Ameaça invisível: estudo alerta para o avanço das resistências antifúngicas e falhas na vigilância nacional

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Raquel Sabino

Opinião

Ameaça invisível: estudo alerta para o avanço das resistências antifúngicas e falhas na vigilância nacional

As infeções fúngicas continuam a causar cerca de 3,8 milhões de mortes anuais a nível global. Num artigo de opinião assinado pela investigadora Raquel Sabino traça o retrato detalhado desta realidade no nosso país, tendo por base as conclusões do trabalho “Candida and candidiasis in Portugal: Past situation, current trends and future challenges”. A autora alerta para uma mudança preocupante no perfil epidemiológico nacional: embora a Candida albicans continue a ser o agente mais isolado, assiste-se a uma emergência nítida de espécies não-albicans multirresistentes e com elevada capacidade de contágio hospitalar, como a Candida parapsilosis e a temida Candidozyma auris (ou Candida auris), cujo primeiro caso em Portugal foi isolado em 2023. Cruzando dados recentes de estudos multicêntricos e análises do Instituto Ricardo Jorge (INSA), a especialista expõe as implicações clínicas diretas do consumo desregulado de antifúngicos de venda livre para infeções superficiais (como a candidíase vulvovaginal e onicomicoses) e aponta as principais lacunas do sistema nacional. Em nome do avanço científico e da segurança dos doentes, Raquel Sabino defende a criação urgente de uma rede de notificação obrigatória e de vigilância sistemática, alinhada com as diretrizes globais da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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