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	<title>Arquivo de Oncologia - Médico News</title>
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	<description>Dar voz à experiência clínica dos profissionais de saúde no nosso país, através de depoimentos dos key opinion leaders das respetivas especialidades.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 29 Jul 2026 10:02:39 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Oncologia - Médico News</title>
	<link>https://mediconews.pt/category/oncologia/</link>
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	<item>
		<title>Prevenção ativa e IA: o novo paradigma no tratamento do cancro da mama</title>
		<link>https://mediconews.pt/prevencao-ativa-e-ia-o-novo-paradigma-no-tratamento-do-cancro-de-mama/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 09:31:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Oncologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A transição de uma Medicina reativa para uma estratégia de prevenção ativa está a redefinir a abordagem ao cancro da mama, impulsionada por algoritmos avançados capazes de antecipar a doença com anos de antecedência. A propósito da terceira edição da Medica AI – The Conference 2026, realizada a 16 de julho na Fundação Champalimaud, e em entrevista à News Farma, <strong>Andrea De Censi</strong>, diretor do Departamento de Mama da instituição, defendeu que a inteligência artificial (IA) e a otimização das doses terapêuticas estão a abrir caminho para uma proteção mais eficaz das doentes. O especialista, que apresentou a comunicação “Treating risk before breast cancer exists: The new age of prevention” sublinhou como a tecnologia pode reduzir a incidência de tumores e a necessidade de intervenções cirúrgicas ou sistémicas agressivas. Assista ao vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em relação à capacidade de diagnóstico e previsão do risco, Andrea De Censi referiu que a eficácia da inteligência artificial (IA) na análise imagiológica é já uma realidade comprovada por dados científicos robustos. O especialista lembrou ensaios clínicos realizados na Suécia que demonstram a superioridade da IA na leitura mamográfica em comparação com a interpretação humana, destacando a habilidade da tecnologia para “detetar mais cancros” e diminuir a carga de trabalho dos radiologistas. Contudo, Andrea De Censi apontou que o maior trunfo reside no longo prazo: “A IA consegue identificar alterações na textura e na arquitetura da glândula mamária que não só podem prever a doença precoce, como também prever o risco a 10 anos”.</p>
<p>A par do diagnóstico precoce, o diretor do Departamento de Mama da Fundação Champalimaud explicou que o paradigma da prevenção exige reajustar a medicação. Historicamente, a utilização de doses terapêuticas de fármacos anti-estrogénicos na prevenção primária resultava em efeitos secundários elevados e “inaceitáveis para as doentes”. Para superar essa barreira, a investigação focou-se em procurar a “dose mínima eficaz”, alcançando a mesma proteção com uma toxicidade substancialmente menor.</p>
<p>Andrea De Censi defendeu que a Oncologia deve seguir o modelo já consolidado na área cardiovascular: “Caminharemos para uma Medicina preventiva também na Oncologia, tal como os cardiologistas já fazem há 30 ou 40 anos”, permitindo intervenções precoces que reduzam a incidência da doença e aumentem a sobrevivência a dez anos dos atuais 80% para 95%.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Inteligência artificial e relação humana: o futuro da investigação no cancro de mama</title>
		<link>https://mediconews.pt/inteligencia-artificial-e-relacao-humana-o-futuro-da-investigacao-no-cancro-de-mama/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 11:27:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Oncologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante a Medica AI – The Conference 2026, realizada no dia 16 de julho na Fundação Champalimaud, <strong>Maria João Cardoso</strong>, diretora do <em>Breast Cancer Research Program</em> (BRCP) da instituição, sublinhou, em declarações à News Farma, a importância da inteligência artificial (IA) na resposta aos desafios atuais da Oncologia. A responsável, que conduziu a apresentação dos “2026 BCRP Awards”, destacou a necessidade de equilibrar o rápido avanço dos algoritmos com a capacidade de resposta das infraestruturas e a relação de proximidade com o doente. Veja o vídeo da entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A propósito do papel da tecnologia nos projetos distinguidos na conferência, Maria João Cardoso explicou que a inteligência artificial se tornou um eixo central no desenvolvimento científico do programa. A especialista lembrou que o plano de investigação abrange várias vertentes, mas reconheceu que “a sua área mais forte é precisamente inteligência artificial”, sendo este um critério decisivo na seleção dos trabalhos. “Todos estes projetos têm uma componente de inteligência artificial porque é muito importante para nós”, afirmou, acrescentando que o grande trunfo da instituição reside no desenvolvimento de bases de dados estruturadas que alimentam agentes inteligentes capazes de gerar resultados clínicos relevantes.</p>
<p>No entanto, a diretora do BRCP alertou para a complexidade da implementação destas ferramentas na prática clínica hospitalar. Maria João Cardoso assumiu ser “difícil prever” o impacto exato a longo prazo, salientando que existe “uma evolução tecnológica super rápida com uma dificuldade das infraestruturas que estão por trás acompanharem este desenvolvimento e inovação tecnológica”. Apesar desses entraves técnicos e regulamentares, a especialista enfatizou que a verdadeira expectativa da comunidade clínica passa por ganhar eficiência para resgatar o contacto pessoal. “O que nós esperamos que aconteça (&#8230;) é que nós tenhamos mais tempo para momentos de contacto com o doente e que as ferramentas de inteligência artificial nos ajudem a fazer coisas que nós neste momento temos que fazer além do contacto que temos com o doente”, defendeu.</p>
<p>A transição para cuidados cada vez mais digitais coloca também novos desafios na relação médico-doente, com os cidadãos a chegarem às consultas com diagnósticos ou opiniões prévias geradas por inteligência artificial. Maria João Cardoso considerou essa autonomia do doente “muito importante para avançar o conhecimento”, mas reforçou que a integração nos sistemas eletrónicos e nos registos de saúde exige garantir “a integração, a proteção, a ética e a confiança”, que apontou como as principais barreiras a superar. Olhando para as próximas décadas, a responsável destacou a capacidade de liderança e a visão prospetiva das equipas como o motor essencial para a mudança, concluindo que prevalece “esta visão de ‘vai acontecer’, mesmo que não saibamos essencialmente o que vai acontecer”.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>FOCUS-ON: Atualização clínica em Oncologia</title>
		<link>https://mediconews.pt/focus-on-atualizacao-clinica-em-oncologia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 14:15:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Oncologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como tem evoluído a abordagem da patologia oncológica? O FOCUS-ON, consiste num programa educacional concebido pelo Departamento Médico da Pfizer, com cursos nas áreas de cancro do pulmão, cancro da mama, cancro da próstata e mieloma múltiplo. Os módulos, destinados a profissionais de saúde, abordam diferentes temas da área da oncologia, com base na evidência científica disponível e na prática clínica.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Neste contexto, o Departamento Médico da Pfizer Portugal desenvolveu o FOCUS-ON, um curso em formato <em>e-learning</em>, <em>on-demand</em>, concebido para apoiar a prática clínica através de uma abordagem científica e atual.</p>
<p>O curso reúne especialistas nacionais e está organizado em diferentes módulos dedicados a várias patologias oncológicas, incluindo: cancro do pulmão, cancro da mama, cancro da próstata e mieloma múltiplo.</p>
<p>O FOCUS-ON tem como principais objetivos: contribuir para a melhoria do diagnóstico, estadiamento e <em>follow-up</em> dos doentes oncológicos e atualizar o conhecimento sobre opções terapêuticas e gestão de complicações.</p>
<p>Registe-se na plataforma e aceda ao curso através deste <a href="https://media.pfizermedical.pt/interativo?media=a1a89c56-d95e-4e57-bdf9-b51358c486c4" target="_blank" rel="noopener">link</a>.</p>
<p>EM-PRT-ONC-0039 Versão 1.0</p>
<p>PP-UNP-PRT-1624 | junho 2026</p>
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			</item>
		<item>
		<title>João Taborda Barata assume cargos de liderança na ASPIC e EACR</title>
		<link>https://mediconews.pt/joao-taborda-barata-assume-cargos-de-lideranca-na-aspic-e-eacr/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 11:38:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Oncologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O panorama da investigação oncológica em Portugal e na Europa conta com uma nova representação de liderança nacional. <strong>João Taborda Barata</strong>, docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) e investigador do GIMM (<em>Giga Institute of Molecular Medicine</em>), foi eleito para integrar a direção da <em>European Association for Cancer Research</em> (EACR) e para assumir a presidência da Associação Portuguesa de Investigação em Cancro (ASPIC). Estas distinções refletem o reconhecimento do seu percurso científico e académico, consolidando o contributo da ciência desenvolvida em Portugal para o avanço global do conhecimento em Oncologia.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>À frente do seu laboratório de investigação, o percurso de João Taborda Barata tem sido pautado pela busca de respostas fundamentais sobre os mecanismos biológicos do cancro. A sua linha de investigação foca-se, em particular, na progressão da leucemia, procurando compreender de que forma os sinais externos provenientes do microambiente tumoral e as lesões intrínsecas das próprias células interagem. O trabalho dedica especial atenção à análise das vias de transdução de sinal que regulam a sobrevivência celular e a progressão do ciclo celular.</p>
<p>Com uma vasta experiência no ensino e na supervisão de pós-graduações, o especialista soma mais de 40 publicações em revistas internacionais de elevado impacto com arbitragem científica, entre as quais se destacam títulos de referência mundial como a Blood, Oncogene, Cancer Research, Nature Communications, Nature Immunology e Nature Genetics.</p>
<p>O prestígio científico do novo presidente da ASPIC estende-se à avaliação de ciência e à captação de financiamentos altamente competitivos, destacando-se o facto de ser o investigador principal de bolsas de prestígio como a do <em>European Research Council</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>“Temos todos os dados necessários para integrar o exercício físico no tratamento oncológico”</title>
		<link>https://mediconews.pt/temos-todos-os-dados-necessarios-para-integrar-o-exercicio-fisico-no-tratamento-oncologico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 09:08:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Oncologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os dados recentes destacados no Congresso da ASCO vieram revolucionar o paradigma do acompanhamento na Oncologia ao comprovar que o exercício físico estruturado reduz em 28% o risco de recidiva no cancro do cólon e aumenta a sobrevivência a longo prazo em 37%. Em entrevista, <strong>Maria Teresa Neves</strong>, médica oncologista na ULS Lisboa Ocidental, analisa esta mudança que deita por terra a antiga recomendação de repouso absoluto para estes doentes. Mais do que um ganho clínico e de qualidade de vida, os novos dados de 2026 demonstram que a atividade física supervisionada é altamente custo-efetiva para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), ao evitar internamentos, toxicidades e tratamentos subsequentes dispendiosos. A especialista deixa um apelo: urge criar protocolos hospitalares e parcerias com a comunidade para que o exercício físico seja prescrito como qualquer outro fármaco. Veja a entrevista.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/temos-todos-os-dados-necessarios-para-integrar-o-exercicio-fisico-no-tratamento-oncologico/">“Temos todos os dados necessários para integrar o exercício físico no tratamento oncológico”</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="Dr. MARIA TERESA NEVES_video 1" src="https://player.vimeo.com/video/1207813911?h=349825fc84&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" width="780" height="439" frameborder="0"></iframe><br />
A comunidade médica recebeu os resultados de um ensaio clínico de fase 3 sobre o impacto do exercício físico no doente oncológico com enorme expectativa. Se antes os oncologistas partilhavam da opinião de que a atividade física fazia bem aos doentes, hoje dispõem de dados robustos.</p>
<p>&#8220;O exercício tem um impacto drasticamente significativo. Falamos de uma redução de cerca de 28% na probabilidade de a doença voltar e de um ganho de 37% na sobrevivência a longo prazo”, afirma Maria Teresa Neves.</p>
<p>Especificamente no cancro do cólon, o estudo demonstrou o valor de acrescentar um programa estruturado, individualizado e supervisionado logo após a cirurgia e em complementaridade com a quimioterapia adjuvante.</p>
<p>Historicamente, a debilidade provocada pelos tratamentos levava os médicos a recomendar o descanso. Hoje, a evidência aponta na direção oposta. Embora pareça paradoxal, o exercício físico adaptado é a melhor ferramenta disponível para combater a fadiga oncológica.</p>
<p>Do ponto de vista fisiológico, os mecanismos — embora ainda não totalmente esclarecidos — são multifatoriais e poderosos: ajuda a reduzir a fadiga associada aos tratamentos, melhora os níveis de energia, preserva a massa muscular e aumenta a capacidade funcional, permitindo frequentemente uma melhor tolerância aos tratamentos. A especialista acredita que, pelos mecanismos biológicos envolvidos, estes benefícios são extrapoláveis para outros tumores sólidos.</p>
<p><strong>A realidade nacional: da sensibilização à falta de profissionais</strong><br />
<iframe title="16_MARIA TERESA NEVES_video 2" src="https://player.vimeo.com/video/1207813910?h=36bd054a4c&amp;badge=0&amp;autopause=0&amp;player_id=0&amp;app_id=58479" width="780" height="439" frameborder="0"></iframe><br />
Olhando para o panorama em Portugal, a especialista considera que os oncologistas estão, de uma forma geral, altamente conscientes da importância do tema. O verdadeiro obstáculo já não é a mentalidade, mas sim a escassez de recursos humanos e de estruturas no terreno.</p>
<p>&#8220;Atualmente, conseguimos aconselhar, explicar e tentar motivar o doente, mas isso não é fazer uma intervenção estruturada. Fornecer apenas materiais e folhetos informativos é o equivalente ao que se fez ao grupo de controlo do ensaio&#8221;, lamenta a oncologista. Para que haja um compromisso e um plano individualizado com metas claras (como os 150 minutos semanais do estudo), são necessários profissionais focados e especializados.</p>
<p>Para que o exercício físico seja formalmente integrado no plano terapêutico, à semelhança do que já se faz com as consultas de Nutrição ou de Psicologia Oncológica na primeira abordagem ao doente, o país precisa de investir em profissionais qualificados na área do exercício físico.</p>
<p>A especialista defende duas vias complementares para contornar o atual défice do sistema: integração hospitalar, contratando fisiologistas do exercício especializados e com treino específico em doentes oncológicos para os quadros do SNS, disponibilizando consultas dedicadas dentro dos centros hospitalares; parcerias com a comunidade, criando protocolos céleres com estruturas comunitárias já montadas. Esta via seria, inclusive, mais fácil de escalar, permitindo que os doentes realizassem os seus planos de treino supervisionados perto das suas áreas de residência.</p>
<p><strong>Um futuro sustentável e custo-efetivo</strong></p>
<p>As novidades de 2026 trouxeram um argumento definitivo para convencer as administrações hospitalares e os decisores políticos: a custo-efetividade.</p>
<p>Apesar de exigir um investimento inicial na contratação de profissionais e na montagem dos programas, a estratégia poupa milhares de euros a médio e longo prazo. Ao evitar que a doença volte, travam-se os custos das terapêuticas oncológicas subsequentes, reduzem-se drasticamente os internamentos hospitalares por complicações e mitigam-se toxicidades severas.</p>
<p>&#8220;Temos todos os dados que precisamos para tomar a decisão. O futuro da Oncologia passa obrigatoriamente por aí. Já sabemos que tem benefícios económicos, por isso o passo seguinte tem de ser a ação conjunta de médicos, doentes e administrações para integrarmos o exercício no ecossistema do tratamento&#8221;, conclui Maria Teresa Neves.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quando fazer neoadjuvância no cancro do cólon?</title>
		<link>https://mediconews.pt/quando-fazer-neoadjuvancia-no-cancro-do-colon/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 10:47:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Oncologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><strong>Cidália Pinto</strong> explora a transição de um modelo de decisão baseado apenas no estádio radiológico para uma seleção orientada pelo perfil biológico do tumor. O artigo de opinião destaca o papel crítico do sistema de reparação do ADN (MMR) e os resultados extraordinários da imunoterapia neoadjuvante — que alcançou taxas de resposta patológica de 98% no estudo NICHE-2. Entre a análise de mutações genéticas e a inovação do ctDNA, a oncologista da ULS Algarve explica como a seleção rigorosa dos doentes de maior risco local está a redefinir os padrões de tratamento.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/quando-fazer-neoadjuvancia-no-cancro-do-colon/">Quando fazer neoadjuvância no cancro do cólon?</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O cancro colorretal continua a ser uma das principais causas de morbilidade e mortalidade a nível mundial, com mais de 1,9 milhões de novos casos reportados em 2020. O cancro do cólon localmente avançado constitui um desafio particular, pela extensão da doença, maior complexidade cirúrgica e risco de ressecção incompleta. Historicamente, o tratamento assentava na cirurgia radical seguida de quimioterapia adjuvante. No entanto, estamos a assistir a uma mudança de paradigma. Estudos como o FOxTROT e o OPTICAL demonstraram que a quimioterapia neoadjuvante pode reduzir o risco de morte em 38% e o risco de recidiva em 21%. Além disso, esta abordagem aumenta em 80% a probabilidade de uma cirurgia com margens negativas. Em contrapartida, o estudo NeoCol recordou-nos que esta estratégia não pode ser generalizada: apesar de algum benefício patológico e da redução da necessidade de quimioterapia adjuvante em parte dos doentes, não demonstrou superioridade clara em sobrevivência livre de doença face à cirurgia upfront.</p>
<p>Assim, a neoadjuvância no cólon não deve ser entendida como novo standard universal, mas antes como uma opção seletiva para doentes de maior risco local. Essa seleção já não depende apenas da extensão da doença, sendo hoje também orientada pelo perfil biológico do tumor, nomeadamente pelo estado do sistema de reparação do ADN (MMR). Os tumores pMMR parecem concentrar a maior parte do benefício da quimioterapia pré-operatória, com taxas de resposta patológica major na ordem dos 22%. Já nos tumores dMMR, a quimioterapia convencional tem eficácia limitada, mas é precisamente aqui que a imunoterapia neoadjuvante revela resultados extraordinários. Dados do estudo NICHE-2 mostraram uma taxa de resposta patológica de 98% neste subgrupo. Uma das observações mais surpreendentes, reforçada pelo estudo NICHE publicado em 2025, é que mesmo uma fração dos doentes pMMR, cerca de 26%, poderá responder à imunoterapia combinada, sobretudo aqueles com mutações no gene TP53 e elevada instabilidade genómica. Esta evidência abre a porta a uma seleção futura baseada em biomarcadores moleculares e não apenas no estádio radiológico.</p>
<p>De forma complementar, a inovação estende-se à monitorização através do ctDNA, ou ADN tumoral circulante. A sua deteção e subsequente eliminação após o tratamento neoadjuvante poderão funcionar como preditor robusto de resposta patológica, permitindo ajustar a estratégia terapêutica em tempo real. Em suma, a transição para uma abordagem multidisciplinar e seletiva no cancro do cólon não é apenas uma opção, mas uma necessidade. Ao tratarmos precocemente a doença micrometastática e ao otimizarmos as condições cirúrgicas, aproximamo-nos cada vez mais de uma medicina de precisão centrada na sobrevivência e na qualidade de vida.</p>
<p>Artigo publicado originalmente no Jornal do Congresso dedicado aos Encontros da Primavera 2026.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Novas terapêuticas redefinem o tratamento do cancro do endométrio</title>
		<link>https://mediconews.pt/novas-terapeuticas-redefinem-o-tratamento-do-cancro-do-endometrio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2026 15:34:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Oncologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><strong>Diana Neto da Silva</strong>, da ULS Loures-Odivelas, levou aos Encontros da Primavera 2026 o tema “Tratamento de primeira linha no endométrio avançado: como escolher” e refletiu que os avanços recentes no tratamento de primeira linha estão a transformar o prognóstico das doentes, com novas combinações terapêuticas e investigação em curso a abrir caminho a abordagens mais eficazes. Assista à entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O tratamento do cancro do endométrio tem conhecido uma evolução significativa nos últimos anos, deixando para trás uma abordagem limitada e abrindo portas a novas estratégias terapêuticas mais promissoras. “O tratamento de primeira linha do cancro do endométrio, até há uns anos, não era muito entusiasmante. Tínhamos só combinações de quimioterapia e agora a revolução da imunoterapia veio mudar os resultados nesta população”, explicou a especialista.</p>
<p>A inovação não se fica pela imunoterapia. Novas classes de fármacos começam também a ganhar espaço e a levantar novas hipóteses de tratamento. “A introdução de novas terapêuticas, como os inibidores da PARP, levanta aqui novas questões e poderá trazer também benefício a um subtipo de população”, acrescentou Diana Neto da Silva.</p>
<p>Entre as principais conclusões da apresentação, destaca-se a mudança no padrão de tratamento. “As combinações de quimioterapia com imunoterapia são agora o novo standard of care”, afirmou. No entanto, os benefícios não são uniformes em todas as doentes. “A população dMMR parece ser aquela que mais beneficia”, referiu, apontando desafios ainda por resolver: “Temos muitos desafios pela frente com a população pMMR, que parece ser muito heterogénea”, salienta.</p>
<p>Ainda assim, o horizonte é encorajador. “Poderá beneficiar aqui de outros alvos terapêuticos que ainda estão em desenvolvimento e o futuro parece promissor, com novos estudos e novos alvos terapêuticos”, concluiu.</p>
<p>Os Encontros da Primavera 2026 decorreram de 15 a 18 de abril, em Évora.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>IA como aliada da Medicina humanizada</title>
		<link>https://mediconews.pt/ia-como-aliada-da-medicina-humanizada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2026 14:52:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Oncologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A inteligência artificial já não é uma promessa de futuro, mas uma realidade que exige uma preparação profunda tanto na formação médica como na infraestrutura das instituições. A sessão “IA: da moda à realidade: aplicação no mundo real”, contou com a moderação de <strong>Ana Varges Gomes</strong>, da ULS do Algarve, numa reflexão sobre a criação de plataformas seguras que permitam aos profissionais de saúde otimizar o tempo gasto em tarefas burocráticas, libertando-os para o que é essencial. Esta tecnologia surge como uma ferramenta para resolver problemas práticos do quotidiano clínico, permitindo chegar a mais doentes com maior eficácia. Assista à entrevista.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“A inteligência artificial na Medicina será sempre human-centered. Tem que ser sempre com base num profissional porque é preciso ter um espírito crítico para poder perceber se há um erro naquela informação que a IA nos pode dar”, salientou. Apesar do avanço tecnológico, o papel do médico permanece insubstituível na curadoria dos dados e na tomada de decisão final. A responsabilidade clínica e o espírito crítico são as barreiras necessárias para garantir que a inovação não comprometa a segurança.</p>
<p>Ana Varges Gomes reforçou que a IA ajuda a sistematizar informação, mas a interpretação e a aplicação dessa inteligência dependem exclusivamente da formação e experiência do profissional de saúde.</p>
<p>A desmistificação de que a tecnologia substituiria os recursos humanos é outro ponto central desta reflexão. O objetivo não é eliminar o fator humano, mas sim potenciá-lo através de uma melhor gestão de recursos e da eliminação de processos sem valor acrescentado. Como conclui a especialista, o futuro passa por utilizar todas as ferramentas disponíveis para tratar mais e melhor os doentes, “não perdendo, obviamente, a parte do humanismo como há de ser próprio da Medicina”.</p>
<p>Os Encontros da Primavera 2026 decorrem de 15 a 18 de abril, em Évora.</p>
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		<item>
		<title>“Temos dados de sobrevivência global significativos” da imunoterapia no tratamento do cancro do colo do útero</title>
		<link>https://mediconews.pt/temos-dados-de-sobrevivencia-global-significativos-da-imunoterapia-no-tratamento-do-cancro-do-colo-do-utero/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2026 14:03:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Oncologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O tratamento do cancro do colo do útero atravessa uma fase de evolução significativa com a consolidação da imunoterapia em diferentes cenários clínicos. <strong>Isabel Fernandes</strong>, da ULS do Arco Ribeirinho, no Barreiro, e da ULS do Algarve, em Faro, participou nos Encontros da Primavera 2026 com o tema “Imunoterapia no tratamento do cancro do colo do útero”, fazendo um levantamento daquilo que o KN-A18 e KN-826 indicam. Assista à entrevista.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No contexto da doença localmente avançada, os dados do estudo KN-A18 vieram potenciar os resultados já positivos da quimiorradioterapia, elevando as taxas de sucesso sem comprometer a segurança das doentes. Esta inovação permite responder à ambição da comunidade médica em alcançar patamares de sobrevivência ainda mais robustos, mantendo um perfil de toxicidade perfeitamente gerível. “Sabemos que 75% das doentes estavam curadas com quimiorradioterapia. Mas nós queremos sempre mais e realmente a imunoterapia vai trazer isso. Já temos dados de sobrevivência global estatisticamente significativos, sem um grande acréscimo de toxicidade”, destaca Isabel Fernandes.</p>
<p>No cenário da doença recorrente ou metastática, a utilização desta abordagem já se estabeleceu como o standard of care. Esta mudança de paradigma foi sustentada pelos resultados do estudo KN-826, que reforçou a importância de associar a imunoterapia à quimioterapia na prática clínica diária. A confiança nestes dados serve de base para o que se segue na investigação oncológica, onde se procura constantemente refinar as opções disponíveis para doentes que enfrentam situações de maior complexidade.</p>
<p>O futuro da área aponta para caminhos inovadores que prometem revolucionar ainda mais o prognóstico desta patologia. Embora o presente já ofereça soluções eficazes com os regimes baseados em imunoterapia, a investigação caminha agora para fronteiras mais complexas. Como antecipa o orador, o foco vira-se para novas promessas terapêuticas: “Será certamente um futuro para as vacinas terapêuticas e para as CAR T Cells, mas ainda aguardamos os ensaios de fase três para consolidar este caminho longo e difícil”, refere.</p>
<p>Os Encontros da Primavera 2026 decorrem de 15 a 18 de abril, em Évora.</p>
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		<item>
		<title>Um percurso construído sem atalhos: o “road map” de Nuno Bonito na Oncologia portuguesa</title>
		<link>https://mediconews.pt/um-percurso-construido-sem-atalhos-o-road-map-de-nuno-bonito-na-oncologia-portuguesa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 14:58:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Oncologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Recém-eleito presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) para o biénio 2026-2028,<strong> Nuno Bonito</strong> revisita o seu trajeto com a serenidade de quem olha para trás não apenas para contar uma história, mas para propor um mapa. O “road map” de um percurso feito de rigor, escolhas ponderadas, ausência de atalhos e uma prioridade que nunca oscilou: o doente. Reservado na forma de comunicar, sólido no pensamento e avesso a qualquer dramatização, oferece às novas gerações um retrato de construção profissional num território — o da Oncologia — em permanente transformação.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Convicção precoce e foco constante</strong></p>
<p>A decisão de seguir Medicina surgiu cedo. “Nunca tive outra ideia do que queria ser quando fosse grande”, recorda. Sem referências familiares na área — “muito pelo contrário”, confidencia — a escolha foi inteiramente sua e manteve-se firme. O ensino secundário foi vivido sob a disciplina de quem tinha um objetivo claro e uma porta altamente competitiva a atingir.</p>
<p>Ingressa na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, onde descobre um equilíbrio que lhe tinha faltado na fase anterior: “Diverti-me bastante durante os anos em que fui estudante”, afirma, descrevendo esse período como marcante na formação pessoal e na construção do olhar clínico. Ainda assim, mantém uma leitura crítica da formação pré-graduada. “A Medicina aprende-se a trabalhar”, sublinha — uma distinção que moldaria todas as decisões seguintes.</p>
<p><strong>Da indefinição à escolha: o papel estruturante da Medicina Interna</strong></p>
<p>Concluído o curso, a especialidade não estava ainda definida. Sabia, contudo, que queria contacto direto com doentes e que não seguiria uma via cirúrgica. O internato geral tornou-se decisivo: “Foi extremamente importante”, afirma. A entrada em Medicina Interna reforçou a construção de raciocínio clínico e funcionou como matriz para aquilo que viria a seguir.</p>
<p>A Oncologia surgiu gradualmente, a partir do contacto diário com colegas que já trabalhavam na área. “Não foi uma revelação súbita. Fui percebendo, cada vez mais, que era ali que fazia sentido estar.” A mudança para a especialidade de Oncologia Médica, numa fase avançada do internato de Medicina Interna, traduz essa evolução natural — não linear, mas profundamente consistente.</p>
<p><strong>Aprender em diferentes geografias: a importância de não ficar num único centro</strong></p>
<p>Antes de se fixar no IPO de Coimbra, passou por serviços hospitalares de diferentes regiões — Aveiro, Viseu e Torres Novas. Essa diversidade não foi apenas circunstancial: foi determinante para compreender “as principais dificuldades que alguns hospitais sentem na área da Oncologia”.</p>
<p>Ao mesmo tempo, manteve ligação à Urgência e Emergência Médica, área pela qual possui não apenas gosto, mas formação estruturada — obtendo, em 2009, a Competência em Emergência Médica da Ordem dos Médicos. Essa componente transversal acompanha-o até hoje, reforçando capacidades de decisão rápida e leitura de gravidade clínica.</p>
<p><strong>Formação contínua: colmatar lacunas, não acumular títulos</strong></p>
<p>A pós-graduação em Oncologia Médica, no ICBAS – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, em 2007, surge como oportunidade bem aproveitada durante um estágio no Porto — “um pouco oportunista”, admite. Mas, mais do que o título, valorizou a exposição ao ambiente académico e ao estímulo da investigação: “Há sempre uma semente.”</p>
<p>A sua formação posterior segue a mesma lógica: identificar lacunas e preenchê-las. Assim concluiu o Mestrado em Oncologia Clínica, no ICBAS, e inicia, em 2024, o Doutoramento em Ciências da Saúde, na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, reforçando uma trajetória científica paralela à atividade clínica.</p>
<p>Além disso, decide fazer formação em Nutrição Clínica para Médicos Hospitalares, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, juntando assim mais uma peça no puzzle formativo que define como “pragmático e orientado para necessidades reais”.</p>
<p><strong>Docência: a experiência na Universidade Católica Portuguesa </strong></p>
<p>Uma componente muitas vezes menos visível do seu percurso — mas essencial na sua construção profissional — é a docência universitária. De 2007 a 2012, Nuno Bonito integrou o corpo docente do Mestrado Integrado em Medicina Dentária da Universidade Católica Portuguesa, no Centro Regional das Beiras. Lecionou, ao longo desses anos, as disciplinas de “Patologia Clínica e Terapêutica Médica” e “Suporte Básico e Avançado de Vida”.  Essa experiência — feita em simultâneo com a construção do percurso clínico — contribuiu para sedimentar competências pedagógicas, sistematizar conhecimento e consolidar um olhar formativo sobre as novas gerações de profissionais de saúde.</p>
<p><strong>IPO de Coimbra: exigência, autonomia e liderança</strong></p>
<p>Em 2009 chega ao IPO de Coimbra, instituição que se tornaria o seu centro gravitacional. O percurso, contudo, não foi imediato nem fácil. “Foi muito trabalhado”, afirma. A afirmação é sustentada pelos factos e pelas funções que foi desempenhando na instituição, nomeadamente, entre 2018 e 2025, como coordenador do Grupo Multidisciplinar de Cancro Digestivo, acumulando ainda a coordenação do Centro de Referência de Cancro do Reto. Em 2018, Nuno Bonito torna-se assistente graduado, passando a assistente graduado sénior em 2025. Um importante momento no seu percurso e liderança acontece a 10 de setembro de 2024, com a nomeação de Diretor do Serviço de Oncologia Médica. Para assumir essa responsabilidade, procurou formação específica, que culminou na obtenção da Competência em Gestão dos Serviços de Saúde (2025). Ainda assim, mantém a sua linha de força: “Não me vejo a fazer outra coisa senão ver doentes.”</p>
<p><strong>Especialização inevitável: quando os tumores digestivos o escolheram</strong></p>
<p>A dedicação aos tumores digestivos não foi escolha estratégica, mas um processo orgânico. “Os tumores digestivos escolheram-me”, resume.</p>
<p>Numa fase inicial da carreira, manteve prática mais abrangente; porém, a crescente complexidade da Oncologia tornou a hiperespecialização uma necessidade.</p>
<p>Ainda assim, defende que a formação inicial deve ser ampla — só depois deve afunilar.</p>
<p><strong>O doente como eixo central</strong></p>
<p>A relação com os doentes permanece o núcleo da sua identidade profissional. “Aprendo imenso com os doentes”, afirma.</p>
<p>Conviver diariamente com fragilidade humana altera o modo como se percebem prioridades e problemas: “Há situações que as pessoas consideram problemas que, para mim, não são problemas.” Não é distanciamento — é lucidez. E a lucidez, no seu caso, desemboca sempre na mesma ideia: empatia.</p>
<p><strong>Clínica, gestão e liderança: integrar para transformar</strong></p>
<p>A acumulação de competências permite-lhe articular visão clínica e visão organizacional. Um exemplo é o tema que identifica como crítico enquanto presidente da SPO: a referenciação de doentes oncológicos para cuidados intensivos. “O doente oncológico não pode ser excluído apenas por ter cancro.”</p>
<p>O que deve determinar a decisão, sublinha, é “o potencial de reversibilidade do quadro agudo”. Defende, por isso, um “debate nacional mais assertivo” e maior articulação entre especialidades.</p>
<p><strong>O equilíbrio possível: reserva, humor e o canto como terapêutica</strong></p>
<p>No registo pessoal, revela uma forma de equilíbrio que combina contenção, humor subtil e algo inesperado: “Para mim, algo terapêutico é o canto.”</p>
<p>A compartimentação — “funciono por gavetas” — ajuda a gerir a multiplicidade de papéis. Reconhece custos pessoais, mas garante momentos de qualidade onde importa.</p>
<p><strong>Um percurso normal — mas nada comum</strong></p>
<p>Recusa a ideia de excecionalidade. Descreve o caminho como “perfeitamente normal”, mesmo sabendo que foi exigente e, por vezes, irregular. O que retém desses momentos não são obstáculos, mas aprendizagem. Como afirma: “Temos que retirar das contrariedades aquilo que é positivo e continuar a evoluir.” No final, a essência mantém-se cristalina: “Se tivesse que escolher novamente, escolheria Medicina. E escolheria, outra vez, Oncologia Médica.” Um percurso sem atalhos. E com um eixo imutável: tratar doentes.</p>
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