Controlo lipídico no pós-SCA: a “ferramenta terapêutica extraordinária” para ultrapassar a inércia clínica e a má adesão
Sexta-feira, 06 Novembro 20 11:47
António Ferreira
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Controlo lipídico no pós-SCA: a “ferramenta terapêutica extraordinária” para ultrapassar a inércia clínica e a má adesão
Sexta-feira, 06 Novembro 20 11:47
A Novartis promoveu um simpósio durante o XXXIII Congresso Português de Aterosclerose”, dedicado a estratégias para “Atingir e manter os doentes com DCVA nos alvos do C-LDL” e que contou com a intervenção de António Ferreira, cardiologista no Hospital de Santa Cruz (Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental). Em declarações à News Farma, o especialista menciona os resultados do estudo LATINO ACS, que demonstram o subtratamento e a baixa percentagem de doentes que atingem os valores-alvo de colesterol após um evento coronário agudo, destacando de que forma uma nova abordagem terapêutica pode ser crucial para colmatar esta falha. Veja a entrevista.
António Ferreira inicia a sua intervenção mencionando que o estudo LATINO ACS, realizado na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, “mostra-nos um retrato de mundo real do doente após síndrome coronária aguda” e revelou uma realidade preocupante: após um enfarte, apenas 10% dos doentes atingem o valor-alvo de colesterol LDL inferior a 55 mg/dL.
Na perspetiva do especialista, a principal razão para este fenómeno foi a “inércia terapêutica e o subtratamento destes doentes”, já que dois terços dos participantes “estavam a fazer apenas terapêutica hipolipemiante de intensidade moderada”.
Face a este cenário, o cardiologista salienta a importância de fazer o controlo lipídico nestes doentes com “fármacos que sejam eficazes, bem tolerados e que ultrapassem o problema” da má adesão terapêutica como, por exemplo, o inclisiran.
Este fármaco apresenta uma eficácia robusta, uma vez que os ensaios clínicos demonstram e a evidência do mundo real confirma que o “inclisiran reduz o colesterol LDL em valores próximos de 50%”. Esta significativa redução, obtida “com uma administração apenas semestral”, somada a outros medicamentos, “poderá permitir colocar muito mais doentes no valor-alvo”.
António Ferreira sublinha que a forma de administração do inclisiran confere-lhe um valor único no combate à má adesão terapêutica. A dose de manutenção é administrada de seis em seis meses por um profissional de saúde. “Portanto, não é o doente que toma em casa. Vai ao hospital e é-lhe administrado”, afirma.
Por isso, o cardiologista reforça que o inclisiran “é uma boa novidade” e “pode ser uma ferramenta terapêutica extraordinária para ultrapassar o problema da má adesão” ao tratamento.