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	<title>Arquivo de Dor - Médico News</title>
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	<description>Dar voz à experiência clínica dos profissionais de saúde no nosso país, através de depoimentos dos key opinion leaders das respetivas especialidades.</description>
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		<title>O diagnóstico de dor crónica e o desafio da “queixa invisível”</title>
		<link>https://mediconews.pt/o-diagnostico-de-dor-cronica-e-o-desafio-da-queixa-invisivel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Oct 2025 09:53:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A dor crónica constitui uma condição clínica de elevada complexidade, afetando milhões de indivíduos globalmente e representando um desafio significativo no âmbito da saúde1. Caracterizada pela persistência da sensação dolorosa por um período superior a três meses, a dor crónica é categorizada em três domínios principais: nociceptiva, neuropática e nociplástica1. A categoria nociplástica, em particular, que resulta de um processamento anómalo dos sinais algicos aliado a uma ausência de evidência clara de lesão tecidual, o que impõe maior dificuldade no seu diagnóstico e gestão terapêutica2,3.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das características mais desafiadoras e prementes da dor crónica é a sua natureza invisível. Ao contrário de inúmeras patologias que se manifestam através de sinais físicos e objetivos evidentes, a dor crónica é frequentemente desprovida de marcadores visíveis para terceiros, incluindo profissionais de saúde<sup>4,5</sup>. Esta ausência de sinais objetivos pode conduzir a uma subavaliação da condição, expondo os doentes a um ambiente de dúvida e escrutínio relativamente à autenticidade e intensidade das suas queixas<sup>6</sup>. A literatura científica aponta que a carência de compreensão e suporte, conjugada com a invisibilidade sintomática, é um fator determinante para o sofrimento físico e psicológico experimentado pelos doentes<sup>6,7</sup>.</p>
<p>Nesse sentido, a credibilidade do doente assume um papel fulcral no percurso diagnóstico e terapêutico da dor crónica. O não reconhecimento ou a desconfiança da dor por parte dos profissionais de saúde pode culminar em erros ou atrasos diagnósticos, na implementação de tratamentos inadequados e num aumento subsequente do sofrimento experienciado pelo doente<sup>8</sup>. Adicionalmente, a falta de confiança do doente em expor a sua dor tem o potencial de induzir sentimentos de isolamento, vergonha e sintomatologia depressiva<sup>8</sup>.</p>
<p>O tratamento da dor crónica exige uma abordagem multimodal, integrando uma combinação sinérgica de intervenções farmacológicas e não farmacológicas. A farmacoterapia pode abranger o uso de analgésicos, antidepressivos, anticonvulsivantes e, em casos selecionados, opioides, sendo a escolha dependente da etiologia, natureza e intensidade da dor<sup>9</sup>. Paralelamente, terapias como fisioterapia, psicoterapia cognitivo-comportamental e técnicas de relaxamento demonstram eficácia significativa na modulação e gestão da dor crónica<sup>10,11,12</sup>.</p>
<p>O diagnóstico e o tratamento eficazes da dor crónica requerem uma perspetiva holística que reconheça a complexidade da condição e a importância da experiência do doente<sup>13,14</sup>. A promoção da credibilidade do doente, o investimento na educação contínua dos profissionais de saúde e a adoção de terapias multimodais são pilares essenciais para a melhoria dos resultados clínicos e da qualidade de vida dos doentes que coabitam com a dor crónica<sup>10,16</sup>.</p>
<p>Referências Bibliográficas</p>
<p>[1] Johnston, K. J. A., Signer, R., &amp; Huckins, L. M. (2025). Chronic overlapping pain conditions and nociplastic pain. HGG Advances, 6(1), 100381. https://doi.org/10.1016/j.xhgg.2024.100381</p>
<p>[2] Bułdyś, K., Górnicki, T., Kałka, D., Szuster, E., Biernikiewicz, M., Markuszewski, L., &amp; Sobieszczańska, M. (2023). What do we know about nociplastic pain? Healthcare (Basel), 11(12), 1794. https://doi.org/10.3390/healthcare11121794</p>
<p>[3] Yoo, Y., &amp; Kim, K. (2024). Current understanding of nociplastic pain. Korean Journal of Pain, 37, 107–118. https://doi.org/10.3344/kjp.23326</p>
<p>[4] Widdrington, H., Krahé, C., Herron, K., Smith, K., &amp; Cherry, M. G. (2025). Thriving when living with chronic pain: A qualitative evidence synthesis of individuals&#8217; experiences. British Journal of Health Psychology, 30(3), e70000. https://doi.org/10.1111/bjhp.70000</p>
<p>[5] Fillingim, M., Tanguay-Sabourin, C., Parisien, M., et al. (2025). Biological markers and psychosocial factors predict chronic pain conditions. Nature Human Behaviour, 9, 1710–1725. https://doi.org/10.1038/s41562-025-02156-y</p>
<p>[6] Declercq, J. (2025). It&#8217;s not written all over my face: Constructing chronic pain as invisible in pain clinic consultations and interviews. Clinical Journal of Pain, 41(3), e1273. https://doi.org/10.1097/AJP</p>
<p>[7] Woldhuis, T. (2024). Illness invalidation and psychological distress in adults managing chronic physical symptoms. Personality and Individual Differences, 222, 110777. https://doi.org/10.1016/j.paid.2023.110777</p>
<p>[8] Tosas, M. R. (2021). The downgrading of pain sufferers&#8217; credibility. Philosophy, Ethics, and Humanities in Medicine, 16(1), 8. https://doi.org/10.1186/s13010-021-00105-x</p>
<p>[9] Misra, S., Bhatnagar, S., Gupta, D., Goyal, G. N., Jain, R., &amp; Chauhan, H. (2008). Management of neuropathic cancer pain following WHO analgesic ladder: A prospective study. American Journal of Hospice and Palliative Medicine, 25(6), 447–451. https://doi.org/10.1177/1049909108322288</p>
<p>[10] Wang, J. (2024a). Clinical pain management: Current practice and recent developments. Pain Medicine, 25(1), 1–10. https://doi.org/10.1016/j.painmed.2024.01.001</p>
<p>[11] Alorfi, N. M. (2023). Pharmacological methods of pain management: Narrative review of medication used. International Journal of General Medicine, 16, 3247–3256. https://doi.org/10.2147/IJGM.S419239</p>
<p>[12] Shi, Y., &amp; Wu, W. (2023). Multimodal non-invasive non-pharmacological therapies for chronic pain: Mechanisms and progress. BMC Medicine, 21, 372. https://doi.org/10.1186/s12916-023-03076-2</p>
<p>[13] Wang, Y., Li, X., Zhang, H., &amp; Chen, J. (2025). An update on non-pharmacological interventions for pain management. Pain Medicine, 26(3), 487–497. https://doi.org/10.1016/j.pmn.2025.01.001</p>
<p>[14] Kovačević, I., Pavić, J., Filipović, B., Ozimec Vulinec, Š., Ilić, B., &amp; Petek, D. (2024). Integrated approach to chronic pain: The role of psychosocial factors and multidisciplinary treatment: A narrative review. International Journal of Environmental Research and Public Health, 21(9), 1135. https://doi.org/10.3390/ijerph21091135</p>
<p>[15] Nijs, J., Malfliet, A., Roose, E., Lahousse, A., Van Bogaert, W., Johansson, E., Runge, N., Goossens, Z., Labie, C., Bilterys, T., Van Campenhout, J., Polli, A., Wyns, A., Hendrix, J., Xiong, H.-Y., Ahmed, I., De Baets, L., &amp; Huysmans, E. (2024). Personalized multimodal lifestyle intervention as the best-evidenced treatment for chronic pain: State-of-the-art clinical perspective. Journal of Clinical Medicine, 13(3), 644. https://doi.org/10.3390/jcm13030644</p>
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