi.21.aspx" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
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		<title>25.º Congresso Nacional de Pediatria: balanço “muito positivo” e o desafio da abrangência</title>
		<link>https://mediconews.pt/25-o-congresso-nacional-de-pediatria-balanco-muito-positivo-e-o-desafio-da-abrangencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Nov 2025 14:50:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pediatria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><strong>André Graça</strong>, presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) sublinha o elevado número de congressistas e a participação ativa nas sessões do 25.º Congresso Nacional de Pediatria, refletindo o interesse dos profissionais pela sua formação contínua e atualização nos vários temas da especialidade. O congresso, sendo um evento de fim de mandato, beneficia da experiência adquirida ao longo do tempo, garantindo que a organização se mantém “estável e adaptada aos novos desafios”. Veja a entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O principal desafio na organização do congresso, segundo André Graça, prende-se com a necessidade de conciliar a representação dos 19 grupos especializados que compõem a SPP com o tempo limitado de três dias.</p>
<p>“É difícil escolher os temas, visto que o objetivo central é ir ao encontro dos interesses do pediatra em geral, e não apenas dos subespecialistas”, afirma o presidente.</p>
<p>Este esforço de seleção de conteúdos que sejam relevantes para a generalidade dos pediatras é o que, segundo André Graça, garante o grande interesse e afluência às salas. Exemplo disso é a presença de cerca de 300 pessoas numa sala de Gastrenterologia Pediátrica, a grande maioria das quais não são gastrenterologistas, mas sim pediatras com um interesse particular nos temas ali debatidos. Realidade que se repete em diversas discussões com temas relacionados com outras áreas da Medicina.</p>
<p>O evento decorreu entre 29 e 31 de outubro, na Alfândega do Porto.</p>
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		<item>
		<title>&#8220;Esperamos que esta formação tenha impacto direto na qualidade dos cuidados neonatais, principalmente no que diz respeito à eficácia nas reanimações&#8221;</title>
		<link>https://mediconews.pt/esperamos-que-esta-formacao-tenha-impacto-direto-na-qualidade-dos-cuidados-neonatais-principalmente-no-que-diz-respeito-a-eficacia-nas-reanimacoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Nov 2025 10:55:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pediatria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=42904</guid>

					<description><![CDATA[<p>A especialista em Pediatria no Hospital CUF Descobertas e membro da comissão científica do Curso de Reanimação Neonatal,<strong> Cláudia de Almeida Fernandes</strong>, faz um balanço positivo da edição que decorreu entre 21 e 22 de outubro. Explica como a aposta na simulação é essencial na aprendizagem e sublinha a componente comunicativa que é determinante para obter bons resultados nestas situações. Leia os restantes detalhes da iniciativa.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>News Farma (NF) I Que balanço faz desta edição do Curso de Reanimação Neonatal e de que forma os objetivos definidos foram alcançados?</strong></p>
<p><strong>Cláudia de Almeida Fernandes (CAF) I</strong> O balanço desta edição do curso é muito positivo. Conseguimos cumprir os objetivos principais de proporcionar uma formação de alta qualidade, que combinasse teoria e prática de maneira eficaz. O curso foi estruturado para responder às necessidades específicas dos profissionais que lidam com situações de emergência neonatal, e observámos um grande envolvimento por parte dos participantes, tanto nas atividades práticas como nas teóricas. A integração de simulações foi um dos pontos altos, permitindo aos formandos vivenciar situações de reanimação em ambientes controlados e aprender de forma mais eficaz. De maneira geral, os <em>feedbacks</em> foram também muito positivos e indicam que conseguimos proporcionar uma experiência de aprendizagem enriquecedora, que certamente contribuirá para a melhoria da prática clínica dos participantes.</p>
<p><strong>NF I O curso combina componentes teóricas e práticas, com forte aposta na simulação. Que importância atribui a esta metodologia para a consolidação das competências dos formandos?</strong></p>
<p><strong>CAF I</strong> A metodologia de simulação é, sem dúvida, uma das mais eficazes para consolidar competências práticas em áreas tão sensíveis como a reanimação neonatal. A possibilidade de os participantes vivenciarem situações reais, de forma controlada e sem risco para os seus doentes, permite-lhes melhorar a tomada de decisão, a coordenação e, acima de tudo, aumentar a sua confiança ao lidar com emergências. Além disso, a simulação também permite a repetição de manobras técnicas e a melhoria contínua das práticas, o que é essencial em situações de emergência neonatal.</p>
<p><strong>NF I A comunicação e o trabalho em equipa foram destacados como fatores determinantes para o sucesso da reanimação. Como é que estas competências não técnicas são trabalhadas ao longo da formação?</strong></p>
<p><strong>CAF I</strong> As competências não técnicas, como a comunicação e o trabalho em equipa, são abordadas de forma transversal durante o curso. Durante as simulações, os formandos são constantemente estimulados a praticar a comunicação clara e eficaz, especialmente em cenários de grande complexidade. São feitas simulações em que cada elemento da equipa assume diferentes papéis, para que todos possam experimentar as dinâmicas de uma situação real. Além disso, são discutidos exemplos práticos e casos clínicos  em que o trabalho em equipa e a boa comunicação fizeram a diferença no sucesso da reanimação. O objetivo é que os profissionais se sintam preparados para se coordenarem de forma eficaz, independentemente da situação ou da pressão do momento.</p>
<p><strong>NF I A fisiologia do nascimento e a adaptação à vida extrauterina foram os primeiros temas abordados. Por que é fundamental compreender bem este processo antes de iniciar qualquer manobra de reanimação?</strong></p>
<p><strong>CAF I</strong> Compreender a fisiologia do nascimento e a adaptação à vida extrauterina é essencial. Se os profissionais não compreenderem bem como ocorre a transição da vida intrauterina para a extrauterina, é difícil perceber quando e como intervir de forma eficaz. O entendimento desses processos fisiológicos é a base para determinar quando uma intervenção é necessária e qual a melhor abordagem.</p>
<p><strong>NF I Durante as bancas práticas, os participantes contactaram com diferentes equipamentos e técnicas de ventilação manual. Que aspetos mais são mais valorizados neste treino de procedimentos?</strong></p>
<p><strong>CAF I</strong> O treino de ventilação manual é uma etapa-chave da formação, já que representa uma das intervenções mais críticas na reanimação neonatal. Mais do que dominar a técnica em si, procuramos que os participantes compreendam a importância de uma ventilação eficaz e segura, adaptada às características de cada recém-nascido. Durante as bancas práticas, valorizamos a precisão dos gestos, a avaliação constante da resposta clínica do bebé e a capacidade de ajustar a intervenção de acordo com essa resposta.</p>
<p>Outro aspeto fundamental é o contacto direto com diferentes tipos de dispositivos e interfaces de ventilação, permitindo que os formandos ganhem familiaridade com o equipamento e desenvolvam confiança na sua utilização.</p>
<p><strong>NF I Foram também discutidos casos especiais, como a prematuridade ou a aspiração de mecónio. Que particularidades destacaria nestas situações e de que forma o curso ajuda a preparar os profissionais para lidar com elas?</strong></p>
<p><strong>CAF I</strong> Casos como a prematuridade e a aspiração de mecónio exigem uma atenção especial e uma abordagem adaptada. O curso prepara os participantes para lidarem com estes cenários através de simulações práticas específicas, que permitem que os profissionais se familiarizem com os protocolos e equipamentos necessários para cada situação.</p>
<p><strong>NF I Que impacto espera que esta formação tenha na prática clínica dos participantes e na qualidade dos cuidados neonatais prestados nas maternidades?</strong></p>
<p><strong>CAF I</strong> Esperamos que esta formação tenha um impacto direto na qualidade dos cuidados neonatais, principalmente no que diz respeito à eficácia nas reanimações. Ao consolidar o conhecimento técnico e as competências práticas dos participantes, acreditamos que, em situações reais, os profissionais estarão mais confiantes e aptos a aplicar as melhores práticas. Além disso, ao desenvolver as competências não técnicas, como o trabalho em equipa e a comunicação, esperamos que as equipas de neonatologia de todas as maternidades possam atuar de forma mais coordenada e eficiente, garantindo uma abordagem profissional, metódica e consistente, em linha com as recomendações e guidelines internacionais mais recentes.</p>
<p><strong>NF I A edição de outubro do Curso de Reanimação Neonatal foi a primeira com acesso alargado a profissionais externos à CUF. Pretendem manter este modelo nas próximas edições? Quem pode participar?</strong></p>
<p><strong>CAF I</strong> Nesta edição já tivemos a oportunidade de acolher vários formandos externos, o que representou um passo importante na abertura do curso a profissionais de outras instituições. Essa diversidade de experiências e contextos clínicos enriqueceu as discussões e o trabalho em equipa durante as simulações.</p>
<p>Para as próximas edições, a intenção é continuar a alargar o acesso a todos os profissionais de saúde envolvidos na assistência ao recém-nascido — médicos, enfermeiros e outros técnicos ligados à área neonatal.</p>
<p>A próxima edição do Curso de Reanimação Neonatal está agendada para os dias 3 e 4 de março de 2026, no Centro de Simulação CUF, localizado no Hospital CUF Tejo. As inscrições devem ser feitas através deste <a href="https://academiacuf.up.events/activities/view/curso-de-reanimacao-neonatal-2026" target="_blank" rel="noopener"><em>link</em></a>, onde também é possível consultar mais informações sobre o evento.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/esperamos-que-esta-formacao-tenha-impacto-direto-na-qualidade-dos-cuidados-neonatais-principalmente-no-que-diz-respeito-a-eficacia-nas-reanimacoes/">&#8220;Esperamos que esta formação tenha impacto direto na qualidade dos cuidados neonatais, principalmente no que diz respeito à eficácia nas reanimações&#8221;</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>HOJE, não perca o webinar sobre Gestão da Obesidade Pediátrica</title>
		<link>https://mediconews.pt/hoje-nao-perca-o-webinar-sobre-gestao-da-obesidade-pediatrica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Oct 2025 08:29:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pediatria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=42570</guid>

					<description><![CDATA[<p>Hoje pelas <strong>21h00</strong>, não perca o <em>webinar</em> <strong>“Pediatric Obesity Management in 2025”</strong>, uma iniciativa da Novo Nordisk e do Grupo Nacional de Estudo e Investigação em Obesidade Pediátrica (GNEIOP). À luz das mais recentes recomendações internacionais, os pediatras <strong>Carla Rêgo</strong>, <strong>Daniel Weghuber</strong> e <strong>Gilberto Pérez López</strong> irão conversar sobre a importância de uma gestão adequada e atempada da obesidade na criança e no adolescente.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/hoje-nao-perca-o-webinar-sobre-gestao-da-obesidade-pediatrica/">HOJE, não perca o webinar sobre Gestão da Obesidade Pediátrica</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Neste <em>webinar</em> dedicado a profissionais de saúde terá a oportunidade de repensar a obesidade pediátrica e explorar vários aspetos da gestão desta doença, tais como:</p>
<ul>
<li><strong><em>Status on Pediatric Clinical Practice Guidelines</em></strong> &#8211; Daniel Weghuber, Áustria;</li>
<li><strong><em>Current treatment options</em></strong> &#8211; Gilberto Pérez López, Espanha.</li>
</ul>
<p>Junte-se à discussão e eleve a sua compreensão da obesidade pediátrica, explorando uma abordagem integrada e prática de gestão desta doença crónica.</p>
<p>Inscreva-se ou aceda ao <em>webinar</em> <a href="https://www.google.com/url?q=https://event.on24.com/wcc/r/5086272/5F51E8F1321156EDC51672A703D3EC6A?partnerref%3D9outmediconews&amp;source=gmail-imap&amp;ust=1759832207000000&amp;usg=AOvVaw35WVaslLUW0LPRbpieEv72" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>!</p>
<p>PT25OB00201</p>
<p>&nbsp;</p>
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