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	<title>Andrea Fonseca, autor em Médico News</title>
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	<description>Dar voz à experiência clínica dos profissionais de saúde no nosso país, através de depoimentos dos key opinion leaders das respetivas especialidades.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 27 May 2025 13:14:57 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Andrea Fonseca, autor em Médico News</title>
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		<title>&#8220;O médico de família tem um papel privilegiado na gestão da DPOC”</title>
		<link>https://mediconews.pt/o-medico-de-familia-tem-um-papel-privilegiado-na-gestao-da-dpoc/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 May 2025 13:14:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Geral e Familiar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito das Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar (MGF) 2025, decorreu a sessão "Travar a DPOC – Doentes diferentes, terapêuticas diferentes", promovida pela Tecnimede. <strong>Rui Oliveira</strong>, assistente graduado de Medicina Geral e Familiar (MGF) na USF São Miguel-O-Anjo e diretor do internato de MGF em Famalicão, destacou, em declarações à News Farma, a importância do diagnóstico precoce e da adequação terapêutica na doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Veja o vídeo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Existem duas mensagens-chave que quis passar com a minha apresentação. Em primeiro lugar, o subdiagnóstico e a importância de os médicos de família estarem atentos a estes doentes, que muitas vezes desvalorizam os sintomas porque se adaptam, mas que têm fatores de risco importantes, como tabagismo, exposição ocupacional ou combustão de biomassas. Nestes casos, devemos fazer uma pesquisa ativa da patologia – pelo menos excluí-la – e é tão simples como pedir uma espirometria com prova de broncodilatação. E muitas vezes encontramos surpresas&#8221;, referiu desde logo Rui Oliveira.</p>
<p>O médico de família reforçou que o diagnóstico precoce é fundamental para prevenir a degradação da função respiratória, evitando exacerbações e outras patologias associadas: &#8220;Ao identificarmos atempadamente esta doença, prevenimos uma cascata de complicações que podem comprometer a qualidade de vida do doente.&#8221;</p>
<p>A segunda mensagem-chave abordada na sessão relaciona-se com a técnica inalatória e a adesão à terapêutica. &#8220;Podemos até prescrever a terapêutica adequada, mas se o doente não utilizar o dispositivo inalatório correto ou não o fizer de forma adequada, não irá beneficiar da medicação. Isso pode comprometer os resultados, manter o doente sintomático e perpetuar o ciclo de exacerbações&#8221;, alertou Rui Oliveira. &#8220;É essencial verificar a adesão à terapêutica e corrigir erros na técnica inalatória. Se o doente não tiver um fluxo inspiratório ideal, temos de selecionar dispositivos com menor resistência interna, como os inaladores pressurizados&#8221; observou.</p>
<p>Rui Oliveira explicou ainda que embora os inaladores pressurizados tradicionais já apresentem menor resistência interna, “o Aerosphere® distingue-se por possuir uma tecnologia avançada” que permite uma maior deposição pulmonar do fármaco, além de garantir uma ação mais rápida desde a primeira utilização. &#8220;Este é um fator crucial para garantir um tratamento eficaz, especialmente em doentes que não conseguem gerar um fluxo inspiratório suficiente para dispositivos de pó seco&#8221;, reforçou.</p>
<p><strong>Subdiagnóstico e a necessidade de formação</strong></p>
<p>Em relação à prevalência da DPOC, Rui Oliveira apontou discrepâncias entre estudos. &#8220;Temos um estudo nacional que estima uma prevalência de cerca de 14% na população acima dos 40 anos. Contudo, os dados do BI dos cuidados de saúde primários indicam uma prevalência muito inferior, o que evidencia um subdiagnóstico.&#8221; Apesar de os diagnósticos estarem a aumentar, a evolução tem sido lenta. &#8220;O GRESP, grupo de doenças respiratórias da APMGF, tem desempenhado um papel fundamental na formação dos médicos de família, capacitando-os para um diagnóstico mais eficaz. Mas ainda há muito trabalho a fazer&#8221;, considerou.</p>
<p>O médico alertou para as consequências do diagnóstico tardio, lembrando que &#8220;uma exacerbação causa perda de capacidade funcional respiratória irreversível. Quanto mais cedo identificarmos e tratarmos a DPOC, melhor será o prognóstico. Após uma exacerbação, a função pulmonar não recupera totalmente, tornando-se essencial evitar estas ocorrências sempre que possível.&#8221;</p>
<p>A identificação precoce dos doentes com DPOC também implica uma abordagem mais ativa por parte dos médicos de família. &#8220;Nem todos os doentes com DPOC relatam sintomas significativos, pois adaptam-se progressivamente à sua limitação respiratória. Por isso, cabe-nos suspeitar da doença em doentes com fatores de risco, como fumadores ou indivíduos expostos a poeiras e químicos no local de trabalho, e solicitar exames complementares&#8221;, defendeu Rui Oliveira.</p>
<p>Outra vertente abordada foi a relação entre a DPOC e outras patologias, em particular a doença cardiovascular. &#8220;A maioria dos doentes tem estas patologias concomitantemente, pois partilham fatores de risco, como o tabagismo. A presença concomitante da DPOC e doença cardiovascular está associada a piores resultados do que qualquer condição isolada, com o aumento do risco de morte, explicou. E, como tal, na sua opinião, &#8220;é essencial que os médicos de família, com a sua visão holística, abordem estas patologias em conjunto.&#8221;</p>
<p>Rui Oliveira reforçou ainda a necessidade de os médicos de família ajustarem a terapêutica conforme o perfil do doente. &#8220;Não devemos ter receio de adaptar a medicação, substituindo terapêuticas desatualizadas ou ineficazes por combinações mais adequadas. Se um doente não for exacerbador, pode não necessitar de um corticoide inalado, podendo beneficiar mais de uma terapêutica dupla. Em contrapartida, se for exacerbador e tiver um número elevado de eosinófilos, pode justificar-se a terapêutica tripla&#8221;, sublinhou.</p>
<p>A sessão destacou, assim, a importância da MGF na gestão da DPOC, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce, adequação terapêutica e abordagem integrada do doente. &#8220;O médico de família tem um papel privilegiado na gestão da DPOC. Somos os primeiros a identificar estes doentes e a garantir que recebem o tratamento correto. O mais importante é que os doentes recebam um diagnóstico atempado e um tratamento adequado, garantindo a melhor qualidade de vida possível&#8221;, concluiu.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>“Travar a DPOC: doentes diferentes, terapêuticas diferentes”</title>
		<link>https://mediconews.pt/travar-a-dpoc-doentes-diferentes-terapeuticas-diferentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 May 2025 13:09:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pneumologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Travar a DPOC – Doentes diferentes, terapêuticas diferentes” foi o tema da sessão promovida pela Tecnimede, no âmbito das Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar (MGF) 2025, que decorreram de 20 a 22 de março no Porto. <strong>Inês Ladeira</strong>, assistente graduada de Pneumologia e coordenadora de Pneumologia Hospital CUF Porto, e <strong>Rui Oliveira</strong>, assistente graduado de Medicina Geral e Familiar na USF São Miguel-O-Anjo, apresentaram e discutiram quatro casos clínicos que demonstram a necessidade de apostar no diagnóstico precoce da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) e a importância de adaptar o tratamento a cada doente.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/travar-a-dpoc-doentes-diferentes-terapeuticas-diferentes/">“Travar a DPOC: doentes diferentes, terapêuticas diferentes”</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Quando o diagnóstico está por esclarecer…</strong></p>
<p>A pneumologista e coordenadora de Pneumologia do Hospital CUF Porto, Inês Ladeira, apresentou o primeiro Caso Clínico, referente a um homem, de 59 anos, ex-fumador, com um histórico de bronquite diagnosticada há vários anos, embora sem um esclarecimento definitivo sobre a patologia. Além disso, apresenta apneia do sono, obesidade, hipertensão, dislipidemia e insuficiência cardíaca, refletindo um quadro de comorbilidades comuns nesta população.</p>
<p>O doente tem procurado frequentemente os serviços de urgência devido a exacerbações respiratórias recorrentes. &#8220;O diagnóstico não estava de facto muito bem esclarecido nos registos&#8221;, começou por afirmar Inês Ladeira, acrescentando que, a cada episódio, o doente recebia corticoides sistémicos, antibióticos ou ambas as terapêuticas combinadas.</p>
<h6>Caso Clínico 1</h6>
<h6> Doente: Homem, 59 anos, reformado, ex-economista</h6>
<h6> Comorbilidades: Apneia do sono, obesidade, hipertensão, dislipidemia, insuficiência cardíaca</h6>
<h6> Sintomas: Tosse crónica, expetoração abundante, dispneia progressiva, exacerbações frequentes (sem diagnóstico estabelecido)</h6>
<h6> Exames: Saturação O2 91%, sibilos bilaterais, eosinofilia (350/µL), padrão obstrutivo grave na espirometria (GOLD 2)</h6>
<h6> Tratamento: Terapêutica tripla (LABA + LAMA + ICS)</h6>
<h6> Evolução: Monitorização da técnica inalatória e avaliação da resposta clínica ao tratamento.</h6>
<p>Na sua mais recente visita ao serviço de urgência, o doente apresentou aumento da tosse e expetoração mucosa abundante, além de agravamento da dispneia. Os exames revelaram uma saturação de oxigénio de 91% (ar) e sibilos bilaterais com tempo inspiratório prolongado. As análises laboratoriais indicaram parâmetros inflamatórios elevados e eosinofilia persistente (350/µL). A radiografia torácica não revelou sinais de consolidação, levantando dúvidas sobre a origem dos sintomas.</p>
<p>Diante deste quadro clínico, a hipótese de doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) foi fortemente considerada. &#8220;Além da associação entre a DPOC e a apneia do sono, sabemos que existe uma correlação significativa entre esta doença e patologias cardiovasculares, devido a fatores de risco comuns, como o tabagismo e o perfil pró-inflamatório subjacente&#8221;, explicou a pneumologista.</p>
<p>Uma revisão dos registos revelou que, anteriormente, havia sido solicitada uma espirometria, mas o exame nunca foi avaliado em consulta. Ao ser analisado, este revelou um padrão obstrutivo grave, com um volume expiratório forçado no primeiro segundo (FEV1) reduzido, classificado como GOLD 2 segundo as diretrizes vigentes.</p>
<p><strong>Introdução precoce da terapêutica tripla pode reduzir em 24% a taxa de exacerbações</strong></p>
<p>Diagnóstico feito, foi estabelecida a terapêutica. &#8220;A sintomatologia do doente, as exacerbações frequentes e a presença de eosinofilia sugerem que a melhor opção terapêutica é a introdução de uma terapêutica tripla&#8221;, afirmou a pneumologista. Este regime inclui um beta2-agonista de longa duração (LABA), um antagonista muscarínico de longa duração (LAMA) e corticoide inalado (ICS). O estudo ETHOS destaca uma redução de 49% no risco de morte cardiovascular com a terapêutica tripla e uma redução de 61% de mortalidade quando falamos especificamente de causas cardiovasculares. Além disso, o estudo EROS mostra que a introdução precoce da terapêutica tripla pode reduzir em 24% a taxa de exacerbações quando administrada nas primeiras quatro semanas após um episódio agudo&#8221;, destacou.</p>
<p>As diretrizes GOLD sublinham a importância da abordagem personalizada na DPOC, onde a terapêutica deve ser ajustada consoante a gravidade da doença e a resposta ao tratamento. Neste caso, o doente foi mantido na terapêutica tripla, dado o seu histórico de exacerbações e eosinofilia elevada. &#8220;Na consulta, a técnica inalatória deve ser revista e, caso o doente esteja bem adaptado ao inalador, a manutenção do tratamento é recomendada&#8221;, concluiu a pneumologista.</p>
<p>Este caso reflete a importância da revisão diagnóstica, do seguimento adequado e da escolha terapêutica baseada na evidência científica. A abordagem multidisciplinar e a identificação precoce da DPOC podem ter um impacto significativo na qualidade de vida dos doentes e na redução da mortalidade associada à doença.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Um doente sem sintomas evidentes</strong></p>
<p>A DPOC continua a ser uma das doenças respiratórias mais subdiagnosticadas em Portugal, com estimativas que apontam para que 65 a 80% dos doentes permaneçam sem um diagnóstico formal. O Caso Clínico 2, apresentado por Rui Oliveira, assistente graduado de Medicina Geral e Familiar na USF São Miguel-O-Anjo, reforça a importância da avaliação precoce e da intervenção atempada nesta patologia.</p>
<h6>Caso Clínico 2</h6>
<ul>
<li>
<h6>Doente: Homem: 67 anos, reformado Construção Civil</h6>
</li>
<li>
<h6>Queixas iniciais: Nenhuma (consulta motivada pela irmã)</h6>
</li>
<li>
<h6>História clínica: Fumador, carga tabágica significativa</h6>
</li>
<li>
<h6>Diagnóstico: DPOC moderada (FEV1 59%, obstrução não reversível)</h6>
</li>
<li>
<h6>Sintomas evolutivos: Cansaço, menor capacidade física</h6>
</li>
<li>
<h6>Tratamento: Bevespi (glicopirrónio + formoterol)</h6>
</li>
<li>
<h6>Evolução: Melhoria dos sintomas (CAT 8, mMRC 1)</h6>
</li>
</ul>
<p>O doente, um homem de 67 anos, procurou a consulta por insistência da irmã, sem que apresentasse quaisquer queixa. “A irmã considerava que nesta idade ele devia fazer alguns exames.” No entanto, a sua história clínica revelava um fator de risco relevante: uma carga tabágica significativa. “Nem sequer queria ouvir falar disso”, relatou Rui Oliveira, referindo-se à resistência do doente em abordar a possibilidade de deixar de fumar.</p>
<p>A decisão de realizar uma espirometria revelou-se crucial. Passados dois meses desde a consulta inicial, o doente voltou com os resultados dos exames, que confirmavam na espirometria uma obstrução moderada das vias respiratórias, com uma prova de broncodilatação negativa. “Tinha uma capacidade vital forçada abaixo dos 70% e um FEV1 de 59%, sem melhoria após broncodilatação”, explicou o especialista.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Perda de oportunidades de diagnóstico em 85% dos doentes</strong></p>
<p>O caso vem reforçar a ideia de que muitas oportunidades de diagnóstico são desperdiçadas. “Em 85% dos doentes, nos cinco anos imediatamente anteriores ao diagnóstico, houve consultas em que se poderiam ter identificado estes doentes”, alertou Rui Oliveira. O panorama nacional também evidencia este subdiagnóstico: enquanto os dados apontam para uma prevalência de DPOC de 14% na população acima dos 40 anos, os registos dos cuidados de saúde primários indicam uma prevalência de 2.53%.</p>
<p>Na segunda consulta, a irmã do doente relatou que ele “estava mais lento e demorava mais tempo a fazer as coisas na horta e no jardim”, sinais muitas vezes desvalorizados pelos próprios doentes, mas que podem indicar uma perda progressiva da capacidade respiratória. Questionários de avaliação de sintomas demonstraram que o doente, afinal, estava sintomático: “Pontuou com um CAT de 10 e um mMRC de 2”, revelou o especialista.</p>
<p>Apesar do diagnóstico confirmado, o doente recusou a cessação tabágica, uma realidade comum que dificulta o controlo da doença. “Reforçamos a importância de deixar de fumar e oferecemos apoio intensivo, mas o doente encontrava-se ainda em fase de pré-contemplação”, lamentou Rui Oliveira.</p>
<p>A abordagem terapêutica optada foi a dupla broncodilatação (LAMA + LABA), em linha com as mais recentes recomendações para doentes sintomáticos, mas não exacerbadores. Foi prescrito o inalador Bevespi Aerosphere®, uma combinação de glicopirrónio e formoterol, indicada para o tratamento da DPOC. De acordo com o médico, estudos clínicos demonstram que “esta combinação proporciona uma melhoria significativa na função pulmonar em comparação com a monoterapia”. Em específico, reforçou, “os dados do ensaio PINNACLE-4 revelam que o Bevespi Aerosphere® resultou numa melhoria média de 55 mL face ao glicopirrónio isolado (LAMA), 72 mL face ao formoterol isolado (LABA) e 155 mL em relação ao placebo (p&lt;0,0001). Além disso, reduziu a necessidade de medicação de resgate, com uma diminuição de 32,6% no uso de broncodilatadores de alívio rápido (SABA)”.</p>
<p>Na terceira consulta, dois meses após o início do tratamento, o doente já apresentava melhorias significativas. “Sem exacerbações, bem adaptado ao inalador e com uma redução nos sintomas, com um CAT de 8 e um mMRC de 1”, relatou o especialista. Para além disso, a avaliação bioquímica revelou um nível reduzido de vitamina D (18 ng/mL), o que levou à introdução de suplementação. “O défice de vitamina D é prevalente em doentes com DPOC e há uma correlação inversa entre os níveis desta vitamina e o risco de exacerbações”, sublinhou.</p>
<p>O caso apresentado é um exemplo claro de como a DPOC pode permanecer silenciosa até estágios mais avançados. Destaca também a importância da vigilância clínica, da sensibilização dos médicos para avaliarem fatores de risco e da adesão às recomendações internacionais. “Quanto mais cedo identificarmos estas doenças, menor será o impacto negativo no declínio da capacidade funcional respiratória dos nossos doentes”, concluiu Rui Oliveira.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Técnica inalatória: o detalhe crucial no tratamento da DPOC</strong></p>
<p>A importância de uma técnica inalatória correta pode fazer toda a diferença no tratamento de doenças respiratórias crónicas, como demonstra o Caso Clínico 3 apresentado por Rui Oliveira. O médico apresentou um doente com histórico de hipertensão e problemas respiratórios, que inicialmente manifestava sintomas preocupantes de dispneia. &#8220;Ele dizia mesmo: doutor, noto dificuldades em carregar as caixas com materiais para arrumar o meu trabalho. Tenho de parar algumas vezes por ficar com falta de ar&#8221;, recordou.</p>
<h6>Caso Clínico 3</h6>
<ul>
<li>
<h6>Doente: Homem, 62 anos, empregado de armazém</h6>
</li>
<li>
<h6>História clínica: Ex-fumador há 3 anos, hipertensão, dislipidemia, DPOC</h6>
</li>
<li>
<h6>Queixas iniciais: Dispneia persistente, dificuldade em carregar objetos, necessidade frequente de medicação de alívio</h6>
</li>
<li>
<h6>Problema identificado: Técnica inalatória incorreta, fluxo inspiratório máximo abaixo do ideal</h6>
</li>
<li>
<h6>Intervenção: Substituição de dispositivo inalatório de pó seco por dispositivo pressurizado (Bevespi Aerosphere®), reforço da técnica de inalação</h6>
</li>
<li>
<h6>Evolução: Redução de sintomas (mMRC de 1 e CAT 6), controlo da sintomatologia, sem exacerbações, melhoria da qualidade de vida</h6>
</li>
</ul>
<p>Apesar de o doente cumprir rigorosamente a terapêutica e não apresentar exacerbações, algo estava a impedir o seu controlo sintomático. A chave para a solução residia não na medicação, mas na forma como esta era administrada.</p>
<p>&#8220;Verificámos que o doente tinha dificuldade na técnica inalatória de pó seco&#8221;, explicou o médico de família. O problema central era a incapacidade de gerar um fluxo inspiratório suficiente para superar a resistência interna do inalador e desagregar o pó em partículas finas.</p>
<p>Este é um problema frequente descrito pelo orador: “estudos mostram que cerca de 29% dos doentes apresentam um fluxo inspiratório máximo abaixo do ideal e que aproximadamente 44% dos indivíduos com DPOC, após alta hospitalar, enfrentam esse mesmo desafio”. Em suma, “podemos ter a terapêutica ideal, mas se ela não estiver a ser usada num dispositivo adequado para aquele doente, esta terapêutica não vai funcionar&#8221;, reforçou.</p>
<p>A estratégia adotada foi simples, mas eficaz. O médico procedeu à mudança do dispositivo inalatório, optando por um modelo pressurizado com tecnologia Aerosphere®, sem resistência interna, mantendo a dupla broncodilatação. Além disso, a abordagem educacional foi fundamental. &#8220;Primeiro explico ao doente, depois demonstro e, por fim, peço que ele realize a técnica à minha frente&#8221;, sublinhou.</p>
<p>Os resultados foram notáveis. Após a intervenção, o doente passou de uma pontuação inicial significativa para um valor de 1 no mMRC, indicando melhoria sintomática substancial. &#8220;Tínhamos um sucesso terapêutico&#8221;, resumiu Rui Oliveira, salientando que a chave estava na atenção aos pormenores e na personalização do tratamento, e a técnica inalatória não é um pormenor, mas sim um elemento central no sucesso terapêutico.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Quando o diagnóstico ultrapassa os estereótipos</strong></p>
<p>Num cenário clínico que desafia os lugares-comuns da DPOC, Inês Ladeira apresentou o último Caso Clínico, que evidenciou a necessidade de uma abordagem personalizada no tratamento de doentes, especialmente mulheres.</p>
<p>&#8220;Nós esquecemo-nos às vezes das senhoras, mas há efetivamente mulheres com DPOC&#8221;, afirmou a pneumologista, destacando uma realidade muitas vezes ignorada no universo médico. O caso em análise retrata uma operária fabril já reformada, com múltiplas comorbilidades que complexificam o seu quadro clínico. A doente, com um índice de massa corporal de 29, apresentava não apenas DPOC, mas também patologia cardíaca isquémica e osteoporose &#8211; condições frequentemente associadas. Com um histórico de tabagismo de 20 cigarros por dia e apneia do sono, a doente representava um desafio diagnóstico e terapêutico.</p>
<h6>Caso Clínico 4</h6>
<ul>
<li>
<h6>Doente: Mulher, ex-operária fabril, reformada</h6>
</li>
<li>
<h6>Perfil Clínico: DPOC ligeira, IMC 29, SAOS, Mfumadora (20 cigarros/dia), patologia cardíaca isquémica e osteoporose</h6>
</li>
<li>
<h6>Intervenção terapêutica: Mudança de monoterapia para dupla broncodilatação, substituição do dispositivo inalatório para Bevespi Aerosphere®, correção da técnica de inalação</h6>
</li>
<li>
<h6>Resultados: Redução da hiperinsuflação pulmonar, melhoria da capacidade de exercício e otimização do tratamento individualizado</h6>
</li>
</ul>
<p>A espirometria confirmou uma obstrução ligeira, com diminuição da difusão pulmonar e presença de air trapping. A sintomatologia traduzia-se numa limitação significativa da atividade física, com uma pontuação de 2 na escala modificada de dispneia (mMRC).</p>
<p>A estratégia terapêutica implementada contrariou as práticas anteriores, optando por abandonar a monoterapia com corticosteroides inalados (ICS), seguindo as mais recentes guidelines internacionais.</p>
<p>&#8220;Não tenham receio de retirar os ICS e fazer ajustes na terapêutica&#8221;, recomendou Inês Ladeira.</p>
<p>A mudança envolveu não apenas a alteração da medicação, mas também do dispositivo de inalação, considerando as limitações específicas da doente. Com efeito, como contou a pneumologista, “a doente apresentava erros críticos na utilização do dispositivo, nomeadamente dificuldades em realizar uma inspiração adequada e coordenar a apneia final”.</p>
<p>A solução passou por experimentar diferentes dispositivos, utilizando inclusive um medidor de fluxo inspiratório para avaliar a capacidade da doente. “A mudança para um dispositivo pressurizado de baixa resistência, como o Bevespi Aerosphere®, mostrou-se fundamental para a eficácia do tratamento”, reforçou. A nova abordagem permitiu reduzir a hiperinsuflação pulmonar, melhorar a capacidade de exercício e potencialmente impactar positivamente a função cardíaca. &#8220;Conseguimos aportar benefício ao doente a todos estes níveis&#8221;, concluiu a pneumologista, demonstrando uma visão holística do tratamento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>DPOC atinge 14% da população portuguesa</strong></p>
<p>A DPOC é uma das principais causas de morbilidade e mortalidade a nível mundial, sendo a terceira causa de morte global. Em Portugal, a sua prevalência é significativa, estimando-se que atinja cerca de 14% da população, segundo os dados existentes. O estudo de prevalência, atualmente em desenvolvimento pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia, poderá fornecer informações mais atualizadas sobre a realidade nacional.</p>
<p>&nbsp;</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>“É absolutamente impossível os doentes DPOC serem todos seguidos em consulta de especialidade”</title>
		<link>https://mediconews.pt/e-absolutamente-impossivel-os-doentes-dpoc-serem-todos-seguidos-em-consulta-de-especialidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 May 2025 09:51:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pneumologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=41073</guid>

					<description><![CDATA[<p>A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) continua a ser um desafio significativo na prática clínica, com elevados níveis de subdiagnóstico e a necessidade de uma abordagem terapêutica personalizada. Esta foi a mensagem reforçada à News Farma por <strong>Inês Ladeira</strong>, coordenadora de Pneumologia do Hospital CUF Porto, que participou na sessão "Travar a DPOC – Doentes diferentes, terapêuticas diferentes", integrada nas Jornadas Multidisciplinares de MGF 2025, realizadas no Porto. Veja o vídeo.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/e-absolutamente-impossivel-os-doentes-dpoc-serem-todos-seguidos-em-consulta-de-especialidade/">“É absolutamente impossível os doentes DPOC serem todos seguidos em consulta de especialidade”</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“A importância extrema do diagnóstico precoce, estarmos atentos à sintomatologia dos doentes, lembrarmo-nos que as agudizações por si só podem ser uma primeira manifestação de uma DPOC e, depois, claro, intervirmos precocemente e medicarmos os doentes da forma mais adequada”, são, de acordo com Inês Ladeira, as principais mensagens-chave a reter da sua apresentação. Por outro lado, a especialista sublinhou que, além da escolha terapêutica, é essencial garantir uma administração eficaz dos medicamentos. “Temos de falar sempre de dispositivos inalatórios e técnica inalatória e, portanto, são sempre mensagens fundamentais quando falamos de DPOC”, frisou.</p>
<p>A pneumologista apontou também o problema da subnotificação da DPOC, algo que acontece mundialmente e Portugal não é exceção. “O subdiagnóstico não é só em Portugal, infelizmente a nível mundial é muito grande”, apontou a especialista. A esse propósito revelou que está a ser desenvolvido um projeto de prevalência da DPOC sob a alçada da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, com o objetivo de obter “dados robustos e fidedignos da nossa realidade nacional em breve”.</p>
<p>De acordo com os últimos dados disponíveis, a prevalência estimada desta patologia em Portugal é de 14%. No entanto, “quando olhamos para os dados dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), temos uma identificação destes doentes entre os 2 e os 3%”, revelou. Ou seja, “há um gap enorme entre aquilo que é o previsto pelo estudo de prevalência prévio e aquilo que está efetivamente diagnosticado”, alertou, reforçando que é preciso atuar tanto nos CSP como nos cuidados secundários.</p>
<p>O papel crucial da MGF</p>
<p>A pneumologista enfatizou a importância da Medicina Geral e Familiar (MGF) na identificação e seguimento da DPOC. “Os colegas da MGF devem ser proativos não só no diagnóstico, mas também no seguimento destes doentes”, referiu, destacando a sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde (SNS). “É absolutamente impossível os doentes DPOC serem todos seguidos em consulta de especialidade e, na verdade, também nem sequer fará grande sentido”.</p>
<p>Segundo Inês Ladeira, os médicos de família têm o conhecimento e as ferramentas necessárias para gerir a DPOC na maior parte dos casos. No entanto, defendeu uma maior articulação entre a Pneumologia e a MGF: “No mundo ideal, deveria haver uma enorme articulação entre a Pneumologia e a MGF para que estes doentes tivessem uma boa prescrição inicial, um bom seguimento e depois todos os steps up e down terapêuticos que sejam necessários”.</p>
<p>Por fim, a especialista destacou que nos últimos anos, a relação entre a DPOC e outras patologias tem sido cada vez mais estudada. “Há uma enorme relação entre a DPOC e a patologia cardiovascular e também entre a DPOC e a apneia do sono, a osteoporose, o défice de vitamina D”, explicou.</p>
<p>Nesta perspetiva, a MGF tem um papel fundamental ao adotar uma abordagem global ao doente. “Todos estes detalhes – que não são pormenores, são ‘pormaiores’ – devem ser aferidos em consulta”, defendeu. “O doente deve ter doseamento de vitamina D, ter a sua osteoporose avaliada ou ter a parte cardiovascular avaliada”. A otimização destas comorbilidades pode levar a uma melhoria no controlo das exacerbações da DPOC.</p>
<p>O impacto desta abordagem é significativo na redução da mortalidade. “Quando controlamos a DPOC, controlamos outras patologias, nomeadamente a patologia cardiovascular. Há inclusivamente uma redução da mortalidade do foro cardiovascular se a DPOC estiver melhor controlada”, indicou. “Mas também há uma relação inversa: se controlarmos melhor a patologia cardiovascular, a osteoporose e a apneia do sono, os doentes com DPOC vão exacerbar menos e vão morrer menos”.</p>
<p>Em suma, “este tratamento mais global, esta visão mais holística, é absolutamente fundamental. Nós devemos ver o doente e não a doença”, reforçou a pneumologista, defendendo que “a intervenção atempada, a colaboração entre especialidades e a consideração das patologias associadas são os pilares para melhorar a qualidade de vida e reduzir a mortalidade dos doentes com DPOC”.</p>
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		<title>Livro &#8220;Osteoporose: Questões Fraturantes&#8221;: guia para o médico de família</title>
		<link>https://mediconews.pt/livro-osteoporose-questoes-fraturantes-guia-para-o-medico-de-familia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Apr 2025 08:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Geral e Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Reumatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito do Congresso Português de Osteoporose, a Tecnimede promoveu um simpósio, que foi palco da apresentação da obra “Osteoporose: Questões Fraturantes”, com o subtítulo “O livro que vai ao osso da questão”. A sessão, que aconteceu no último dia do congresso, 5 de abril, contou com a presença de Tiago Meirinhos, médico especialista em Reumatologia e um dos autores do guia, e do médico de família Vítor Pedrosa, da ULS Lisboa Ocidental, que também contribuiu na elaboração do livro.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal; text-align: left;"><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">O livro “Osteoporose: Questões Fraturantes”, da autoria de Fernando Pimentel dos Santos e Tiago Meirinhos, contou com a contribuição de uma equipa de médicos de família, composta por Filipe Cabral, António Luz Pereira, Mariana Marques Pinto, Fábio Oliveira e Vítor Pedrosa, que enriqueceram o guia com a sua perspetiva enquanto especialistas de Medicina Geral e Familiar (MGF).</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal; text-align: left;"><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">Esta obra surge como uma ferramenta crucial, um guia prático de apoio especialmente dirigido aos médicos de MGF. Apresenta respostas às questões mais frequentes sobre osteoporose, algoritmos de tratamento e material de apoio à prática clínica, disponível em formato físico e digital. O livro inclui ainda folhetos complementares para distribuir aos doentes, com dicas para prevenir quedas, promover uma alimentação saudável e para a prática do exercício físico. Segundo o autor Tiago Meirinhos, este material de apoio visa &#8220;capacitar o médico com as ferramentas que consideramos essenciais para rastrear, tratar e prevenir a osteoporose e também fornecer conhecimento ao doente&#8221;.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal; text-align: left;"><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">A obra é composta por diversos capítulos que abordam temas cruciais como a definição da patologia, o cenário epidemiológico em Portugal — onde aproximadamente 681 mil pessoas sofrem de osteoporose<sup>1</sup> —, a abordagem ao doente, casos especiais de osteoporose e osteopenia, a prevenção da patologia, abordagens não farmacológicas, tratamento farmacológico e a referenciação do doente com osteoporose para a Reumatologia.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal; text-align: left;"><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">Ambos os palestrantes sublinharam a importância deste livro, acreditando que “se este livro chegar a todos os médicos e a todas as pessoas com interesse nesta área, vamos prevenir fraturas e mudar a vida de muitas pessoas”. Tiago Meirinhos enfatizou que “a osteoporose não é uma fatalidade, pode ser prevenida e temos tratamentos altamente eficazes em Portugal”, destacando a variedade terapêutica existente para esta patologia, que abrange tratamentos diários, semanais, mensais, semestrais e anuais, sendo a prevenção destas fraturas uma responsabilidade primordial do médico de família.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal; text-align: left;"><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">O reumatologista Tiago Meirinhos salientou que, frequentemente, o conhecimento da doença surge “tarde demais, quando o doente já teve uma fratura”, enfatizando o papel fundamental do rastreio e da intervenção precoce na prevenção destas fraturas, que podem ser fatais. De acordo com dados europeus, ocorrem anualmente, em Portugal, cerca de 70 mil fraturas osteoporóticas, o que equivale a aproximadamente 194 fraturas por dia e cerca de oito fraturas por hora<sup>1</sup>. A prevalência da osteoporose em Portugal é mais elevada em indivíduos com idade superior a 50 anos, afetando 22% das mulheres e 6,7% dos homens nessa faixa etária<sup>1</sup>. Constata-se que 75% da população diagnosticada com osteoporose não recebe qualquer tipo de tratamento<sup>1</sup>.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal; text-align: left;"><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">O especialista em Reumatologia referiu que ainda existe algum desconhecimento do real impacto desta doença nos cuidados de saúde e, por isso, seria interessante realizar um estudo sobre “a taxa de ocupação das enfermarias ortopédicas com as fraturas osteoporóticas”, referindo que “claramente em alguns sítios se teriam números a rondar os 50%”. Estes internamentos são prolongados e acarretam custos elevados associados à doença. O reumatologista afirmou que “se estima que um milhar de milhão de euros seja gasto com os cuidados de saúde relacionados direta e indiretamente com esta patologia”<sup>1</sup>, sendo que, dados de 2019, apontam que o investimento em Portugal não se focava em “prevenir fraturas, mas estávamos essencialmente a tratar as fraturas”, explicou o especialista. Adicionalmente, estima-se que 1,5% dos custos sejam atribuídos à intervenção farmacológica<sup>1</sup>.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal; text-align: left;"><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">Tiago Meirinhos apresentou dados relativos a 2015<sup>2</sup>, nos quais as fraturas da anca geraram um custo total de cerca de 216 milhões de euros. Um estudo realizado em 2023<sup>3</sup> focou-se noutras fraturas (punho, vertebrais e outras), estimando um custo total de 74 milhões de euros anuais. Este último estudo detalha cerca de 5000 fraturas de punho (custo total de aproximadamente 8 milhões de euros), 3500 fraturas vertebrais (cerca de 5,3 milhões de euros) e 39 000 outras fraturas (aproximadamente 60,8 milhões de euros). Os dados demonstram o elevado impacto financeiro das fraturas, especialmente as da anca.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal; text-align: left;"><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">Aliado aos elevados custos desta patologia, a osteoporose merece particular atenção no panorama português, especialmente pela sua associação ao envelhecimento da população, prevendo-se um aumento de 28,9% no número de fraturas em Portugal até 2034<sup>1</sup>. Para mitigar esta situação, é necessária uma colaboração entre ortopedistas e médicos de família. Em muitos casos, os ortopedistas e os serviços de urgência tratam as fraturas numa primeira instância, mas no decurso do tratamento, “muitas vezes o médico de família não aborda o doente nem solicita uma densitometria óssea”, aspetos que contribuem para o aumento desta patologia, explicou o reumatologista.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal; text-align: left;"><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">Mais de 80% das fraturas ocorrem em doentes sem registo de tratamento prévio, frequentemente devido à natureza silenciosa da doença e ao d</span><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">iagnóstico tardio, que acontece somente após a primeira fratura<sup>4</sup>. O impacto destas fraturas na saúde do doente é significativo, levando a um aumento do risco de futuras fraturas<sup>5</sup> e de hospitalização<sup>6</sup>, bem como a uma maior probabilidade de desenvolver complicações clínicas e uma maior dependência para realizar as atividades da vida diária<sup>6</sup>. As fraturas também têm um impacto negativo na saúde mental do indivíduo<sup>7</sup> e contribuem para um aumento da morbilidade e mortalidade<sup>5</sup>.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal; text-align: left;"><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">Os especialistas destacam a importância da ferramenta FRAX (<i>fracture risk assessment tool</i>), particularmente útil na gestão de tempo em consulta, uma vez que “permite em minutos perceber logo qual é efetivamente o risco de o doente vir a desenvolver osteoporose”, referiu Vítor Pedrosa. Ambos os especialistas defendem que esta ferramenta deve ser incluída no SClínico, com a emissão de alertas para os médicos de família quando um doente apresenta um valor de FRAX limite e necessita de tratamento, tal como acontece com as ferramentas SCORE2 e SCORE2-OP, que estima o risco de um evento cardiovascular.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; line-height: normal; text-align: left;"><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">Enquanto médico de família, Vítor Pedrosa reforça a importância de “aumentar o rastreio, aumentar o diagnóstico e, consequentemente, aumentar o tratamento” na osteoporose, considerando que os médicos de família estão numa “posição privilegiada” e que este guia é essencial para auxiliar na “tomada de decisão e diminuir a inércia” que pode estar na origem da falta de prescrição de terapêutica aos doentes, mesmo com valores de FRAX sugestivos para tal.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: Calibri, sans-serif;">O livro “Osteoporose: Questões Fraturantes” está disponível em formato físico e pode ser obtido através do contacto com as equipas da Tecnimede. A versão digital está disponível na plataforma </span><a href="https://tecnishare.com/media/docs/materiais/livro-bolso-osteoporose.pdf" target="_blank" rel="noopener">Tecnishare</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-40419 aligncenter" src="https://mediconews.pt/wp-content/uploads/2025/04/P2233334-300x225.jpg" alt="" width="401" height="301" srcset="https://mediconews.pt/wp-content/uploads/2025/04/P2233334-300x225.jpg 300w, https://mediconews.pt/wp-content/uploads/2025/04/P2233334-1024x768.jpg 1024w, https://mediconews.pt/wp-content/uploads/2025/04/P2233334-768x576.jpg 768w, https://mediconews.pt/wp-content/uploads/2025/04/P2233334-1536x1152.jpg 1536w, https://mediconews.pt/wp-content/uploads/2025/04/P2233334-2048x1536.jpg 2048w" sizes="(max-width: 401px) 100vw, 401px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"><b><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">Referências Bibliográficas</span></b></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">1. </span><!-- [if !supportLists]--><span lang="EN-US" style="font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-ansi-language: EN-US;">Kanis, J. A., Norton, N., Harvey, N. C., Jacobson, T., Johansson, H., Lorentzon, M., McCloskey, E. V., Willers, C., &amp; Borgström, F. (2021). SCOPE 2021: a new scorecard for osteoporosis in Europe. <i>Archives of osteoporosis</i>, <i>16</i>(1), 82. </span><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;"><a href="https://doi.org/10.1007/s11657-020-00871-9">https://doi.org/10.1007/s11657-020-00871-9</a></span></p>
<p class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify; text-indent: -18.0pt; line-height: normal; mso-list: l0 level1 lfo1;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-fareast-font-family: Calibri;">2.<span style="font-variant-numeric: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-alternates: normal; font-size-adjust: none; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-feature-settings: normal; font-variation-settings: normal; font-variant-position: normal; font-variant-emoji: normal; font-stretch: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-family: 'Times New Roman';">      </span></span><!--[endif]--><span lang="EN-US" style="font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-ansi-language: EN-US;">Marques, A., Lourenço, Ó., da Silva, J. A., &amp; Portuguese Working Group for the Study of the Burden of Hip Fractures in Portugal (2015). The burden of osteoporotic hip fractures in Portugal: costs, health related quality of life and mortality. <i>Osteoporosis international : a journal established as result of cooperation between the European Foundation for Osteoporosis and the National Osteoporosis Foundation of the USA</i>, <i>26</i>(11), 2623–2630. </span><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;"><a href="https://doi.org/10.1007/s00198-015-3171-5">https://doi.org/10.1007/s00198-015-3171-5</a></span></p>
<p class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify; text-indent: -18.0pt; line-height: normal; mso-list: l0 level1 lfo1;"><!-- [if !supportLists]--><span lang="EN-US" style="font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-ansi-language: EN-US;">3.<span style="font-variant-numeric: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-alternates: normal; font-size-adjust: none; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-feature-settings: normal; font-variation-settings: normal; font-variant-position: normal; font-variant-emoji: normal; font-stretch: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-family: 'Times New Roman';">      </span></span><!--[endif]--><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;"> Barcelos, A., Gonçalves, J., Mateus, C., Canhão, H., &amp; Rodrigues, A. M. (2023). </span><span lang="EN-US" style="font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-ansi-language: EN-US;">Costs of incident non-hip osteoporosis-related fractures in postmenopausal women from a payer perspective. <i>Osteoporosis international : a journal established as result of cooperation between the European Foundation for Osteoporosis and the National Osteoporosis Foundation of the USA</i>, <i>34</i>(12), 2111–2119. https://doi.org/10.1007/s00198-023-06881-w</span></p>
<p class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify; text-indent: -18.0pt; line-height: normal; mso-list: l0 level1 lfo1;"><!-- [if !supportLists]--><span lang="EN-US" style="font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-ansi-language: EN-US;">4.<span style="font-variant-numeric: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-alternates: normal; font-size-adjust: none; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-feature-settings: normal; font-variation-settings: normal; font-variant-position: normal; font-variant-emoji: normal; font-stretch: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-family: 'Times New Roman';">      </span></span><!--[endif]--><span lang="EN-US" style="font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-ansi-language: EN-US;">Greenspan, S. L., Wyman, A., Hooven, F. H., Adami, S., Gehlbach, S., Anderson, F. A., Jr, Boone, S., Lacroix, A. Z., Lindsay, R., Netelenbos, J. C., Pfeilschifter, J., Silverman, S., Siris, E. S., &amp; Watts, N. B. (2012). Predictors of treatment with osteoporosis medications after recent fragility fractures in a multinational cohort of postmenopausal women. <i>Journal of the American Geriatrics Society</i>, <i>60</i>(3), 455–461. https://doi.org/10.1111/j.1532-5415.2011.03854.x</span></p>
<p class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify; text-indent: -18.0pt; line-height: normal; mso-list: l0 level1 lfo1;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-fareast-font-family: Calibri;">5.<span style="font-variant-numeric: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-alternates: normal; font-size-adjust: none; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-feature-settings: normal; font-variation-settings: normal; font-variant-position: normal; font-variant-emoji: normal; font-stretch: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-family: 'Times New Roman';">      </span></span><!--[endif]--><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">Rodrigues, A. M., Canhão, H., Marques, A., Ambrósio, C., Borges, J., Coelho, P., Costa, L., Fernandes, S., Gonçalves, I., Gonçalves, M., Guerra, M., Marques, M. L., Pimenta, S., Pinto, P., Sequeira, G., Simões, E., Teixeira, L., Vaz, C., Vieira-Sousa, E., Vieira, R., … da Silva, J. (2018). </span><span lang="EN-US" style="font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-ansi-language: EN-US;">Portuguese recommendations for the prevention, diagnosis and management of primary osteoporosis &#8211; 2018 update. Portuguese recommendations for the prevention, diagnosis and management of primary osteoporosis &#8211; 2018 update. </span><i><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">Acta reumatologica portuguesa</span></i><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">, <i>43</i>(1), 10–31.</span></p>
<p class="MsoListParagraphCxSpLast" style="margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify; text-indent: -18.0pt; line-height: normal; mso-list: l0 level1 lfo1;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-fareast-font-family: Calibri;">6.<span style="font-variant-numeric: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-alternates: normal; font-size-adjust: none; font-kerning: auto; font-optical-sizing: auto; font-feature-settings: normal; font-variation-settings: normal; font-variant-position: normal; font-variant-emoji: normal; font-stretch: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-family: 'Times New Roman';">      </span></span><!--[endif]--><span lang="EN-US" style="font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-ansi-language: EN-US;">Ong, T., Kantachuvesiri, P., Sahota, O., &amp; Gladman, J. R. F. (2018). Characteristics and outcomes of hospitalised patients with vertebral fragility fractures: a systematic review. </span><i><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">Age and ageing</span></i><span style="font-family: 'Calibri',sans-serif;">, <i>47</i>(1), 17–25. https://doi.org/10.1093/ageing/afx079</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify; line-height: normal;"><span lang="EN-US" style="font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-ansi-language: EN-US;">7. Lasaite L, Krasauskiene A. Psychological state, quality of life, and body composition in postmenopausal women with osteoporosis in Lithuania. Arch Osteoporos. 2009 Dec;4(1-2):85-90. doi: 10.1007/s11657-009-0034-8. Epub 2009 Dec 1. PMID: 20234863; PMCID: PMC2836755.</span></p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/livro-osteoporose-questoes-fraturantes-guia-para-o-medico-de-familia/">Livro &#8220;Osteoporose: Questões Fraturantes&#8221;: guia para o médico de família</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Osteoporose: é urgente identificar e tratar precocemente</title>
		<link>https://mediconews.pt/osteoporose-e-urgente-identificar-e-tratar-precocemente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Apr 2025 07:55:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reumatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=40399</guid>

					<description><![CDATA[<p>Durante o Congresso Português de Osteoporose, a Tecnimede organizou um simpósio para apresentar o livro “Osteoporose: Questões Fraturantes”. O evento, ocorrido a 5 de abril, contou com a participação de <strong>Tiago Meirinhos</strong>, especialista em Reumatologia e um dos autores do livro. Na ocasião, o especialista salientou que a comunidade médica “tem de falar mais vezes sobre osteoporose para se conseguir chegar ao maior número de médicos e, consequentemente, tratar o maior número de doentes”. Assista às declarações no vídeo.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/osteoporose-e-urgente-identificar-e-tratar-precocemente/">Osteoporose: é urgente identificar e tratar precocemente</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Tiago Meirinhos explica que o livro visa dar confiança aos médicos para abordar e tratar a osteoporose de “forma muito prática, pragmática”, abordando “quais são os principais aspetos de rastreio, abordagem, tratamento” para reduzir danos e prevenir fraturas. O livro é direcionado principalmente a especialistas em Medicina Geral e Familiar, que lidam frequentemente com essa condição.</p>
<p>O reumatologista considera que a osteoporose é subdiagnosticada e subtratada em Portugal, com muitos doentes a sofrer fraturas sem tratamento prévio ou a receber tratamentos inadequados. Acrescenta, por fim, que a doença &#8220;grita por ajuda&#8221; e que é necessário falar mais sobre ela para alcançar mais médicos e doentes.</p>
<p>O livro &#8220;Osteoporose: Questões Fraturantes&#8221; está disponível em formato físico e pode ser obtido através do contacto com as equipas da Tecnimede. A versão digital está disponível na plataforma <a href="https://tecnishare.com/media/docs/materiais/livro-bolso-osteoporose.pdf" target="_blank" rel="noopener">Tecnishare</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/osteoporose-e-urgente-identificar-e-tratar-precocemente/">Osteoporose: é urgente identificar e tratar precocemente</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Livro &#8220;Osteoporose: Questões Fraturantes&#8221;: uma ferramenta essencial para médicos de família</title>
		<link>https://mediconews.pt/livro-osteoporose-questoes-fraturantes-uma-ferramenta-essencial-para-medicos-de-familia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Apr 2025 07:53:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Geral e Familiar]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=40395</guid>

					<description><![CDATA[<p>No âmbito do Congresso Português de Osteoporose, a Tecnimede promoveu um simpósio intitulado de "Questões Fraturantes na Osteoporose: o livro que vai ao osso da questão". A sessão, decorrida no passado 5 de abril, contou com a presença do especialista em Medicina Geral e Familiar <strong>Vítor Pedrosa</strong>, da Unidade Local de Saúde (ULS) Lisboa Ocidental, que reforçou a importância deste livro para alertar e facilitar a prática clínica dos médicos de família no tratamento da osteoporose. Veja as declarações em vídeo.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/livro-osteoporose-questoes-fraturantes-uma-ferramenta-essencial-para-medicos-de-familia/">Livro &#8220;Osteoporose: Questões Fraturantes&#8221;: uma ferramenta essencial para médicos de família</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O especialista afirmou que o livro da autoria de Fernando Pimentel dos Santos e Tiago Meirinhos é uma ferramenta valiosa para médicos de família, referindo que “é, sem dúvida, um bom livro de cabeceira para termos presente na nossa consulta e que nos vai ajudar no dia a dia a colmatar e a reduzir este problema que é a osteoporose”, sublinhando a sua utilidade no “rastreio, identificação, diagnóstico e tratamento” desta patologia.</p>
<p>Vítor Pedrosa destaca que a osteoporose é subdiagnosticada e subtratada, e que os cuidados de saúde primários têm um papel crucial para reverter essa situação, dada a tendência de aumento da prevalência da doença devido ao envelhecimento da população. O médico de família mencionou o Congresso da Sociedade Portuguesa de Osteoporose e Doenças Metabólicas como um exemplo da importância de sensibilizar os médicos de família para esta doença, acreditando que o livro contribuirá para aumentar a consciencialização e diminuir o impacto da osteoporose como problema de Saúde Pública.</p>
<p>O livro &#8220;Osteoporose: Questões Fraturantes&#8221; está disponível em formato físico e pode ser obtido através do contacto com as equipas da Tecnimede. A versão digital está disponível na plataforma <a href="https://tecnishare.com/media/docs/materiais/livro-bolso-osteoporose.pdf" target="_blank" rel="noopener">Tecnishare</a>.</p>
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		<title>Highlights do AAD 2025 em prurigo nodular por Rita Travassos</title>
		<link>https://mediconews.pt/highlights-do-aad-2025-em-prurigo-nodular-por-rita-travassos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Apr 2025 09:01:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=40127</guid>

					<description><![CDATA[<p>A dermatologista <strong>Rita Travassos</strong>, da ULS de Santa Maria, acompanhou o congresso <em>2025 American Academy of Dermatology Annual Meeting</em>, que decorreu em Orlando (Flórida) entre os dias 7 e 11 de março. Em entrevista, abordou alguns tópicos relativamente a esta reunião, bem como a aspetos importantes associados ao prurigo nodular ou outros patologias da pele.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/highlights-do-aad-2025-em-prurigo-nodular-por-rita-travassos/">Highlights do AAD 2025 em prurigo nodular por Rita Travassos</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em linha com as apresentações do congresso, e também com a evidência científica, a especialista começou por assinalar a evolução rápida que se tem assistido na área da Dermatologia. Neste sentido, destacou como impulsionadores associados a avanços tecnológicos e científicos, a inteligência artificial (IA) bem como o diagnóstico digital, a otimização de plataformas de teledermatologia, a existência de terapia personalizadas, novas moléculas para o tratamento de doenças da pele bem como avanços nas áreas cirúrgicas e estética.</p>
<p>A IA e o diagnóstico digital vão rapidamente tornar-se uma realidade na prática clínica, no diagnóstico precoce do cancro da pele, bem como no acompanhamento de lesões pigmentadas (dermatoscopia assistida por IA), mas também noutras patologias da pele com algoritmos que permitirão uma avaliação e categorização dos doentes mais facilitada. Em termos de plataformas de teledermatologia a sua otimização vai permitir ainda uma expansão do atendimento remoto com análise automatizada de imagens da pele. Os avanços ao nível da avaliação genética e o aparecimento de novos biomarcadores continuará a permitir o desenvolvimento e aplicabilidade de terapêuticas alvo, como a imunoterapia, no tratamento de neoplasias cutâneas. Já uma realidade tem sido o desenvolvimento de terapêuticas personalizadas, de novas terapêuticas biológicas, novos fármacos, nomeadamente dos inibidores da Janus Associated Kinases (JAK) nas doenças inflamatórias e autoimunes. A especialista destacou também avanços nas áreas da Cirurgia e Estética, como o desenvolvimento observado em termos da engenharia de tecidos e regeneração da pele, ou de células-tronco para regeneração cutânea. Em termos cirúrgicos e estéticos o desenvolvimento de novos lasers ou de outros dispositivos semelhantes, permitirão uma melhor eficácia no tratamento com minimização dos riscos de efeitos adversos.</p>
<p>A especialista referiu que no AAD2025 foram apresentados novos mecanismos para fornecer energia laser de forma tridimensional, em que além do comprimento de onda, uma ponta especial &#8211; focal point technology permite maximizar a eficácia no alvo, com controlo mais preciso sobre profundidade e intensidade, poupando a epiderme. Conclui referenciando que a Dermatologia nos próximos anos será, cada vez mais, digital, personalizada e eficiente, com grandes avanços na estética, no diagnóstico e no tratamento de doenças cutâneas.</p>
<p>No que respeita à doença da pele prurigo nodular (PN), esta é uma dermatose inflamatória crónica, caracterizada por pápulas e nódulos associados a prurido crónico (&gt; 6 meses) frequentemente escoriados e com potencial de formação de cicatrizes, que surgem principalmente nas extremidades, com um impacto devastador na qualidade de vida dos doentes.  Podem estar associadas a outras comorbilidades, especialmente a dermatite atópica (DA), diabetes mellitus, doença hepática crónica, e infeções como VIH e hepatite B.</p>
<p>A dermatologista referiu que nos últimos anos, “houve um grande avanço na compreensão da fisiopatologia do PN, permitindo o desenvolvimento de terapias mais direcionadas, nomeadamente pela caracterização da fisiopatologia e papel da via Th2”. Neste sentido, o PN é agora reconhecido como uma doença mediada por inflamação tipo 2 (Th2-driven), semelhante à DA. Adicionalmente, citoquinas como IL-4, IL-13 e IL-31 desempenham um papel central na patogénese, contribuindo para o ciclo prurido-escoriação e perpetuando a inflamação neurocutânea.</p>
<p><b>Terapêuticas para prurigo nodular</b></p>
<p>A evolução da fisiopatologia da PN e o seu reconhecimento como como uma doença inflamatória tipo 2 abriu novas oportunidades terapêuticas, permitindo tratamentos mais eficazes e menor dependência dos imunossupressores convencionais.</p>
<p>As terapias biológicas e direcionadas aprovadas para PN são o dupilumab e o nemolizumab. O dupilumab é um anticorpo monoclonal, já consolidado na DA, que demonstrou eficácia no PN, reduzindo o prurido e as lesões cutâneas. Foi o primeiro a ser aprovado pela FDA e EMA para PN moderado a grave.  O nemolizumab é um anticorpo monoclonal anti -IL-31, uma citocina-chave no prurido. Ensaios clínicos mostraram reduções significativas no prurido e melhoria clínica das lesões. Aprovado para PN em agosto de 2024 e mais recentemente aprovado pela EMA, em fevereiro de 2025.</p>
<p>“Os novos fármacos direcionados para o PN representam uma revolução no tratamento desta patologia debilitante, proporcionando benefícios significativos na redução do prurido, melhoria das lesões cutâneas, e da qualidade de vida dos doentes”, afirmou. O tratamento precoce permite evitar as cicatrizes e a hiperpigmentação, com impacto positivo na autoestima.</p>
<p>O prurido intenso e refratário é a principal queixa dos doentes com PN e estes fármacos demonstraram reduções significativas na intensidade e frequência do prurido, muitas vezes desde as primeiras semanas de tratamento.  “Esta eficácia precoce é crucial, pois quebra o “ciclo prurido-escoriação”, prevenindo novas lesões e promovendo a cicatrização”, ultimou.</p>
<p>O tratamento com estes fármacos reduz a inflamação crónica subjacente, promovendo a resolução das lesões nodulares e evitando novas formações.  Ensaios clínicos demonstraram uma diminuição significativa do número de nódulos, muitas vezes superior a 50% após alguns meses de tratamento.</p>
<p>Historicamente, muitos doentes eram tratados com corticosteroides sistémicos ou imunossupressores como a ciclosporina, com efeitos adversos a longo prazo.  As novas terapias permitem controle sustentado da doença sem imunossupressão global, reduzindo riscos como infeções e efeitos metabólicos adversos.  Conferem ainda melhoria na qualidade do sono e bem-estar psicológico. O prurido noturno é uma das principais causas de insónia em doentes com PN. Com a redução do prurido, há uma melhora significativa da qualidade do sono.</p>
<p>“O impacto psicológico do PN é profundo, com altas taxas de ansiedade e depressão devido à frustração com tratamentos ineficazes e impacto estético.  Com os novos fármacos, muitos doentes experimentam melhoria na autoestima, bem-estar emocional e reintegração social”, afirmou a especialista.</p>
<p><strong>Novidades terapêuticas em Dermatologia</strong></p>
<p>Em termos de destaques relativos a outras doenças da pele e terapêuticas apresentadas na AAD 2025 a especialista destacou os novos fármacos, nomeadamente o anti-AhR tapiranof, o anti-PDE4 roflumilast e o inibidor da JAK 1 e 2, o ruloxitinib.</p>
<p>O tapiranof é um agonista do recetor do aril-hidrocarboneto (AhR) de aplicação tópica usado para tratar doenças inflamatórias da pele, como psoríase (aprovado pela FDA em 2022 para psoríase em placas leve a moderada em adultos) e a ser estudado para a DA.</p>
<p>O roflumilast é um inibidor da fosfodiesterase tipo 4 (PDE4), uma enzima envolvida na regulação da inflamação. Atua inibindo a PDE4, aumentando os níveis de AMP cíclico (cAMP), o que resulta em uma redução da inflamação mediada por citocinas pró-inflamatórias, como TNF-α, IL-1, IL-6, e IL-12. Originalmente aprovado para o tratamento da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), na forma oral, o roflumilast tem-se mostrado útil também em condições dermatológicas, especialmente para doenças inflamatórias da pele, como a DA e psoríase. Neste sentido, encontra-se aprovado pela FDA desde 2022 para psoríase em placas (leve a moderada) em creme (0.3%), desde 2023 para a DA em aplicação tópica (0,15%) em crianças a partir dos 6 anos e no tratamento de dermatite seborreica com formulação espuma (0.3%) para aplicação tópica. O roflumilast encontra-se também aprovado pela FDA desde 2025 em creme (0.5%) para o tratamento de DA leve a moderada em crianças entre os 2 e os 5 anos.</p>
<p>O ruloxitinib tópico é um inibidor das JAK1 e JAK2, responsáveis pela ativação de citocinas como IL-4, IL-13 e IL-31, que desempenham papéis importantes na inflamação da pele. Encontra-se presentemente a ser avaliado em estudos clínicos avançados para o tratamento de DA, psoríase, vitiligo, no líquen plano e na hidradenite supurativa (HS).</p>
<p>Na acne, o tópico clascoterone, inibidor dos recetores de androgénios, compete com a dihidrotestosterona, inibindo a produção de sebo e das de citocinas inflamatórias. Também foi testado na alopecia androgenética.</p>
<p>Os novos inibidores da JAK tópicos, como o ARQ-252 e ARQ-255 foram também referidos pela dermatologista. O ARQ-252 é um inibidor seletivo de JAK1 tópico, principalmente estudado para eczema crônico nas mãos e vitiligo. Desenvolvido para penetrar na epiderme e derme superficial sem absorção sistêmica significativa.</p>
<p>O ARQ-255 é uma formulação otimizada do ARQ-252 para atingir camadas mais profundas da pele. Investigado para alopecia areata, utiliza uma tecnologia de entrega especial para maximizar a penetração nos folículos pilosos, visando alcançar os folículos capilares na derme profunda.</p>
<p>O novo tratamento tópico para molusco contagioso, Berdazimer gel, um tratamento tópico à base de óxido nítrico que funciona como um imunomodulador e antimicrobiano de largo espectro, promovendo stress oxidativo no corpo do molusco, conduzindo à destruição viral foi também referenciado pela dermatologista. Aprovado pela FDA para crianças com mais de 1 ano desde janeiro de 2024.</p>
<p>E o novo tratamento tópico para o tratamento da hiperhidrose primária, em gel, o brometo de sofpirónio (12.45%) foi aprovado pela FDA em junho de 2024. Este fármaco é um antagonista muscarínico que bloqueia os recetores M3 das glândulas sudoríparas.</p>
<p>Finalizou referindo recentes estudos de avaliação do dupilumab nas doenças bolhosas, nomeadamente no penfigóide bolhoso e na epidermólise bolhosa. Na AAD 2025 foram apresentados dois estudos, um estudo piloto de Kennedy Gallagher et al, em que se demonstrou que a utilização do dupilumab reduz o prurido na epidermólise bolhosa e ictiose congénita. Um outro estudo de fase 2/3 de Frederic Caux et al. (Abstract 66987) foi também apresentado na AAD2025 sobre a eficácia e segurança do dupilumab em doentes com penfigóide bolhoso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h6>MAT-PT-2500255 – v1.0 – Abril 2025</h6>
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		<title>Highlights do AAD 2025 em dermatite atópica por Rita Travassos</title>
		<link>https://mediconews.pt/highlights-do-aad-2025-em-dermatite-atopica-por-rita-travassos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 10:43:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dermatologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A dermatologista <b>Rita Travassos</b>, da ULS de Santa Maria, acompanhou o <i>2025 American Academy of Dermatology Annual Meeting</i>, que decorreu em Orlando (Flórida) entre os dias 7 e 11 de março. Em entrevista, abordou alguns tópicos relativamente a esta reunião, bem como a aspetos importantes associados à dermatite atópica e outras patologias da pele.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/highlights-do-aad-2025-em-dermatite-atopica-por-rita-travassos/">Highlights do AAD 2025 em dermatite atópica por Rita Travassos</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em linha com as apresentações do congresso, e também com a evidência científica, a especialista começou por assinalar a evolução rápida que se tem assistido na área da dermatologia. Neste sentido, destacou como impulsionadores associados a avanços tecnológicos e científicos, a inteligência artificial (IA) bem como o diagnóstico digital, a otimização de plataformas de teledermatologia, a existência de terapia personalizadas, novas moléculas para o tratamento de doenças da pele bem como avanços nas áreas cirúrgicas e estética.</p>
<p>A IA e o diagnóstico digital vão rapidamente tornar-se uma realidade na prática clínica, no diagnóstico precoce do cancro da pele, bem como no acompanhamento de lesões pigmentadas (dermatoscopia assistida por IA), mas também noutras patologias da pele com algoritmos que permitirão uma avaliação e categorização dos doentes mais facilitada. Em termos de plataformas de teledermatologia a sua otimização vai permitir ainda uma expansão do atendimento remoto com análise automatizada de imagens da pele. Os avanços ao nível da avaliação genética e o aparecimento de novos biomarcadores continuará a permitir o desenvolvimento e aplicabilidade de terapêuticas alvo, como a imunoterapia, no tratamento de neoplasias cutâneas.</p>
<p>Já uma realidade tem sido o desenvolvimento de terapêuticas personalizadas, de novas terapêuticas biológicas, novos fármacos, nomeadamente dos inibidores da Janus Associated Kinases (JAK) nas doenças inflamatórias e autoimunes. A especialista destacou também avanços nas áreas da cirurgia e estética, com os desenvolvimentos observados em termos da engenharia de tecidos e regeneração da pele, ou de células estaminais para regeneração cutânea. Em termos cirúrgicos e estéticos, o desenvolvimento de novos lasers ou de outros dispositivos semelhantes, permitirão uma melhor eficácia no tratamento com minimização dos riscos de efeitos adversos.</p>
<p>A especialista referiu que, no AAD2025, foram apresentados novos mecanismos para fornecer energia laser de forma tridimensional, em que além do comprimento de onda, uma ponta especial &#8211; <em>focal point technology</em> permite maximizar a eficácia no alvo, com controlo mais preciso sobre profundidade e intensidade, poupando a epiderme. Conclui referenciando que a Dermatologia nos próximos anos será cada vez mais digital, personalizada e eficiente, com grandes avanços na estética, no diagnóstico e no tratamento de doenças cutâneas.</p>
<p>Os avanços, na opinião da especialista, terão impacto na abordagem de algumas patologias, com uma evolução no sentido da personalização dos tratamentos resultado da evolução do conhecimento da fisiopatologia das doenças. Adicionalmente, o recurso a estudos genéticos e biomarcadores permitirá também uma categorização e uma melhor definição das características individuais dos doentes.</p>
<p>“Deve olhar-se o doente na globalidade e em Dermatologia com especial atenção ao foro metabólico, nomeadamente a resistência à insulina e à síndrome metabólica, uma vez que o seu tratamento poderá ter impacto na melhoria de algumas patologias cutâneas, como por exemplo, a hidradenite supurativa”.</p>
<p><strong>Marcha atópica</strong></p>
<p>No que diz respeito à marcha atópica, os fatores destacados pela dermatologista a considerar são:</p>
<p>&#8211; Genética: crianças com pais alérgicos têm maior risco.</p>
<p>&#8211; Disfunção da barreira cutânea: defeitos na filagrina aumentam a permeabilidade da pele e facilitam a sensibilização alérgica.</p>
<p>&#8211; Exposição ambiental: contato precoce com alérgenos, poluição e infeções respiratórias podem influenciar a progressão.</p>
<p>Em jeito de resumo, “é importante o reconhecimento e intervenção precoce na marcha atópica de modo a minimizar a sua progressão”. A compreensão da marcha atópica trouxe mudanças importantes na abordagem do doente atópico. “O tratamento da DA vai para além do controle da inflamação cutânea, exigindo uma visão mais ampla para prevenir ou minimizar a progressão para outras manifestações alérgicas”.</p>
<p><strong>Gestão e abordagem da marcha atópica</strong></p>
<p>Na gestão da marcha atópica deve ser considerada uma abordagem preventiva e individualizada, isto é, a DA não deverá ser abordada isoladamente, mas sim num contexto de propensão à atopia sistémica e neste sentido deve-se identificar precocemente fatores de risco, como a história familiar, ou a presença de mutações na filagrina ou um início precoce de DA. Adicionalmente deve-se observar e acompanhar a integridade da barreira cutânea, uma vez que o seu dano propicia uma sensibilização a alérgenos. Por fim deve-se promover a educação do doente e familiares sobre a progressão da atopia e de estratégias de prevenção.</p>
<p>Uma monitorização de outros sintomas para além dos sintomas cutâneos deve também ser realizada, uma vez que os sinais precoces da progressão da marcha atópica podem surgir mesmo antes de um diagnóstico formal de rinite ou asma. Como tal, a nível respiratório é importante atentar em situações de obstrução nasal frequente sem infeção aparente, ou tosse persistente, especialmente noturna ou de casos de sibilância recorrente ao longo dos anos. A nível gastrointestinal, associados a alergia alimentar, casos de refluxo, cólicas severas, diarreia crónica ou obstipação não devem ser ignorados. A apresentação de dermatite perioral ou perianal associada a exposição alimentar deve ser motivo de alerta para o especialista. Situações de conjuntivite alérgica (prurido ocular, lacrimejamento, hiperemia) ou sintomas neurocomportamentais como distúrbios do sono por prurido intenso e ansiedade não devem ser também ignorados pelo especialista.</p>
<p>Para reduzir a progressão da marcha atópica é importante a hidratação intensa e uso de emolientes para reforçar a barreira cutânea; o controlo agressivo se sintomas de inflamação precoce, se necessário recorrendo a corticoides tópicos, inibidores de calcineurina, fototerapia ou dupilumab nos casos mais graves. É também importante evitar irritantes e possíveis alérgenos ambientais, bem como a monitorização regular e encaminhamento precoce para alergologia/pneumologia se necessário.</p>
<p>A especialista referiu a importância do diagnóstico e tratamento precoces, e neste sentido referiu a palestra do Professor Eric Simpson, expert nesta área, em que referiu que “a gravidade da DA não só aumenta o risco de comorbilidades atópicas, mas também da gravidade das mesmas”, destacando a importância de “uma abordagem agressiva mais precoce, como uma janela de oportunidade para maximizar impacto do tratamento”<sup><span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-fareast-font-family: Calibri; color: black; mso-ansi-language: PT; mso-fareast-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA;">1,2</span></sup>.</p>
<p><strong>Anticorpos monoclonais no tratamento da DA: <em>game-changer</em></strong></p>
<p>Neste congresso da AAD em Orlando, foram apresentados estudos com o método de tape-stripped skin (muito menos invasivo do que as biópsias de pele) que permite a caraterização do fenótipo molecular da pele, nomeadamente a presença de imunomarcadores da DA e de outras doenças inflamatórias. A especialista identificou uma sessão apresentada pela Professora Emma Guttman-Yassky (Mount Sinai, NY), em que a utilização do dupilumab como terapêutica resultou na downregulation dos marcadores TH2.</p>
<p>“Na idade pediátrica, o impacto das terapêuticas sistémicas inovadoras, como o dupilumab, tem sido extremamente positivo, transformando a abordagem da DA moderada a grave”, salientou. Tradicionalmente, o manejo da DA em crianças dependia de terapias tópicas intensivas e, em casos mais graves, de imunossupressores sistémicos, muitas vezes com preocupações de segurança a longo prazo.</p>
<p>Os principais benefícios do dupilumab na idade pediátrica:</p>
<p>● Segurança e eficácia comprovadas – Estudos clínicos demonstram que o dupilumab é eficaz e seguro em crianças a partir dos 6 meses, reduzindo a inflamação cutânea, o prurido e a necessidade de corticosteroides tópicos.</p>
<p>● Melhoria na qualidade de vida – O prurido intenso e as lesões cutâneas afetam o sono, o desempenho escolar e o bem-estar emocional das crianças. Com a redução dos sintomas, há uma recuperação significativa na qualidade do sono, na interação social e na autoestima.</p>
<p>● Redução da necessidade de corticoterapia sistémica– Evita os efeitos adversos associados ao uso prolongado de corticoides, como alterações metabólicas e do crescimento.</p>
<p>● Facilidade de administração – Sendo um anticorpo monoclonal administrado por via subcutânea representa uma alternativa viável para pais e cuidadores que lidam com a dificuldade da adesão a terapêuticas tópicas extensivas.</p>
<p>● Intervenção precoce e prevenção de complicações – Ao controlar a inflamação de forma sustentada, pode ajudar a prevenir a progressão da doença e o risco de desenvolver outras condições atópicas, como asma e rinite alérgica.</p>
<p>Foi, sem dúvida, um marco importante na transição para abordagens mais direcionadas e mais seguras na Dermatologia Pediátrica.</p>
<p>“As doenças dermatológicas, nomeadamente a DA, podem ter um elevado impacto no desenvolvimento físico e intelectual dos doentes em idade pediátrica”, destacou a dermatologista. As doenças dermatológicas são frequentemente vistas pela população em geral e mesmo pelos médicos de outras áreas, como condições restritas à pele, não sendo valorizado o verdadeiro impacto que têm no desenvolvimento da criança.</p>
<p>“É importante também considerar o impacto da restrição do sono na DA e no rendimento escolar, assunto já debatido há muito”. O impacto do excesso de corticoides orais nestes doentes também deve ser considerado, nomeadamente no crescimento/desenvolvimento estatural.</p>
<p>E, nesse âmbito, a especialista destacou o poster com o título de “Characterizing Dermatologic Conditions Impacting Children with Intellectual and Developmental Disabilities” de Josmar Flores et al.  Neste estudo, são incluídas crianças com distúrbios intelectuais e do desenvolvimento, que apresentam risco de várias comorbilidades, sendo as doenças dermatológicas das mais comuns e muitas vezes ignoradas. Assim, tendo recorrido ao TriNetX Research Network, os autores identificaram 53,801 doentes que preenchiam os critérios de distúrbio do desenvolvimento intelectual e destes, 41% (22,090) apresentavam uma patologia da pele, sendo a mais frequente a dermatite e eczema (ICD-10-CM codes L20-L30) &#8211; 24% destes doentes.</p>
<p>Este estudo alerta para a necessidade de estarmos atentos e intervirmos neste grupo de doentes, que pela sua condição acabam por estar numa posição de maior risco na sociedade, podendo não ocorrer uma intervenção terapêutica tão precoce ou efetiva como nas restantes crianças, por desconhecimento, receio de interações medicamentosas e até menor procura de cuidados dermatológicos.</p>
<p>Um outro estudo destacado pela dermatologista com o título de &#8220;Growth Analysis in Children Aged Less Than 12 Years with Moderate-to-Severe Atopic Dermatitis&#8221;<sup><span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-fareast-font-family: Calibri; color: black; mso-ansi-language: PT; mso-fareast-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA;">3</span></sup> e publicado no <em>Journal of the American Academy of Dermatology</em><sup><span style="font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif; mso-fareast-font-family: Calibri; color: black; mso-ansi-language: PT; mso-fareast-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA;">4</span></sup> avaliou os padrões de crescimento em crianças menores de 12 anos com DA moderada a grave. Foi demonstrado que uma percentagem maior de crianças com DA que estavam abaixo do percentil 25 de altura na linha de base tiveram melhorias superiores a 5 pontos percentuais com o tratamento com dupilumab às 16 semanas. Os dados sugerem que crianças mais novas com DA mais grave e em percentis de altura mais baixos correm o risco de permanecer em percentis de altura mais baixos à medida que progridem para a adolescência se não forem tratadas precoce e efetivamente.</p>
<h6></h6>
<h6>Referências:</h6>
<h6>1. Silverberg JI, Simpson EL. Association between severe eczema in children and multiple comorbid conditions and increased healthcare utilization. Pediatr Allergy Immunol. 2013;24(5):476-486. doi:10.1111/pai.12095</h6>
<h6>2. Yamamoto-Hanada K, Kobayashi T, Mikami M, et al. Enhanced early skin treatment for atopic dermatitis in infants reduces food allergy. J Allergy Clin Immunol. 2023;152(1):126-135. doi:10.1016/j.jaci.2023.03.008</h6>
<h6>3. Veehof MM, Oskam MJ, Schreurs KMG, Bohlmeijer ET. Acceptance-based interventions for the treatment of chronic pain: A systematic review and meta-analysis. Pain. 2011;152(3):533-542. doi:10.1016/j.pain.2010.11.002</h6>
<h6>4. Paller AS, De Bruin-Weller M, Marcoux D, et al. Real-world treatment outcomes of systemic treatments for moderate-to-severe atopic dermatitis in children aged less than 12 years: 2-year results from PEDIatric STudy in Atopic Dermatitis. J Am Acad Dermatol. 2025;92(2):242-251. doi:10.1016/j.jaad.2024.09.046</h6>
<h6></h6>
<h6></h6>
<h6>MAT-PT-2500254 – v1.0 – Abril 2025</h6>
<h6></h6>
<p>O conteúdo <a href="https://mediconews.pt/highlights-do-aad-2025-em-dermatite-atopica-por-rita-travassos/">Highlights do AAD 2025 em dermatite atópica por Rita Travassos</a> aparece primeiro em <a href="https://mediconews.pt">Médico News</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A importância da intervenção clínica para controlar mais doentes hipertensos</title>
		<link>https://mediconews.pt/a-urgencia-de-reformular-os-cuidados-de-saude-em-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Mar 2025 09:00:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Geral e Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[JAC]]></category>
		<category><![CDATA[MGF]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mediconews.pt/?p=39664</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Adesão à Terapêutica e Inércia Clínica: dois lados da mesma moeda” foi um dos temas abordados na 36.ª edição das Jornadas de Atualização Cardiovascular 2025, realizada de 15 a 17 de janeiro, no Porto. <strong>Rosa de Pinho</strong>, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão e palestrante nesta sessão, em entrevista à News Farma, explorou alguns dos maiores desafios na gestão de doenças crónicas, como a hipertensão arterial, e reforçou a importância da intervenção clínica para conseguir controlar mais doentes hipertensos. Assista à entrevista.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Rosa de Pinho começa por destacar um problema central: a baixa literacia em saúde. “As pessoas não compreendem bem o que é a hipertensão, como não dói, não têm grande preocupação. Os doentes sabem que a hipertensão pode provocar complicações, mas não percebem muito bem como é que funciona&#8221;, afirmou a especialista. Por outro lado, a adesão à terapêutica é outra dificuldade recorrente verificando-se que, frequentemente, os doentes resistem a tomar a medicação necessária.</p>
<p>Segundo a palestrante, essa resistência pode ser agravada por esquemas terapêuticos complexos: “Se o doente já não está motivado para tomar um [fármaco], se nós vamos dar dois ou três, ainda é pior”. Neste sentido, uma solução mencionada por Rosa de Pinho é o uso de combinações fixas de medicamentos, que reúnem várias substâncias num único comprimido. Como afirmou, “o doente só tem que tomar um comprimido, portanto, no mesmo comprimido tem ali duas ou três substâncias. É muito melhor em termos de adesão.&#8221; Essas combinações, explica, têm um efeito sinérgico e efeitos colaterais mais atenuados, contribuindo para um melhor controlo dos valores tensionais.</p>
<p>Segundo Rosa de Pinho, o tempo dedicado pelos médicos de família ao doente crónico, como o doente hipertenso é fundamental. “Nós não temos o tempo suficiente que precisávamos nas consultas para dedicar a estes doentes [&#8230;] e sermos mais interventivos”, sublinha Rosa de Pinho. Para a oradora, é crucial que os médicos de família se concentrem no seguimento dos seus doentes hipertensos, afirmando que “tem que haver libertação dos médicos de família de tarefas que não são tão relevantes [&#8230;] para termos mais tempo para dedicar, de facto, ao doente crónico”, uma vez que se os doentes hipertensos “não estiverem controlados, vão ter grandes problemas em termos de saúde&#8221;.</p>
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		<title>Doentes crónicos e inovação terapêutica: o papel das associações fixas</title>
		<link>https://mediconews.pt/doentes-cronicos-e-inovacao-terapeutica-o-papel-das-associacoes-fixas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Mar 2025 09:00:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Medicina Interna]]></category>
		<category><![CDATA[JAC]]></category>
		<category><![CDATA[SPMI]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A 36.ª edição das Jornadas de Atualização Cardiovascular 2025, decorreu de 15 a 17 de janeiro, no Porto, e incluiu uma sessão dedicada ao tema “Adesão à Terapêutica e Inércia Clínica: Dois Lados da Mesma Moeda”. Durante a sessão, <strong>Vitória Cunha</strong>, especialista em Medicina Interna da ULS de Almada Seixal e oradora convidada, partilhou, em entrevista à News Farma, uma reflexão abrangente sobre a importância da adesão à terapêutica na redução dos eventos que podem ocorrer como consequência da hipertensão, reforçando o papel das associações fixas de 2 ou 3 anti-hipertensores no tratamento. Assista às declarações.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em termos de desafios, a especialista salienta a necessidade de superar obstáculos como a adesão terapêutica e a inércia médica.</p>
<p>Vitória Cunha reforça que oportunidades únicas para enfrentar os problemas identificados podem ser combatidos com o conhecimento atual e as ferramentas disponíveis. “Oportunidades são todo o nosso conhecimento [&#8230;] seja através da maior utilização de associações fixas, seja com estratégias de comunicação e empatia com o doente.”</p>
<p>Assim, uma das soluções destacadas é a escolha de associações fixas de anti-hipertensores desde o início do tratamento. “Sabemos pelas últimas orientações que [&#8230;] devemos começar com associações fixas, ainda que em baixa dose, [&#8230;] porque a monoterapia deve ser deixada para casos muito específicos”. Esta abordagem, que reúne dois ou três anti-hipertensores diferentes num único comprimido, é considerada fundamental para facilitar a adesão terapêutica. De acordo com Vitória Cunha, “as combinações fixas e mesmo a <em>polypill</em> são estratégias terapêuticas que cada vez mais devemos implementar”.</p>
<p>Por fim, de modo a superar os desafios, a oradora destaca ainda a importância das “estratégias de comunicação e de empatia com o doente, e as consultas abertas com mais apoio multidisciplinar”, como ferramentas essenciais para melhorar a adesão ao tratamento.</p>
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