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	<title>Arquivo de Hepatologia - Médico News</title>
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	<description>Dar voz à experiência clínica dos profissionais de saúde no nosso país, através de depoimentos dos key opinion leaders das respetivas especialidades.</description>
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	<title>Arquivo de Hepatologia - Médico News</title>
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		<title>MASH em foco no CPH 2026: abordagem multidisciplinar, evidência emergente e perspetivas terapêuticas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2026 11:39:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hepatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Novo Nordisk promoveu, a 27 de março, um simpósio no Congresso Português de Hepatologia 2026 (CPH 2026 / 29.ª Reunião Anual da APEF), realizado na Figueira da Foz, centrado na abordagem multidisciplinar da esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH) e no papel emergente do semaglutido neste contexto. Sob o tema “Turning the Tide on MASH: Why is Semaglutide ESSENCEtial”, a sessão, moderada por <strong>Helena Cortez-Pinto</strong> (Clínica Universitária de Gastrenterologia, ULS Santa Maria), contou com as apresentações de <strong>Mariana V. Machado</strong> (ULS Estuário do Tejo), <strong>Elisabetta Bugianesi</strong> (Universidade de Turim, Itália) e <strong>Paula Freitas</strong> (FMUP, ULS São João).</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/mash-em-foco-no-cph-2026-abordagem-multidisciplinar-evidencia-emergente-e-perspetivas-terapeuticas/">MASH em foco no CPH 2026: abordagem multidisciplinar, evidência emergente e perspetivas terapêuticas</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Devemos manejar estes doentes em equipas multidisciplinares da mesma forma que manejamos os doentes com cancro”</strong></p>
<p>Mariana Verdelho Machado abriu a sua apresentação com uma mensagem de enquadramento epidemiológico: cerca de um terço da população mundial tem doença hepática esteatótica associada a disfunção metabólica (MASLD), e esta não pode ser pensada como doença exclusivamente hepática.(1) Sublinhou que fatores cardiometabólicos como obesidade, diabetes, dislipidemia e hipertensão contribuem tanto para a incidência, como para a progressão da MASLD, uma doença que acarreta uma mortalidade por todas as causas quase duas vezes superior à da população geral, com a doença cardiovascular e o cancro extra-hepático a emergirem, em termos absolutos, como as principais causas de morte, dados que por si só justificam uma abordagem que vai muito além da Hepatologia.(2)</p>
<p>A oradora detalhou de seguida o papel dos fatores cardiometabólicos. A diabetes associa-se a risco de descompensação hepática quase duas vezes superior e de carcinoma hepatocelular quase cinco vezes superior; a hipertensão, frequentemente subestimada neste contexto, aumenta significativamente o risco de progressão da fibrose, de eventos cardiovasculares e de eventos hepáticos.(3–5) De notar que o número de fatores cardiometabólicos contribui para a MASLD, contudo o seu peso difere: a hipertensão surge como fator mais ligado ao risco de cirrose, enquanto a diabetes se destaca no risco de carcinoma hepatocelular.(4,5)</p>
<p>Esta relação é, segundo a especialista, bidirecional: em sentido inverso, a MASLD aumenta o risco de doença cardiovascular e de cancros extra-hepáticos, e a sua reversão parece associar-se a redução do risco de cancro em alguns estudos observacionais.(6–8) Por outro lado, dados experimentais sugerem que o enfarte agudo do miocárdio pode acelerar a progressão da MASH.(9) Desta evidência decorre a implicação prática central da apresentação: tratar a MASLD é inseparável de tratar o doente na sua globalidade.</p>
<p>Para a prática clínica, a especialista propôs uma abordagem estruturada que inclui:</p>
<ul>
<li>intervenção dietética com padrão mediterrânico, associado a menor risco de progressão de fibrose e de eventos hepáticos;(10,11)</li>
<li>restrição do consumo de bebidas açucaradas; no caso do álcool, o risco de mortalidade aumenta na presença de fibrose, mesmo com consumo reduzido;(12–14)</li>
<li>atividade física regular, que mesmo em formatos flexíveis como o exercício concentrado ao fim de semana demonstra benefício semelhante ao exercício diário;(15,16)</li>
<li>avaliação anual de obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia e risco cardiovascular com recurso ao SCORE2.(17,18)</li>
</ul>
<p>No domínio farmacológico, a oradora destacou que em doentes com MASLD e diabetes os agonistas do recetor do GLP-1 e os inibidores de SGLT2 são as opções preferenciais, mas com graus de evidência distintos: apenas os agonistas do recetor do GLP-1 têm eficácia comprovada em ensaios de fase III na melhoria da fibrose e na resolução da esteatohepatite.(19,20) As estatinas, acrescentou, não devem ser evitadas; pelo contrário, o seu uso em doentes com MASLD associa-se a menor risco de progressão da fibrose, de eventos hepáticos e de mortalidade global, com benefício cardiovascular particularmente pronunciado nesta população.(21,22)</p>
<p>A oradora concluiu reforçando que o semaglutido, além da eficácia histológica na MASLD, apresenta benefício cardiovascular demonstrado, conferindo-lhe uma vantagem particular neste contexto de risco multissistémico.(23,24) A mensagem final foi inequívoca: “Devemos manejar estes doentes da mesma forma que manejamos os doentes com cancro”, com equipa multidisciplinar, visão integrada e intervenção abrangente sobre todos os fatores de risco modificáveis.</p>
<p><strong>Nova era no tratamento da MASH</strong></p>
<p>Elisabetta Bugianesi estruturou a sua apresentação em torno de uma questão central: quem deve ser tratado farmacologicamente para MASH, uma forma mais agressiva da MASLD, e com quê? O ponto de partida é a definição de MASH de alto risco para doentes com fibrose F2 ou F3, porque estes estádios aumentam a mortalidade relacionada com o fígado: mais de 6 vezes em F2 e mais de 11 vezes em F3.(25) A aprovação de fármacos assenta numa primeira fase em <em>endpoints</em> histológicos substitutos (resolução da MASH sem agravamento da fibrose e/ou melhoria da fibrose sem agravamento da esteatohepatite) – aprovação condicional, ficando a aprovação definitiva dependente de resultados clínicos de longo prazo (ensaios de <em>outcomes</em> hepáticos).(26)</p>
<p>Neste contexto, a FDA aprovou dois fármacos para MASH com fibrose F2–F3, o resmetirom em 2024, um agonista do recetor-β da hormona tiroideia, também aprovado pela EMA em 2025, e o semaglutido, um agonista do recetor do GLP-1, aprovado pela FDA em 2025 e já submetido para aprovação à EMA.(27–31)</p>
<p>O GLP-1 atua em múltiplos órgãos, incluindo cérebro, pâncreas, coração e tecido adiposo.(32) Os efeitos do semaglutido na MASH são clinicamente significativos, conforme verificado no ensaio de fase III ESSENCE (semaglutido 2,4 mg/semana, 72 semanas, doentes com MASH F2–F3) que demonstrou, <em>versus</em> placebo, resultados robustos nos seus dois <em>endpoints</em> primários:(19)</p>
<ul>
<li>resolução da MASH sem agravamento da fibrose: 62,9% vs 34,3%, p&lt;0,001;</li>
<li>melhoria da fibrose ≥1 estádio sem agravamento da esteatohepatite: 36,8% vs 22,4%, p&lt;0,001.</li>
</ul>
<p>O benefício foi consistente nos subgrupos analisados, independentemente de idade, sexo, grau inicial de fibrose e índice de massa corporal. O semaglutido reduziu também o peso corporal em 10,5% vs 2% no placebo, melhorou a HbA1c em doentes com diabetes tipo 2 (cerca de 55% dos doentes aleatorizados). Adicionalmente, numa análise de um subgrupo de risco para fibrose substancial do ensaio SELECT (FIB-4 ≥1,3 ou ≥2,0 de acordo com a idade) o semaglutido associou-se a uma redução de 21% no risco de eventos cardiovasculares major (MACE).(19,33) O perfil de segurança foi o expectável para a classe, com náuseas, diarreia, obstipação e vómitos como eventos mais frequentes, e ligeiro aumento de eventos relacionados com a vesícula biliar.(19)</p>
<p>A especialista salientou que o efeito do semaglutido não parece explicar-se apenas pela perda ponderal, conforme verificado em análises de mediação e demonstrado por dados mecanísticos e proteómicos que sugerem que os benefícios não se explicam exclusivamente pela perda de peso ou melhoria dos parâmetros cardiometabólicos, havendo impacto direto de semaglutido em vias associadas à inflamação e fibrose.(19,34,35)</p>
<p>Posteriormente, a professora na Universidade de Turim falou dos critérios de seleção e monitorização das terapêuticas já existentes – resmetirom e semaglutido, de acordo com as diretrizes da AASLD:(36,37)</p>
<ul>
<li>recomendam-se em doentes com rigidez hepática (LSM) avaliada por VCTE entre 8 e 15 kPa e/ou com MASH F2-F3 demonstrada por análise histológica; no caso de semaglutido, está também recomendado se ELF 9,2–10,5;</li>
<li>não se recomendam em doentes com LSM avaliada por VCTE &gt;20 kPa (sugestivo de cirrose) ou com doença hepática ativa concomitante; no caso de resmetirom também não se recomenda caso haja doença tiroideia ativa ou consumo excessivo de álcool (&gt;20 g/dia nas mulheres e &gt;30g/dia nos homens); no caso de semaglutido, não está recomendado na gravidez, caso haja história pessoal ou familiar de carcinoma medular da tiroide ou caso o doente tenha síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2).</li>
<li>Quanto à avaliação da resposta, esta deve ser feita aos 12 meses – resmetirom, ou às 72 semanas – semaglutido. No caso do resmetirom, considera-se que há benefício se houver uma redução na LSM avaliada por VCTE ≥25% e/ou uma normalização ou melhoria significativa na ALT. No caso do semaglutido, o tratamento é considerado benéfico se houver uma redução na LSM avaliada por VCTE ≥30%, uma diminuição no ELF ≥0,5, ou uma descida na ALT ≥17U/L ou ≥20%.</li>
</ul>
<p>Elisabetta Bugianesi encerrou reafirmando a visão integrada: as diretrizes estratificam as decisões terapêuticas pelo grau de fibrose, sem indicação de terapêutica específica para a MASH em caso de cirrose descompensada.(38) O objetivo da terapêutica não é apenas melhorar um <em>endpoint</em> histológico, mas sim melhorar a saúde global e a qualidade de vida do doente.</p>
<p><strong>“A obesidade é a mãe de todas estas doenças”</strong></p>
<p>Paula Freitas abriu a sua apresentação com uma pergunta direta: “a obesidade é uma doença”? A resposta foi inequívoca: a obesidade é uma doença crónica, progressiva e multissistémica, caracterizada por excesso de adiposidade com compromissos funcionais, médicos e psicossociais, e cujo diagnóstico não pode assentar exclusivamente no índice de massa corporal (IMC).(39) O IMC é uma ferramenta de rastreio, não de diagnóstico, devendo a avaliação integrar outras métricas antropométricas, como a razão cintura/estatura, e considerar as comorbilidades presentes nos quatro domínios designados por 4M: Mental, Mecânico, Metabólico e Monetário.(40–42)</p>
<p>O órgão central da obesidade é o cérebro e um dos seus sintomas principais é a fome. O peso corporal tem uma forte componente hereditária – 40–70%, e muitos dos genes associados à obesidade expressam-se predominantemente no sistema nervoso central, regulando os circuitos homeostático e hedónico do apetite.(43,44) No ambiente obesogénico atual, esta suscetibilidade genética colide com a disponibilidade permanente de alimentos ultraprocessados, perpetuando a doença: quando se faz dieta, a manutenção da perda ponderal é dificultada por adaptações biológicas compensatórias.(45)</p>
<p>Esta biologia explica por que razão cerca de 1 mil milhões de pessoas vivem com obesidade em todo o mundo, e por que razão mais de 80% dos doentes com MASH têm obesidade.(46,47) O tecido adiposo começa por ser uma “vítima” da doença, mas torna-se o seu motor ou um “vilão”: quando se hipertrofia, produz adipocinas pró-inflamatórias, aumenta os ácidos gordos livres circulantes e reduz a adiponectina, desencadeando no fígado os fenómenos de lipotoxicidade, inflamação, stress oxidativo e fibrogénese, que contribuem para o desenvolvimento de MASH.(48)</p>
<p>“A um doente com asma não se diz não tussa e respire melhor; trata-se a asma e, consequentemente, ele deixa de tossir”, ilustrou a endocrinologista. De acordo com a especialista, ressalvando as necessárias intervenções nutricionais e de atividade física, o mesmo raciocínio se aplica à obesidade: “dizer ao doente que coma menos e se mexa mais não é tratamento”, confundindo-se o objetivo com o processo terapêutico.(49) O tratamento assenta em três pilares: terapia cognitiva comportamental, farmacoterapia e cirurgia bariátrica, sendo a dieta e o exercício <em>outcomes</em> desse tratamento, não o tratamento em si.(39)</p>
<p>No plano farmacológico, Paula Freitas destacou o semaglutido como um dos fármacos com evidência mais robusta no tratamento da obesidade, com eficácia dose-dependente: no ensaio STEP UP, a dose de 7,2 mg/semana produziu uma perda de peso média de 20,7%, com cerca de um terço dos participantes a perderem ≥25% do peso corporal.(50,51)</p>
<p>Acrescentou, ainda, que os benefícios do semaglutido em diferentes ensaios vão muito além da perda ponderal:</p>
<ul>
<li>redução de 19% do risco de mortalidade por todas as causas (SELECT);(52)</li>
<li>redução de 20% dos eventos cardiovasculares major (SELECT);(52)</li>
<li>reversão de pré-diabetes em 81% dos casos (STEP 10);(53)</li>
<li>redução de 22% em eventos renais major (SELECT);(54)</li>
<li>melhoria da fibrose sem agravamento da esteatohepatite em 37% dos casos e ,resolução da MASH sem agravamento da fibrose em 63% dos casos (ESSENCE).(19)</li>
</ul>
<p>Além disso, a endocrinologista destacou o favorável perfil de perda ponderal conseguido com semaglutido: 84,4% da perda de peso provém de massa adiposa (com redução de 25% da gordura total e de 31% da gordura visceral), com preservação da função muscular documentada por testes funcionais, o que proporcionam alterações muito favoráveis da composição corporal.(50)</p>
<p>No que concerne à implementação de semaglutido na prática clínica, a presidente da SPEDM apresentou várias dicas práticas:</p>
<ul>
<li>a titulação deve ser progressiva e mensal: de 0,25; 0,5; 1,0; 1,7; até 2,4 mg/semana, podendo subir-se a dose conforme o necessário e tolerado;(31)</li>
<li>previamente ao início da terapêutica, deve fazer-se uma avaliação que inclua o metabolismo glicídico e lipídico, a função hepática e renal, FIB-4, pro-BNP, e que permita excluir casos de hipotiroidismo e hipercortisolismo;</li>
<li>para minimizar e gerir efeitos adversos gastrointestinais deve recomendar-se: hidratação adequada, refeições pequenas e frequentes, aumento do aporte de fibras, evicção de alimentos gordurosos e bebidas alcoólicas; se necessário pode considerar-se o uso criterioso de inibidores da bomba de protões, procinéticos ou laxantes quando a medidas dietéticas se revelem insuficientes.</li>
</ul>
<p>Paula Freitas encerrou com a mensagem que percorreu todo o simpósio: “a obesidade é de facto responsabilidade de todos nós e o tratamento da obesidade deve começar-se já hoje”, porque tratar a obesidade é, simultaneamente, tratar a hipertensão, a dislipidemia,  o risco cardiovascular e a doença hepática esteatótica.</p>
<p><strong>Referências</strong></p>
<p>1. Ho GJK, Tan FXN, Sasikumar NA, Tham EKJ, Ko D, Kim DH, et al. High Global Prevalence of Steatotic Liver Disease and Associated Subtypes: A Meta-analysis. Clin Gastroenterol Hepatol. 2025;23(13):2423-2432.e1. doi: 10.1016/j.cgh.2025.02.006; 2. Issa G, Shang Y, Strandberg R, Hagström H, Wester A. Cause-specific mortality in 13,099 patients with metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease in Sweden. J Hepatol. 2025 Sep;83(3):643-651. doi: 10.1016/j.jhep.2025.03.001; 3. Huang DQ, Noureddin N, Ajmera V, Amangurbanova M, Bettencourt R, Truong E, et al. Type 2 diabetes, hepatic decompensation, and hepatocellular carcinoma in patients with non-alcoholic fatty liver disease: an individual participant-level data meta-analysis. Lancet Gastroenterol Hepatol. 2023 Sep;8(9):829-836. doi:10.1016/S2468-1253(23)00157-7; 4. Kanwal F, Kramer JR, Li L, Dai J, Natarajan Y, Yu X, et al. 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Modulation of metabolic, inflammatory and fibrotic pathways by semaglutide in metabolic dysfunction-associated steatohepatitis. Nat Med. 2025;31(9):3128-3140. doi: 10.1038/s41591-025-03799-0; 35. Michel M, Schattenberg JM. Semaglutide targets MASH molecular pathways beyond weight loss. Nat Med. 2025 Sep;31(9):2865-2866. doi: 10.1038/s41591-025-03927-w; 36. Chen VL, Morgan TR, Rotman Y, Patton HM, Cusi K, Kanwal F, et al. Resmetirom therapy for metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease: October 2024 updates to AASLD Practice Guidance. Hepatology. 2025;81(1):312-320. doi: 10.1097/HEP.0000000000001112; 37. Bansal MB, Patton H, Morgan TR, Carr RM, Dranoff JA, Allen AM. Semaglutide therapy for metabolic dysfunction-associated steatohepatitis: November 2025 updates to AASLD Practice Guidance. Hepatology. 2026;83(5):1326-1340. doi: 10.1097/HEP.0000000000001608; 38. Tacke F, Horn P, Wai-Sun Wong V, Ratziu V, Bugianesi E, Francque S, et al. EASL–EASD–EASO Clinical Practice Guidelines on the management of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD). J Hepatol. 2024;81(3):492-542. doi: 10.1016/j.jhep.2024.04.031; 39. Wharton S, Lau DCW, Vallis M, Sharma AM, Biertho L, Campbell-Scherer D, et al. Obesity in adults: a clinical practice guideline. CMAJ. 2020;192(31):E875-E891. doi: 10.1503/cmaj.191707; 40. Rubino F, Cummings DE, Eckel RH, Cohen RV, Wilding JPH, Brown WA, et al. Definition and diagnostic criteria of clinical obesity. Lancet Diabetes Endocrinol. 2025;13(3):221-262. doi: 10.1016/S2213-8587(24)00316-4; 41. Busetto L, Dicker D, Frühbeck G, Halford JCG, Sbraccia P, Yumuk V, et al. A new framework for the diagnosis, staging and management of obesity in adults. Nat Med. 2024;30(9):2395-2399. doi: 10.1038/s41591-024-03095-3; 42. Rueda-Clausen CF, Poddar M, Lear SA, Poirier P, Sharma AM. Canadian Adult Obesity Clinical Practice Guidelines: Assessment of People Living with Obesity. Disponível em: https://obesitycanada.ca/wp-content/uploads/2025/03/6-Canadian-Adult-Obesity-CPG-Obesity-Assessment.pdf; 43. Wardle J, Carnell S, Haworth CM, Plomin R. Evidence for a strong genetic influence on childhood adiposity despite the force of the obesogenic environment. Am J Clin Nutr. 2008;87(2):398-404. doi: 10.1093/ajcn/87.2.398; 44. Loos RJF, Yeo GSH. The genetics of obesity: from discovery to biology. Nat Rev Genet. 2022;23(2):120-133. doi: 10.1038/s41576-021-00414-z; 45. Nordmo M, Danielsen YS, Nordmo M. The challenge of keeping it off, a descriptive systematic review of high-quality, follow-up studies of obesity treatments. Obes Rev. 2020;21(1):e12949. doi: 10.1111/obr.12949; 46. World Obesity Federation. World Obesity Atlas. 2022. [Internet]. Disponível em: https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/wof-files/World_Obesity_Atlas_2022.pdf; 47. Younossi Z, Aggarwal P, Shrestha I, Fernandes J, Johansen P, Augusto M, et al. The burden of non-alcoholic steatohepatitis: A systematic review of health-related quality of life and patient-reported outcomes. JHEP Rep. 2022 Jun 15;4(9):100525. doi: 10.1016/j.jhepr.2022.100525; 48. Polyzos SA, Kountouras J, Mantzoros CS. Obesity and nonalcoholic fatty liver disease: From pathophysiology to therapeutics. Metabolism. 2019 Mar;92:82-97. doi: 10.1016/j.metabol.2018.11.014; 49. Obesity Canada. International Obesity Collaborative Consensus Statement: Obesity Care vs Weight Loss [Internet]. Disponível em: https://obesitycanada.ca/oc-news/consensus-statement-obesity-care-vs-weight-loss/; 50. Wharton S, Freitas P, Hjelmesæth J, Kabisch M, Kandler K, Lingvay I, et al. Once-weekly semaglutide 7·2 mg in adults with obesity (STEP UP): a randomised, controlled, phase 3b trial. Lancet Diabetes Endocrinol. 2025 Nov;13(11):949-963. doi: 10.1016/S2213-8587(25)00226-8; 51. Wharton S, Freitas P, Hjelmesæth J, Kabisch M, Kandler K, Lingvay I, et al. 1966-LB: Efficacy and Safety of Semaglutide 7.2 mg in Obesity—STEP UP Trial. Diabetes. 2025 Jun 20;74(Supplement_1):1966-LB. doi: 10.2337/db25-1966-LB; 52. Lincoff AM, Brown-Frandsen K, Colhoun HM, Deanfield J, Emerson SS, Esbjerg S, et al. Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Obesity without Diabetes. N Engl J Med. 2023 Dec 14;389(24):2221-2232. doi: 10.1056/NEJMoa2307563; 53. McGowan BM, Bruun JM, Capehorn M, Pedersen SD, Pietiläinen KH, Muniraju HAK, et al. Efficacy and safety of once-weekly semaglutide 2·4 mg versus placebo in people with obesity and prediabetes (STEP 10): a randomised, double-blind, placebo-controlled, multicentre phase 3 trial. Lancet Diabetes Endocrinol. 2024 Sep;12(9):631-642. doi: 10.1016/S2213-8587(24)00182-7; 54. Colhoun HM, Lingvay I, Brown PM, Deanfield J, Brown-Frandsen K, Kahn SE, et al. Long-term kidney outcomes of semaglutide in obesity and cardiovascular disease in the SELECT trial. Nat Med. 2024 Jul;30(7):2058-2066. doi: 10.1038/s41591-024-03015-5.</p>
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		<title>Cirrose e cancro hepático: o impacto da intervenção precoce na hepatite delta</title>
		<link>https://mediconews.pt/cirrose-e-cancro-hepatico-o-impacto-da-intervencao-precoce-na-hepatite-delta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gonçalo Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Apr 2026 09:19:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hepatologia]]></category>
		<category><![CDATA[Infecciologia]]></category>
		<category><![CDATA[cancro hepático]]></category>
		<category><![CDATA[cirrose]]></category>
		<category><![CDATA[hepatite delta]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=45121</guid>

					<description><![CDATA[<p>No âmbito do Congresso Português de Hepatologia 2026, um dos momentos de destaque foi o simpósio dedicado às hepatites virais, promovido pela Gilead Sciences, onde foram discutidos alguns dos principais desafios e avanços no tratamento da infeção pelo vírus da hepatite delta (VHD). Apesar de menos prevalente, esta continua a ser a forma mais agressiva de hepatite viral crónica, com um impacto clínico significativo e ainda frequentemente subdiagnosticada. <strong>Maria Buti</strong>, do <em>Hospital Universitario Valle Hebron</em>, em Barcelona, foi uma das especialistas convidadas do simpósio, e partilha, em entrevista, as principais conclusões apresentadas e reflete sobre a realidade atual da VHD em Portugal.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>News Farma (NF) | Porque é que a hepatite delta continua a ser um tema relevante em 2026?</strong></p>
<p><strong>María Buti (MB) |</strong> A infeção pelo vírus da hepatite delta (VHD) continua a ser crítica, porque é a forma mais agressiva de hepatite viral crónica. Apesar de ser menos prevalente do que outras hepatites, o seu impacto clínico é desproporcional: acelera a progressão para cirrose, descompensação hepática e carcinoma hepatocelular.</p>
<p>Existem três fatores-chave:</p>
<ul>
<li>Subdiagnóstico: muitos doentes com VHB não foram testados para VHD;</li>
<li>Migração e alterações epidemiológicas: aumento de casos na Europa provenientes de regiões endémicas;</li>
<li>Novas opções terapêuticas: os tratamentos recentes fazem com que o diagnóstico tenha mais valor do que nunca.</li>
</ul>
<p><strong>NF | O que mais preocupa na evolução hepática quando há VHD?</strong></p>
<p><strong>MB |</strong> O mais preocupante é a rápida progressão da fibrose. Em comparação com o VHB, existe um maior risco de cirrose em menos tempo, de descompensação hepática e um aumento significativo do risco de carcinoma hepatocelular.</p>
<p><strong>NF | Que padrões têm sido observados, ou parecem relevantes, em Portugal quanto ao perfil dos doentes e ao estádio no momento do diagnóstico? </strong></p>
<p><strong>MB |</strong> Em Portugal, têm-se observado padrões semelhantes aos de outros países do sul da Europa, com uma elevada proporção de doentes migrantes (Europa de Leste, África Subsaariana). Observam-se também casos na população local com infeção antiga por VHB não reavaliada, bem como diagnósticos frequentemente realizados em estádios avançados (fibrose significativa ou cirrose).</p>
<p><strong>NF | Se pudesse propor um protocolo de rastreio ainda mais eficiente, que passos incluiria para não deixar casos por diagnosticar? </strong></p>
<p><strong>MB |</strong> Uma abordagem prática e de elevado impacto incluiria a realização do teste de anticorpos anti-VHD em todos os doentes com HBsAg positivo, sem exceções. Se o anti-VHD for positivo, deverá então proceder-se à determinação do ARN-VHD.</p>
<p>Em resumo, automatizar o “teste reflexo” (anti-VHD automático quando o HBsAg é positivo) e melhorar o acesso ao ARN-VHD (centralização ou redes de referência).</p>
<p><strong>NF | Uma vez diagnosticada, o que muda quando se atua precocemente face a quando se chega tarde? Qual é o impacto na qualidade de vida do doente?</strong></p>
<p><strong>MB |</strong> Atuar precocemente significa e implica a possibilidade de travar a progressão da fibrose, com a consequente redução do risco de cirrose e de cancro hepático.</p>
<p>Por outro lado, atuar tardiamente significa que a doença já é, em muitos casos, irreversível e, por isso, surgem complicações frequentes (ascite, encefalopatia) e uma maior necessidade de transplante hepático.</p>
<p><strong>NF | Se tivesse de deixar uma recomendação final aos clínicos em Portugal, qual seria?</strong></p>
<p><strong>MB |</strong> “Todo o doente com VHB deve ser avaliado para VHD pelo menos uma vez.”</p>
<p>É uma intervenção simples, com custo relativamente baixo e com um enorme impacto clínico.</p>
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		<title>Ciência e proximidade marcam Congresso Português de Hepatologia 2026</title>
		<link>https://mediconews.pt/ciencia-e-proximidade-marcam-congresso-portugues-de-hepatologia-2026/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 13:35:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hepatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=45064</guid>

					<description><![CDATA[<p>Entre os dias 26 e 28 de março, o Eurostars Oasis Plaza, na Figueira da Foz, recebeu o Congresso Português de Hepatologia 2026. Em jeito de balanço, a presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF), <strong>Paula Peixe</strong>, conversou com a News Farma e sublinhou o sucesso de uma edição marcada por salas cheias, um programa científico abrangente e o reforço dos laços entre pares. Assista às declarações em vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A forte adesão dos especialistas foi um dos pontos altos do evento, com as salas repletas logo desde o início de cada manhã. Paula Peixe destacou o entusiasmo dos congressistas, referindo que as sessões se estenderam até ao final do dia com uma audiência ativa, em que “a única razão” pela qual se terminavam as sessões era porque “os horários tinham que ser cumpridos”. Para a presidente da APEF, o encontro permitiu que os participantes pudessem “aprender, partilhar e sobretudo, criar laços”.</p>
<p>No que respeita ao programa científico, Paula Peixe explicou que a organização procurou cobrir a especialidade na sua totalidade, percorrendo desde as doenças genéticas às autoimunes, as patologias vasculares e outras como “a cirrose, o cancro” e as “hepatites com a vacinação”, a seu ver, um “ponto importante”.</p>
<p>“Tivemos duas conferências também muito importantes. Uma sobre a ética em Hepatologia, sobre o consentimento informado, que é uma área complexa, e que se liga com a segunda conferência, que tem que ver com a encefalopatia. Portanto, os nossos doentes nem sempre estão aptos a consentir e a perceber o que lhes está a acontecer”, esclareceu.</p>
<p>A fechar o balanço, Paula Peixe enalteceu a elevada qualidade dos trabalhos científicos apresentados, sublinhando que, ao apoiar as comunicações orais e os posters, a APEF demonstrou que investe no futuro e na ciência.</p>
<p>No final, a convicção foi a de que, “em todas as áreas, houve avanços” e que de todas elas, se levaria “alguma coisa de novo para casa”.</p>
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		<title>Amónia como alvo terapêutico: a necessidade de novas estratégias na encefalopatia hepática</title>
		<link>https://mediconews.pt/amonia-como-alvo-terapeutico-a-necessidade-de-novas-estrategias-na-encefalopatia-hepatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 13:34:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hepatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A conferência “Heretical Thoughts of Hepatic Encephalopathy” constituiu um dos momentos alto de reflexão do Congresso Português de Hepatologia 2026. Em entrevista à News Farma, <strong>Christopher F. Rose</strong>, diretor do <em>laboratoire de recherche d’hépato-neuro</em> (<em>Centre de Recherche du Centre Hospitalier de l’Université de Montréal</em>, CRCHUM), aborda o papel determinante da amónia na progressão da encefalopatia hepática e a necessidade de novas abordagens terapêuticas que permitam uma Medicina mais personalizada. Veja as declarações em vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Christopher F. Rose começa por reforçar que existe atualmente uma vasta evidência científica que demonstra que “o papel prognóstico da amónia é muito importante” no contexto da encefalopatia hepática. Contudo, o especialista aponta uma lacuna regulatória e clínica, observando que, “neste momento, não existe realmente uma indicação aprovada pela FDA para tratar o valor prognóstico da amónia”. O palestrante refere ainda que, embora a lactulose seja utilizada de forma corrente, subsistem dúvidas sobre a sua eficácia a longo prazo, o que o leva a defender a necessidade “de uma nova estratégia de redução de amónia”.</p>
<p>Esta necessidade foi apresentada como uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de novos fármacos, tendo Christopher F. Rose afirmado que o cenário clínico está pronto para o avanço de novos ensaios clínicos. Na sua perspetiva, a abordagem deve passar por uma Medicina mais personalizada, na qual se identifiquem os doentes com encefalopatia hepática que apresentam níveis elevados de amónia para que recebam uma estratégia de redução específica. Segundo o orador, ao diferenciar os tratamentos desta forma, a “resposta seria muito melhor neste caso”.</p>
<p>A terminar a sua análise, Christopher F. Rose alerta para o facto de a amónia poder ser a causa primária da encefalopatia hepática, embora o seu papel prognóstico nem sempre seja linear. Por esse motivo, sublinha a importância de seguir estes doentes de perto para monitorizar os seus níveis de amónia e a respetiva resposta à terapêutica. A expectativa final deixada pelo especialista é de que o setor evolua para que, eventualmente, se possa disponibilizar “um melhor tratamento que possa ajudar estes doentes a recuperar” através de métodos mais eficazes de redução de amónia.</p>
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		<item>
		<title>Como melhorar o acesso e equidade ao transplante hepático em Portugal?</title>
		<link>https://mediconews.pt/como-melhorar-o-acesso-e-equidade-ao-transplante-hepatico-em-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 13:55:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hepatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em entrevista à News Farma, <strong>Filipe Sousa Cardoso</strong>, hepatologista da Unidade de Transplantes da ULS de São José, explica que o estudo “Referral to Liver Transplant: A National Survey from Portugal” retrata a complexa realidade da referenciação para transplante hepático a nível nacional. Nesta investigação foram identificados os principais desafios e áreas de melhoria no encaminhamento de doentes com cirrose, visando aumentar a acessibilidade e a equidade ao transplante. Leia o conteúdo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>News Farma (NF) | Qual é o panorama atual do transplante hepático em Portugal e de que forma este estudo pretendeu contribuir para a sua melhoria?</strong></p>
<p><strong>Filipe Sousa Cardoso (FSC) |</strong> O número de transplantes hepáticos realizados em Portugal tem excedido os 200 por ano, pelo que este tratamento é hoje uma estratégia estandardizada há décadas para o tratamento de doentes seleccionados com falência hepática, hipertensão portal complicada, ou neoplasias malignas do fígado. Este estudo tentou caracterizar algumas das dificuldades vivenciadas pelos clínicos que referenciam crescentemente doentes com cirrose hepática para um potencial transplante hepático.</p>
<p>Que variabilidade foi identificada entre os médicos relativos a critérios de referenciação, pontuações prognósticas hepáticas, canais de contacto com equipas de transplante e exigências de exames/consultas como parte do processo?</p>
<p>Com base em dados recolhidos junto de 56 clínicos, oriundos de 21 hospitais espalhados pelo território nacional, foi possível aferir heterogeneidade substancial em diferentes aspectos do processo de referenciação para transplante hepático, por exemplo, critérios clínicos para decidir referenciar; escala de prognóstico clínico em utilização; vias de contacto formais com o centro de transplantação; e testes e consultas realizados durante o processo de referenciação.</p>
<p><strong>NF | Como é que a demora ou inconsistência na referenciação pode afetar os desfechos clínicos a curto e longo prazo em doentes com doença hepática avançada que poderão beneficiar de transplante?</strong></p>
<p><strong>FSC |</strong> No contexto actual, o doente com cirrose hepática com potencial de referenciação para transplante hepático, tem uma idade mediana próxima dos 60 anos, pelo que frequentemente apresenta comorbilidades além da doença hepática, nomeadamente doença metabólica, cardíaca, renal, ou oncológica. Neste contexto, apesar de o transplante hepático estar indicado pela natureza e/ou gravidade da doença hepática, torna-se importante acelerar o processo de aferição da natureza e /ou gravidade das outras comorbilidades, nomeadamente se alguma dessas pode constituir contra-indicação absoluta ou relativa para transplantação.</p>
<p><strong>NF | Quais foram as sugestões dos especialistas para melhorar o processo de referenciação?</strong></p>
<p><strong>FSC |</strong> Um parte substancial dos clínicos respondedores sugeriu que se aperfeiçoasse um conjunto de medidas para melhorar a referenciação para transplante hepático, por exemplo: elaborar ou difundir os critérios formais de referenciação; reduzir o tempo até à realização de testes ou consultas especializadas para aferir de contra-indicações para transplantação; e encurtar o tempo até ao primeiro contacto com o centro de transplantação.</p>
<p><strong>NF | Que recomendações podem ser retiradas deste estudo para otimizar a referenciação de doentes com cirrose para transplante hepático, e como é que estas mudanças podem influenciar a acessibilidade e equidade no acesso a este tratamento?</strong></p>
<p><strong>FSC |</strong> Creio que este estudo sugere que há dificuldades e que poderão existir soluções, nomeadamente algumas das descritas previamente. Após discussão entre clínicos e gestores e a implementação de algumas destas estratégias, serão necessários mais estudos para melhorar a caracterização da realidade complexa da referenciação para transplante hepático ora em cada uma das três regiões nacionais ora ao nível nacional. Adicionalmente, a criação de uma estrutura de monitorização dos doentes que são referenciados, mas também dos que não são efetivamente, seria relevante para discernir sobre mais aspectos que podem influenciar os resultados clínicos globais dos doentes hepáticos potencialmente candidatos a transplantação.</p>
<p>Leia o estudo completo <a href="https://karger.com/pjg/article/33/1/23/925167/Referral-to-Liver-Transplant-A-National-Survey" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/como-melhorar-o-acesso-e-equidade-ao-transplante-hepatico-em-portugal/">Como melhorar o acesso e equidade ao transplante hepático em Portugal?</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Congresso Português de Hepatologia: Especialistas dedicam-se a desafios clínicos nas patologias hepáticas</title>
		<link>https://mediconews.pt/congresso-portugues-de-hepatologia-especialistas-dedicam-se-a-desafios-clinicos-nas-patologias-hepaticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 11:39:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hepatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=44792</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) promove, uma vez mais, o Congresso Português de Hepatologia, entre 26 e 28 de março, na Figueira da Foz. <strong>Paula Peixe</strong>, presidente da APEF, sublinha que a prática clínica vai orientar-se para uma “abordagem mais precoce, personalizada e baseada numa melhor estratificação de risco dos doentes”. Leia a entrevista de antevisão.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/congresso-portugues-de-hepatologia-especialistas-dedicam-se-a-desafios-clinicos-nas-patologias-hepaticas/">Congresso Português de Hepatologia: Especialistas dedicam-se a desafios clínicos nas patologias hepáticas</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>News Farma (NF) I O Congresso Português de Hepatologia reúne especialistas nacionais e internacionais. Qual é o papel fundamental deste evento na adaptação das <em>guidelines</em> internacionais à realidade clínica e aos recursos do SNS em Portugal?  </strong></p>
<p><strong>Paula Peixe (PP) I</strong> O Congresso Português de Hepatologia assume um papel absolutamente central na transposição das recomendações internacionais para a prática clínica nacional. Embora as linhas orientadoras europeias e internacionais constituam a base científica que suporta a decisão clínica, a sua aplicação exige necessariamente uma adaptação ao contexto real do Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente no que respeita ao perfil epidemiológico da população portuguesa, à organização assistencial e disponibilidade de recursos.</p>
<p>Este congresso permite precisamente essa reflexão crítica e estruturada, reunindo especialistas com experiência direta na prática clínica nacional e conhecedores das orientações internacionais, o que facilita a definição de estratégias realistas, sustentáveis e alinhadas com as necessidades dos doentes em Portugal. Para além disso, promove uma uniformização progressiva da prática clínica entre diferentes centros, contribuindo para uma maior equidade no acesso a cuidados diferenciados em hepatologia.</p>
<p><strong>NF I Olhando para o programa deste ano, quais são os avanços mais disruptivos no diagnóstico e tratamento que serão apresentados e que podem alterar a prática clínica a curto prazo?</strong></p>
<p><strong>PP I</strong> O programa científico desta edição destaca-se por uma forte componente de atualização clínica em áreas que têm vindo a ganhar relevância crescente na prática da Hepatologia. Em particular, terão especial destaque as doenças hepáticas genéticas e imuno-mediadas, a doença vascular porto-sinusoidal, as doenças virais do fígado e vacinação, a doença hepática metabólica e a cirrose, bem como os avanços mais recentes na área da Oncologia hepática.</p>
<p>Estes temas refletem uma evolução clara da prática clínica, cada vez mais orientada para uma abordagem mais precoce, mais personalizada e baseada numa melhor estratificação de risco dos doentes. A atualização nestas áreas terá impacto direto a curto prazo, sobretudo ao nível do diagnóstico de doenças hepáticas menos frequentes, da identificação mais precoce de doentes com risco de progressão e da otimização das estratégias terapêuticas.</p>
<p>Teremos dois cursos, um sobre a doença hepática metabólica e fronteira com a doença alcoólica e outro, dirigidos aos médicos em formação especializada, sobre encefalopatia porto-sistémica.</p>
<p>Além disso, o programa inclui também duas conferências particularmente relevantes do ponto de vista clínico e ético: uma dedicada ao consentimento informado em Hepatologia e outra centrada na encefalopatia hepática, uma complicação com impacto significativo na qualidade de vida dos doentes e na prática clínica diária e que levanta questões éticas significativas.</p>
<p>Estas sessões refletem uma visão abrangente da Hepatologia, que integra não apenas a inovação científica, mas também os desafios clínicos e humanos associados ao acompanhamento destes doentes.</p>
<p><strong>NF I Tal como noutras áreas da Medicina, as doenças hepáticas são frequentemente silenciosas. Quais são atualmente os maiores obstáculos à deteção precoce em Portugal e como é que a investigação clínica nacional tem contribuído para mudar este cenário?</strong></p>
<p><strong>PP I</strong> A principal dificuldade na deteção precoce das doenças hepáticas continua a ser a sua natureza frequentemente assintomática nas fases iniciais. Muitos doentes permanecem sem diagnóstico durante anos, sendo identificados apenas quando já existe doença avançada e/ou complicações associadas.</p>
<p>Em Portugal, persistem ainda alguns desafios ao nível da referenciação precoce e da identificação sistemática de grupos de risco, nomeadamente doentes com síndrome metabólica, obesidade ou diabetes e mesmo noutras áreas cujo diagnóstico seja mais complexo.</p>
<p>No entanto, a investigação clínica nacional tem tido um papel crescente na caracterização epidemiológica destas doenças em Portugal, com estudos patrocinados pela APEF, e através da comissão de Hepatologia em rede e do Liver.pt, a primeira envolvida na gestão e envolvimentos dos diversos centros nacionais e a segunda, uma plataforma informática agora aberta a todos os associados.</p>
<p>Estes estudos além do panorama nacional, têm permitido a validação de estratégias de rastreio mais eficazes e adaptadas à realidade portuguesa. Esse trabalho tem contribuído para uma maior sensibilização da comunidade médica e para uma abordagem mais estruturada à deteção precoce, mas também ao seguimento mais adequado destes doentes.</p>
<p><strong>NF I De que forma as novas técnicas de diagnóstico não invasivo estão a substituir ou a complementar procedimentos mais tradicionais, e qual o impacto no conforto e prognóstico do doente?</strong></p>
<p><strong>PP I</strong> As técnicas de diagnóstico não invasivo representam uma das maiores transformações recentes na prática da Hepatologia. Ferramentas baseadas em biomarcadores séricos e métodos de avaliação não invasiva da fibrose hepática permitem atualmente uma estratificação de risco mais rápida, segura e facilmente repetível, reduzindo de forma significativa a necessidade de procedimentos invasivos.</p>
<p>Nesta área, a APEF vai promover um curso de formação e certificação, como início em setembro 2026, no qual se poderão inscrever os associados.</p>
<p>O impacto para o doente é muito relevante, não apenas em termos de conforto, mas também em termos de adesão ao acompanhamento clínico e de monitorização ao longo do tempo. A possibilidade de identificar precocemente doentes com maior risco de progressão, monitorizar esta progressão, permite igualmente uma intervenção mais atempada, com impacto direto no prognóstico e na prevenção de complicações associadas à doença hepática avançada.</p>
<p><strong>NF I O tratamento das doenças hepáticas exige cada vez mais uma abordagem conjunta (com a Nutrição, Medicina Interna, Oncologia). Como é que a APEF tem promovido esta cooperação entre especialidades?</strong></p>
<p><strong>PP I</strong> A Hepatologia moderna é, por definição, multidisciplinar. Muitas das principais doenças hepáticas estão diretamente associadas a outras áreas médicas, como a Nutrição, a Endocrinologia, a Genética, a Imunologia ou a Oncologia, o que torna indispensável uma abordagem integrada ao doente.</p>
<p>Excluo a Medicina Interna, pois esta especialidade faz parte integrante da APEF.</p>
<p>A APEF tem procurado promover ativamente essa cooperação através da organização de sessões científicas multidisciplinares, da participação conjunta de diferentes especialidades em iniciativas formativas e do incentivo à colaboração em projetos de investigação clínica. Esta abordagem permite uma visão mais global do doente e contribui para decisões terapêuticas mais adequadas e mais eficazes.</p>
<p><strong>NF I Para finalizar, qual é a perspetiva para esta edição do Congresso Português de Hepatologia?</strong></p>
<p><strong>PP I</strong> A perspetiva para esta edição é extremamente positiva. Espera-se um congresso com elevada participação científica, forte componente de atualização clínica e um programa particularmente relevante para a prática diária dos profissionais de saúde que acompanham doentes com patologia hepática.</p>
<p>Mais do que um momento de partilha de conhecimento, este congresso representa também uma oportunidade para reforçar a colaboração entre centros, estimular a investigação clínica nacional e promover uma abordagem cada vez mais estruturada e baseada na evidência científica. Em última análise, o objetivo principal mantém-se: melhorar a qualidade dos cuidados prestados aos doentes com doença hepática em Portugal.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/congresso-portugues-de-hepatologia-especialistas-dedicam-se-a-desafios-clinicos-nas-patologias-hepaticas/">Congresso Português de Hepatologia: Especialistas dedicam-se a desafios clínicos nas patologias hepáticas</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
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		<title>Guilherme Macedo alerta para o crescimento do carcinoma hepatocelular em Portugal até 2027</title>
		<link>https://mediconews.pt/guilherme-macedo-alerta-para-o-crescimento-do-carcinoma-hepatocelular-em-portugal-ate-2027/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Oct 2025 09:58:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hepatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><strong>Guilherme Macedo</strong>, presidente do Colégio da Subespecialidade de Hepatologia da Ordem dos Médicos e diretor do Serviço de Gastrenterologia da ULS São João, é um dos especialistas que analisa o recente estudo nacional que prevê um aumento significativo do número de casos de carcinoma hepatocelular (CHC) em Portugal até 2027.</p>
<p>Apesar dos avanços no controlo da hepatite C, Guilherme Macedo sublinha que a ausência de estratégias preventivas eficazes noutras áreas continua a alimentar o aumento de novos casos. O especialista reforça ainda a importância do diagnóstico precoce, da literacia em saúde e da vigilância clínica regular para travar a tendência de diagnósticos tardios e melhorar o prognóstico dos doentes. Leia a entrevista completa do especialista à News Farma.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>News Farma (NF) | O estudo nacional promovido pela APEF, SPG e Exigo Consultores revela um aumento significativo do número de casos de carcinoma hepatocelular até 2027. Que fatores estão a impulsionar este crescimento em Portugal?</strong></p>
<p><strong>Guilherme Macedo (GM) |</strong> Os fatores que poderão estar a impulsionar o crescimento do HCC, passam sobretudo pela ausência de modificação significativa de alguns comportamentos que favorecem o seu aparecimento (consumo de álcool, tabagismo) a que se associa a crescente incidência de cirrose que acompanha o incremento significativo dos casos de esteatohepatite por sua vez integrados no exponencial crescimento de patologia hepática associada à obesidade e distúrbios metabólicos como a diabetes. A descida de incidência que nitidamente a cura de muitos doentes com hepatite C conseguiu atingir, não se acompanhou de estratégias preventivas noutras áreas, como as que foram apontadas.</p>
<p><strong>NF | Mais de metade dos diagnósticos continuam a ser feitos em fases avançadas. Que barreiras existem atualmente para o diagnóstico precoce e o que seria necessário mudar para inverter esta tendência?</strong></p>
<p><strong>GM |</strong> O principal estigma das doenças hepáticas, além do cunho social de que se acompanham, é o silêncio das manifestações clínicas que o fígado doente apresenta, pois só muito tardiamente adquirem expressão clínica, com sintomas e sinais identificativos de patologia hepática. Daí ser importante o reconhecimento atempado de potenciais fatores promotores, como as hepatites víricas, o consumo de álcool ou a sobrecarga ponderal associada a síndrome metabólica. O acompanhamento sequencial por monitorização clínica e imagiológica (com ecografia), bem como a instrução de modificações comportamentais, serão decisivas para inverter a tendência.</p>
<p><strong>NF | O relatório aponta para um peso crescente de vários fatores ligados aos hábitos da população. Como é que estas condições estão a mudar o perfil típico do doente com cancro do fígado?</strong></p>
<p><strong>GM |</strong> A migração das patologias antigamente dominantes (de hepatites víricas, por exemplo) para a pandemia da obesidade e suas repercussões metabólicas, alteraram o perfil típico destes doentes, impulsionando até para idades mais jovens e afetação de ambos os sexos mais equilibradamente, sem tão claro predomínio masculino.</p>
<p><strong>NF | O impacto económico estimado ultrapassa os 370 milhões de euros até 2027. Além do custo financeiro, que outras consequências sociais e de Saúde Pública este aumento pode trazer?</strong></p>
<p><strong>GM |</strong> Uma doença oncológica que obrigue a despender inúmeros recursos de saúde, que envolva indivíduos e famílias em idades progressivamente mais jovens, têm um enorme impacto emocional, biológico e laboral, comprometendo transversalmente todas as dimensões da vida de cada um e da sociedade como um todo.</p>
<p><strong>NF | Que estratégias de prevenção e rastreio poderiam ser implementadas para reduzir o número de diagnósticos tardios e melhorar o prognóstico dos doentes?</strong></p>
<p><strong>GM |</strong> A identificação tardia da doença hepática, continua a ser o fator que mais influencia o prognóstico destas situações. A doença hepática tem de ser procurada e o tal ‘’silêncio’’ vence-se por procura ativa das alterações das provas hepáticas. A literacia pública e a literacia médica que subjazem a este simples conceito, tem ainda muitas milhas por percorrer.</p>
<p><strong>NF | Neste Mês da Consciencialização para o Cancro do Fígado, que mensagem gostaria de deixar aos profissionais de saúde?</strong></p>
<p><strong>GM |</strong> O cancro do fígado vai continuar a crescer, acompanhando as novas circunstâncias comportamentais alimentares das populações, se os profissionais de saúde não tiverem um papel ativo na identificação precoce do que é um fígado doente, nunca esquecendo que isso não se manifesta e cujos sinais de sofrimento tem de ser proactivamente procurados.</p>
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		<title>APEF e NEDF impulsionam o futuro da Hepatologia nacional</title>
		<link>https://mediconews.pt/apef-e-nedf-impulsionam-o-futuro-da-hepatologia-nacional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Sep 2025 09:26:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hepatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após o sucesso das três edições anteriores, o Núcleo de Estudos de Doenças do Fígado (NEDF) e a Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) renovam a parceria para mais uma edição da Escola Anual Virtual de Hepatologia (EAVH). Em entrevista à News Farma, os diretores da escola, <strong>Suzana Calretas e Jorge Leitão</strong>, destacam os principais temas em debate.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>News Farma (NF) | Quais consideram serem os principais destaques e novidades do programa deste ano?</strong></p>
<p><strong>Suzana Calretas e Jorge Leitão (SC e JL) |</strong> A 4.ª edição da Escola Anual Virtual de Hepatologia manterá um formato semelhante às edições prévias, com 13 webinares entre setembro de 2025 e julho de 2026, sempre à quinta-feira pelas 20 horas, com a duração de 1h e 30 minutos (60 minutos de palestra e 30 minutos de discussão), com possibilidade de serem assistidos de forma síncrona ou assíncrona.</p>
<p>O programa base, que abarca todos os grandes temas da Hepatologia atual, mantém-se em face da boa aceitação que recolheu. As novidades estarão presentes em cada sessão: a escola propõe-se a ensinar as bases, mas também a mostrar o que de mais recente existe em cada uma das áreas.</p>
<p><strong>NF | Em que medida esta Escola contribui para a atualização e formação contínua dos internos e especialistas das áreas envolvidas?</strong></p>
<p><strong>SC e JL |</strong> Em cada <em>webinar</em> teremos dois hepatologistas de referência na área abordada, palestrante e moderador. Será apresentado o “estado da arte” de cada tema, permitindo a atualização das diversas áreas com interesse na prática clínica da Hepatologia. O período de discussão será igualmente muito importante na medida em que permitirá aos alunos a colocação de dúvidas, bem como a troca de experiências e opiniões entre todos. Estamos em crer que esta interação será fundamental para o sucesso final.</p>
<p><strong>NF | Como tem evoluído a adesão e o interesse dos participantes ao longo das edições anteriores?</strong></p>
<p><strong>SC e JL |</strong> A Escola Anual Virtual de Hepatologia tem vindo a registar uma adesão crescente e uma aceitação assinalável, como se comprova pelos 168 inscritos na última edição, maioritariamente internos de formação especifica de Gastrenterologia e Medicina Interna, mas também especialistas. As opiniões recolhidas entre os participantes dos anos anteriores, têm-nos dado estímulo para continuar.</p>
<p><strong>NF | Há algum tema ou sessão que, na sua perspetiva, terá maior impacto na prática clínica diária?</strong></p>
<p><strong>SC e JL |</strong> Decorrendo mensalmente entre setembro de 2025 e julho de 2026, haverá oportunidade de abranger um conjunto alargado de patologias, refletindo a prática clínica desta área. Mesmo havendo temas referentes a patologias mais comuns, é nosso entender, que todas assumem importância clínica e em termos de formação.</p>
<p><strong>NF | Quais são as principais expectativas da organização relativamente a esta 4.ª edição?</strong></p>
<p><strong>SC e JL |</strong> Desde logo, manter o elevado nível científico e a grande relevância, criados com as edições anteriores; depois, corresponder às expectativas dos formandos mantendo o retorno positivo obtido até agora; e por fim, manter e desenvolver esta iniciativa, que teve um papel pioneiro e que embora recente, assumiu já um lugar na formação continua na área da Hepatologia.</p>
<p><strong>NF | Quais as ideias-chave que gostaria que os participantes levassem para a sua prática clínica?</strong></p>
<p><strong>SC e JL |</strong> Que todos, começando naturalmente pelos mais novos, reforçassem o gosto e o interesse pela Hepatologia e encontrassem estímulo para manter uma atividade regular e de qualidade nesta área.</p>
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		<title>Avanços no rastreio e tratamento da hepatite C e Delta: onde estamos?</title>
		<link>https://mediconews.pt/avancos-no-rastreio-e-tratamento-da-hepatite-c-e-delta-onde-estamos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Apr 2025 07:00:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hepatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=40289</guid>

					<description><![CDATA[<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/avancos-no-rastreio-e-tratamento-da-hepatite-c-e-delta-onde-estamos/">Avanços no rastreio e tratamento da hepatite C e Delta: onde estamos?</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A Gilead, no Congresso Português de Hepatologia, reforçou a necessidade de dar continuidade à estratégia de eliminação das Hepatites Víricas em Portugal e a importância do diagnóstico e tratamento precoce dos doentes com hepatite Delta, através da realização do simpósio &#8220;Conte connosco: juntos contra a Hepatite C e Delta&#8221;, que contou com a moderação de <strong>F</strong><strong style="text-align: justify;">ilipe Calinas</strong> e a participação de <strong>Rui Gaspar</strong>, <strong>Mariana Cardoso</strong> e <strong>Maria Buti</strong>. Os especialistas reforçaram a importância do rastreio eficiente e do tratamento eficaz das hepatites C e Delta, fundamentais para travar o agravamento destas doenças e melhorar a qualidade de vida dos doentes.</p>
<p><strong>Desafio da eliminação da hepatite C </strong></p>
<p style="text-align: justify;">No âmbito desta sessão, <strong>Rui Gaspar, gastrenterologista na ULS São João,</strong> apresentou estratégias para otimizar o tratamento de doentes com hepatite C, enfatizando a necessidade de esforços conjuntos para alcançar a meta da OMS de eliminação da mesma.</p>
<p style="text-align: justify;">O especialista destacou que regimes terapêuticos, como sofosbuvir/velpatasvir, têm sido amplamente utilizados, impactando significativamente, de forma positiva, a eliminação do vírus da hepatite C (VHC), com taxas de eficácia superiores a 98%.1 A análise retrospetiva da última década indica uma mudança paradigmática no tratamento do VHC. Em 2014, o foco era a cura individual, com uma abordagem clínica centrada nos doentes, que eram altamente motivados e seguiam protocolos rigorosos sob supervisão especializada inserida num modelo de assistência centralizado. Nesta fase, havia também uma preocupação significativa com os custos do tratamento. Em 2025, a abordagem evoluiu para a eliminação do VHC sob uma perspetiva de Saúde Pública. Os doentes, agora considerados de difícil acesso, requerem algoritmos de tratamento simplificados e uma abordagem multidisciplinar inserida num modelo de assistência descentralizado.<sup>2,12</sup></p>
<p style="text-align: justify;">As medidas a adotar para a eliminação do VHC passam por uma deteção precoce e minimização do tempo de espera. Dados apresentados pelo especialista indicam que mais de 37% dos doentes apresentam fibrose hepática avançada (F3-F4) no início do tratamento, sendo o tempo médio de espera entre o pedido e o início do tratamento de 67 dias.</p>
<p style="text-align: justify;">“A eliminação do VHC exige a adoção de estratégias para aumentar o rastreio em populações de alto risco, garantir a ligação destes doentes aos cuidados de saúde, evitar a perda de doentes simplificando o percurso assistencial e recuperar os doentes perdidos”,<sup>14,15</sup> explicou o especialista.</p>
<p style="text-align: justify;">A gestão dos doentes com VHC deve ser integrada, tanto no ambiente hospitalar quanto fora dele. No ambiente hospitalar, por exemplo, “a coordenação dos cuidados de saúde é facilitada para doentes que já estão a receber tratamento para outras patologias.” Fora do hospital, a procura ativa de doentes deve realizar-se em centros de saúde, prisões e albergues, de forma a garantir o acesso destas populações vulneráveis aos cuidados de saúde, aproximando o diagnóstico e o tratamento (&#8220;<em>point-of-care</em>&#8220;).<sup>14,15</sup></p>
<p style="text-align: justify;">A utilização de fármacos como sofosbuvir/velpatasvir demostrou ser uma estratégia com uma monitorização mínima eficaz, facilitando o tratamento, uma vez que apresenta menos interações medicamentosas e simplifica a monitorização, melhorando a adesão dos doentes.<sup>16,19</sup></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diagnóstico da hepatite Delta, porque é importante?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na segunda palestra do simpósio, <strong>Mariana Cardoso, gastrenterologista na ULS Amadora/Sintra</strong>, partilhou a importância do diagnóstico do vírus da hepatite Delta (VHD) e destacou a necessidade de mais dados epidemiológicos sobre a hepatite Delta em Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;">A hepatite Delta é a forma mais grave de hepatite, associada a uma progressão mais rápida para doenças hepáticas graves, como cirrose e carcinoma hepatocelular, quando comparada com a monoinfeção pelo vírus da hepatite B (VHB), exigindo intervenções precoces, começou por contextualizar.<sup>20</sup></p>
<p style="text-align: justify;">As diretrizes das principais sociedades científicas “recomendam o rastreio da hepatite Delta em todos os doentes com antigénio HBs positivo (AgHBs+), sendo que todos os doentes anti-VHD+ devem ser testados para o ARN VHD. No caso de uma PCR positiva para a presença de ARN VHD, a quantificação deve ser realizada antes do tratamento e a cada seis meses”,<sup>21</sup> indicou.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste sentido, a especialista reforçou que a implementação de estratégias de &#8220;reflex testing&#8221; aumenta a identificação de casos de indivíduos anti-VHD+, permitindo o tratamento oportuno,<sup>22</sup> o que se apresenta como uma estratégia custo-efetiva. Além disso, “o rastreio tem um impacto positivo na redução de casos de progressão para doenças graves”, indicou, explicando que uma vez que a replicação ativa do VHD está associada a um pior prognóstico é importante a deteção e tratamento precoce.<sup>23</sup></p>
<p style="text-align: justify;">A especialista concluiu que existem metodologias de diagnóstico distintas que fornecem resultados diferentes, pelo que sugere que se utilize sempre a mesma técnica de monitorização da carga viral do VHD no mesmo doente.<sup>24</sup></p>
<p style="text-align: justify;">Hepcludex®: O primeiro e único tratamento aprovado para a infeção por VHD<sup>25,26</sup></p>
<p style="text-align: justify;">A sessão terminou com a apresentação de <strong>Maria Buti, chefe das unidades de Hepatologia e Medicina Interna do Hospital Geral Universitário Valle Hebron</strong>, em Espanha, que apresentou bulevirtida como o único tratamento eficaz, à data aprovado, contra a infeção pelo VHD.</p>
<p style="text-align: justify;">Hepcludex®▼ impede a entrada do vírus nos hepatócitos, demonstrando eficácia na redução da carga viral e na melhoria da função hepática em doentes com hepatite Delta com doença hepática compensada.</p>
<p style="text-align: justify;">Os resultados do estudo clínico de fase 3 foram apresentados pela especialista. Após um período de 144 semanas de tratamento, os dados indicam que uma concentração de bulevirtida 2 mg induziu uma resposta combinada de 57%, resposta virológica de 73% e normalização da transaminase ALT em 59% dos doentes. Adicionalmente, 92% (11/12) dos doentes que responderam parcialmente ao tratamento na semana 24, mais tarde, na semana 96, alcançaram uma resposta virológica.<sup>27</sup></p>
<p style="text-align: justify;">No caso de doentes com cirrose, os resultados indicaram que a toma de bulevirtida (2 mg) foi associada a uma redução na ocorrência de eventos hepáticos, como descompensação hepática<sup>28</sup>. No entanto, a interrupção dessa toma foi associada a recidivas virológicas e bioquímicas.<sup>29</sup></p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, este estudo clínico mostrou resultados promissores, em termos de perfil de eficácia e segurança, uma vez que este tratamento foi bem tolerado pelos doentes, sem registo de eventos adversos relevantes. Hepcludex é o primeiro e único tratamento aprovado, à data, para a infeção por VHD.</p>
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		<title>Ascite como uma realidade que necessita de extrema atenção</title>
		<link>https://mediconews.pt/barriga-inchada-um-sinal-inofensivo-ou-ascite/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Freitas-Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 10:28:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hepatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=32825</guid>

					<description><![CDATA[<p>O <strong>Dr. Arsénio Santos</strong> alerta, através de um artigo de opinião, para os sinais e sintomas de ascite que não devem ser descurados para um diagnóstico precoce e uma otimização da gestão da doença. Leia o parecer do presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF).</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Toda a gente já se deparou com dias em que tem a barriga mais inchada, contudo, nem sempre este sinal é tão inofensivo quanto parece e pode dar pistas sobre o desenvolvimento de condições graves. Um dos exemplos é a Ascite, mais conhecida por barriga d´água, que se denuncia sobretudo pelo inchaço abdominal.</p>
<p>Esta condição, onde existe a acumulação de líquidos dentro do abdómen, está associada, maioritariamente, à fase de descompensação da doença hepática crónica (cirrose), manifestando-se também através de outros sintomas além do inchaço, como a dor e pressão na região abdominal, perda de apetite, náuseas, vómitos, oscilação de peso sem explicação e falta de ar. Menos frequentemente, a ascite pode também ser sinal de problema cardíaco ou de doença oncológica, entre outras causas.</p>
<p>A forma como o corpo reage depende da quantidade de líquido que o doente apresenta, sendo essencial proceder-se ao seu diagnóstico o mais rapidamente possível, em casos de sintomatologia evidente, através de exames como a ecografia abdominal ou a tomografia computadorizada abdómino-pélvica.</p>
<p>Quando se identifica a ascite, deve controlar-se esta condição e passar para a fase de tratamento. Aqui poderá ser necessário recorrer a uma drenagem do líquido, através de um procedimento denominado de paracentese, onde é realizada uma punção na parede abdominal, de forma a extrair o líquido em excesso.</p>
<p>No entanto, é de sublinhar que para prevenir a ascite deve cumprir rigorosamente o tratamento e medicação associados à cirrose hepática, se for portador, de forma a impedir ou controlar as complicações que podem surgir nesta patologia.</p>
<p>Se não é doente hepático, pode precaver-se através da mudança de comportamentos, que é igualmente recomendada aos que já são doentes. Primeiramente, é crucial eliminar ou evitar o consumo de álcool, adotar uma dieta equilibrada, praticar exercício físico e controlar o seu peso, de modo a evitar problemas como a esteatose hepática (fígado gordo). É importante não partilhar objetos relacionados com o consumo de drogas, como seringas, e ter práticas sexuais seguras, visto que algumas hepatites virais, que podem desencadear a falência do fígado, são sexualmente transmissíveis. Garanta ainda que está vacinado contra a hepatite B.</p>
<p>Em Portugal, as doenças hepáticas e as suas consequências são uma realidade que necessita de extrema atenção e consciencialização do público.</p>
<p>&nbsp;</p>
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	</channel>
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