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	<title>Arquivo de Dermatologia - Médico News</title>
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	<description>Dar voz à experiência clínica dos profissionais de saúde no nosso país, através de depoimentos dos key opinion leaders das respetivas especialidades.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 01 Oct 2026 11:47:31 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Dermatologia - Médico News</title>
	<link>https://mediconews.pt/category/dermatologia/</link>
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		<title>SKYN Clear: psoríase e antecedentes oncológicos</title>
		<link>https://mediconews.pt/skyn-clear-psoriase-e-antecedentes-oncologicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gonçalo Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 16:12:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
		<category><![CDATA[psoríase]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estreou o SKYN Clear, um novo espaço promovido pela LEO Pharma, dedicado à partilha de conhecimento e discussão de casos complexos na área da psoríase. Neste episódio inaugural, que contou com a moderação de <strong>Paulo Ferreira</strong>, coordenador da Unidade de Psoríase do Centro de Dermatologia do Hospital CUF Descobertas, a convidada foi <strong>Ana Isabel Gouveia</strong>. A médica do Hospital Garcia de Orta levou a estúdio o desafio do seguimento terapêutico de um doente de 73 anos com psoríase e antecedentes de adenocarcinoma da próstata, sublinhando a importância de individualizar as opções biológicas para garantir a segurança e a qualidade de vida destes doentes. Veja o primeiro episódio.</p>
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		<title>Investigação portuguesa aprofunda o papel do Staphylococcus aureus na dermatite atópica</title>
		<link>https://mediconews.pt/investigacao-portuguesa-aprofunda-o-papel-do-staphylococcus-aureus-na-dermatite-atopica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 12:04:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A pele humana é um ecossistema complexo e equilibrado, mas para quem sofre de dermatite atópica, essa harmonia encontra-se quebrada. Novas evidências apontam para que a bactéria <em>Staphylococcus aureus</em> seja uma das causas deste desequilíbrio. <strong>Maria Miragaia</strong>, líder do Laboratório de Evolução Bacteriana e Epidemiologia Molecular do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade NOVA de Lisboa (ITQB NOVA), esclarece que esta é uma bactéria que pode fazer parte da microbiota comum, embora "o seu nicho principal sejam as narinas anteriores" e não a pele. Contudo, na presença de dermatite atópica, o cenário inverte-se. Como "a barreira da pele está danificada", “criam-se as condições ideais" para a colonização bacteriana, nomeadamente por <em>Staphylococcus aureus</em>, que se torna muito mais prevalente.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Esta vulnerabilidade é agravada por alterações no sistema imunitário. A investigadora sublinha que &#8220;o sistema imune não responde de uma forma tão eficaz como numa pessoa saudável&#8221;, oferecendo assim as condições ideias para a multiplicação bacteriana. O contraste é significativo: se numa pessoa saudável a taxa de colonização ronda os 20 a 30%, nos doentes com dermatite atópica este valor pode atingir &#8220;cerca de 90%&#8221;.</p>
<p>Mais do que um integrante na microbiota da pele, <em>Staphylococcus aureus</em> parece ter um papel ativo na própria evolução da doença. A sua presença acentua-se &#8220;em fases mais agudas da doença&#8221;, sugerindo que a bactéria contribui para a sua patogénese, ainda que, até ao momento, &#8220;não se percebeu ainda o porquê&#8221;. É exatamente para suprimir esta lacuna no conhecimento que nasce o projeto liderado por Maria Miragaia, centrado no estudo de &#8220;Staphylococcus aureus isolados de dermatite atópica&#8221;. Perante a escassez e limitação dos estudos atuais, o objetivo da equipa passa por reunir uma vasta coleção global de isolados bacterianos, numa iniciativa que envolve serviços de Dermatologia de &#8220;vários países&#8221;.</p>
<p>A abordagem metodológica deste projeto passa pela &#8220;sequenciação do genoma total destas bactérias&#8221; com o objetivo de compreender se &#8220;as bactérias que estão nas lesões são diferentes daquelas que normalmente colonizam as pessoas saudáveis&#8221;. Além disso, pretende-se também identificar fatores específicos, como mecanismos de evasão imunitária, resistências a antibióticos ou características de virulência. Um exemplo de um factor de <em>S. aureus</em> com impacto na doença é uma protease que se demonstrou capaz de estimular a comichão em doentes com dermatite atópica, o sintoma mais limitante desta doença.</p>
<p>Do ponto de vista clínico, esta investigação poderá ter impacto na personalização do tratamento, uma vez que poderá permitir &#8220;identificar alvos para novas terapêuticas direccionadas a fatores de S. aureus específicos&#8221;. Atualmente, apesar de se reconhecer a associação da bactéria à doença, &#8220;não é prática os dermatologistas fazerem colheitas por rotina&#8221; para avaliar a sua presença, mas este cenário poderá mudar com o avanço do conhecimento científico.</p>
<p>A investigadora revela ainda que o projeto já produziu resultados preliminares relevantes, mais concretamente que as bactérias presentes nas lesões têm &#8220;características genéticas específicas&#8221;, incluindo fatores que favorecem a sua sobrevivência no ambiente particular da lesão da pele e a sua capacidade de evasão ao sistema imunitário. Apesar de estes dados ainda não estarem publicados, são considerados promissores e incentivam a continuidade do trabalho.</p>
<p>Por fim, Maria Miragaia destaca a importância da colaboração multidisciplinar para o sucesso do projeto, referindo que &#8220;só conseguimos fazer isto porque trabalhamos em colaboração muito estreita com dermatologistas&#8221;, especialmente com Margarida Gonçalo, diretora do Serviço de Dermatologia da ULS de Coimbra, bem como com associações de doentes, como a ADERMAP, na pessoa da sua presidente Joana Camilo, integrando assim dimensões científica, clínica e social. O objetivo futuro passa por aprofundar este conhecimento e contribuir para acelerar o desenvolvimento de melhores estratégias terapêuticas, ajudando a &#8220;melhorar o tratamento dos doentes&#8221;.</p>
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		<title>Abordagem da acne deve focar-se no impacto psicológico e na simplificação de rotinas</title>
		<link>https://mediconews.pt/abordagem-da-acne-deve-focar-se-no-impacto-psicologico-e-na-simplificacao-de-rotinas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 16:09:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O sucesso do tratamento da acne vulgar vai muito além da eficácia clínica, dependendo criticamente da gestão das expectativas, da Saúde Mental e da relação de confiança estabelecida na consulta. Em entrevista, <strong>Catarina Queirós</strong>, da ULS Gaia/Espinho, analisou o profundo impacto psicossocial desta patologia nos jovens. A especialista destacou as principais barreiras à adesão aos tratamentos tópicos e partilhou estratégias práticas para o acompanhamento clínico, avaliando ainda o papel que as ferramentas digitais podem assumir na monitorização diária dos doentes. Assista à entrevista.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por se tratar de uma doença visível que afeta sobretudo os adolescentes e jovens adultos, a acne acarreta uma carga emocional muito pesada. Numa fase da vida em que a autoimagem assume um papel central, as consequências estendem-se às esferas pessoal e social.</p>
<p>“A acne, desde logo, é uma doença visível, portanto tem um impacto na autoestima significativo. Afeta uma faixa etária (…) em que a imagem é muito importante e, portanto, acaba por ter um impacto não só na autoestima como também a nível de relações interpessoais, às vezes até mesmo por questões profissionais. E isto acaba muitas vezes por condicionar o mesmo quadros de ansiedade e depressão associada à patologia”, alertou Catarina Queirós.</p>
<p>Este sofrimento psicológico interfere de forma direta na forma como os doentes encaram a terapêutica. Sentindo-se afetados na sua imagem, os jovens procuram soluções imediatas. Contudo, a ausência de melhorias no curto prazo gera frustração: “Os doentes esperam respostas rápidas. E isso nem sempre é aquilo que acontece na prática e, portanto, a desmotivação também pode ser grande”, acrescentou.</p>
<p><strong>A relação médico-doente e a gestão de expectativas</strong></p>
<p>Para inverter a desmotivação, a comunicação surge como o principal instrumento do dermatologista na consulta. É vital desmistificar a ideia de que existem curas milagrosas e preparar o jovem para o percurso do tratamento.</p>
<p>A especialista considera que a relação médico-doente assume uma “importância primordial” nesta faixa etária. Cabe ao profissional de saúde explicar detalhadamente o funcionamento da terapêutica, frisando que a aplicação regular — quer dos fármacos tópicos, quer dos orais — é obrigatória para obter resultados.</p>
<p>“É fundamental explicarmos muito bem a terapêutica, adequarmos as expectativas, explicarmos ao doente que os resultados levam tempo, que não vai ser uma coisa que vá melhorar em dias. E explicar que podem existir alguns efeitos secundários, pode haver algum desconforto associado à terapêutica e que tudo isso é normal e que com o passar do tempo os resultados vão chegar”, recordou.</p>
<p><strong>Superar as barreiras dos tratamentos tópicos: “Menos é mais”</strong></p>
<p>De acordo com Catarina Queirós, a principal limitação dos tratamentos tópicos disponíveis prende-se com a sua tolerabilidade cutânea. Sintomas como a secura da pele, o ardor ou o eritema são comuns e desmotivam frequentemente a continuidade do esquema terapêutico.</p>
<p>Além dos efeitos secundários, a complexidade dos cuidados diários afasta os mais novos. O segredo, disse, reside na simplicidade e no pragmatismo das rotinas prescritas.</p>
<p>“Nesta faixa etária, sobretudo os adolescentes, também temos que ter em atenção a facilidade dos esquemas (…) porque se prescrevermos uma rotina muito complexa, com muitos passos, o adolescente provavelmente não vai seguir. Portanto, muitas vezes menos é mais”, referiu.</p>
<p>Sempre que exequível, devem privilegiar-se fármacos em associação no mesmo produto para reduzir o número de aplicações seguidas. Além disso, se o jovem for antecipadamente informado sobre as reações normais da pele, irá reagir muito melhor e não abandonará o tratamento por medo ou desconhecimento. Este processo deve ser acompanhado por um seguimento clínico periódico, com consultas de revisão presenciais para avaliar o progresso, ajustar o que não correu tão bem e manter o doente motivado.</p>
<p><strong>O papel da inteligência artificial no <em>follow-up</em> digital</strong></p>
<p>Questionada sobre o impacto da inovação digital no quotidiano clínico, a dermatologista afirmou que a tecnologia pode funcionar como uma aliada no tratamento, especialmente como um elo de ligação entre as consultas hospitalares. A especialista antevê que estas ferramentas facilitem a monitorização da evolução das lesões e permitam fazer um acompanhamento à distância em casos particulares.</p>
<p>“E, talvez até mais importante, estes sistemas podem ajudar no aumento da adesão terapêutica. Por exemplo, ao lembrar o doente da aplicação correta dos tópicos, penso que poderá ser eventualmente uma boa ajuda”, terminou.</p>
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		<item>
		<title>Nova abordagem tópica hormonal muda o paradigma do tratamento da acne</title>
		<link>https://mediconews.pt/nova-abordagem-topica-hormonal-muda-o-paradigma-do-tratamento-da-acne/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 16:05:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A abordagem à acne vulgar está a registar uma evolução significativa com a chegada de terapêuticas direcionadas para a componente hormonal por via cutânea. Em entrevista, <strong>Bruno Duarte</strong>, da ULS São José, analisou o papel central dos androgénios na fisiopatologia da doença. O especialista destacou de que forma a introdução de uma nova classe de modulação hormonal tópica permite colmatar uma lacuna histórica no tratamento tópico da acne ligeira a moderada, abrindo também novas perspetivas para a manutenção prolongada e para a abordagem à acne da mulher adulta. Veja o vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A patogénese da acne vulgar assenta em quatro pilares que não atuam isoladamente, mas sim em estreita interdependência. “A presença de um ou a persistência de um deles, mesmo trazendo contratempos dos outros, pode gerar mecanismos de feedback positivo que acabem por gerar cronicidade à doença e tendência para recidiva”, explicou o dermatologista. Daí decorre a necessidade clínica de “tratar todos os pilares em simultâneo”.</p>
<p>Neste equilíbrio, os androgénios desempenham um papel determinante. De acordo com o especialista, estas hormonas são responsáveis por aumentar a hiperseborreia e contribuem ativamente para a inflamação crónica e para a produção de citocinas.</p>
<p><strong>Uma nova era no tratamento tópico</strong></p>
<p>Até recentemente, o pilar hormonal da acne não era passível de ser abordado por via tópica.</p>
<p>A introdução da clascoterona veio alterar este cenário: atua de forma competitiva, bloqueando a produção da ação androgénica que causa a hiperseborreia e a inflamação. “Vamos tratar um dos pilares que até agora não conseguíamos abordar de forma tópica”, afirmou Bruno Duarte.</p>
<p><strong>Manutenção prolongada para evitar a recidiva</strong></p>
<p>Sendo a acne uma doença inflamatória crónica por definição, o tratamento de manutenção assume um papel crucial. Bruno Duarte adverte que cerca de 10% das mulheres adultas mantêm a doença de forma muito prolongada, estendendo-se pelos 30 ou 40 anos. “O tratamento tópico de manutenção prolongada deve ser feito logo assim que tenhamos a acne adequadamente controlada, porque se pararmos, infelizmente, temos a tendência para recidiva”.</p>
<p>Para esta fase de controlo a longo prazo, o especialista apontou que a clascoterona se afirma atualmente como “uma opção para essa manutenção prolongada”.</p>
<p><strong>O que podemos esperar no futuro?</strong></p>
<p>Olhando para o futuro, Bruno Duarte antecipa novidades disruptivas na área da acne, traçando um paralelo com a revolução que os biotecnológicos trouxeram à psoríase ou à dermatite atópica.</p>
<p>O grande foco da investigação atual prende-se com a preservação do microbioma cutâneo. Os tratamentos com antibióticos convencionais apresentam o dano colateral de destruir a flora microbiana normal da pele e, no caso dos antibióticos sistémicos, a flora intestinal, favorecendo também resistências microbianas.</p>
<p>O futuro passará, por isso, por estratégias altamente seletivas, revelou o especialista, referindo que já existem ensaios clínicos a decorrer com base em dados promissores publicados desde 2023. “O futuro vai mover-se para sermos mais seletivos (…) e vamos ver resultados fantásticos”, concluiu.</p>
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		<item>
		<title>António Fernandes Massa assume presidência do GPTO: entre o combate à desinformação e as pontes com a Europa</title>
		<link>https://mediconews.pt/antonio-fernandes-massa-assume-presidencia-do-gpto-entre-o-combate-a-desinformacao-e-as-pontes-com-a-europa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 14:11:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><strong>António Fernandes Massa</strong> assumiu a presidência do Grupo Português de Tricologia e Onicologia (GPTO) para o biénio 2026-2027 com um compromisso claro de continuidade, mas também de adaptação aos novos desafios mediáticos e científicos. Numa altura em que o “ruído” e as falsas promessas proliferam na saúde capilar, o novo líder assume como missão aproximar o Grupo da população geral, combater a desinformação e impulsionar a produção científica dos mais jovens. Em entrevista, o especialista analisa o excelente nível da Dermatologia portuguesa face aos padrões internacionais e revela as pontes europeias que marcarão o mandato. Veja o vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A passagem para a liderança do GPTO surge como um passo natural para o especialista, que já integrava a direção anterior. “Tenho muito gosto em aceitar este desafio. Trata-se de uma continuidade”, afirma, prestando homenagem ao legado iniciado há oito anos por Rui Oliveira Soares.</p>
<p>Para este biénio, o grande motor será a comunicação clara com a sociedade: “Tenho a vontade de aumentar a projeção do Grupo, mostrar à população que é uma secção especializada no setor da Dermatologia”. O objetivo é posicionar o GPTO como o porto de abrigo seguro para doentes que, muitas vezes em situação de desespero, se tornam vulneráveis a ofertas sem base clínica.</p>
<p>O presidente defende também a urgência de clarificar competências junto do público. “O primeiro ponto é explicar que o dermatologista é o médico que cuida da saúde do cabelo e das unhas. Isto é um ponto fulcral”, sublinha, alertando para o facto de pequenas formações não substituírem os cinco anos de internato da especialidade.</p>
<p>Para travar o avanço de diagnósticos errados e combater o ruído comercial, a nova direção já desenhou ferramentas práticas de comunicação. “Já ativámos as nossas redes sociais, tentando estar mais presentes. E tivemos o lançamento do podcast ‘Carecas de Saber’, que tem um lançamento mensal”, revela António Fernandes Massa. Com este projeto, o Grupo pretende disponibilizar à população “informação que seja fidedigna e fácil de entender”.</p>
<p>No plano científico e formativo, as metas passam por fomentar as competências dos médicos portugueses através do contacto com a vanguarda europeia. O GPTO irá manter e aprofundar as pontes com o Grupo espanhol de Tricologia, considerado um líder mundial na área. “É uma relação muito próxima e que continuamos a explorar”, refere o médico, adiantando que vários especialistas do país vizinho estarão presentes na reunião magna do Grupo. Adicionalmente, o mandato estenderá os contactos com o acolhimento de uma professora polaca, descrita como uma “eminência” no setor.</p>
<p>Estas sinergias vão converger na próxima Reunião Anual do Grupo, agendada para o dia 21 de novembro. O evento trará uma novidade técnica de relevo: “Vamos também ter e englobar um curso de tricoscopia, que é algo que é muito importante como diagnóstico na área do cabelo e, no caso da Onicologia, também nas unhas”.</p>
<p>Ao avaliar o estado da arte em Portugal, o atual presidente faz um balanço francamente positivo e assegura que os profissionais nacionais “comparam muito bem” com o que de melhor se faz na Europa e nos Estados Unidos. “A verdade é que são pessoas globalmente bem preparadas e com qualidade científica. São pessoas que, na generalidade, trabalham e estudam muito”, elogia.</p>
<p>O presidente atribui este nível de excelência ao hábito enraizado de os clínicos realizarem estágios em centros de referência internacionais — uma experiência que o próprio vivenciou. “Permite trazer conhecimentos específicos de áreas específicas para cá. E o benefício último é o cuidado sobre o doente”, remata.</p>
<p>Até ao final do mandato, em 2027, o grande foco será o rejuvenescimento da investigação e o aumento da produção científica com a assinatura dos especialistas nacionais. “Queremos aumentar a produção científica e queremos deixar uma marca positiva, mantendo o bom legado que recebi”, conclui.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O futuro das terapias genéticas na Dermatologia Pediátrica</title>
		<link>https://mediconews.pt/o-futuro-das-terapias-geneticas-na-dermatologia-pediatrica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2026 14:25:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
		<category><![CDATA[TOP PICKS Derma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O 25th ESPD <em>Congress</em> 2026 voltou a destacar-se como um palco privilegiado para discutir inovação em Dermatologia Pediátrica, incluindo áreas emergentes como as terapias genéticas. Na sessão “The future of genetic therapies in pediatric dermatology”, <strong>Veronica Kinsler</strong>, professora de Dermatologia Pediátrica e Dermatogenética no <em>Great Ormond Street Hospital for Children</em>, apresentou uma visão geral sobre este campo em rápida evolução.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Logo no início, Veronica Kinsler contextualizou o impacto das grandes inovações médicas ao longo do tempo, recordando que mudanças transformadoras não são imediatas. “Um em cada 13 habitantes de Londres morreu de varíola”, explicou Veronica Kinsler, acrescentado que demorou 100 anos até vermos o impacto total da vacinação. “Estes grandes avanços médicos têm um ponto de partida e depois um legado próprio”, sendo necessário tempo para que os seus benefícios se tornem plenamente visíveis. Nesse sentido, sublinhou que, embora a descoberta do DNA tenha ocorrido em 1953, “ainda estamos no início do processo de desenvolvimento de terapias genéticas e a colher os frutos dessa descoberta”.</p>
<p>Apesar de serem frequentemente encaradas como uma “Medicina do futuro”, a oradora reforçou que as terapias genéticas já são uma realidade atual. De facto, salientou que “até hoje, já foram aprovados pela FDA, 43 tratamentos com vetores virais, 10 oligonucleótidos antisense, sete SIRNAs e um CRISPR-Cas9”.</p>
<p>Um dos pontos centrais da apresentação foi a clarificação conceptual das terapias genéticas, cuja definição continua ampla e algo desatualizada. Como explicou, “qualquer terapêutica que interfira com transcrição ou tradução pode ser considerada terapia genética”, o que significa que o seu âmbito vai muito além das doenças hereditárias. Assim, destacou que estas abordagens estão já a ser desenvolvidas para doenças inflamatórias comuns, como psoríase, dermatite atópica ou alopecia areata.</p>
<p>Para simplificar, propôs uma divisão prática afirmando que existem dois “tipos de terapia genética: as que alteram o DNA ou apresentam o risco de o alterar, e as que não o fazem”. As abordagens que atuam ao nível do DNA incluem edição genética (como CRISPR), adição de genes com ou sem integração no genoma. Cada uma apresenta vantagens e riscos, nomeadamente, a edição pode oferecer “uma solução permanente&#8221;. Quando o tratamento termina, o problema desaparece. A pessoa nunca mais necessita de tratamento”, mas levanta questões éticas e de segurança. Já a integração pode também ser duradoura, mas “a inserção aleatória no genoma pode causar problemas”.</p>
<p>Ao nível do RNA, as estratégias são geralmente menos arriscadas, mas também menos duradouras uma vez que “não editam o genoma, são temporárias”, implicando tratamentos repetidos. A especialista explicou que “estas terapias dividem-se em duas áreas principais: as terapias com RNA, que se apresentam sob várias formas, mas consistem basicamente na adição de novo RNA. Ou terapias com oligonucleótidos antissense” em que “uma molécula de DNA de cadeia simples que interfere com o RNA”. Esta área tem ganho enorme destaque, especialmente com o desenvolvimento de siRNA.</p>
<p>A pele apresenta desafios específicos para estas terapias, nomeadamente a necessidade de ultrapassar a barreira cutânea e atingir as células-alvo. A especialista explicou que, sempre que possível, é preferível a abordagem ex vivo pois “é mais seguro retirar as células, tratá-las e voltar a colocá-las”. No entanto, reconheceu limitações práticas dado que “é extremamente caro e demorado”, sendo muitas vezes inviável.</p>
<p>Alternativamente, existem abordagens <em>in vivo</em>. Cada método implica desafios adicionais, sobretudo quando se trata de terapias mais complexas, como CRISPR, “é muito mais difícil entregar este tipo de terapias porque são estruturas grandes e complexas”.</p>
<p>Entre os exemplos de sucesso, destacou os avanços na anemia falciforme, onde diferentes abordagens genéticas conseguiram resultados notáveis. “Estes doentes deixam de ter crises e a necessidade de transfusões”, ilustrando o potencial transformador destas estratégias.</p>
<p>Contudo, foi na área do siRNA que Veronica Kinsler identificou um dos caminhos mais promissores: “Se tivesse de apostar no futuro, diria que o siRNA é provavelmente a via mais relevante”. Esta tecnologia permite uma intervenção altamente específica ao nível do RNA, aproveitando mecanismos naturais da célula, uma vez que “podemos eliminar seletivamente o RNA mensageiro alvo”. Além disso, apresenta vantagens claras como o “desenvolvimento rápido, elevada especificidade e menos efeitos secundários”.</p>
<p>A evidência clínica já existente reforça o seu potencial dado que “o perfil de segurança tem sido fantástico”, com administrações espaçadas no tempo, demonstrando eficácia prolongada.</p>
<p>A parte final da apresentação centrou-se no trabalho do próprio grupo de investigação, focado em nevos melanocíticos congénitos. A oradora apresentou dados que sugerem um potencial revolucionário: “pensávamos que precisaríamos de CRISPR para curar estas doenças, mas pode não ser verdade”. Com siRNA dirigido a mutações específicas, foi possível demonstrar não só inibição do crescimento celular, mas também indução de morte celular através de “uma única dose e, ao longo de uma semana, as células morrem”.</p>
<p>Em suma, esta sessão evidenciou que as terapias genéticas já não pertencem apenas ao domínio conceptual ou experimental, mas estão progressivamente a integrar a prática clínica.</p>
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		<title>25.º Congresso Nacional de Dermatologia e Venereologia: &#8220;Será um espaço de reflexão crítica, rigor clínico e forte espírito de partilha&#8221;</title>
		<link>https://mediconews.pt/25-o-congresso-nacional-de-dermatologia-e-venereologia-sera-um-espaco-de-reflexao-critica-rigor-clinico-e-forte-espirito-de-partilha/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 15:03:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em entrevista de antevisão ao 25.º Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), o presidente da instituição, <strong>Alberto Mota</strong>, destaca o equilíbrio entre a atualidade científica e a relevância prática no programa deste ano. O responsável sublinha que esta edição abordará desde a inovação terapêutica na psoríase e Dermatologia pediátrica até temas transversais como a literacia financeira na Medicina e as infeções sexualmente transmissíveis. Num convite caloroso à participação ativa de especialistas e internos na "cidade do conhecimento", o presidente incentiva os colegas a cruzarem este "limiar simbólico" rumo a uma atualização científica exigente, plural e transversal a todas as gerações. Leia a entrevista.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>News Farma (NF) I A celebração da 25.ª edição do Congresso Nacional é um marco importante para a SPDV. Olhando para este percurso e para a evolução da própria especialidade, o que é que esta edição em particular tem para oferecer e proporcionar aos dermatologistas?</strong></p>
<p><strong>Alberto Mota (AM) I</strong> O programa científico assenta em três pilares fundamentais, a saber: a atualidade científica, a abrangência, tanto temática como da audiência-alvo a que se destina e a relevância prática para a atividade do dermatologista. Assim, abrange um vasto leque de áreas, tais como a psoríase, Dermatologia pediátrica, papel da genética, simpósios dedicados à inovação terapêutica, sessão de atualização de diversos temas, com conferência internacional sobre formulações magistrais e um curso pós-congresso, centrado nas infeções sexualmente transmissíveis. Inclui, ainda, as sessões clínicas e comunicações científicas, a quais refletem a dinâmica de investigação dos serviços e assumem um papel formativo transversal a todas as gerações de dermatologistas. Foi, igualmente, considerada a importância de temas transversais, como a abordagem da questão da literacia financeira aplicada à prática médica e a partilha das competências adquiridas pelos internos bolseiros em estágios internacionais, em cuja formação a SPDV desempenhou e continua a desempenhar.</p>
<p><strong>NF I A Dermatologia é uma área em constante e rápida atualização, especialmente ao nível da inovação terapêutica e tecnológica. Qual foi o racional por detrás da construção do programa científico deste ano e que principais necessidades dos profissionais procuraram colmatar?</strong></p>
<p><strong>AM I</strong> A tónica em áreas em transformação, como a psoríase e a Dermatologia pediátrica, nas sessões de atualização e nos simpósios de inovação terapêutica, bem como na importância da literacia financeira na prática clínica, refletem a preocupação com essas necessidades formativas e práticas.</p>
<p><strong>NF I Na sua perspetiva, qual é a principal mais-valia que os dermatologistas vão levar consigo desta edição do Congresso para as suas práticas clínicas?</strong></p>
<p><strong>AM I</strong> Dada a qualidade da Dermatologia e dos dermatologistas portugueses, incluindo os internos em formação, o Congresso Nacional será um espaço privilegiado de atualização e reflexão crítica, onde o rigor clínico e científico se conjuga com um forte espírito de partilha, formação e evolução contínua.</p>
<p><strong>NF I Para terminar, que mensagem gostaria de deixar aos seus colegas, em jeito de convite, para que se juntem e participem ativamente neste 25.º Congresso da SPDV?</strong></p>
<p><strong>AM I</strong> Reitero a mensagem que escrevi para este Congresso, tendo em conta que o mesmo terá lugar na bela “cidade do conhecimento” que mistura história, arquitetura, ciência e paixão. Exorto todos os colegas a entrarem pelo “arco triunfal da sabedoria”, Porta Férrea do nosso Congresso, com a mesma paixão pelo conhecimento e pela inovação que tem impulsionado a nossa especialidade, atravessando este limiar simbólico rumo a um programa científico exigente e plural.</p>
<p>Conheça todo o programa do evento <a href="https://www.spdv.pt/_25o_congresso_nacional_de_dermatologia_e_venereologia" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
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		<title>Do tratamento à modificação da doença: a nova era na Dermatologia Pediátrica</title>
		<link>https://mediconews.pt/do-tratamento-a-modificacao-da-doenca-a-nova-era-na-dermatologia-pediatrica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 14:31:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O 25th ESPD Congress 2026 voltou a afirmar-se como um dos principais fóruns internacionais de debate em Dermatologia Pediátrica, reunindo especialistas para discutir os mais recentes avanços na abordagem das doenças inflamatórias cutâneas. A sessão “Evolving management of inflammatory diseases” foi apresentada por <strong>Lawrence Eichenfield</strong>, especialista em Dermatologia Pediátrica no <em>Rady Children's Hospital-San Diego</em>, que partilhou uma visão abrangente sobre a evolução terapêutica e os desafios futuros.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o início, Lawrence Eichenfield sublinhou o momento de transformação que a especialidade atravessa, lembrando que “houve verdadeiras revoluções que nos trouxeram até onde estamos agora”. Nesse sentido, reforçou que “há avanços tremendos a acontecer neste campo, e precisamos uns dos outros para processar esta informação”. Apesar do papel central dos ensaios clínicos, destacou a importância da experiência do mundo real, referindo que “os ensaios clínicos são a moeda que usamos para estabelecer terapêuticas, mas a experiência clínica é crucial para traduzir isso para a vida real”.</p>
<p>Ao longo da apresentação, tornou-se evidente a rápida evolução no tratamento das doenças inflamatórias cutâneas, com a introdução de novos agentes tópicos não esteroides, terapêuticas biológicas e pequenas moléculas, a par dos imunossupressores tradicionais. Esta diversidade levanta novas questões, nomeadamente se “um tratamento mais precoce e agressivo pode alterar o curso da doença”, sendo que “ainda estamos numa fase inicial da capacidade de adaptar terapêutica a fenótipos, genótipos ou biomarcadores”.</p>
<p>Na psoríase, Lawrence Eichenfield destacou o alargamento significativo das opções terapêuticas, incluindo novos tratamentos tópicos, terapêuticas orais e biológicos dirigidos, sublinhando que “hoje já temos opções que não existiam há poucos anos”. Referiu ainda o desenvolvimento de novos tratamentos orais com características semelhantes às dos biológicos, como o apremilast ou icotrokinra, cujos resultados são “impressionantes, com quase 90% a atingir PASI 90 às 24 semanas”. Estes tratamentos representam alternativas relevantes para “os adolescentes que têm receio de agulhas”, constituindo “uma opção diferente do metotrexato ou da ciclosporina tradicionais”. Apesar dos avanços terapêuticos, mantém-se uma limitação importante nesta patologia, uma vez que “ainda não temos biomarcadores específicos para psoríase ou artrite psoriática”. Estes seriam essenciais para “nos ajudar no futuro a segmentar o que podemos fazer com esta doença” e a analisar os <em>outcomes</em> clínicos durante e após o tratamento.</p>
<p>Na dermatite atópica, a evolução é ainda mais expressiva. O especialista destacou a expansão dos tratamentos tópicos não esteroides, referindo que “assistimos a uma expansão significativa destes agentes”. Entre os exemplos, mencionou o ruxolitinib, na formulação “1,5% para doentes com seis anos de idade ou mais”. Acrescentou ainda que “podemos utilizar até 20% da superfície corporal” e que os “dados mostram que, se for utilizado desta forma, é bastante seguro, com níveis séricos muito baixos e essencialmente sem evidência de efeitos secundários sistémicos com este agente tópico”. Outra opção é o roflumilast a “0,05% para crianças dos dois aos cinco anos”, com eficácia relevante, atingindo “EASI 75 com uma melhoria de cerca de 40%”, bem como o tapinarof a 1%, “aprovado para crianças com menos de dois anos”.</p>
<p>No domínio das terapêuticas sistémicas, destacou-se o papel dos biológicos, não apenas no controlo da doença cutânea, mas também na modulação das comorbilidades. “Estamos a ver uma diminuição no desenvolvimento de comorbilidades com os biológicos”, nomeadamente asma, rinite alérgica, infeções cutâneas e perturbações do sono.</p>
<p>Relativamente ao dupilumab, Lawrence Eichenfield referiu que “há uma redução na incidência de asma e rinite alérgica”, bem como “uma atenuação de alergias ambientais”. Esta terapêutica não parece induzir uma “alteração significativa no desenvolvimento de alergia alimentar”, mas promove “uma diminuição significativa dos distúrbios do sono, das infeções da pele e dos tecidos moles”.</p>
<p>O orador destacou ainda dados considerados “intrigantes” sobre o impacto da dermatite atópica grave no crescimento infantil. No estudo LIBERTY AD CHRONOS (NCT02260986), “verificou-se uma sobre-representação de crianças mais baixas no início do estudo”, com “mais de 50% da população […] abaixo do percentil 50”. Com o tratamento, observou-se uma mudança relevante: “Houve um aumento de 5% no crescimento, para além da curva de crescimento, após apenas quatro meses de tratamento com dupilumab”.</p>
<p>Na interpretação destes resultados, Lawrence Eichenfield propõe uma leitura cautelosa, afirmando que “o dupilumab não está a promover o crescimento das crianças”, mas que “a dermatite atópica grave é que pode estar a restringir o crescimento infantil”. Assim, “a correção ou a melhoria do estado imunitário acelera o crescimento, incluindo num subgrupo de doentes”.</p>
<p>No caso do nemolizumab, surpreendentemente, “a dose mais elevada [&#8230;] apresentou um desempenho inferior [&#8230;] em comparação com a dose mais baixa”. Estes resultados são referentes a “duas coortes, uma de crianças dos dois aos seis anos e outra dos sete aos onze anos”. A terapêutica demonstrou benefícios clínicos relevantes, com “resultados muito bons [&#8230;] na resposta ao prurido ” e “uma melhoria objetiva da pele”. No entanto, estes dados devem ser interpretados com cautela, uma vez que “este é um agente biológico utilizado em conjunto com os corticosteroides tópicos”, sendo que “este é um estudo aberto, sem placebo”. Apesar disso, “os resultados não deixam de ser impressionantes”, sugerindo “uma resposta clínica mais robusta com o nemolizumab”, embora “este estudo de fase 2 não seja provavelmente suficiente para aprovação”.</p>
<p>Relativamente ao lebrikizumab, os dados são mais consistentes. Trata-se de um fármaco “aprovado há mais de 12 anos” noutras indicações e recentemente a ser estudado numa população pediátrica dos “seis meses aos 18 anos”. Nos ensaios apresentados, cerca de “dois terços dos doentes [&#8230;] apresentarem uma melhoria de 75% em 16 semanas”, face a “22% no grupo placebo”. Persistem, contudo, algumas incertezas, nomeadamente à ausência de dados detalhados abaixo dos 12 anos e o facto de os doentes “usarem corticosteroides tópicos [&#8230;] e poderem continuar a usá-los”, o que pode influenciar os resultados.</p>
<p>Outro ponto relevante prende-se com a duração da terapêutica. Lawrence Eichenfield afirmou que “já não vejo os biológicos como terapêuticas para toda a vida”, descrevendo casos em que, após a suspensão, os doentes mantêm doença residual mínima. Esta observação sugere uma possível modificação do curso da doença, em que “podemos estar a conseguir atenuar a doença ao longo do tempo”. Como exemplo, o especialista referiu casos em que doentes tratados com dupilumab durante cerca de um ano e meio deixavam de comparecer às consultas, apesar da vigilância recomendada. Com o tempo, verificou-se que muitos mantinham bom controlo clínico mesmo sem terapêutica contínua, recorrendo apenas a “corticosteroides tópicos intermitentes em baixas doses”. Mais relevante ainda foi a evolução da gravidade da doença dado que doentes com “60% de área de superfície corporal afetada” passaram a apresentar apenas “2% a 3% de área de superfície corporal afetada” após tratamento, mesmo com períodos prolongados sem medicação sistémica.</p>
<p>No campo da prevenção, destacou-se um estudo com emolientes desde o nascimento, no qual o grupo de intervenção apresentou “uma redução da incidência de dermatite atópica aos 24 meses, com uma redução de 16% no risco relativo”, embora com menor eficácia em crianças com história familiar, sugerindo influência dominante de fatores genéticos.</p>
<p>Apesar dos avanços, o especialista alertou para limitações importantes na evidência disponível, recordando que “a aprovação de terapêuticas pode basear-se em amostras muito pequenas”. Nesse sentido, reforçou a importância da partilha de experiência clínica, dado que “a partilha de experiência é essencial para definir a prática”.</p>
<p>Em síntese, a sessão evidenciou uma profunda transformação na Dermatologia Pediátrica, marcada por rápida inovação terapêutica, uma abordagem mais integrada da doença e uma crescente aposta na personalização dos cuidados. Como concluiu Lawrence Eichenfield, “o futuro será construído em conjunto”, sublinhando a importância da colaboração internacional na definição dos próximos passos no tratamento das doenças inflamatórias cutâneas em idade pediátrica.</p>
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		<item>
		<title>Autoimagem e Saúde Mental: distinguir a preocupação estética da patologia</title>
		<link>https://mediconews.pt/autoimagem-e-saude-mental-distinguir-a-preocupacao-estetica-da-patologia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 14:10:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=45984</guid>

					<description><![CDATA[<p>No âmbito das Jornadas de Dermatologia e Dermocosmética em Medicina Geral e Familiar, destacou-se a sessão “Beleza: Importância da autoimagem”, onde foi abordada a relação entre perceção estética, Saúde Mental e intervenção clínica. <strong>Catarina Cotta</strong>, médica psiquiatra na ULS Estuário do Tejo, refletiu sobre os limites entre a preocupação estética saudável e as manifestações patológicas, sublinhando o papel fundamental dos médicos de família na identificação precoce de sinais de alerta. Assista às declarações.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A especialista começou por alertar para a complexidade do tema dado que “normalmente, quando uma preocupação estética acontece no contexto de uma doença mental, há muitas variáveis”. Ainda assim, apontou critérios orientadores, destacando a importância de identificar “descontinuidades na pessoa”, ou seja, perceber “se sempre incomodou a pessoa ou se começou a incomodar agora”.</p>
<p>Outro aspeto essencial é a análise da persistência e do padrão dos comportamentos. A especialista referiu que “é muito importante procurar atos continuados, como em qualquer doença mental em geral”. Catarina Cotta diferenciou também o foco da preocupação estética, explicando que, quando não é patológica, tende a ser “bem delimitado”, ao contrário das situações associadas a doença mental, onde pode surgir “de forma muito difusa e vaga”.</p>
<p>Nos casos patológicos, a preocupação assume “uma grande centralidade na identidade da pessoa”, acompanhada por “muita rigidez em relação ao objetivo estético” e uma dificuldade em compreender “os limites da técnica cirúrgica ou do tipo de intervenção”. Acrescentou ainda que os comportamentos associados são mais intensos, nomeadamente “comportamentos de camuflagem e comportamentos repetitivos para tentar melhorar esse defeito”.</p>
<p>No contexto da perturbação dismórfica corporal, a especialista sublinhou a gravidade do impacto no quotidiano “as pessoas gastam uma média de três a oito horas por dia a tentar digerir este facto”.</p>
<p>Relativamente à abordagem em Cuidados de Saúde Primários, Catarina Cotta reforça a importância do encaminhamento adequado. Sempre que existam sinais de alerta, “devemos referenciar para a Psiquiatria quando há características de uma preocupação estética atípica”, sobretudo se a intensidade for significativa. Por outro lado, em situações não patológicas, embora possa existir algum grau de camuflagem ou impacto emocional, estes são “menos intensos”, devendo o doente ser orientado “para uma consulta de Dermatologia ou de Medicina Estética”.</p>
<p>O evento realizou-se nos dias 16 e 17 de abril de 2026, no Auditório do Fórum Tecnológico.</p>
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		<item>
		<title>Além da pele: o impacto invisível do eczema na vida escolar das crianças</title>
		<link>https://mediconews.pt/alem-da-pele-o-impacto-invisivel-do-eczema-na-vida-escolar-das-criancas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 09:43:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
		<category><![CDATA[TOP PICKS Derma]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=45874</guid>

					<description><![CDATA[<p>No congresso da <em>European Society for Paediatric Dermatology</em> (ESPD), foi apresentada uma comunicação oral por <strong>Aoife Cassidy</strong>, pediatra no <em>Children's Health Ireland</em> e investigadora envolvida no estudo IMPEED (<em>IMpact of Eczema on EDucational achievement &#38; Participation amongst children in Ireland</em>), que trouxe uma perspetiva clínica, epidemiológica e qualitativa sobre o impacto do eczema na vida escolar.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A pediatra iniciou a sua apresentação com uma reflexão baseada num caso da sua prática clínica, referindo que conheceu uma menina “que não tinha ido à escola nas últimas duas semanas por causa do uniforme”, explicando que “o colarinho rígido e a gravata eram demasiado dolorosos para usar”, o que a impedia de frequentar as aulas.</p>
<p>Aoife Cassidy abordou outros exemplos, em que crianças “com eczema tão grave nas mãos que não conseguiam segurar um lápis”, outras “a coçar-se até sangrar sobre os cadernos”, algumas “a adormecer na sala de aula”, e outras ainda “tão preocupadas com o que os outros pensavam da sua pele que não conseguiam concentrar-se nos estudos”.</p>
<p>A partir destas experiências, o estudo IMPEED procurou inicialmente avaliar o impacto do eczema nos resultados académicos, mas evoluiu para uma questão mais ampla: “Qual é o impacto de viver com eczema na vida escolar quotidiana?”. A investigação incluiu crianças dos 6 aos 16 anos seguidas entre 12 a 18 meses, com avaliação clínica (EASI score, CDLQI e POEM), análise de resultados académicos padronizados em leitura e matemática e entrevistas qualitativas a crianças e cuidadores.</p>
<p>Os resultados mostraram que, globalmente, “não existe um impacto significativo nos resultados académicos quando comparados com a população nacional”, tendo mesmo sido observado que alguns alunos com eczema “atingiam resultados acima da média”. Contudo, a especialista sublinhou que “quando olhamos apenas para os exames, estamos a perder parte da história”.</p>
<p>De facto, “quase um terço das crianças com eczema recebia apoios educativos adicionais”, em comparação com menos de 10% na população geral. Além disso, verificou-se que as crianças faltavam em média “mais seis dias por ano devido à doença”, sobretudo por “exacerbações infeciosas, cansaço excessivo após uma noite mal dormida, uniformes e sapatos desconfortáveis, consultas médicas e efeitos secundários de medicamentos”. A ausência escolar superior a seis dias foi “significativamente associada à maior gravidade do eczema”.</p>
<p>No que respeita ao quotidiano escolar, cerca de “três quartos das crianças referiram que o eczema era uma barreira diária”. Aoife Cassidy destacou relatos que afirmavam que “a comichão era perturbadora e, por vezes, angustiante. Além disso, o eczema nas mãos impedia-as de segurar canetas ou lápis ou de participar em determinadas atividades. A dificuldade de concentração, frequentemente devida à fadiga, também contribuía”.</p>
<p>Para além do desempenho académico, o estudo evidenciou um forte impacto na participação social dado que mais de “dois terços das crianças relataram impacto na participação em atividades desportivas ou outras atividades recreativas, tanto na escola como fora dela”. Mais concretamente, um terço viu “as aulas de natação afetadas” e mais de metade referiu “limitações nas atividades sociais”. Muitas crianças evitavam atividades por “constrangimento com a sua pele” ou por desconforto associado ao suor, água com cloro ou ao uso de emolientes.</p>
<p>Um dos achados centrais foi que “não é apenas a pele que importa”, mas sim a experiência vivida. A especialista demonstrou que o CDLQI e o POEM foram os indicadores mais fortemente associados ao impacto académico, referindo que “estes refletem consistentemente a carga real vivida pelas crianças e famílias”, enquanto EASI score era apenas “uma fotografia momentânea da pele em consulta”.</p>
<p>Segundo a pediatra, estas crianças relataram “esforçar-se para não serem diferentes”, escondendo o eczema e evitando atividades. Aoife Cassidy destacou que “existem sempre uma ou duas crianças com eczema em cada sala de aula, mas não o sabemos porque o estão a esconder”.</p>
<p>Foram também identificadas perdas importantes em marcos da infância, como “festas escolares, bailes escolares, ou experiências típicas da adolescência”, bem como uma elevada carga emocional parental, descrita como “culpa do passado, preocupação constante com o futuro e o fardo cognitivo de estar constantemente vigilante e a planear”.</p>
<p>No final, Aoife Cassidy sintetizou as principais conclusões afirmando que “o eczema não implica necessariamente uma desvantagem académica universal, mas também não é benigno do ponto de vista educativo”. As crianças com maior carga da doença apresentam “piores resultados académicos e maior impacto na participação e na vida escolar”.</p>
<p>A apresentação terminou com uma chamada à ação, sublinhando a necessidade de ir além da avaliação exclusiva dos resultados académicos. É fundamental considerar a participação da criança nas aulas e nos recreios, bem como refletir sobre a qualidade de vida escolar como uma dimensão multifatorial. Foi ainda destacada a importância de flexibilizar normas como o uso de uniformes, reforçar a articulação entre profissionais de saúde e escolas e promover uma intervenção mais precoce, de forma a prevenir a amplificação das desigualdades educativas associadas à doença.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/alem-da-pele-o-impacto-invisivel-do-eczema-na-vida-escolar-das-criancas/">Além da pele: o impacto invisível do eczema na vida escolar das crianças</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
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