Atualização no tratamento do carcinoma da nasofaringe metastático

Dr.ª Elsa Campôa

Oncologia

,

Otorrinolaringologia

Atualização no tratamento do carcinoma da nasofaringe metastático

Leia o artigo de opinião da Dr.ª Elsa Campôa, onde a oncologista do Centro Hospitalar Universitário do Algarve partilha a sua visão sobre o contexto atual do tratamento do carcinoma da nasofaringe metastático.

O carcinoma da nasofaringe é uma entidade distinta dentro dos carcinomas pavimento celulares (CPC) da cabeça e pescoço. Trata-se de uma neoplasia rara na maior parte do mundo, mas endémica na China e Sudoeste Asiático. Nos casos de CPC da nasofaringe não queratinizante, um dos subtipos mais frequentes, em aproximadamente 90 % dos casos verifica-se associação com o vírus Epstein-Barr.

O tratamento do carcinoma da nasofaringe recorrente ou metastático é desafiante e envolve uma abordagem multidisciplinar na seleção da melhor estratégia terapêutica para cada doente. Deve avaliar-se o potencial do tratamento sistémico, abordagem cirúrgica ou da radioterapia na sua individualidade e complementaridade.

A terapêutica sistémica standard para a doença metastática em 1.ª linha envolve esquemas baseados em platino, nomeadamente a combinação de cisplatino com gemcitabina. Ao longo dos anos, a imunoterapia tem vindo a alterar os paradigmas dos tratamentos em várias neoplasias e também no carcinoma da nasofaringe, com vários estudos fase 3 em 1.ª linha e subsequentes. Nos últimos dois anos, três ensaios de fase 3, JUPITER-02, CAPTAIN 1ST e RATIONALE-309, demonstraram benefícios na associação de inibidores de checkpoint anti-PD1 ao tratamento standard de quimioterapia com cisplatino e gemcitabina.

Adicionalmente introduziram o conceito de terapêutica de manutenção pela continuidade do fármaco de imunoterapia após os seis ciclos de concomitância com a quimioterapia. Os três fármacos avaliados nos ensaios foram: toripalimab (JUPITER-02), camrelizumab (CAPTAIN 1ST) e tislelizumab (RATIONALE-309). Os ensaios apresentavam desenhos de estudo similares com a adição do fármaco de imunoterapia aos seis ciclos de cisplatino e gemcitabina com posterior terapêutica de manutenção com imunoterapia. O objetivo principal em todos foi a sobrevida livre de progressão (PFS). Os resultados foram positivos nos três ensaios para o seu objetivo principal. Destaca-se um aumento em PFS de 48 % para toripalimab; 46 % para camrelizumab; e 50 % para tislelizumab. Os resultados de sobrevida global (OS) são ainda imaturos.

Relativamente a terapêuticas em 2.ª linha e posteriores as opções mantêm-se entre imunoterapia ou quimioterapia, com benefícios similares, no entanto com menores toxicidades associadas à imunoterapia. Assim, os resultados da associação de imunoterapia ao tratamento standard em primeira linha são muito promissores, eventualmente practice changing, encontrando-se já as associações de toripalimab e camrelizumab com a quimioterapia em 1.ª linha contemplados nas atualizações da Sociedade Europeia de Oncologia Médica.

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